Blame

2 Capítulo 2: Absolvida


Notas iniciais
Obs: Narração em primeira pessoa e descrição as ações em terceira


– Perdão. Tire as algemas dela, por favor. Quando fizer, volte ao seu posto.
– Sim, senhor! — respondeu o policial de prontidão. Depois de retirar as algemas a mulata massageou os pulsos e agradeceu o ''guardinha grosso''. Ela saiu e voltou ao seu trabalho, deixando apenas Ivy, o ''delegato'' e o imbecil Tayson.
– Então, Ivy, não é? — Falou o delegado e a morena balançou a cabeça positivamente.– Sente-se, o assunto será bem longo.
– Posso saber quem é você? Ou isso aqui é tipo aquelas séries de suspense que só há codinomes? — O delegado riu.
– Claro, isso não é segredo. Meu nome é Vince Vittore, tenho 26 anos e sou o delegado desse departamento de polícia. Alguma outra pergunta?
– Você está solto na pista? — Ivy deu um sorriso maroto. Tayson olhou de forma incrédula para a vizinha e Vince continuou rindo. — Brincadeira.
– Por que? O simples homem aqui tem chances uma mulher tão fantástica? — Dessa vez quem riu foi Ivy, o delegado entrou na sua brincadeira. Bom, ao menos ela relaxou um pouco, estava muito tensa com o que estava acontecendo.
– Awn, obrigada! — Respondeu Ivy. Tayson pigarreou.
– Desculpe interromper o clima, mas o assunto não era sério, senhor Vince?
– Claro, já vamos começar. — Vince sorriu de canto, pegou um papel que estava sobre a mesa e prosseguiu.– Ivy Wissen, 22 anos de idade, jornalista atualmente desempregada, solteira, mora sozinha. Bom, você está sendo julgada por divulgação inapropriada de imagem, difamação, falsas acusações etc., mas acabou sendo presa por desacato a autoridade.
– Sim, sei muito bem disso.
– Então, eu queria mais detalhes sobre o caso da Cristina Fanny. Como deduziu que foi a irmã dela?
– Ah, isso? Bem, vamos ver...

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– Renée, seu ultimo trabalho será no estado da Pensilvânia, procure algo espetacular para noticiar, lembre-se, esse trabalho custa seus 4 anos de curso. Sua viagem e estadia será por conta da faculdade, ficará lá por uma semana e depois disso volte com o trabalho impecável! — Anunciou o meu coordenador.

Estava com 21 anos de idade ainda, meados de abril. Fui para minha casa anunciar a viagem de poucos dias para meus pais e arrumar uma bolsa com os objetos pessoais e de trabalho, que se resumem em uma câmera fotográfica profissional, um bloco de notas, um lápis e meu notebook.

Após arrumar minhas coisas esperei que o dia virasse para assim pegar o avião bem cedo, segui até o hotel reservado, descansei a viagem por algumas horas e fui averiguar o local para saber se havia algo interessante para inserir no meu projeto. Rodei a cidade de Harrisburg* por um bom tempo e nenhum movimento interessante pela parte da tarde.

Voltei ao meu quarto de hotel, tomei um banho e a noite já tinha caído, meu estômago estava protestando já que eu só comi um mísero salgado no aeroporto, teria que esticar o pouco de dinheiro que peguei no meu cofrinho, não quis pegar dinheiro com meus pais para resolver problemas meus.

– Até tem um Starbucks aqui, mas isso é para riquinhos. — Fui para uma lanchonete que tinha aquele estilo anos 50, estava cheia de pessoas esquisitas e medonhas. — É aqui mesmo que eu vou ficar. — Sentei num dos banquinhos próximos ao balcão já que as mesas estavam ocupadas, pedi um milkshake e um sanduíche bem caprichado e enfim matei que estava me matando, a fome.

Ao meu lado estava uma mulher que chorava baixinho e dizia coisas desconexas, mas eu consegui captar apenas uma coisa do que ela falava: ''Cristina, ela me paga''. Era uma mulher bonita, deveria ter seus 40 anos de idade, vestia uma roupa provocante e jogado no balcão próximo a mim um sobretudo creme, uma bolsa de marca e um pequeno saquinho com um bilhete. Como ver pessoas chorando me causa um desconforto — lê-se raiva — resolvi sair e pagar o que consumi, depois caminhei pelas redondezas por mais um bom tempo, voltei para o hotel sem esperanças, achei que teria alguma boa notícia.

No dia seguinte foi a mesma história pela manhã, nada de interessante. Somente quando caiu a noite eu pude observar algumas coisas que instigaram meus sentidos.

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– Você disse que no balcão havia um saquinho, é isso?
– Sim, senhor. Minha memória fotográfica não é ruim. — A mulata piscou.
– Prossiga por favor.

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Fui até um bairro mais luxuoso da cidade, queria aproveitar para tirar algumas fotos que minha mãe insistiu que eu tirasse para ''guardar de recordação''. Andei um bocado e tirei as tais fotos, andei mais até um parque e então sentei num banco. Passou por mim uma pessoa com passos apressados e as vezes olhava para trás, reconheci na mesma hora quem era, a mulher da lanchonete.

Talvez por eu estar meio escondida ela não me viu, mas aquela atitude dela me deixou alerta e eu analisei melhor a situação. Ela sentou num banco mais afastado, pegou o celular e ligou para alguém, pelas expressões que fazia ela estava desesperada, a pouca iluminação que tinha me permitiu tirar uma foto da mulher.

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– Não me olhem assim! Sou jornalista investigativa, então aquilo me pareceu uma boa oportunidade, a desgraça alheia é que faz a notícia... — Ivy deu de ombros e prosseguiu.

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As fotos ficaram uma merda, se eu ligasse o flash ia ser evidente que eu estava ali, mas dava para ver algumas coisas. A mulher saiu correndo e eu vi que era hora de sair daquele lugar antes que eu fosse para o outro plano mais cedo, mas de uma hora para outra aquela região estava um maldito caos! Polícia, IML, bombeiros e curiosos em volta do prédio mais alto do bairro. PERFEITO! Aconteceu alguma coisa para que eu pudesse relatar. Cheguei mais perto e perguntei para uma senhorinha vestida de empregada que estava ali o que estava acontecendo, peguei meu bloco de notas no bolso do casaco e comecei a anotar:

– É horrível menina, a dona Cristina Fanny foi assassinada!
– Cristina?
– É, ela é dona da mais luxuosa marca de cosméticos do país!
– Ela morava em qual andar?
– No 12º

Agradeci a senhora e fui me enfiando no meio da multidão, o local ainda não estava com a faixa de contenção então era a oportunidade perfeita para entrar lá. Um policial tentou impedir minha passagem, mas eu menti dizendo que minha avó morava ali e ela precisava de mim, com isso ele deixou eu passar. Passei correndo pela recepção, peguei o elevador e parei no bendito 12!

Estava uma loucura aquilo, vi que seria difícil conseguir fotos então tive que esperar um tempo para pensar em algo, outro policial veio na minha direção e eu tive uma ideia:

– Ei, o que a senhorita faz aqui? Quem deixou você entrar?
– Oh, perdão senhor policial, é que eu sou estagiária para perícia em outro estado, vim para cá a trabalho e bem... achei que essa era uma oportunidade para colocar minhas habilidades em prática.

Tentei dizer tudo na maior naturalidade possível, o policial desconfiou um pouco, mas logo depois cedeu. Fiquei próxima a porta observando o que estava acontecendo lá dentro, o corpo ainda estava descoberto e então eu analisei todo o ambiente. O pescoço estava vermelho, os braços estavam arranhados e tinha sangue na boca da mulher, mas ainda não conseguia ver o rosto todo.

Fiquei na ponta dos pés e quando consegui meu objetivo fiquei um pouco espantada, precisaria analisar a situação com mais calma. Tirei algumas fotos na encolha e saí do lugar o quanto antes. Voltei para meu quarto de hotel e passei as informações para o computador.

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– Então com isso você deduziu que Cristina foi assassinada pela irmã Catarina.
– Isso mesmo!
– Então, sua casa foi vasculhada e lá pegamos sua câmera e seu computador para avaliar a veracidade dos fatos. Peço desculpas por isso, mas foram ordens do juiz.
– Claro, claro... - Ivy revirou os olhos.– Não tem nada demais lá mesmo.
– Então, nessas 12 hrs que ficou ''confinada'', concluímos que os dois casos que você divulgou são reais. Os dois casos foram analisados separadamente e ambos mostram-se verdadeiros, Catarina Fanny já foi presa e o magnata da Wavy Street está sendo julgado em Nova Orleans...

... Parabéns Ivy, você foi absolvida!
– Eh?!

Notas finais
*Capital do estado da Pensilvânia