Blades And Stars
4 Wake
Notas iniciais
Eu realmente ia postar só no final de semana, mas eu desisti de estudar por hoje, então aqui estou.
Ah, eu vou aproveitar e agradecer a todos que leram e comentaram. Muito obrigada gente, de verdade *----*
~ Mello ~
Aquela luz maldita tornava difícil abrir os olhos.
Quando foi que eu tinha dormido?...
Matt.
Levantei de uma vez, com o nome dele ecoando em minha mente, o que foi uma grande idiotice de se fazer.
Uma forte fisgada no meu lado esquerdo me lembrou de imediato do que eu tinha feito.
Eu estava usando uma daquelas roupas horríveis de hospital, e ao passar a mão por sobre a minha pele, no local onde doía, pude sentir o corte que eu tinha feito com o canivete e os muitos pontos que o fechavam.
Era bom que meu rim não estivesse mais lá, pelo bem da vida daquele médico!
Droga, eu tinha que ver o Matt, eu tinha que ver como ele estava!
...
... E se... E se não tiver adiantado de nada?
...
Mas que merda eu estou pensando?!
Lógico que funcionou! Eu enfiei uma lâmina no meu corpo pra ele poder ganhar um rim, caramba! É melhor que tenha funcionado!
É melhor... Que ele esteja vivo...
Levantei da cama, devagar dessa vez, mas quem disse que eu consegui ficar de pé?
Aquela dor desgraçada já não ajudava, e agora minhas pernas simplesmente resolveram não trabalhar!
Caí no chão.
Me apoiei na cama para tentar de novo, mas eu apenas consegui cair mais uma vez.
– O que está fazendo?! — alguém exclamou na porta. Eu reconheci a voz sem nem precisar olhar; era aquele médico — Você acabou de sofrer uma cirurgia, não pode levantar da cama!
Não era bem que eu não podia, e sim que eu não conseguia.
...
Ah, então eu tinha sido operado pelo menos.
– Cadê o Matt? – perguntei, deixando o médico me ajudar a levantar; não era hora pra ser orgulhoso.
– Vivo — ele respondeu me olhando com uma desaprovação nem um pouco discreta, enquanto me colocava de volta na cama — E descansando, como você também deveria estar fazendo.
...
... Ele... Ele estava vivo?
...
Ele estava vivo!
Senti uma vontade enorme de pular, de sair correndo pelo hospital, de gritar e de rir até não aguentar mais.
Mas estava meio difícil fazer qualquer uma dessas coisas no momento.
Maior do que essa vontade quase incontrolável, foi o alívio que invadiu meu corpo ao ouvir aquilo. Um alívio que entorpeceu todos os meus membros e me deixou completamente sem movimento.
– Fique quieto aqui um pouco para os seus pontos não abrirem — o médico falou sério — Logo você poderá ver o Matt — e saiu do quarto.
Há! Tá bom que eu ia esperar. Eu ia ver o Matt agora e pronto.
– Urgh! — droga, aquela fisgada de novo.
Ah, dane-se!
Ignorei a dor e levantei da cama, torcendo muito para não cair de novo. Não era algo agradável, sabe.
Ótimo, minhas pernas resolveram acordar.
Um, dois, três passos, e eu continuava de pé. É, se eu não caí até o terceiro passo, eu não caía mais.
Saí do quarto e olhei para os dois lados do corredor. Beleza, não tinha ninguém.
Mas... Qual era o quarto do Matt?
Eu teria que procurar na prancheta que tinha na mesa que deveria ser da enfermeira responsável por esse andar. Só espero que o Matt esteja nesse andar. Ahn... Cadê?... Achei! Quarto 152.
Fui andando devagar até o número certo, que ficava extamente no final do corredor, e abri a porta, também devagar.
Ele estava lá.
Ele realmente estava lá.
Seu peito subia e descia lentamente, conforme sua respiração uniforme.
Ele realmente estava vivo!
Ele estava horrível, claro. Seu tronco estava imobilizado por causa das costelas, seu braço esquerdo estava todo enfaixado, a perna direita estava erguida imóvel, hematomas preenchiam a maioria dos lugares que eu conseguia ver, e tinha uma grande bandagem cobrindo sua testa. Mas não importa, porque estava vivo!
Mais uma vez aquela onda de alívio entorpecedora me dominou e eu deslizei até o chão, ficando de joelhos, ainda na porta do quarto.
– Você está bem? — uma enfermeira veio correndo até mim, não muito depois.
Eu queria dar uma resposta sarcástica do tipo "claaaro que estou. Por isso eu estou caído no chão de uma hospital!" ,mas parando para pensar, eu estava realmente bem. Como poderia não estar?
– Ora — a mulher exclamou ao olhar melhor para mim, e ao prestar um pouco mais de atenção no seu rosto, percebi que ela estava corada... Por que ela estava corada?! — Venha — ela sorriu — Eu o ajudo a voltar para o quarto — ela segurou meu braço e me ajudou a levantar.
Eu lancei um último olhar para Matt antes de começar a andar.
– Ele está se recuperando bem — a enfermeira disse sorrindo para mim, ainda vermelha — Ele estava na UTI até pouco tempo atrás, mas parece que não há mais riscos.
Ah! Entendi.
A história de como eu tinha me cortado por causa do Matt deve ter se espalhado pelo hospital e sido assunto de fofoca desse povo aparentemente desocupado.
– Avise-me quando ele acordar, está bem? — pedi dando o meu melhor sorriso para ela.
Bom, se era assim, por que eu não podia me aproveitar dessa comoção toda?
E não é que deu certo? Ela corou ainda mais e perguntou, deixando de me olhar diretamente nos olhos — C-Claro! Ahn... Você quer alguma coisa? Eu posso arranjar para você.
Matt ficaria muito irritado se estivesse vendo isso.
– Chocolates — falei sem demora.
Agora eu só tinha que esperar ele acordar.
~ Matt ~
Onde... Onde eu estou?
Eu tinha ido pra entrevista daquele emprego e...
Cara, como isso dói!
...
Verdade, eu bati!
... Espera... Então eu tô vivo? Mas como?
Experimentei abrir os olhos, e eles arderam com a luz, sendo forçados a fecharem de novo. Tentei mais uma vez.
Um hospital?
Ótimo, eu não conseguia me mexer.
– Ah, você acordou — um homem usando jaleco falou enquanto se aproximava de mim — Mello ficará muito feliz. Como se sente?
Horrível.
Bom, eu realmente espero que o Mello fique feliz por eu estar vivo... Peraí...
– Me... — minha voz mal saiu. Tossi e tentei de novo — Mello está aqui?
– Sim, ele está no quarto 145.
Quê?! Como assim?! O Mello estava hospitalizado?!
– O que aconteceu?! Ele está bem?! Ele... Ai, caralho! — uma onda de dor percorreu meu corpo, parecendo um choque, ao fazer a besteira de tentar me mexer.
– Acalme-se – o tal médico falou colocando a mão em meu ombro.
Ele começou a me contar o que tinha acontecido. Ou melhor, ele começou a enumerar a minha lista de danos.
Sério, como é que eu tô vivo?!
Mas quando ele respondeu essa pergunta...
– O... Mello?... — eu tinha ouvido certo? O Mello... Por mim... Ele...
Antes que eu percebesse, uma lágrima quente escorreu pelo meu rosto.
– Sabe, eu estava um pouco curioso — o médico falou sorrindo — Eu queria saber que tipo de pessoa você era, para aquele rapaz fazer algo tão extremo. Na verdade, todos no hospital estavam. Ele não é exatamente uma pessoa simples de se lidar, certo? Nunca vi paciente mais difícill de manter na cama.
Simples? O Mello? Até parece.
Mas eu nem ouvia direito o que o médico dizia agora, apenas vagamente, de forma distante; eu ainda estava chocado demais, emocionado demais.
E pelo jeito o cara se tocou disso, porque não demorou para ele dizer algo em que não prestei atenção, e sair do quarto.
Mais lágrimas caíram.
E eu nem tentei impedí-las.
Tá bom, eu não sou do tipo que chora em filmes como Titanic e "O menino do pijama listrado", mas ouvir que o Mello tinha feito aquilo por mim passava algo que nenhum filme, nenhuma história, conseguia.
Como eu poderia não chorar?
Se eu conseguisse sair dessa cama, eu iria correndo até o quarto dele agora mesmo. Mas até mover o pescoço doía!
– Ha... Hahaha- eu queria rir, não, eu queria gargalhar de felicidade, mas isso também doía, arranhava minha graganta.
Tinha alguma coisa que eu podia fazer sem doer?!
Aparentemente apenas chorar.
E as lágrimas continuaram escorrendo sem parar.
~x~
Já era de noite.
Cara, que tédio!!!
Como podia não ter nenhum video-game num hospital?! Ahhh, não tinha nada pra fazer pra passar o tempo...
Mas eu também estava cansado de ser dopado. Tá bom, eu sei que era pra eu não sentir as dores mais fortes, mas mesmo assim!
Eu queria ver o Mello...
Durante todo o dia, enquanto eu estava acordado, não parava de aparecer enfermeiras. É, parece que aquele médico estava certo; elas todas pareciam muito curiosas para saber como eu era.
Aquilo iria se tornar a história do ano daquele lugar.
Mas toda vez que eu perguntava do Mello, como ele estava e quando eu poderia vê-lo, elas apenas davam uma risadinha e se entreolhavam com os olhos brilhando. Poxa, se não forem falar do Mello, nem venham aqui então!
Ouvi a porta se abrindo.
De novo??
Mantive os olhos fechados, sem querer aturar mais nenhuma enfermeira irritante. Já tinha atingido minha cota do dia, obrigado.
– Eu sei que você está acordado, idiota — ouvi aquele voz que eu tanto queria ouvir e senti aquela mão de que eu tanto sentia falta, mexer no meu cabelo, afagando-o — Você nunca soube fingir estar dormindo.
Abri os olhos e lá estava ele.
– M-Mello... — chamei seu nome e as lágrimas mais uma vez encheram meus olhos.
Poxa, eu tinha demorado um bocado pra fazer elas pararem de sair antes...
– Ahn? A primeira coisa que você faz quando me vê é chorar? — ele perguntou sorrindo pra mim e passou uma das mãos pelo meu rosto, limpando-o daquelas gostas salgadas e quentes.
– Eu... Mello, eu... — caramba, eu não sabia nem como começar! Eu queria agradecer pelo que ele fez, eu queria me desculpar pela moto, mas as palavras não saíam!
– Tudo bem — ele disse, sentando ao meu lado, no lado direito da cama. Olhei para baixo e vi a marca do corte em seu corpo, por debaixo da roupa.
- Own.
Own? Quem fez "own"?
Ah maravilha, tinha uma enfermeira na porta!
...
Então vamos dar algo para ela ver.
Usei minha mão boa para segurar o queixo de Mello e o puxar para mais perto, beijando-o logo em seguida. Ele pareceu um pouco surpreso pelo ato repentino, mas logo retribuiu.
Como eu sentia falta daquilo...
Quando nos separamos, olhei para a porta e a enfermeira parecia ter desmaiado. Ou ela só tinha caído no chão mesmo. Não me importa.
– Obrigado — falei baixo. Não conseguia encontrar as palavras certas, tudo o que saiu foi um simples "obrigado". Parecia muito pouco depois de tudo.
– Sabe, Matt. Talvez você tenha um pouco de razão — Mello falou um pouco vermelho e virando o rosto para o outro lado, provavelmente tentando esconder.
– Normalmente eu tenho — sorri — Mas sobre o quê?
– É realmente difícil dormir sem você do lado – virou de volta e puxou minha cabeça, muito gentilmente, apoiando-a em seu peito.
– Pois eu digo o mesmo — falei e fechei os olhos.
Podia ouvir seu coração batendo e sentir o movimento suave da sua respiração.
E acabei adormecendo assim.
Alguns meses depois...
– Matt, o que é que você quer me mostrar?! — Mello perguntou impaciente enquanto eu o conduzia até o lugar certo, com minhas mãos cobrindo seus olhos.
– Espera mais um pouco.
Pelo menos agora eu já podia andar normalmente. Praticamente todos os meus machucados sararam, inclusive a perna quebrada. A única coisa que ainda não estava 100% eram as minhas costelas, mas isso nunca ia sarar totalmente. Afinal, uma vez trincada, para sempre trincada.
Ah, mas quem liga?
– Olha só — tirei minhas mãos de seus olhos e esperei para ver sua reação.
Foi bem engraçada, por sinal.
– Matt... O que... Como... — ele ficava olhando da moto para mim e de mim para a moto, tantas vezes que começou a parecer uma máquina em um movimento programado.
– Esse é o seu presente de aniversário — falei sorrindo.
Bom, dar uma moto nova para ele era o mínimo que eu poderia fazer. Ainda bem que aquele cara que colidiu comigo ficou com a consciência pesada por causa do acidente... Ou melhor, ainda bem que aquele cara era rico e se sentia culpado a ponto de me dar o dinheiro necessário para a moto nova como pedido de desculpas.
Mello ainda olhava completamente surpreso para mim.
– Eu detonei com a sua moto, então estou te dando uma nova de presente. Mas desculpe, o rim eu não vou devolver, tá bom? — eu ri, e ele me acompanhou.
– Idiota — ele disse rindo e andando até sua moto nova.
O alcançei e o abracei por trás — Sou mesmo, e daí? — perguntei bem baixo no seu ouvido, mordiscando-o em seguida.
Ele virou para mim e sorriu malicioso, pouco antes de me beijar.
Mello realmente era tudo, menos simples.
Notas finais
Eu cheguei a pensar em fazer o Matt acordar sem memória, mas... Chega de drama, né? ( quem sabe em outra história? =b )
Enfim, eu espero que vocês tenham gostado *----*
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