Ao saírem da residência Kobayashi, Yoshiaki e Yashihiro guiaram os cinco jovens, até o local, onde iriam iniciar o treino dos seus mais novos pupilos, para que um dia, esses garotos, se tornassem poderosos caçadores de Onis.

O grupo andou por horas, e mesmo que, não se tratasse de garotos que eram sedentários, mas atletas de um esporte místico, que exigia um ótimo condicionamento físico, ainda sim, os jovens bladers sentiram-se exaustos, mas lutaram para não demonstrar, não queriam diminuir as expectativas de Yoshiaki e Yashihiro Kobayashi sobre eles. Assim seguiram, firmes, focados, ainda que, cansados.

Após longas quatro horas de caminhada rápida, sem pausa para descanso, eles, em fim, chegaram à uma planície, coberta por grama. Cada um dos aprendizes receberam uma Katana de bambu, que iriam empunhar até serem considerados dignos, de empunhar uma Katana verdadeira.

Logo, seu instrutor e mestre, tomou a palavra:

— A katana é um tipo de espada japonesa conhecida por sua lâmina curva capaz de matar demônios. Por mais que o manejo dela pareça simples, dominar os golpes e os cortes é algo que exige muito treino. Anos de treino, para ser preciso. Fique de frente para seu alvo e balance a lâmina na direção dele. Estabelecendo contato com o fio de corte da espada. Serão capazes de enxergar. Mas, por enquanto, vamos com calma no começo do treino, focando mais na forma e na sua segurança. Vamos acelerar o treino conforme vocês ganharem mais experiência no manejo da lâmina. Vamos iniciar com o kenjutsu, para praticar o manejo de espadas japonesas no geral. E o iaido para aprender a desembainhar espadas rapidamente e responder a ataques repentinos. — Falara Yoshiaki Kobayashi, solenemente, aos seus novos discípulos.-

Assim, iniciou o treino dos antigos bladers, e agora, futuros Caçadores de Onis.

Yoshiaki Kobayashi com auxílio de seu filho, Yashihiro, instruíram os garotos nos primeiros passos da jornada para se tornarem exímios espadachins. Sendo ambos os mestres pacientes, porém rígidos e exigentes.

Depois de algumas horas, eles, finalmente, pararam para se alimentar, para almoçar.

Após a refeição, Valt, se lembrou de Valtryek. De fato, o Bey era muito estimado e amado pelo garoto, mas, ele passara por tantas adversidades que não teve tempo para falar, sequer tocar em seu bey. Mas ao se lembrar dele, um sorriso brotou em seus lábios. Colocando a mão em seu bolso, Valt o segurou, e o trouxe para perto de si. Naquele momento, algo deveras surpreendente ocorreu, na presença de todos. Em um brilho místico, em cores azuladas, o bey, se transformou em uma Katana azul. Todos ficaram boquiabertos:

— Agora eu tenho uma Katamá de verdade! — Valt falara, sorrindo animadamente.-

— Isso... É normal? — Rantaro questionou.-

— Não que eu saiba. — Yashihiro respondeu.-

— Eu não acredito nisso! Como é possível? O Valtryek, virou uma Katana, do nada! — Wakiya estava incrédulo.-

— Onde você conseguiu esse artefato místico? — Yoshiaki Kobayashi indagou, seriamente.-

— O Valtryek? Bom... É uma longa história! — Diz Valt.-

Yoshiaki e Yashihiro Kobayashi ficaram em um estado estupefato, assombrados pelo espanto surpreendente, ao descobrirem sobre o extraordinário e sobrenatural esporte do Beyblade, e a ressonância com os Espíritos místicos dos Beys.

Depois de incontáveis perguntas, e explicações detalhadas e muito bem explicadas de Shu Kurenai, eles compreenderam a grandeza do Beyblade.

Cada Blader pegou seu bey, e o mesmo ocorreu com todos. Todos os beys se transformaram em Katanas poderosas.

Assim, Yoshiaki e Yashihiro Kobayashi notaram que seus alunos, eram especiais, com um potencial imenso, jamais visto:

— Vocês já estão prontos para saberem das 13 formas da respiração dos espíritos. — Disse o mestre, Yoshiaki.- Pois, vocês, meus discípulos, já reconheceram seus espíritos de ligação. Isso os torna muito mais avançados. Pois bem... Essa respiração é a mais semelhante a primeira respiração, a respiração do Sol. Porém, possuí suas próprias peculiaridades. Eis as 13 formas:

A Dança dos Espíritos: Um método semelhante, a dança do deus do fogo, da respiração do sol. Inalando grandes quantidades de oxigênio, aumentando o bombeamento do sangue por todo o corpo, focalizando-o nas pernas e liberando tudo para atacar o alvo com a Katana. Essa é a primeira forma.

Céu Espiritual – O espadachim gira seu corpo verticalmente para criar um corte de 360°. Essa é a segunda forma.

A Fúria dos Espíritos – O espadachim desfere dois cortes horizontais para acertar ou se defender de ataques. Essa é a terceira forma.

Defesa da Ilusão – O espadachim utiliza esta técnica para escapar de ataques com giros e rotações em alta velocidade, criando imagens residuais. As imagens residuais funcionam de forma mais eficaz em inimigos com boa visão, pois provavelmente não conseguirão atacar a imagem residual em vez do corpo real do usuário. Essa é a quarta forma.

Tornado de Fogo – O espadachim salta atrás do oponente e gira no ar enquanto lança um ataque flamejante em um movimento circular. Essa é a quinta forma.

O Círculo Espiritual. – Uma técnica defensiva poderosa. O espadachim desfere um golpe circular que o defende de ataques frontais iminentes. Essa é a sexta forma.

Impulso da Fúria – Um ataque de golpe único com a ponta da lâmina. Essa é a sétima forma.

Falha Fatal – O espadachim avança em direção ao alvo, atacando-o com uma barra coberta de névoa que aparentemente falha na aterrissagem, mas na verdade acerta o alvo. Essa é a oitava forma.

Espírito Flamejante – O usuário salta para trás no ar para desferir um golpe poderoso de espada flamejante virada para cima neste passo da Dança dos Espíritos. Essa é a nona forma.

Resplendor Espiritual – O espadachim espirala no ar e desfere um golpe poderoso que cerca o inimigo. Essa é a décima forma.

A Dança do Espírito do Dragão – O espadachim desencadeia um ataque de espada rápido e poderoso, contínuo que assume a forma de um dragão de luz espiritual em chamas brancas. Essa forma é capaz de decapitar vários inimigos ao mesmo tempo. Essa é a décima primeira forma.

Espírito Duplo– Um golpe de dois combos que começa com uma barra vertical e, em seguida, outra horizontal. Essa é a décima segunda forma.

Ligação Espiritual– Quando o espírito de ligação do espadachim o toma por inteiro e ele é capaz de realizar todas as formas, e até mesmo, criar novos ataques de um poder imensurável, absurdo, incomparável. Essa é décima terceira forma.

... Por enquanto, o mal estará em vantagem. E fará de tudo em seu poder, para destruir vocês. Sejam fortes. E lembrem-se, para derrotar as trevas no mundo exterior, precisam derrotar as trevas dentro de vocês. — Dissera Yoshiaki. A última frase surtiu grande efeito em cada um dos ouvintes.-

[...]

Por outro lado, há um dia antes, Phi, que havia roubado o amuleto e fugido daquela tenebrosa floresta, se encontrava agora em uma cidadela completamente destruída.

Ele não tinha idéia do que poderia ter causado a destruição daquela cidade, mas não abaixou sua guarda deixando sua bey Fênix, agora com forma de Katana em sua mão direita, pronta para atacar caso necessário, e caminhou pelos destroços em busca de algum sobrevivente que pudesse lhe dar um lugar para passar a noite.

Ao caminhar pela estrada de terra, via em seu caminho pedaços de ossos, cartilagem, sangue e o que parecia ser carne humana. Aquilo lhe deixou fascinado, afinal não era todo dia que se via algo parecido com aquilo. Logo chegou em frente de um casarão mais afastado, e que não estava completamente desvastado, e resolveu entrar para ver se podia ficar no local.

Phi subiu os três degraus que levavam até a porta principal e em seguida levou sua mão até a madeira escura da porta, batendo nela três vezes, o suficiente para alguém ouvir e abri-la para ele, porém ninguém veio. Ainda estranhando a situação ele levou sua mão até a maçaneta e abriu a porta, adentrando à casa em seguida.

Com sua Katana em mãos ele caminhou pelo hall da casa, que estava completamente escura, seu instinto de sobrevivência lhe dizia que aquele lugar estava calmo demais depois do que havia visto do lado de fora. Mesmo assim, ele caminhou destemidamente se sentindo atraído pelo doce cheiro do perigo eminente, além disso ele não tinha porque temer, pois confiava em suas habilidades com espadas, já que ele era um exímio praticamente de esgrima.

De qualquer modo ele tentou acender alguma luz para visualizar melhor, mas como não encontrou nenhum interruptor, se dirigiu ao que lhe parecia uma cozinha e com a ajuda da luz vibrante de sua ressonância com seu bey Fênix, ele conseguiu encontrar fósforos e velas em uma gaveta.

Após acender as velas ele verificou se todos os cômodos do andar de baixo estavam vazios, e após constatar que estava tudo bem, se dirigiu até o andar de cima, porém ao pisar no primeiro degrau da escadaria escutou barulhos estranhos vindo do andar ao qual se dirigia.

Em silêncio, ele continuou subindo as escadas e logo que chegou ao corredor, viu que uma das portas dos quartos que haviam no andar de cima estava entreaberta, ele ouviu barulhos estranhos parecidos com o de mastigação, só que em um volume maior, que saíam de dentro do quarto.

Ao seguir pelo corredor em direção ao local, ele sentiu algo viscoso na sola de seus sapatos e ao olhar atentamente o que era, viu que havia pisado em um rastro de sangue, que vinha da escadaria até o quarto. Ele não deixou de se sentir satisfeito ao ver a cor intensa do sangue espalhado pelo chão dando até um leve sorriso psicopata de que finalmente encontraria algo interessante nesse lugar.

Com cuidado, porém com ansiedade ele se dirigiu até a entrada do quarto e se deparou com... Um ser ao qual ele não sabia a denominação. Ele era enorme, de aparência monstruosa e com suas garras que agora desfiguravam os restos do que já havia sido o corpo de uma ser humano.

Aquilo deixou Phi em choque, porém, maravilhado. Em êxtase de prazer pela majestosa cena, pois, jamais ele havia presenciado tal cena macabra. Mas logo foi tirado de seu transe ao se dar conta que o demônio havia sentido sua presença e que agora se dirigia à ele com o objetivo de também devora-lo.

Phi deu dois passos para trás, e rapidamente pensou em uma estratégia para acabar com este ser. Ele tomou espaço e correu até a escadaria se esquivando das garras do monstro. Seu objetivo era atrai-lo para fora da casa, pois se lutasse com ele dentro da residência, acabaria destruindo-a e não teria lugar para passar a noite.

Estando do lado de fora, o monstro não esperou e se jogou em Phi para despedaça-lo, mas Phi se protegeu com a Katana rapidamente a fincando no que parecia ser o abdômen do demônio.

Rapidamente Phi removeu sua Katana do monstro, e percebeu que seu golpe não surtira efeito. Mas isso não o desanimou em nenhum momento, e sim lhe deixou mais desejoso de poder destruí-lo, não tão rapidamente:

— Será interessante brincar com você. — Comenta Phi com um sorriso. Antes de começar uma luta feroz contra o Oni.-

A cada golpe do monstro, Phi se defendia elegantemente, e desfrutava de poder ataca-lo como quisesse, causando os mais diversos cortes nele. O albino de olhos heterocromáticos sentia todo o prazer que uma luta até a morte poderia lhe proporcionar, sentia a adrenalina pulsando em suas veias. Ele se sentia vivo lutando à sua vontade contra esse Oni. Já que na esgrima contra seres humanos ele não podia brincar tanto quanto queria...

Com o poder que Fênix havia lhe concedido, ele desfrutava do auge de um poder quase infinito.

Phi destroçou todo o monstro, e após isso, decepou satisfatoriamente sua cabeça de seu corpo imenso, que caiu violentamente ao chão sem vida.

Como ele sabia que tinha de arrancar a cabeça do Oni para mata-lo? Era simples. Fênix, seu espírito fiel, o havia dito, já que esse espírito bey, como qualquer outro, era ciente de que haviam outras dimensões e seres como esse oni. Então não foi difícil explicar para Phi, que por sua forte ligação com seu bey entendia perfeitamente o que lhe dizia.

Mas, o que Phi nem Fênix esperavam era que alguém mais tivesse visto sua prazerosa batalha. Esse alguém era ninguém mais ninguém e ninguém menos que... Muzan Kibutsuji.