Blackmail, master!
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Não vai me responder? Se tiver perdido algo, posso ajudar a procurar. – Um sorriso irônico se formou em seu rosto.
– A última ajuda que preciso, é a sua. Darei um jeito de...
– Então realmente perdeu algo? Hum, deve ser importante para estar nessa euforia.
Sem perceber, acabei revelando que havia de fato perdido algo. Isso é mal, vai saber o que está se passando em sua cabeça nesse exato momento. Suspirei levemente, pausando minha procura para encará-lo. Melhor, tinha mais a intenção de espantá-lo, apesar de ambos os olhares serem intimidadores, e nenhum deles ter a intenção de recuar.
– O quê faz aqui há essa hora? – Perguntei, com um olhar reprovador. – Já deveria ter ido para casa.
– Tanto faz se chegou tarde ou não. Posso dizer que estou aqui para ocupar o tempo. Mas, é desta lista que precisa? – Perguntou-me, erguendo-a com uma cara lavada que não demonstrava a maior preocupação.
Era mesmo ela, ele realmente a tinha pego. Ou não. Talvez eu quem a tenha perdido e ele tenha achado. Mas isso é irrelevante. Agora esta lista está em suas mãos e não o sei o que ele é capaz de fazer.
– Irei lhe entregar essa lista com uma condição.
– E qual seria?
– Você será meu cachorro. – Revelou, com um sorriso debochador.
– Huh? Era o quê faltava. Além de roubá-la, quer exigências?
– E se eu a tiver achado por aí, não acha que é uma grande irresponsabilidade sua? “A presidente do Conselho Estudantil anda perdendo materiais importantes.”. – Abriu os braços, levando uma de suas mãos ao peito enquanto a outra pairava no ar. — Este não seria um boato favorecedor para você. Além do mais, mesmo que diga que fui eu quem roubei a lista, não irão ser todos que acreditaram em você.
– Me recuso.
– Não parece dar muito importância a ela, nesse caso jogarei fora ou coisa do tipo, não será meu problema caso ela desapareça.
Chantagista dos infernos! No seu primeiro dia de aula e já arrumando confusão. Não quero que quaisquer tipos de boatos negativos corram soltos sobre mim na escola, justo eu que sempre me esforcei para ter uma boa imagem. Estaria eu mesmo sem saída? Não havia outro jeito de resolver as coisas...?
– Certo. Tudo bem. Serei seu “cachorro”.
– Coloque essa coleira.
– Claro. – Falei sem pensar, apenas concordando.
– “Claro”? Heh, achamos uma masoquista.
– O-O quê está falando? Masoquista?! – Corei um pouco. – Não costumo contradizer o que digo, então irei colocá-la... Só porque sou uma pessoa honesta! – Franzi o cenho.
A ajeitei em meu pescoço, de uma forma que a gola de minha camisa não a expôs-se por completo. Mas... Uma coleira? Está realmente tudo bem? E se alguém do Conselho Estudantil reclamar sobre isso... ?
[...]
– Robin! Ei, Robin! – Me chamou, a garota de cabelos alaranjados.
– Ah, Nami! Bom dia. – Sorri alegremente, ao ver minha melhor amiga, que era também a Vice-Presidente do Conselho Estudantil, meu braço direito.
– Bom dia. Veio para a escola cedo hoje.
– Sim... Esqueci-me de deixar alguns papéis na sala dos professores ontem.
– Estou à caminho de lá, se quiser que já os entregue.
– Isto seria ótimo! Desculpe-me por isso.
– Não é nada. À proposito, por que está com uma coleira? – Perguntou, levantando uma de suas sobrancelhas.
– Heh? C-Coleira? Isso é estilo! Estilo! – Retruquei, gaguejando.
– Oh, sim, então está bem. Nos vemos mais tarde!
– S-Sim! – Respondi, suspirando aliviada.
Coloquei a mão na coleira assim que ela saiu de minha vista. Havia me esquecido dessa coisa, acho melhor tirá-la, pelo menos enquanto estou na escola. Mas, afinal... Como é que se tira essa coisa?!
Fiquei me debatendo até que avistei aquele cara. Roronoa... Ah não. A essa hora da manhã, não.
– E aí. Problemas com a coleira? – Riu.
– Cale a boca! Afinal, por que tenho que ficar com isso? Que vergonhoso! – Respondi, irritada, e corando um pouco também, vai saber por quê.
– Venha aqui, irei tirá-la de seu pescoço, antes que se enforque “tentando” fazer o mesmo. – Fez um bico.
Aproximou-se de mim o suficiente para conseguir sentir seu hálito quente em meu rosto, enquanto reclamava irritado de minha inutilidade. Sua respiração também se misturava ao mesmo. Passou seus braços com músculos definidos, mas não tão chamativos, em meu pescoço, tentando retirar a coleira. Corei mais que nunca. Apesar de para ele, fosse como retirar a coleira de um cachorro de verdade, para mim foi demais. Me desequilibrei um pouco e pressionei um pouco meus seios contra seu tórax. Zoro continuava agindo normalmente, talvez não tenha notado ou realmente não tenha ligado, mas eu liguei. Nunca tive certa aproximação de um garoto, mas ele estava apenas tentando me ajudar, não daria um ataque de nervosismo justo agora, poderia machucar meu pescoço, já que ele mesmo estava se esforçando para retirá-la.
Mas... Parando para pensar... Roronoa era muito gentil. Também não é um tarado. Não percebi que havia se oferecido para me ajudar com algo tão fútil. Talvez esteja enganada sobre ele, tenho certeza que é uma boa pessoa.
– Pronto! Agora você não irá se perder, muito pelo contrário. – Disse, me mostrando a corda que havia amarrado na coleira.
Não. Ele não é uma boa pessoa. É um demônio.
– O quê é isso?! Está zoando com a minha cara?! – Comecei a lacrimejar, horrivelmente corada, sem perceber.
– E-Ei! Calma, não precisa chorar! – Disse desesperado. – Masoquistas deveriam gostar disso. Se bem que... Você está corada... – Desta vez, foi ele quem corou um pouco, mas em um tom imperceptível ao meu olhar.
– Roronoa! Tire isso de mim, agora! – Uma lágrima escorre pelo meu rosto.
Roronoa leva uma de suas mãos ao meu rosto, levantando seu dedo indicador para acolher a única lágrima que havia escapado de meus olhos azuis. Seu toque que era rude tornou-se terno. Deslizou sua mão pelo meu rosto, até chegar à meu queixo. Retirou-a dali.
– Zoro. Pode me chamar de Zoro. – Sorriu.
Fique surpresa. Esse sorriso... Não era como os outros. Cheios de deboche e sarcasmo. Era algo sincero. Esse sim era o sorriso que eu queria tanto vez estampado em seu rosto. Apesar de ser um sorriso simples, como outro qualquer, para mim foi algo realmente extraordinário. Dei novamente um tom rosado à meu rosto, ficando com os lábios entreabertos.
Roron-... Zoro fez um bico. Desfez o sorriso de seu rosto, voltando à expressão preguiçosa de sempre. Obviamente ficou envergonhado por sorrir tão sinceramente para mim. Passou por mim com passos lentos, enquanto ia se distanciando.
Provavelmente notou minha afeição por aquele sorriso. Mas, como não? Era realmente lindo. Não só o sorriso. Aquela foi a primeira vez que consegui ver sua beleza interior. Será que ele... Me daria a honra de vê-la alguma outra vez?
– Estarei esperando, mestre. – Sussurrei, tirando palavras de meu pensamento e colocando-as em tom alto e claro.
Zoro soltou um riso. Bem baixo, desta vez não exagerado como os normais. Virou-se para mim, segurando a coleira em sua mão, a balançando.
– Já a retirou? – Perguntei assustada por não ter capturado o momento.
– Sim. Não preciso mais de um cachorro.
Por um breve momento, consegui visualizar um tom rosado em sua pele; estava corado! Adoraria gravar essa cena, poderia ser uma daquelas coisas únicas na vida.
– Bem, até mais, preciso ir para a aula de física.
O segui com os olhos enquanto caminhava lentamente ao lado oposto do que eu tomaria. Mas... Espere. Somos da mesma turma, temos aula de física agora. Porém, a aula de física fica para o outro lado.
– Ei! Zo-Zoro! A sala fica deste lado. – Dei uma gargalhada, apontando para o caminho enquanto uma expressão de espanto misturada com sua cara de sono tomou conta de seu rosto. Corou levemente.
– E-Eu sei disso! Estava apenas caminhando para aliviar o estresse! – Gritou, enquanto andava apressado para a direção que havia indicado.
Fui logo atrás dele, com um sorriso idiota no rosto, enquanto fitava suas costas. Ah, acho que minhas contas estavam erradas. Certamente, terei a chance de presenciar muitos de seus sorrisos. Estarei ao seu lado, para desfrutar deles.
Fale com o autor