Notas iniciais
Desculpem a demora, pimpolhos, mas vcs sabem: bloqueio mental é foda. Dedicadíssima pra Cupcake-Andy-Beatriz pq sem ela eu estaria lá perdida, contando qntas vezes a vida me nocauteou. Claro, ela foi muito modesta dizendo que eu resolvi o problema sem ela (kaikaikaikaikaikaikai) MAAAAAAS sem ela eu não teria pensado naquilo, e aquilo não teria me levado a pensar naquilo e assim vai, então muito obrigada. Bem, capítulo de comprimento normal (nove páginas no word), com um começo meio viagem no tempo, e depois vocês vão ir pegando os pedaços de respostas que eu vou colocar por aí. EASTER EGGS E SPOILERS DO CROSSOVER ENTRE BLACKBIRDS E MODIFIED LÁ NA ÚLTIMA NARRAÇÃO, CUIDADO. Aliás, gente, eu nunca tinha tinha me empolgado tanto numa narração como me empolguei escrevendo sobre a Adele Peters, a irmãzinha do Kai. No começo eu pensei que ela tinha que ter sete anos, mas acabei aumentando a idade dela pra 11, porque assim fica melhor com o que eu quero mostrar no crossover. O próximo capítulo vai sair daqui a uma semana, já que graças a zeus estou com net no PC, e não sobrevivendo apenas a 3G. Aproveitem o capítulo, até lá embaixo.

O frio na sala de estar era incomum. Nathan e Alice haviam acabado de sair da mansão dos Peters, e lá onde estavam parecia um lugar fora do tempo.

Alice estava suando frio e um pouco assustada, mesmo que não fosse assumir nunca. Nathan ao seu lado olhava ao redor observando o lugar, procurando saídas rápidas caso algo acontecesse algo errado, e isso era incrivelmente provável.

Os dois estavam sendo guiados ao corredor por três homens armados, todos loiros e que pareciam estar morrendo de calor. A casa era enorme, e por dentro estava um pouco empoeirada e moderadamente vazia. As janelas fechadas por pesadas cortinas e os poucos móveis que restavam eram tapados por lençóis.

– Nathan, eu vou matar você. — Alice disse, baixinho.

– Entra na fila.

A locomotiva parou na frente de uma porta de madeira escura, que foi aberta por um dos homens de casaco.

– O senhor Nicholas vai recebê-los agora. — O homem disse, e com um sinal, os outros dois empurraram Alice e Nathan porta adentro.

O quarto estava arrumado, limpo e cheio de móveis. Não tinha todo o luxo, mas era o suficiente para um quarto que seria usado por poucos dias. Nicholas estava sentado em um sofá, esperando pacientemente pelos dois, enquanto lia um livro. Se não pensasse que Nicholas era analfabeto, Nathan diria que aquele livro era Inferno, de Dante. Nathan tinha um pequeno conhecimento sobre um dos contos da Divina Comédia, mas nunca pensou que Nicholas Peters fosse um homem culto.

– Pensei que você iria me deixar em paz. — Alice começou a falar.

– Já faz um mês. — Nicholas disse, fechando o livro e erguendo os olhos azuis para os dois. — Você não liga, não escreve, pensei que estivesse precisando do seu tio.

– Eu tenho meu irmão, obrigada. — Alice cruzou os braços, olhando para o tio com raiva contida enquanto batia os saltos das botas no chão.

Nathan puxou uma cadeira e se sentou, porque desconfiava que ninguém ali iria lhe dirigir a palavra e ele queria ter um trunfo em mãos caso Nicholas quisesse se livrar dele mais tarde. O seu trato com Alice era uma coisa frágil, e por mais que Alice cumprisse a palavra, Nathan não era de confiar fácil nas pessoas, e sendo sobrinha de quem era, a confiança podia ir ralo abaixo em segundos.

– Seu irmão é um menino, Alice. Você sempre precisou de mim, por que de repente não me avisou que voltou pra casa?

– Quer as cartas na mesa assim tão cedo, titio? Não foi assim que me ensinou a jogar.

Alice puxou uma cadeira e sentou ao lado de Nathan, depois cruzou as pernas e encarou o tio. Nathan tentou se manter nas sombras, mas parecia que Alice queria uma testemunha ali, e Alice estava tão parecida com alguém com poder real, alguém que poderia destruir algo que tocasse que ele desviou os olhos.

– Vamos começar por mim, então. Por que você não me contou que eu tenho um primo?

~~☆★~~

UMA SEMANA ANTES

Era oficial, aquela porta tinha algo contra Alice. Já era a quarta pessoa que conseguia abrir aquilo além de Michael e Miyuki, e a ruiva estava furiosa.

– Michael, eu vou arrombar esse negócio com um trator. — Ela disse, vendo Hylla Andrews abrir a porta sem problema algum.

– Acho que vai ter é que entrar na seita. — Dan sorriu.

– Se você disser “aceita que dói menos”, a dor vai ser em você.

– Eu não entendi. — Hylla disse, apertando o dedo indicador em uma tentativa de parar o sangue. — Você não consegue abrir isso?

– Não, por isso o Michael me deixou ficar com o quarto. — Alice respondeu, cansada de ter que repetir isso trezentas vezes.

Hylla ficou esperando que lhe contassem o que havia descendo aquelas escadas secretas, mas ninguém lhe contou. Talvez fosse segredo, mas ela queria saber por que de repente conseguia abrir um lugar que nem sabia que existia sendo que a dona do lugar não conseguia. Se não estivesse tão cansada, teria exigido respostas, mas não se sentia em posição de mandar em nada e nem ninguém. Na hora que eles quisessem, iriam dizer.

– Isso é estranho. — Hylla admitiu. — Bem, eu sei que vocês devem estar cansados porque são oito da manhã de um sábado, mas espero que tenha café da manhã.

– Já vamos chamar todo mundo. — Michael respondeu. Ele não parecia com sono, já de pé desde as sete, mas a irmã e Daniel estavam de roupões e se levantaram especialmente para ver o que aconteceria se Hylla experimentasse abrir a porta.

Hylla Andrews, de acordo com o que contou, estava vindo de acordo com o convite de Michael, mas o que era estranho: muito mais gente estava chegando à casa, vindo de vários lugares do mundo. Hylla, Mattheus, Daniel, Miyuki, Crystal e Destiny já estavam na casa, Destiny e Crystal haviam chegado uma seguida da outra, de noite e de madrugada.

– E mais tarde, logicamente, vamos explicar as circunstâncias em que vocês foram chamados. — Michael continuou. Hylla no começo achou que ele era muito robótico, sempre organizado, mas agora isso vinha bem a calhar, já que ela precisava de um pouco de organização na bagunça que chamava de vida. — Quer que eu mostre seu quarto?

– Claro. — Hylla concordou, ansiosa por um banho. Estava matando por uma chuveirada quente. Logicamente, esse pensamento lhe enviou calafrios na espinha, principalmente por Naomi ainda lhe visitar os sonhos, sangrando e em uma posição muito sinistra no chão. De vez em quando chegava a sonhar que era ela a cair, enquanto recebia um olhar frio. Perguntava-se como era possível uma pessoa atrair morte para todos os lugares em que andava. Ela vira sua mãe ser assassinada na sua frente, e agora uma desconhecida havia morrido por causa dela. Era uma situação de se perguntar como havia escapado de ambas as situações sem nem mesmo um arranhão.

– Desculpe se eu estou sendo um pouco intrometido, mas eu notei que você parece um pouco fora do ar. — Michael lhe disse, ainda a guiando para seu quarto.

– Ah. — Hylla por um momento ficou sem palavras. Mas uma vida de mentiras lhe dá um guia prático sobre o que fazer em situações assim. — Eu passei muito tempo no ônibus, acho que é um pouco de cansaço. No café da manhã eu vou estar melhor.

– Tudo bem, então. — Michael assentiu. — Você pode ficar com qualquer quarto do lado esquerdo do segundo andar, essa parte ainda está desocupada.

– Quantas pessoas têm aqui? — Hylla perguntou, incapaz de se conter.

– Além de mim, minha irmã, Thaddeus e meia dúzia de empregadas, seis pessoas. — Michael respondeu. — Por quê?

– Me pergunto como teria sido morar em uma casa assim toda a vida, só isso.

– Eu não morei aqui por toda a vida, na verdade, voltei só há um mês. Fui embora para um orfanato com 9 anos.

– Ah, me desculpe. — Hylla pensou o que teria sido se tivesse ido para um orfanato. Quando as coisas apertavam e ela precisava passar as noites no esgoto quando tinha 8 anos, ela pensava em ir livremente até um lar do governo, mas sabia que se fizesse isso, perderia a liberdade. Seria acorrentada a uma família ou se o lar não achasse “saudável o suficiente”, ficaria em um lugar daqueles até os 18. Não, ela enfrentou muitas noites difíceis, mas nunca daria o gostinho de ficar presa a ninguém. — Eu morei na rua desde os sete anos, então não sei como é isso.

Por um momento nenhum dos dois falou nada. Com certeza Hylla havia lutado mais do que Michael, mas não parecia certo esfregar na cara.

– Não vai fazer a mínima diferença, mas sinto muito. — Michael disse afinal. — Perder os pais é um saco.

– Seu pai morreu também?

– Não o conheci. Minha mãe era solteira, mas gostaria de tê-lo conhecido, acho que Alice deve ser parecida com ele.

– Desculpe ser grossa, mas realmente não acho que Alice tenha o mesmo pai. Isso poderia explicar o porquê dela não poder abrir a porta.

Michael teve dificuldade para responder. Foi quando Hylla percebeu que havia sido muito rude, quase chamando a mãe falecida de Michael de rodada.

– Claro, só um palpite, não é como se fosse realmente. — Ela tentou se desculpar.

– Não, tudo bem, você tem razão, eu é que nunca havia pensado nisso.

– É. De qualquer jeito, eu deveria tomar um banho e depois descer para o café da manhã.

– Boa ideia. — Michael assentiu, se virando para sair, provavelmente sair correndo. — Espero que se divirta Hylla. Ninguém aqui vai pular de um sofá tentando te matar com um garfo.

– Vou tentar me lembrar disso.

~~☆★~~

O tamanho da mansão havia a assustado a primeira vez que chegara perto, mas agora só lhe inspirava um sentimento de familiaridade. Destiny havia chegado à mansão ainda de madrugada, cansada e suada. Foi atendida por um mordomo que pareceu prestes a desmaiar quando ela lhe disse seu sobrenome. Pensou que teria sido enxotada se um garoto chamado Mattheus não houvesse chamado o dono da casa, um garoto não muito mais velho que seu irmão.

Depois de ligar para os irmãos, havia descoberto que a polícia estava enlouquecendo querendo descobriu como um míssil havia acertado uma casa de família como a da senhora Maia Barcley. Alexander e Irina estavam sob custódia da polícia, mas conseguiram uma licença para poder procurar um apartamento ou algo assim enquanto a papelada da guarda de Irina era preparada para ser passada para Alex. Quando perguntou sobre a irmãzinha, recebeu uma resposta cansada, e soube que Irina estava doente, e quase não comia. Destiny estava quase pulando pelas janelas para poder ficar com os irmãos, mas Alexander a lembrou de que deveria ficar lá, e ela estava vendo como poderia pedir um pouco de dinheiro emprestado com os Peters, o suficiente para poder pagar um aluguel para os irmãos, mas ainda não havia tido a coragem e cara de pau para fazê-lo.

Por enquanto seu dever era fazer amizade até Michael Peters explicar o porquê de todos estarem ali, ou até não aguentar mais ficar preocupada com os irmãos; por isso estava levantando da cama onde estivera deitada olhando para o teto desde que pôde escolher um quarto para ir tomar um café da manhã com os residentes da casa. Sobre o quarto ela não podia reclamar, era grande, com bons móveis de madeira, tinha TV, DVD, sistema de som e um banheiro. Se esse fosse o que os Peters chamavam de quarto de hóspedes, Destiny queria saber como era a suíte.

Depois de tomar um banho rápido, Destiny desceu as escadas até o térreo, e foi levada para a sala de jantar por uma empregada baixinha e de movimentos rápidos. Na mesa, estavam Michael e sua irmã Alice, Daniel o amigo de Alice, uma japonesa que Destiny se lembrava de ter visto brincando com um facão na cozinha e uma garota de cabelos multicoloridos que ela não tinha visto.

– Agora só falta Hylla e Mattheus. — Alice disse, passando nutella em uma fatia de pão.

Destiny quase babou na mesa. Estava farta, e Destiny duvidava que alguém conseguisse comer tudo.

– Sirva-se, Destiny. — Michael lhe indicou uma cadeira e ela se sentou, atacando o presunto.

– Você sabia que muitas crianças passam fome na rua, Michael?

Destiny se virou para ver quem havia dito aquilo. Era uma garota, de 17 anos no máximo, de cabelos e olhos castanhos.

– Claro que sei Hylla, por isso que tudo o que sobra é embalado e encaminhado fresquinho para o lar de crianças na cidade. — Michael respondeu, ignorando o insulto óbvio na afirmação da garota.

– Aqui nessa casa eu fiquei com o gênio e bilionária, já meu irmão é o filantropo. — Alice disse.

– Alice, menos.

O silêncio era reconfortante, mas se dependesse de Alice, a casa nunca cairia no silêncio. Ela e Daniel ficaram discutindo sobre qualquer assunto bobo enquanto Destiny era alvejada de perguntas assim como a garota de cabelos coloridos ao seu lado. Michael poderia ser bem enxerido quando queria.

– Eu sou Crystal Evans, e recebi o convite pra vir aqui, parecia urgente e resolvi vir, só isso. — Crystal contou.

– E o que aconteceu na sua casa, arco íris? — Alice estreitou os olhos verdes para a garota. — Eu pesquisei e descobri que foram descobertos três corpos e uma mulher em choque e com um ferimento fatal. — Destiny viu Crystal passar do branco para o vermelho de raiva.

– Nada que lhe interesse, mas acho que gostaria de saber que fui atacada. — Crystal respondeu.

Destiny quase engasgou com o café, e não foi a única. Daniel que estava cortando uma fatia de pão passou a faca na mão, que começou a sangrar imediatamente. Hylla ao lado de Destiny não esboçou reação imediata, mas começou a hiperventilar enquanto que Miyuki começou a observá-los.

– Sinto que tem muita coisa ainda não dita aqui. — Michael olhou para cada um dos convidados.

De repente o silêncio não era tão reconfortante assim, ele era carregado, e só foi quebrado quando um loiro barulhento pulou as escadas e sentou ao lado de Hylla pra comer. Ele percebeu que todos olhavam pra ele enquanto colocava açúcar no café.

– Perdi algo? — Ele perguntou. Esse deve ser Mattheus, Destiny pensou.

– Mattheus, você por acaso passou por um acaso muito inoportuno que de repente envolva sangue? — Michael perguntou, observando atentamente. Mattheus parou o que estava fazendo e engoliu em seco.

– Eu conto se contarem.

E foi assim que Destiny teve que contar sua história para oito pessoas que não conhecia e foi brindada por relatos não tão alegres assim de como eles haviam chegado ali.

– VOCÊ O QUÊ? — Alice berrou enquanto ouvia Daniel dizer que teve que matar uma mulher no Brasil.

– Meu deus. — Era a reação que Thaddeus, ao canto da mesa, tinha para tudo.

– Era eu ou ela, e desculpe, mas se vou perder minha vida, é melhor que a pessoa tenha ao menos um hálito de menta! — Daniel gritou em resposta.

– Todo mundo aqui é um assassino ou eu fiz a conta errado? — Alice gritou. Destiny e Miyuki foram as únicas que se safaram da acusação.

– Eu não matei Naomi. — Hylla se defendeu, olhando acusadoramente para Alice.

– Tenho certeza de que o fantasma dela pensa algo diferente.

– Mesmo que não tenham matado ninguém, é óbvio que foram todos atacados, não é? — Michael disse pela primeira vez desde que havia ouvido os relatos.

– Eu não fui atacada. — Miyuki disse. — Talvez porque já estava em movimento, talvez porque tenho Karl para me proteger, mas não fui atacada.

– Nós também não. — Michael disse a ela.

– De repente os ricos dos Blackbirds não foram. — Destiny sussurrou, um pouco alto demais.

Todos os olhos foram virados para ela, e tudo explodiu em um grande “o quê” enquanto Daniel Ackermann gritava que ele podia comprar sua casa e a vida da sua família inteira.

– Você sabe quem são os Blackbirds? — Mattheus perguntou a ela.

– Por cima. — Destiny respondeu. — Sei que meus pais eram, mas, além disso, não tenho ideia.

Pela quinquagésima vez, houve silêncio na mesa, todos olhando para os pratos ou para os outros, ou até mesmo para Michael, porque o óbvio era que ali naquela casa era ele que mandava, além de ser o mais velho e ter cara de líder.

– Acho que vou ter que mostrar o que tem dentro daquela porta pra alguns de vocês. — Ele disse por fim.

~~☆★~~

Como sempre, a mansão dos Nikova estava fria como uma tumba. Assim que a pequena Adele Peters acordou, foi acudida por um enfermeiro contratado por Kai, seu irmão. O enfermeiro não deveria ter mais do que 22 anos, e parecia ter muito dó de Adele.

Se a menina conseguisse falar alguma coisa, o mandaria se danar. Mas infelizmente precisava dele, já que nem andar conseguia sozinha, e ela precisava muito ir ao banheiro.

Ninguém nunca havia dito a ela o que realmente ela tinha. Algumas vezes ouvia algo como “leucemia”, outras ouvia “aquela coisa”. Nunca ninguém havia se incomodado em dizer a menina de 11 anos o que ela realmente tinha, mas o que quer que fosse, roubava sua vida como um parasita. Ela havia ouvido um termo uma vez na televisão: “sugava de dentro pra fora”; era o que ela podia dizer que passava. Ela era sugada, e não sabia por quê.

A única pessoa além de Kai que se importava com ela, era seu tio, Dmitri Nikova. Adele detestava que sentissem pena dela, mas não conseguia dizer nada para afastar o tio. Com o tempo, acabou se apegando ao ruivo, por mais que não quisesse. Detestava saber que quando morresse teria que se preocupar com os sentimentos do tio. Adele acreditava em vida após a morte porque Kai lhe dizia que sua mãe, Lara Nikova olhava por ela. Havia muitos momentos que Adele duvidava, mas descobrira que sem fé, poderia ser pior. Para uma menina de onze anos que vivia em uma cama, tinha mais inteligência e sabedoria que qualquer um. Com certeza mais do que seu irmão.

Kai tinha pena dela, mas no fundo, ela que tinha pena dele. Kai era mais um fantoche, um menino criado para obedecer, não para mandar. Tinha um coração muito bom para um Peters, ainda mais um filho de Nicholas. Por mais que o pai nunca lhe desse um mínimo de atenção, ela tinha um amigo naquela casa. Um que realmente não se importava com ela, mas ainda era a melhor pessoa que Adele tinha para passar o tempo até morrer; Max Morgen.

– Timothy, hoje eu agradeço se você tirasse a tarde de folga. — Adele pediu ao enfermeiro. Ela sempre pensou que Timothy só estava ali porque devia algo à máfia que seu pai comandava, mas nunca se importara em perguntar, e isso deveria ser pessoal demais. — Me sinto muito bem e não vou a lugar nenhum.

– A senhorita acha mesmo?

– Claro, pode ir.

Timothy a lançou um ultimo olhar de cautela e finalmente a expectativa de uma tarde livre da menina doente venceu.

– Volto às sete e meia para verificá-la.

– Estarei esperando aqui sentada. — Ela brincou. Há muito não tinha forças para andar, e o que a sugava a deixava tão cansada que de 24 horas, 14 ela passava dormindo, e as outras 10 assistindo televisão. Kai costumava brincar que se não existisse Netflix, Adele seria um bicho preguiça completamente desenvolvido.

Timothy deixou o quarto e Adele arriscou colocar a perna para fora da cama. Não conseguindo, voltou à estaca zero. Não sabia como, mas todas as vezes que Timothy ou outra pessoa designada para ficar com ela saía do quarto, Max vinha. Ela desconfiava de que tinha câmeras ali, mas realmente não ligava de verdade.

Cinco minutos depois Max estava ali, bem vestido em sua jaqueta de couro, não parecia um russo nem de longe. Seu sobrenome era russo, mas ele realmente não parecia um.

– Boa tarde, Max.

– Boa tarde, Adele.

Max puxou uma poltrona e sentou, tirando do bolso do casaco um iPhone e começou a mexer no aparelho. Adele, que nunca tivera um celular, sempre quis ver como ele funcionava, mas Max nunca havia a deixado perto dele.

– Hoje eu me perguntei por que você dispensou o garoto Timothy tão cedo. — Max começou a conversar, o que a pegou de surpresa.

– Porque precisava conversar com você. — Adele respondeu. — Mas primeiro me diga: por que sempre aparece aqui quando não tem ninguém por perto?

– Antes de supor que sou pedófilo, é porque seu pai manda vigiar você. — Max contou, apontando para um vaso de flores encima de uma mesinha. — Ali tem uma câmera, aliás. Não sei exatamente o que seu pai quis dizer com “qualquer diferença no estado de Adele chamem Xavier Smith ou Louis Campbell“, mas ficar aqui garante uma tarde sentado enquanto todo mundo morre de frio lá fora.

– Quem são esses Xavier e Louis?

– Amigos do seu pai.

Adele ficou em silêncio por algum tempo, tentando desvendar o que isso significava. Não conseguindo nada, se sentiu frustrada.

– Bem, isso não é exatamente uma resposta. — Ela reclamou. Max soltou uma gargalhada.

– Menina, no dia em que seu pai der uma resposta que não deixe mais perguntas na sua cabeça do que antes dele ter dito, seu irmão vai responder os socos que eu dou nele.

– Você machucou meu irmão? — Adele aumentou o tom de voz.

– Não muito.

– Da próxima vez que for o machucar, não esqueça que ele venceu você na luta livre por nocaute. — Adele o lembrou, vendo o semblante de Max se tornar uma máscara de desprezo. Uma vez por ano, Nicholas promovia uma competição sangrenta com os melhores “soldados” que ele comandava, e o melhor se tornava a mão direita dele. Kai fora obrigado a entrar e vencera, mas recusara o prêmio, então a mão direita de Nicholas era Max.

– Não me esqueci.

Foi a vez de Adele dar risada. No meio do riso, uma dor lhe acertou a cabeça e ela gritou. Max se levantou de supetão, e gritou algo, mas a menina não conseguiu ouvir.

Primeiro Adele pensou que fosse o câncer que tivesse acertado algo preciso, ou algo assim, mas logo a dor se tornou pior e ela sentiu que iria desmaiar. Adele berrou, se debatendo sobre as cobertas, certa de que iria morrer. Mesmo assim, parecia pior do que a morte. Sempre lhe pareceu que morrer era puro, sem dor, sem nada. Mas isso era horrível.

– Adele! — Max berrou, ao ver que Adele estava subitamente convulsionando encima da cama.

No auge do terror, Max arrancou as cobertas da cama da menina, que caiu no chão, se torcendo, dobrando o corpo, babando e com os olhos se abrindo e fechando violentamente. Max, aterrorizado, se grudou na parede, esquecido do aviso do patrão, de avisar qualquer diferença no estado de Adele.

Adele estava perdendo a consciência, sentindo todos os órgãos virando gelatina e os ossos se partindo, e os músculos se esticando. Sentiu a pele se partir, os dentes se quebrarem e começou a sangrar por todo o corpo. Em um chute involuntário, ela acertou a mesinha ao lado da cama, e uma foto caiu ao seu lado.

Sua mãe, Lara, deslumbrante com seus cabelos loiros e olhos azuis, no auge dos 20 anos, abraçada ao irmão Dmitri. A mãe que ela nunca conheceu, a mulher que ela nunca abraçou. Adele resolveu que poria suas últimas forças nela, em como ela era bonita…

Cinco minutos depois, a porta do quarto de Adele foi arrancada, e seis homens invadiram o quarto, homens que Max não conhecia, além de um que ele conhecia vagamente como Xavier Smith. O garoto ao lado do velho era bem mais jovem, vinte e poucos anos, magro e esguio.

– Meu nome é Louis Campbell. — O garoto disse, gritando com Max que ainda estava chocado e colado a parede. — Onde está a garota? Onde está? — Berrou.

Com um braço tremendo, Max apontou para Adele, sem conseguir falar nada. Louis e todos os homens que estavam consigo ficaram chocados.

A menina de 11 anos, não era mais uma menina. Coberta de sangue, com a roupa aos farrapos, eles estavam olhando para uma mulher, vagamente parecida com Adele, de 20 e poucos anos.

Xavier, o velho, veio mancando até Louis, com um sorriso perturbador no rosto.

– Nosso passaporte para vencer os Modificados, Louis.

Max viu Louis passar de choque para prazer. Adele estava encolhida no chão, desmaiada, nadando em sangue, com o cabelo loiro espalhado, e um porta retrato na mão. A foto de Lara Nikova. Ela não era mais uma menina. Ela havia se transformado em Lara.

– Metamorfose. — Louis sussurrou. Ele e seus homens explodiram em gargalhadas e Max, que ainda tinha os berros de Adele ecoando nos ouvidos pôde jurar que aquele era o som do inferno.

NOTAS:

É tão lindo qnd o Nyah corta as notas, né? Mas...

"Que" "Hã" "Masoq" "peraê, acho que entendi... não, não entendi"

Se essas foram suas reações, ENTREM NO CLUBE DA TESS!

Gente, dia 10 de setembro é meu aniversário, e estou avisando agora porque é pra dar tempo pra vcs FAZEREM UM ÓTIMO TEXTÃO DE ANIVERSÁRIO, DIZENDO TODOS MEUS PODRES ~deleta essa~ E SEU AMOR POR MIM, CRIATURA DE LUZ QUE SÓ VEIO PRA TRAZER FELICIDADE E PACIÊNCIA ~na marra~ PRA VCS ♥

Depois desse capítulo vou até me internar, porque viajei DEMAIS nesse negócio.

Como um brinde a nostalgia, vou ter que reinaugurar os "Explicações do capítulo" porque o negócio virou um novelo de lã agora.

Explicações do capítulo: Nossos pequenos passarinhos tem sua luta JÁ programada com o Nicholas, só que vcs não acham realmente que se escala o Everest sozinho, né? Nicholas tem comparsas, Xavier Smith (que vai dar uma aparecida aqui novamente contra os passarinhos) e nosso Louis Campbell, filho de Uriah Campbell, que atormentou nossos Modificados.

Não que eu queira que vocês meus leitores amados e queridos daqui de BB deem uma olhada em Modified, mas isso explicaria PACAS. Se não quiser logicamente sempre tem meu whatsapp: 555581296458, onde vcs podem passar trote, perguntar pq a vida é cagada, pq nós somos cagados, PQ TODO MUNDO AO NOSSO REDOR É CAGADO, perguntar o que não entenderam e me apressar com o capítulo (aliás, é admirável a força de vontade da Andy em não me enviar um áudio apressando o capítulo, embora eu saiba que ela queira, mas vc PODE mandar áudio berrando pra eu escrever que eu ainda vou te amar menina ♥ e provavelmente apressar o negócio).

Bem, a pergunta do final do capítulo ainda vale então: QUE PORRA ACONTECEU COM O NYAH QUE ELE AGR NÃO DÁ PRA COPIAR OS CAPÍTULOS? Fui lá em um capítulo passado copiar as estrelinhas que eu uso pra separar os capítulos e descobri que agr tenho que clicar em "editar capítulo" pra copiar o negocinho. AMIGO, ISSO AQUI NÃO É SOCIAL SPIRIT NÃO, REFAÇA.

Bem, depois do desabafo, podem ir comentar (tenho que responder todos os os comentários do capítulo anterior. Foi mal, mas é que eu achei o meu trabalho ultimamente TÃO ESDRÚXULO que o único jeito de me punir era não responder vcs, o que mata meu pobre coração).

Fiquem com o Gambit.

Até a próxima.

Notas finais
Nyah também é cagado.