Blackbirds - Interativa
12 I Walk The Line
Notas iniciais
– Bom dia. — Hylla disse, chegando a sala de jantar que improvisava todas as refeições e sentando ao lado de Michael e Destiny na mesa de café da manhã quase vazio.
Destiny colocava uma fatia de presunto em um pãozinho e acenou com a cabeça. Crystal a sua frente parecia dormir na cadeira. Miyuki ao outro lado de Michael lia um jornal e bebia café. Além dos quatro, só tinha Mattheus que estava comendo uma fatia de bolo, Nathan que comia um pãozinho e Mariah Helena que tomava suco de laranja.
– Bom dia. — Miyuki respondeu. — Tenho um bom pressentimento sobre hoje.
– Então quer dizer que nós não vamos correr atrás do nada como os últimos quatro dias? — Mariah perguntou.
– Não é engraçado se você pensar bem. — Miyuki murmurou.
– Vai ser querida. — Alice se meteu na conversa, descendo as escadas com Kai. Ela não parecia estar com sono, mas ele sim. — Sabe, eu apoio um panelaço pra acordar o resto da gangue.
– Acho que desse jeito vocês veriam Alice ser perseguida por Castiel segurando um abajur. — Destiny disse.
– Não seria tão ruim assim. — Alice deu de ombros. — Castiel passou a noite toda com a televisão ligada, acho que eu é que queria dar com um abajur na cabeça dele.
– Eu tinha que abafar o barulho de algum jeito. — Castiel apareceu se explicando, sentando em uma cadeira.
– Que barulho? — Mattheus perguntou, interessado. Alice não o respondeu e mandou um olhar atravessado para Castiel que deu um sorrisinho.
– Isso no seu pescoço é um chupão? — Miyuki perguntou com uma pontada de diversão para a garota. Alice engasgou com o café, no momento em que Kai parecia ter cortado sua respiração. Todos pararam o que estavam fazendo, esperando a resposta de Alice.
– Eu caí. — Ela explicou com calma.
– Você caiu sobre o seu pescoço? — Crystal perguntou, claramente engolindo o riso.
– Acontece. — Kai falou por ela.
– Vocês parecem nervosos. — Nathan deu um sorriso malicioso.
– Vocês por acaso estão duvidando da minha irmã? — Michael se meteu.
– Claro que não. — Nathan negou com sarcasmo puro.
– Não. — Castiel concordou igualmente. — Com certeza os barulhos que eu ouvi ontem a noite eram apenas da televisão. Ah, esses filmes.
Michael ficou branco, e Alice calmamente baixou a xícara no pires, olhando para Castiel como se fosse matá-lo lentamente com requintes de crueldade. Kai estava tossindo alto, engasgado com um croassaint.
– Você… — Michael desviou o olhar para a irmã, apavorado. — Você por acaso…
– Podemos não discutir minha vida sexual no café da manhã? — Alice pediu, o cortando. Isso respondeu a pergunta de Michael. Ele ficou sem ar.
– VOCÊ TEM UMA VIDA SEXUAL?
– Michael! — Alice o repreendeu. — Eu tenho 18 anos, é perfeitamente normal…
– Você é minha irmã! — Ele gritou, olhando para os meninos na mesa. — Quem foi o aproveitador?
– Como você sabe que não foi uma garota? — Alice desconversou. Michael começou a olhar para as garotas como se estivessem querendo roubar seu sanduíche. Naquele momento todos eram suspeitos.
– Ele atende por um nome monossilábico bem incomum. — Castiel respondeu, sorrindo e ignorando o olhar de ódio que Alice dirigia a ele.
Michael lentamente virou a cabeça para Kai, que teve certeza absoluta que estava morto.
– Eu vou matar você. — Michael anunciou. — Lentamente.
– Dá pra você não ameaçar o garoto que eu estou ficando? — Alice pediu em um tom de voz que dizia para Michael parar de uma vez. — Eu tive uma ideia. O que vocês acham de ir para o shopping? — Ela perguntou de repente esquecida do que acabara de acontecer. Todos olharam pra ela como se dissessem “você tá louca?”. — O que foi? Metade de vocês não trouxe nada além de três pares de roupas e a outra metade… Podemos dizer que a outra metade vai sair daqui sem roupa porque eu vou queimar tudo. Gente, vocês são muito cafonas.
– Eu estou dentro. — Destiy concordou enquanto bebia a xícara de café, ainda rindo por causa do assunto abordado antes.
– Não que eu seja muito materialista, mas preciso comprar algumas coisas. — Crystal disse, se referindo às suas facas.
– Acho que seria bom ver alguma civilização. — Hylla concordou.
– Preciso fazer Mary conhecer a boa e velha gordura do Mc Donald’s, então sim. — Mattheus sorriu para a irmã que arregalou os olhos.
– Acho que isso será bom pra todos. — Michael se pronunciou, ainda com raiva na voz pelo que acabara de acontecer cinco minutos antes. — Já faz algum tempo que não vamos à cidade, e eu não suporto mais Ashaway. Acho que deveríamos ir todos à Boston.
– Ônibus de novo? — Crystal resmungou um pouco.
– Amiga, aqui temos uma coisa chamada dinheiro, que pode alugar um jatinho. — Alice a lembrou. — O que você fez com o jatinho que eu comprei mês passado, Mikey?
– Alice, você já tem um helicóptero, um jatinho só pra você ir até Las Vegas iria gastar muito. — Michael rolou os olhos enquanto os amigos olhavam para os dois indignados. — Sem falar que já temos um jatinho no aeroporto, e você sempre usa a Ferrari ou o Maserati quando vai sair.
Mattheus ouvia a conversa com a boca escancarada enquanto Hylla parecia indignada. Eles estavam mesmo brigando porque Michael devolveu o jatinho de Alice porque eles já tinham um?
– Se vocês continuarem com essa conversa vou pessoalmente ir atrás das chaves do Maserati e me mandar daqui. — Castiel avisou.
– Onde vocês guardam tudo isso? — Kai soltou sem querer.
– Na garagem obviamente. — Alice rolou os olhos verdes. — Meu maserati está bem guardado junto dos meus sete carros de corrida, a limusine e a lata velha que Michael chama de carro.
– Eu vou me arrepender, mas qual é o carro do Michael? — Destiny perguntou, sentindo o ciúme chegando.
– Aquele carro caindo aos pedaços do Porsche Spyder? — Alice respondeu. — Michael tem um péssimo gosto, eu sei.
– Desculpa a pergunta, mas quantas almas foram precisas vender pra vocês terem todo esse dinheiro? — Mattheus perguntou.
– Provavelmente a da família inteira. — Alice sorriu. — E até hoje não sabemos direito o que a galera da família fazia. Que eu saiba, eles faziam várias missões durante gerações, primeiro como mercenários baratos então como assassinos de aluguel. Durante as gerações as fortunas foram se acumulando, famílias muito ricas foram se entrelaçando e aqui estamos nós, Alice e Michael Peters nadando no dinheiro.
– Nadando? — Mattheus repetiu. — Vocês estão usando dinheiro como bilhete pra colar na geladeira.
– Essa é uma boa ideia. — Alice reconheceu.
– Não dê ideias a ela. — Michael pediu. — Mas enfim… Ter todo esse dinheiro não me dá o direito de gastá-lo, ele pertence aos Blackbirds.
– Então vamos ganhar uma parte? — Castiel perguntou já interessado.
– Vão ganhar o que seus pais ganhavam, sim. — Michael respondeu. — Sei que dinheiro não compensa a morte deles, mas pode ajudar em várias coisas. Seus pais morreram sob o comando da minha mãe, sob o serviço dos Blackbirds. Eles morreram por uma causa que não era nem mesmo deles.
– Eles morreram por causa de Nicholas. — Mariah contou, largando o copo de suco na mesa, de repente irritada. — Nicholas matou todos. Por que, eu não sei, mas matou, e dinheiro não pode mudar isso. É uma ótima ideia, Michael, mas só vou aceitar dinheiro suado. Me deixe entrar na ordem, usar aquela sala de armas, vingar nossos pais.
Michael considerou a ideia em silêncio enquanto os outros começaram a murmurar sobre isso. Parecia uma boa ideia, embora suicida. Se nem seus pais conseguiram, como é que eles conseguiriam?
– Isso é realmente muito bom, Mariah. — Michael assentiu. — Mas há várias coisas que precisam ser levadas em conta. Por que não falamos sobre isso quando voltarmos?
– Isso! — Alice concordou. — Vem gente, eu vou fazer a caridade de emprestar meus carros pra vocês, pobres seres humanos.
– Sério? — Destiny pareceu animada.
– Não brinque com meu sentimento de caridade, queridinha. — Alice sorriu. — Só vou avisar que no meu maserati ninguém toca.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Por mais animados que eles estivessem para dirigir os carros de Alice, ninguém não sorriu ao receber um cartão de crédito ilimitado pra se divertir no shopping. Mas havia duas pessoas ali que tinham outros planos, e eles não envolvia gastar dinheiro. Uma única ligação de Nathan para Nicholas e Alice já saberia os detalhes do dia do encontro.
– Eu quero comprar alguma coisa da grife que a Kylie e a Kendall Jenner assinaram. — Alice contou para Daniel.
– Eu quero comprar alguns CD’s. — Crystal disse.
– Eu e Daniel vamos deixar vocês e suas tarefas chatas e vamos fazer algumas compras. — Daniel puxou Alice.
– Kai pode ir com a gente? — Alice perguntou.
– Tá brincando? Você não desgruda dele desde que ele chegou, nós vamos sozinhos. — Daniel respondeu. Alice deu de ombros e mandou um beijo para Kai antes de ser puxada por Daniel.
– Eu quero ir comer alguma coisa com Mariah. — Mattheus falou, com a mão na barriga como se estivesse com muita fome. — Nos vemos depois, pode ser?
– Claro. — Michael concordou. — Eu tenho que passar no banco com Kamizuki e Alexander.
– Eu vou com você. — Miyuki se voluntariou. — Preciso repassar um dinheiro para a empresa… Karl vai conosco.
– Eu vou andar por aí. — Castiel disse e depois saiu.
– Como sempre um doce. — Mariah rolou os olhos. — Nos encontramos aqui às cinco?
– Cinco e meia. — Destiny pediu. — Tenho que ver algumas coisas de casa. Quer vir comigo e Crystal, Kai?
– Sim.
– Eu vou seguir o exemplo de Castiel. — Nathan suspirou. — Ver alguma em alguma loja de acampamento.
– Você está hospedado em uma mansão. — Alexander franziu a testa.
– Nunca se sabe. — O garoto deu de ombros e saiu.
Com isso todos se separaram e seguiram seus caminhos.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
– O que você fez com o garoto? — Daniel fingiu-se de desentendido.
– Amarrei na cabeceira da cama. — Alice respondeu rindo. Daniel estendeu a mão para um high-five.
– Alice, você me dá orgulho. — Dan riu.
– Você tinha que ver a cara dele! — Alice sorriu. — Ah, foi uma ótima noite.
– Você não presta. — Daniel disse. — O que acha dessa calça?
O garoto estendeu para a amiga uma calça preta.
– Isso vai apertar tanto seu pênis que você vai ter que organizar uma expedição pra achar. — Alice negou.
– Com certeza não. — Daniel o colocou na arara novamente. — Vai comprar alguma coisa ou vai ficar só opinando nas minhas?
– Acho que sim. Talvez não. Não sei.
– Acho que você está precisando de um strip tease pra se animar. — Daniel deu de ombros.
– Então vai. — Alice sorriu. Daniel começou a abrir a jaqueta lentamente enquanto as vendedoras da loja o olhavam como se ele fosse o anticristo. Alice começou a gargalhar e Daniel arrancou a jaqueta e a jogou no chão.
– Ah meu deus, a camisa! Tira a camisa!
Daniel começou a fingir que levantaria a camisa e Alice se dobrou no chão rindo. Alice subiu na poltrona da loja de novo enquanto Daniel abria o zíper das calças. A ruiva estava no meio de um riso quando um barulho estranho a fez virar a cabeça. De repente ela pôde ver um facho que luz vermelho que apontava para o peito de Daniel. Ela foi tomada por um sentimento de pânico e berrou para Daniel se abaixar. Daniel, perdido, ficou parado até perceber a luz vermelho no seu peito e começar a gritar. Alice retomou a consciência e se jogou sobre Daniel, no momento em que uma bala perfuraria o peito do amigo.
– Cacete, eu disse pra você se abaixar! — Alice berrou com Dan, que ainda estava em choque. — O que deu em você?
– Eu vou te responder quando vier algo além de gritar como uma menininha na minha cabeça! — Daniel gritou em resposta, se desvencilhando de Alice que estava por cima dele, ambos encolhidos atrás dos sofás.
– Sai dessa sofá, as balas vão perfurar o estofamento! — Alice mandou. Daniel a obedeceu, engatinhando para trás de um armário de sapatos. — Que merda, por que justo agora?
Daniel não sabia do que ela estava falando, mas continuou abaixado. Sabia que não tinha como se defender, já que a única arma que usara na vida estava meio continente além dele. Não havia como sair daquela sem arma alguma, então ele se obrigou a pensar em algo. Enquanto isso Alice colocou a mão no cós da calça Escondido pelo casaco e tirou uma arma dali. Daniel a olhou com estranheza.
– Por que você está com uma arma? — Perguntou.
– Pra situações como essa. — Alice resmungou e se levantou, ficando visível para quem for que estivesse atirando. Daniel quase a puxou de volta até ouvir os tiros que a garota disparava com perícia. Ela quase foi alvejada, mas se abaixou de novo até ser seguro. — Preciso que você me diga onde é que estão os desgraçados.
Daniel balançou a cabeça e se levantou também, o suficiente para poder ver pelas vitrines de vidro da loja. Ou o que restara das vitrines. O vidro estava espalhado pelo chão, revelando um caos. As pessoas corriam para se proteger dos tiros, gritavam coisas como “terrorismo” e “ataque”. Daniel sabia que não era terrorismo, mas sim um ataque, um ataque direcionado a eles.
– Na sua direita, tem um cara escondido atrás daquela fonte! — Ele gritou para Alice, que se virou para a direita e começou a atirar.
– Eu tô quase sem balas! — Alice gritou.
– Merda. — Daniel resmungou. — Se abaixa!
Alice se abaixou no momento em que um tiro iria acertar sua cabeça e se encolheu atrás do armário junto com Daniel.
– Acabou a munição.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Kai, no outro lado do shopping, ainda na companhia de Destiny e Crystal, estava nervoso. Sabia que aquele não era o esquadrão do pai. O grupo que Nicholas gerenciava era geralmente enorme, obviamente estrangeiros e usavam seus casacos, escondendo as inúmeras armas que levavam, e se fossem eles Kai poderia até conversar, tentar um acordo. Mas não eram, e ele nem ao menos os reconhecia. Usavam colete a prova de balas, roupas folgadas de exército e capacetes azuis. Tinham uma formação fácil de deter se Kai tivesse seu próprio esquadrão — de preferência bem armados -, já que vinham das laterais do shopping e depois reviravam todos os andares de baixo para cima. Kai poderia acabar com isso, mas precisava de armas. E ele esperava saber onde conseguir.
– Conseguem ir até o mapa do shopping? — Perguntou o garoto para as garotas ao seu lado, encolhidas atrás de um balcão.
– Se me der cobertura. — Destiny murmurou. Kai tirou o revólver que carregava na cintura e lhe mostrou.
– Tenho só oito balas e preciso que a Crystal cuide da retaguarda com as facas. — Ele explicou. — Quando chegarmos lá, quero que procure onde fica a loja de artigos de caça.
– Pra que? — Crystal lhe perguntou.
– Já atirou em pessoas com um fuzil para caçar patos? É quase a mesma coisa.
As meninas sorriram e começaram a contar até o três. No final da contagem, os três se levantaram, Kai com a arma e Crystal com suas facas. A garota tinha as escondido tão bem que teve dificuldade de agarrá-las. Os três saíram correndo da loja de CD’s, no meio de pessoas que corriam como loucos para a saída. O mapa do shopping ficava no centro do andar térreo, ao lado das escadas rolantes, brilhando com luzes neon cafonas. Kai teve que agarrar as amigas pelos casacos porque senão seria arrastado com os outros. Levantava os braços e tentava acertar em um dos sujeitos de capacete, mas era difícil. Crystal ao outro lado de Destiny tinha o mesmo problema. A mão da garota sangrava já que alguém havia a empurrara e ela acertando a si mesma. Com dificuldade os três chegaram ao mapa, que estava relativamente livre do mar de pessoas. O problema é que livres da multidão eram alvos fáceis, e Kai desconfiava que eles os conheciam, porque assim que se colocaram no alvo foram alvejados. Pelo menos tinham uma linha livre para acertá-los também. Crystal jogou uma das facas com uma precisão gigante e acertou um dos homens no rosto desprotegido. O sujeito caiu do segundo andar no meio da multidão e foi pisoteado. Ouvia-se tiros do outro lado do shopping, e Kai temeu pelos amigos. Destiny começou a procurar a loja de artigos de caça enquanto Kai e Crystal estavam na retaguarda, retalhando qualquer um que conseguissem ver.
– No andar de cima! — Gritou a ruiva de repente. Kai rogou uma praga em russo e Crystal xingou normalmente. Como chegariam ao andar de cima se já estavam quase presos no térreo? Os três correram para se esconder dentro de uma loja de roupas antes de conversar sobre qualquer coisa e se esconderam atrás de um balcão vazio.
– Não vamos conseguir. — Crystal jogou a toalha.
– Nós não. — Kai murmurou. — Mattheus está lá encima.
– Como sabe?
– Qual seria o primeiro lugar que Mattheus iria em todo o shopping? — Kai lhe perguntou.
– Com certeza a área de jogos. — Destiny sorriu. — Acha que ele consegue chegar lá e voltar até nós?
– Ele talvez não, mas tenho certeza que Mariah consegue. — Kai respondeu.
– Um plano inteligente, só que com um furo: como vamos avisar o Mattheus? — Crystal lhe lembrou.
– Vocês não se deram o trabalho de pegar o número do telefone dos coleguinhas? — Destiny soou indignada e revirou o bolso do casaco. — Mattheus me deu o número dele assim que coloquei os pés naquela casa.
– Eu poderia fazer uma piada agora, mas na situação que estamos no momento agradeço o jeito atirado dele. — Crystal resmungou enquanto Destiny pegava o celular e discava o número do loiro. — Liga logo, Destiny.
Destiny colocou o dedo na boca pedindo silêncio e esperou Matt atender.
– Fale logo quem for que seja porque não tenho tempo pra ladainha.– O garoto atendeu.
– Ahn… Oi Mattheus, aqui é a Destiny…
– Me dá esse telefone! — Crystal arrancou o aparelho das mãos da amiga. — Mattheus, você consegue chegar no quarto andar? Tem uma loja de produtos de caça, provavelmente tem armas.
– Você tá me pedindo pra assaltar a loja? — Mattheus gritou. Kai arrancou o telefone de Crystal.
– Não seu idiota, mas se não fizer isso iremos morrer. — Kai reclamou.
– Tá bom, eu vou. — Mattheus respondeu de mau humor. — Tem gente armada pra todos os lados, como eu vou chegar lá?
– Você eu não sei, mas sua irmã tem que dar um jeito. — Kai explicou.
– Se a Mary for, eu morro! — Mattheus gritou novamente, em pânico. Kai ouvia os tiros disparados de onde Matteus estava e os gritos de Mariah no fundo.
– Se a Mary não for, todos morremos!
Um segundo se passou até Mattheus voltar a falar.
– Nós vamos. — Ele concordou.
– Quando conseguirem, entreguem as armas pra qualquer um dos nossos que virem pela frente, e abaixe a cabeça, não deixe que eles te vejam. — Kai pediu. — Boa sorte, estamos aqui esperando no térreo.
– Pelamor de deus, não morra e nos deixe na mão, Mattheus. — Crystal arrancou o celular das mãos de Kai para poder passar a mensagem. Kai ouviu Mattheus resmungar do outro lado da linha e finalmente desligar.
– Agora é só esperar e sobreviver. — Destiny disse pra tentar levantar o humor, falhando miseravelmente.
– Se fôssemos contar com você nos animando, morreríamos sem nem dar uma risada, Tinny.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
– Você deve estar brincando! — Mariah resmungou, atrás de uma máquina caça-níqueis.
– Não estou, acredite. — Mattheus bufou.
– Kai quer que levemos armas pra eles? — Hylla repetiu, ao lado dos Blackmoon, igualmente embasbacada com a notícia. — Eu mal consigo andar com esse tiro na perna!
– Eu sei. — Mattheus baixou o tom de voz. Mattheus e Mariah estavam na praça de alimentação quando os gritos começaram e um mar de gente começou a subir as escadas em pânico. Os irmãos acabaram por achar Hylla no meio da multidão, e os três desceram as escadas do melhor jeito que conseguiram para encontrar os amigos. No meio da descida, alguém deu um tiro na perna de Hylla, que caiu da escada rolante até o quinto andar, a área de jogos. Felizmente Hylla caiu dentro de uma piscina de bolinhas, xingando até as crianças que ali choravam como bezerros. Mariah tirou o arco que carregava de dentro da mochila nas costas e Mattheus correu para ajudar Hylla. A morena não conseguia andar, então Mattheus a pegou no colo e a carregou para trás de uma máquina do pac-man onde eles puderam improvisar uma tala na panturrilha de Hylla e conter o sangue que jorrava.
– Minhas flechas estão acabando. — Mariah se sentiu na obrigação de dizer. — É melhor escolhermos logo o que vamos fazer.
– Kai disse que sem armas todos eles podem morrer. — Mattheus contou.
– Isso se já não estiverem mortos. — Hylla grunhiu, tentando se sentar direito no meio dos fios das máquinas que foram arrancadas para evitar um possível curto circuito.
– Há dois minutos atrás três deles estavam vivo pelo menos. — Mattheus deu de ombros.
– Você tem razão, temos que ajudá-los. — Mariah passou a mão na testa, limpando o suor. Seu cabelo ruivo colava na testa e ela estava exausta. — Nunca fui tão atacada assim.
– Pelo menos estamos no meu habitat. — Mattheus sorriu. — Eu tenho um plano.
– Isso não soa boa coisa. — Hylla murmurou.
– Ele seria melhor se pudéssemos ter nossa praticadora de parkour, mas…
– Eu ainda posso te dar algumas dicas se você quiser pular. — A morena ofereceu.
– Então eu aceito. — Mattheus concordou. — Mariah cuida da retaguarda enquanto você fica aqui, Hylla. Eu vou descer até lá e roubo as armas. Depois volto, entrego algumas pra vocês e desço pra ajudar os outros.
– Não é um plano tão ruim. — Mariah reconheceu. Até Hylla tinha que concordar, embora parecesse indignada por ter que ser deixada para trás.
– Vi isso em um filme. — Mattheus disse.
– Oh. — Hylla ficou sem palavras. — Espero que ele tenha dado certo no filme.
– O cara morreu com cinco tiros nas costas. — Mattheus contou. Visto o silêncio que ficou, ele se arrependeu. — Mas Mary não vai deixar isso acontecer.
– Eu vou tentar. — Mariah disse, desconfortável.
– Ok, você vai ter que ser rápido, Mattheus. — Hylla disse. — Mantenha a velocidade, não diminua. Não tente pegar atalhos que não confie. Se for pular sobre alguma coisa coloque seu cérebro para funcionar e calcule antes se vai dar.
– Mais alguma dica? — Mattheus perguntou.
– Não morra. — Hylla respondeu.
– Tudo bem. — Mattheus respirou fundo e contou até três mentalmente antes de levantar seguido de Mariah e correr para fora da área de jogos. Ele resolveu ir pela escada normal porque a rolante estava apinhada de gente enquanto Mariah se posicionou do melhor jeito para poder ver onde o irmão estava indo.
Assim que começou a descer o primeiro lance Mattheus quase foi atingido por um tiro. Ele abaixou a cabeça e desceu o mais rápido que podia, pulando degraus e empurrando pessoas. Ouvia casualmente um zunir próximo da sua cabeça e descobria ser uma bala ou uma das flechas de Mariah acertando o alvo. Quando finalmente chegou no quarto andar, começou a procurar a maldita loja de artigos de caça. Por que raios tinha uma loja de armas em um shopping ele não sabia, mas no momento agradecia por isso. Deu duas voltas pelo andar inteiro até achar a loja.
Estranhamente ele não era o primeiro a ter a ideia de se armar, e logo que entrou descobriu o por que. Castiel e Nathan estavam com toda a calma comparando algumas armas.
– Vocês estão fazendo o que aqui? — Ele berrou. Assim que ele começou a falar Castiel se virou para ele com a arma apontada, pronto pra atirar.
– Uou. — Nathan disse. — Bons reflexos, cara.
– O que é que vocês estão fazendo aqui? — Mattheus perguntou de novo, um pouco mais calmo.
– Nos armando. O caos baixou nesse lugar. — Nathan respondeu.
– Não pensaram nem um pouco que estávamos sendo massacrados por aí? — Mattheus se irritou.
– Na verdade não. — Castiel deu de ombros. — Vai pegar alguma arma?
–
Vou. — Mattheus resmungou.
– Você sabe onde está a Alice? — Nathan perguntou.
– A última vez que a vi estava com o Daniel. — Mattheus deu de ombros. — No térreo, onde eu preciso estar.
– Eu vou com você. — Nathan disse, em um tom que mostrava que ele não estava brincando. Se ele deixasse algo acontecer com Alice provavelmente Nicholas o matava.
– Eu preciso ajudar minha irmã e Hylla primeiro no quinto andar. — Mattheus contou.
– Deixa que eu vou. — Castiel respondeu. — Digamos que tenho experiência em ajudar Mariah. Sem malícia, é claro.
Mais claro ainda foi que ele disse a frase carregada de malícia. Mattheus o olhou de baixo pra cima, rolou os olhos e pegou uma das armas que Nathan lhe entregava.
– Minha irmã vai chutar sua bunda. — O loiro disse e depois saiu de cena. Nathan deu uma breve risadinha e pegou muitas armas antes de sair também. Castiel pegou mais algumas munições e correu para fora da loja até o quinto andar.
Quando Mattheus e Nathan foram agarrados pelos casacos e puxados para trás, Nathan deu instintivamente um soco na pessoa, que revelou sendo Alexander. Quem segurava Mattheus era Miyuki, que estranhamente estava com um pedaço de pau na mão. Atrás dos dois Kamizuki estava olhando para os lados procurando por alguém. Kami tinha uma arma de choque, que já havia sido usada e Alexander estava sem nada além dos punhos.
– Ainda bem que encontramos vocês! — Miyuki soou aliviada. — Vocês estão bem? Ninguém está ferido?
– Hylla levou um tiro. — Mattheus respondeu. Miyuki soltou um suspiro e pareceu nervosa.
– Karl levou um tiro também. Felizmente foi no ombro direito, mas tivemos que deixá-lo lá dentro. — Ela contou, mordendo o lábio.
– Espera. Karl deixou você sair aqui na linha de tiro de livre e espontânea vontade? — Mattheus perguntou.
– Depois que eu bati com esse pedaço de pau na cabeça dele não deu pra ele dizer muita coisa. — Miyuki respondeu. Mattheus começou a rir, e isso aliviou um pouco as coisas.
– Onde está o Michael? — Nathan perguntou.
– Procurando Alice, onde mais? — Alex rebateu. — Assim que viu o ataque ele pirou e saiu correndo atrás dela.
– Faz sentido. — Nathan deu de ombros.
– Você não deveria estar com a sua irmã? — Miyuki perguntou para Mattheus.
– Eu vim para ajudar vocês. — Mattheus disse. — A propósito, tenho algo aqui bem melhor que isso que você chama de arma.
Mattheus jogou pra ela uma espingarda enorme e a garota apenas olhou para a arma por dois segundos até engatilhá-la.
– Espero que tenha a munição aí. — Miyuki disse.
– Tenho. — Mattheus procurou pela caixa de balas nos bolsos do casaco e entregou a caixa correspondente com a espingarda.
– Mattheus, fique aqui, eu vou atrás dos Peters. Alexander pode levar as armas para Kai e as meninas. — Nathan mandou. — Você vem comigo asiático, você pode ser utilizável.
– Tudo bem. — Kami assentiu e Alex concordou, pegando as armas que Mattheus carregava. — Vamos lá.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Nathan, Alexander e Kami desceram mais dois lances de escadas tentando do melhor jeito se proteger dos tiros. Nathan atirou uma ou duas vezes, principalmente porque não queria chamar a atenção para si. Não acertou para matar os homens, e sim para machucar. Se os matasse a polícia estaria envolvida. Até agora os policiais não haviam chegado, ou se haviam estavam lá fora. Felizmente ele não ouvia sirenes. O térreo ainda estava cheio de gente nos celulares provavelmente ligando para bombeiros. Muita gente estava no chão, baleada, sangrando e até desmaiada. Nathan esperava que os outros tivessem saído de lá enquanto podia porque não queria enfrentar todo aquele caos.
– Eu vi a Alice! — Kami gritou de repente. O asiático começou a correr para a direita empurrando a multidão e Nathan ficou dividido entre ir atrás de Alice ou ajudar o filho de Nicholas.
– Eu vou ir atrás de Kai e das garotas, vai com ele. — Alexander se ofereceu.
– Tudo bem. — Nathan assentiu, e correu atrás de Kami. Antes de chegar na loja Nathan ergueu a arma e deu um tiro em um dos homens de capacete que estavam entrando na loja. Kami empurrou o outro de um jeito que o sujeito caiu no chão com tudo. Assim que os dois garotos entraram na loja viram o desastre de roupas de grife pisoteadas, vendedoras desmaiadas e alguém xingando detrás do balcão. Kami se apressou e chegou até o balcão antes de Nathan. Felizmente Alice e Daniel estavam bem embora Daniel estivesse com os olhos arregalados e Alice resmungando com uma arma, a mesma que ela havia apontado para Nathan na última noite.
– Vocês estão feridos? — Nathan perguntou.
– Não, mas vocês chegaram bem na hora. — Alice soltou um suspiro. — Viram meu irmão ou o Kai?
– Alexander foi ajudar Kai e as meninas, e Michael sumiu tentando te procurar. — Nathan respondeu. Alice arregalou os olhos, verdadeiramente apavorada.
– Temos que sair daqui, eles podem estar mortos! — Alice se levantou, dando a mão para Daniel levantar também. — Onde Kai está?
– Nesse andar, só não sei onde. — Kami respondeu a ela. Alice soltou um grunhido e começou a correr para for a. — Espera! Você vai levar um tiro!
Daniel, recuperado, correu para impedir Alice. O garoto puxou a amiga pelo braço e Alice bravejou. Kami olhou para a cena estupefato, e gritou. Nathan não entendeu nada, mas dois segundos depois, quando um tiro foi acertar Alice e Daniel se meteu na frente, até ele correu.
– Meu deus! — Alice gritou. Kami parou no meio da corrida e apontou sua arma de um jeito selvagem para o homem que ele mesmo havia derrubado, e atirou. A bala acertou o braço direito do homem, que gritou. Assim que se deu por satisfeito ele correu até Alice e Daniel no chão.
– Onde foi que ele acertou? — Kami perguntou, completamente desnorteado.
– No abdômen. — Alice respondeu por Daniel, que estava em desespero tentando conter o sangramento. Alice arrancou a barra da blusa e deu para Kami amarrar no abdômen de Daniel. — Você está bem, Dan?
– Essa é a pergunta mais idiota que eu já recebi na vida, Alice. — Daniel bufou.
– Ele está bem. — Alice soltou um suspiro.
– Consegue andar? — Nathan perguntou.
– Tente levar um tiro na barriga e andar logo depois, Nathan. — Daniel rebateu, com dor na voz.
– Na verdade já levei alguns. — Nathan deu um sorriso macabro.
– Não é hora pra isso, Nathan, precisamos sair daqui. — Alice rolou os olhos.
– Vocês tornam tudo mais difícil. — Kami se ajoelhou e com toda a delicadeza possível pegou Daniel no colo. Daniel tentou não gritar e com muito sacrifício conseguiu, mas Kami o segurou com firmeza sem pressionar muito o machucado. — Você vai ficar bem, Daniel. — Os quatro se levantaram e Alice puxou Nathan pelo braço.
– Quero ver o Kai. — Ela pediu.
– Vamos sair daqui e depois o procuramos.
– Eu quero encontrar ele agora, Nathan.
Nathan soltou um suspiro e passou a mão no testa.
– Tudo bem. — Ele concordou. Alice suspirou, satisfeita.
– Então vamos. — Ela sorriu. Nathan a guiou até o outro lado empurrando quem quer que estivesse na frente. Quando eles chegaram na loja de CD’s encontraram tudo vazio. — Ah não. Cadê eles?
– Acho que eles já foram. — Nathan murmurou.
– E se eles levaram um tiro? — Alice deu um ataque. — E se eles tiverem morrido? Eu sabia que devia ter insistido pro Kai vir comigo.
– Ei, se acalma. — Nathan mandou. — Eles já devem ter ido embora. Quer ir atrás deles?
– Sim. — Alice se acalmou.
– Ótimo. Vamos para o estacionamento, eles devem estar lá.
– Ok. — Alice respirou. — Eu estou bem, foi só um pânico momentâneo.
– De perder Kai ou seu irmão?
Alice não respondeu e saiu da loja. Nathan teve que se esforçar pra segui-la, e por todo o caminho eles não foram atacados por ninguém. Alice ficou quieta durante todo o caminho, e Nathan não falou nada. não sabia o que havia feito errado. Quando eles desceram para o estacionamento — vazio além de uns poucos carros e os de Alice que ainda estavam ali -, viram alguma coisa errada.
– As câmeras estão desligadas. — Nathan murmurou. Alice olhou ao redor e constatou o mesmo.
– Esse silêncio é estranho. — Ela disse.
– Eles não estão aqui. — Nathan deu de ombros. — Devem ter saído por outro lado.
– Nathan, atrás de você! — Alice berrou de repente.
Nathan sentiu a proximidade e anos de prática o fizeram desviar de uma coronhada na nuca. O homem pareceu surpreso, mas Nathan agarrou o braço dele e com o joelho o quebrou. O homem começou a berrar de um jeito que Alice sentiu os tímpanos tremerem. Com a dor, o homem se curvou e Nathan o jogou no chão.
– Não o mate! — Alice gritou. — Ele pode saber alguma coisa.
– Eu não vou falar nada. — O homem grunhiu, no chão, embalando o braço quebrado.
– Eu tenho uma ideia. — Alice começou a revirar o cós das calças e Nathan olhou para ela apático, enquanto ela, observando o olhar dele, indicou indignada para o cinto que usava. — É pra você enforcá-lo, seu russo tarado.
Quando ela tirou o cinto de spikes da cintura, Nathan amarrou no pescoço do cara que tinham pegado casualmente para interrogar e o homem começou a rezar enquanto chorava. Nathan teve pena por um segundo antes de voltar ao trabalho.
– Quem mandou você? — O garoto perguntou, apertando o pescoço do homem.
– Xavier…
Nathan suspirou de raiva assim que ouviu o nome. Detestava a fama desse vendedor de drogas americano.
– Por que? — Ele pressionou novamente.
– Eu… Não sei. — O sujeito respondeu tentando respirar.
– Não sabe?
– Não… Sei. Juro. — Ele começou a chorar pateticamente.
– Tem certeza?
– Por favor… Não sei.
– Mata ele de uma vez, não tá vendo que o cara não sabe? — Alice o apressou. Nathan soltou um suspiro e acabou jogando o homem no chão e tirando a faca da cintura. Esfaqueou o homem no pescoço e logo o sujeito nadava em uma poça de sangue. — Poderia ter sido de um jeito mais limpo, sabe?
– Não tenho tempo pra isso. — Nathan deu de ombros e teve cuidado para não pisar no sangue. Alice olhou para o cadáver com desprezo e arrancou o cinto do pescoço do homem e o colocou de volta nos jeans antes de acompanhar Nathan pra fora do beco. — Seu namorado deve ter se sentido sozinho sem você.
– Ele não é meu namorado! — Alice reclamou. O garoto ao seu lado deu uma rara risada.
– Se não fosse você não teria o trabalho de negar.
Alice rolou os olhos e baixou a guarda por um instante. Saído do meio do nada, um homem veio até os dois correndo com uma metralhadora. Nathan se atrapalhou ao puxar seu revólver, e Alice paralisou ao vê-lo apontando a arma para eles no meio da corrida. Quando o homem finalmente mirou no peito de Nathan e os dois sentiram que iria ser o fim, um machado acertou a cabeça do sujeito de um jeito que Alice chegou a se encolher. O homem caiu no chão que foi inundado com sangue quase que imediatamente. Alguém apareceu do nada também, suando e respirando pesadamente. A garota loira estava tão assustada quanto eles, mas tinha os olhos selvagens de determinação.
– Meu nome é Lilian Ludwig. — Se apresentou, pausando para poder respirar. — Espero ter sido um cara do mal que eu acabei de matar.
Fale com o autor