BlackSwan
26 Feliz aniversário
Os encontros com minha antiga equipe haviam deixado de ser ocasionais há muito tempo. Nos últimos meses, aquelas reuniões discretas na pequena cidade próxima ao povoado amazônico haviam se tornado quase uma rotina silenciosa entre nós. Sempre mudávamos os horários, os locais e os trajetos até ali, mas ainda assim existia uma sensação constante de que o tempo estava se esgotando. A KGB não era uma organização que desistia de algo importante, e o Projeto Millennium havia ultrapassado qualquer noção comum de importância há muitos anos.
Naquela noite estávamos reunidos em uma construção simples próxima ao porto da cidade. O lugar funcionava como oficina durante o dia e bar improvisado durante a noite. Ventiladores antigos giravam lentamente no teto espalhando o ar quente e úmido enquanto o som distante do rio atravessava as janelas abertas. Seth estava sentado diante de uma mesa coberta por anotações, pequenos tubos térmicos e um notebook desmontado parcialmente. Ele parecia mais cansado a cada encontro, mas seus olhos ainda carregavam o mesmo brilho inquieto de quando falava sobre ciência.
— Carlisle e Charlie acreditavam que a ciência podia salvar vidas — disse Seth enquanto girava lentamente um pequeno recipiente metálico entre os dedos. — A KGB acreditava que ela podia criar armas.
Permaneci em silêncio observando-o continuar.
Seth havia sido uma das mentes mais brilhantes que a organização já colocou as mãos. Durante anos trabalhou ao lado de cientistas ligados ao Projeto Millennium utilizando pesquisas deixadas por Carlisle Cullen e Charlie Swan. O problema era que Seth ainda possuía algum limite moral, algo que a KGB sempre considerou um defeito grave.
Ele apoiou o recipiente sobre a mesa e suspirou.
— O Millennium nasceu disso. Uma substância biológica instável criada para alterar padrões celulares, acelerar capacidades humanas e corrigir falhas genéticas. A KGB deu esse nome porque acreditava que estava diante da maior criação científica do século.
Paul soltou uma risada sem humor encostado próximo à parede.
— Modestos como sempre.
Seth ignorou o comentário e prosseguiu.
— O problema é que o Millennium não pode ser reproduzido completamente. Nem mesmo eu consegui replicar cem por cento da fórmula original depois que fugi. A substância reage de formas imprevisíveis dependendo do organismo.
Leah cruzou os braços.
— Traduz isso para pessoas normais.
Seth levantou os olhos para ela.
— O Millennium pode salvar vidas… ou destruir tudo. Nem eu conheço os limites reais daquilo que criei.
A frase pairou pesada no ambiente.
Eu sabia que Seth carregava culpa suficiente para uma vida inteira. Afinal, mesmo que a criação dele tivesse permitido avanços impossíveis, também havia aberto caminho para experimentos monstruosos conduzidos pela KGB.
Ele passou a mão pelos cabelos antes de continuar.
— Antes de fugir, consegui trazer algumas amostras comigo. Tenho trabalhado em algo parecido nos últimos anos, mas mais seguro. Pelo menos essa é a ideia.
Observei Seth em silêncio enquanto ele falava. Parte de mim ainda tentava decidir se aquilo representava esperança ou apenas mais uma tragédia esperando o momento certo para acontecer. O Millennium havia criado Renesmee de certa forma. Havia permitido o nascimento de Charlie. Mas também transformou inúmeras pessoas em cadáveres durante os experimentos da KGB.
Antes que alguém dissesse qualquer coisa, a porta da oficina foi aberta e Paul apareceu acompanhado de Rachel.
Minha irmã entrou no ambiente olhando ao redor com certa preocupação antes de caminhar diretamente até mim. Assim que se aproximou me abraçou forte, como fazia desde criança sempre que suspeitava que eu estava me metendo em problemas maiores do que deveria.
— Fiquei preocupada — disse ela ao se afastar apenas o suficiente para me olhar. — Paul comentou algumas coisas e honestamente… toda essa história parece cada vez mais estranha.
Sorri de leve.
— Porque ela é estranha.
Rachel suspirou antes de me entregar uma sacola decorada com pequenos ursinhos coloridos. Bastou olhar para entender imediatamente do que se tratava.
— É para Charlie — explicou ela com um sorriso mais suave. — Eu ainda não consigo acreditar completamente que tenho uma sobrinha escondida em uma ilha no meio da Amazônia.
Paul puxou uma cadeira ao lado enquanto Leah ria baixo.
— Bem-vinda à nossa vida atual.
Rachel ignorou o comentário dele e voltou a olhar para mim.
— Quero conhecê-la quando for seguro.
Aquela frase me atingiu de uma forma silenciosa.
Porque fazia tanto tempo que Charlie existia apenas escondida do mundo que às vezes eu esquecia o quão absurdo aquilo realmente era. Minha filha tinha três anos e praticamente ninguém fora da ilha sabia da existência dela.
Segurei a sacola com cuidado antes de responder:
— Ela vai amar isso.
Rachel sorriu imediatamente.
— Você fala dela igualzinho ao Billy falava de você quando era pequeno.
Balancei a cabeça soltando uma pequena risada cansada enquanto observava os desenhos de ursinhos na embalagem.
Então acrescentei mais baixo:
— E você vai conhecê-la. Prometo. Quando tudo isso acabar.
O problema era que, pela primeira vez em muito tempo, eu já não tinha certeza se aquele “fim” realmente existia.
A conversa continuou por mais alguns minutos enquanto o ventilador antigo insistia em girar lentamente acima de nossas cabeças, espalhando o cheiro de café forte e chuva recente que vinha da rua. Apesar da aparente tranquilidade daquele encontro, todos ali sabiam que bastava um único erro para transformar aquela oficina esquecida em um cenário de execução. Talvez por isso nossas reuniões tivessem adquirido aquele estranho equilíbrio entre tensão e normalidade. Era quase como se rir e conversar sobre coisas comuns fosse uma maneira silenciosa de negar o caos que nos cercava.
Apoiei os cotovelos sobre a mesa e voltei minha atenção para Paul.
— Você conseguiu algo sobre Charlie Swan? Ou sobre os Cullen?
Paul passou a mão pela barba curta antes de responder.
— Nada. Absolutamente nada.
Franzi a testa imediatamente.
— E Isabella? Edward?
Ele negou devagar.
— Também desapareceram. Sem registros bancários, sem movimentação digital, sem imagens, sem corpos. É como se tivessem sido engolidos pela terra.
O silêncio que veio depois me incomodou mais do que qualquer resposta ruim.
Porque desaparecer completamente era quase impossível. Principalmente para pessoas tão visadas pela KGB. Uma organização daquele tamanho sempre deixava rastros, nem que fossem mínimos.
Observei Paul por alguns segundos antes de perguntar novamente:
— Tem certeza de que a KGB também não sabe onde eles estão?
Paul assentiu sem hesitar.
— Tenho. Fiz alguns contatos antigos e a situação lá dentro está um caos. Eles continuam procurando respostas sobre o Millennium, mas Charlie Swan e os Cullen simplesmente evaporaram.
Aquilo me deixou inquieto imediatamente.
Charlie Swan não era o tipo de homem que abandonava pessoas importantes para ele. Muito menos Renesmee. Durante aqueles anos eu havia tentado aceitar o desaparecimento dele como consequência da guerra contra a KGB, mas parte de mim nunca acreditou completamente nisso.
Porque algo não encaixava.
Se Charlie estava vivo, por que nunca procurou a própria filha?
E se estava morto… por que não havia nenhum vestígio?
Passei a mão pelo rosto tentando organizar os pensamentos enquanto sentia aquela velha sensação de alerta crescer novamente dentro de mim. Havia peças faltando naquele quebra-cabeça, e eu odiava não conseguir enxergar o quadro completo.
Antes que eu pudesse continuar insistindo naquele assunto, olhei rapidamente para o relógio preso na parede da oficina e soltei um pequeno palavrão baixo.
Rachel arqueou a sobrancelha.
— O que foi?
Levantei imediatamente pegando a chave da lancha sobre a mesa.
— Preciso ir. Hoje é aniversário da Charlie e prometi para a Nessie que não demoraria.
O ambiente pareceu mudar instantaneamente apenas com a menção da minha filha. Leah, que até então permanecia encostada na parede ouvindo a conversa em silêncio, abriu um pequeno sorriso discreto e levou a mão até a bolsa presa ao ombro.
Ela retirou uma pequena caixa embrulhada em papel azul-claro e estendeu na minha direção.
— Feliz aniversário para a princesa Black.
Olhei surpreso para o presente antes de pegar a caixa.
Paul imediatamente apontou para Leah com expressão vitoriosa.
— Eu disse que era uma boa ideia comprar.
Leah revirou os olhos.
— Não começa.
Paul riu enquanto Seth observava a cena com um sorriso cansado.
Por um instante, vendo todos eles ali, agindo quase como pessoas normais apesar da vida absurda que levávamos, senti algo que não experimentava havia muito tempo.
Pertencimento.
Segurei os presentes de Charlie com cuidado antes de olhar novamente para eles.
— Obrigado. Sério.
Leah deu de ombros como se não fosse nada importante.
— Só mantém a miniatura de arma longe da criança.
Rachel arregalou os olhos imediatamente.
— Leah!
Ela riu pela primeira vez naquela noite.
— Estou brincando.
Balancei a cabeça sorrindo antes de caminhar até a saída.
— Mantenham contato. Qualquer movimentação diferente da KGB, qualquer informação sobre Charlie Swan ou os Cullen… me avisem imediatamente.
Sam assentiu em silêncio enquanto os outros concordavam.
Então deixei a oficina carregando os presentes da minha filha nos braços enquanto a chuva fina da noite amazônica começava a cair novamente sobre a cidade.
Porque naquele momento existia apenas uma coisa ocupando meus pensamentos.
Era hora de voltar para minha família.
A viagem de volta até a ilha aconteceu sob uma chuva fina e constante que transformava o rio em um reflexo escuro das luzes distantes do continente. O motor da lancha cortava a água em velocidade moderada enquanto eu mantinha os olhos atentos ao redor por puro hábito. Depois de tantos anos vivendo entre agentes, traições e organizações clandestinas, vigilância havia deixado de ser treinamento e se tornado instinto.
Mesmo assim, naquela noite meus pensamentos não estavam voltados para a KGB.
Estavam voltados para casa.
A simples ideia ainda parecia estranha às vezes. Durante boa parte da vida eu me acostumei a associar a palavra “lar” a quartos temporários, apartamentos vazios e identidades falsas espalhadas pelo mundo. Agora existia uma ilha escondida no meio da Amazônia onde duas pessoas esperavam meu retorno.
E isso mudava tudo.
Aproximei a lancha lentamente do pequeno píer improvisado de madeira e desliguei o motor. O som da floresta tomou conta do silêncio quase imediatamente. Cigarras, água batendo nas estacas e o vento úmido atravessando as árvores.
Então eu as vi.
Renesmee estava parada próxima à areia observando o mar enquanto segurava Charlie no colo. A luz amarelada vinda da varanda da casa iluminava parcialmente as duas, e por um instante fiquei apenas olhando aquela cena como um homem tentando convencer a si mesmo de que aquilo realmente existia.
Charlie foi a primeira a me notar.
A menina imediatamente começou a se agitar nos braços da mãe apontando na minha direção.
— Papai!
Renesmee sorriu no mesmo instante em que colocou nossa filha no chão. Charlie correu desajeitada pela areia molhada com as pernas pequenas afundando levemente a cada passo apressado. Ainda existia algo engraçado no jeito como ela corria, como se o corpo dela sempre estivesse um segundo atrasado em relação à própria animação.
Sorri sem conseguir evitar enquanto descia da lancha.
Antes mesmo que ela chegasse, me abaixei abrindo os braços e Charlie praticamente se jogou contra mim.
— Ei, pequena.
A peguei no colo imediatamente sentindo as pequenas mãos segurarem meu rosto enquanto ela ria.
— Você demorou!
— Fui oficialmente repreendido no meu próprio aniversário de pai.
Charlie ignorou completamente a provocação e apontou imediatamente para as sacolas em minhas mãos.
— O que tem aí?
Soltei uma pequena risada.
— Você realmente é filha da sua mãe.
Renesmee se aproximou logo em seguida, os cabelos ruuvos balançando levemente com o vento úmido da noite. Ela me olhou daquele jeito tranquilo que ainda conseguia desacelerar minha cabeça depois de qualquer reunião ou missão.
Aproximei meu rosto do dela e a beijei devagar, sentindo imediatamente suas mãos repousarem sobre meus braços.
— Senti sua falta — ela murmurou perto demais dos meus lábios.
— Foram poucas horas.
— Mesmo assim.
Charlie fez um som indignado no meu colo.
— Vocês esqueceram de mim.
Renesmee riu imediatamente e beijou os cabelos da menina.
— Charlie Black, você é a criança mais curiosa do planeta.
— Eu só quero saber o que tem nas sacolas.
— Interesseira igual ao pai — murmurei.
— Ei.
Nessie riu enquanto caminhávamos juntos em direção à casa.
Assim que entramos, o cheiro doce vindo da cozinha tomou conta do ambiente imediatamente. Charlie continuava inquieta nos meus braços olhando fixamente para os presentes como se estivesse prestes a explodir de ansiedade.
Finalmente coloquei ela no chão e ergui as sacolas.
— Certo. Como hoje é aniversário da senhorita Charlie Black… acho que talvez existam presentes aqui.
A reação foi imediata.
Charlie soltou um gritinho animado e começou a bater palmas tão forte que quase perdeu o equilíbrio sozinha. Renesmee levou a mão à boca rindo da animação exagerada da nossa filha enquanto eu entregava a sacola para ela.
Charlie sentou no chão da sala na mesma hora começando a abrir os embrulhos com uma concentração absurda. A língua presa entre os dentes pequenos enquanto tentava rasgar os papéis me fez rir automaticamente.
Aproveitei a distração dela para puxar Renesmee pela cintura trazendo-a para perto do meu corpo.
Ela levantou os olhos imediatamente.
— Obrigada por voltar cedo.
— Eu prometi.
Nessie sorriu daquele jeito suave que ainda me desmontava completamente depois de todos aqueles anos. Segurei seu rosto entre as mãos e a beijei outra vez, mais lentamente agora, sentindo seus dedos se prenderem na minha camisa enquanto a chuva aumentava do lado de fora da casa.
— Mamãe! Papai!
Nos afastamos no mesmo instante ao ouvir Charlie.
Nossa filha estava segurando uma boneca quase do tamanho dela com expressão completamente fascinada.
— Olha!
Renesmee imediatamente se abaixou perto dela.
— Meu Deus… ela é linda, Charlie.
A menina abraçou a boneca como se tivesse acabado de receber o maior tesouro do planeta. Ver aquela felicidade simples no rosto dela provocava uma sensação perigosa dentro de mim.
Porque quanto mais eu amava aquela vida… mais medo tinha de perdê-la.
Peguei Charlie novamente no colo enquanto ela continuava falando sem parar sobre a boneca nova, e Renesmee se levantou sorrindo.
— Vou buscar o bolo antes que alguém aqui exploda de ansiedade.
Charlie levantou o braço imediatamente.
— Eu não explodo.
Olhei para nossa filha com falsa seriedade.
— Há controvérsias.
Ela riu alto enquanto Renesmee desaparecia na direção da cozinha.
Naquele momento, ouvindo a risada da minha filha ecoar pela casa enquanto a chuva caía sobre a floresta lá fora, eu realmente acreditei que talvez ainda existisse alguma chance de sermos felizes.
O pequeno bolo de chocolate ocupava o centro da mesa simples da cozinha enquanto a chuva continuava caindo do lado de fora da casa. A iluminação amarelada deixava tudo com um aspecto acolhedor demais para alguém como eu, acostumado durante anos a associar noites escuras apenas a missões, armas e sangue. Ainda assim, ali estava eu observando minha filha sentada sobre a bancada usando uma pequena coroa torta feita por Renesmee com papel colorido.
Charlie parecia absolutamente convencida de que era uma rainha.
Renesmee acendeu a pequena vela com o número três enquanto eu segurava Charlie pela cintura para impedir que ela tentasse pegar o fogo com os dedos.
— Não pode roubar a vela antes da música — avisei.
— Mas ela é brilhante.
— Exatamente por isso você não toca.
Nessie riu baixo ao meu lado antes de começar a cantar parabéns de forma suave. Acompanhei sua voz poucos segundos depois enquanto Charlie batia palminhas completamente encantada com toda a atenção voltada para ela.
Era impossível olhar para nossa filha naquela noite e não sentir algo apertar dentro do peito.
Porque Charlie era real.
Não apenas um experimento. Não apenas consequência de erros científicos. Não apenas o resultado impossível do Millennium.
Ela era apenas nossa filha.
Quando terminamos de cantar, Charlie puxou o ar com toda força possível e apagou a vela de uma vez só, comemorando imediatamente depois como se tivesse realizado uma grande missão.
— Eu consegui!
Peguei ela no colo e beijei sua bochecha enquanto Renesmee acariciava os cabelos da menina.
— Conseguiu mesmo, princesa.
Charlie ria daquele jeito leve que fazia qualquer ambiente parecer seguro. Nessie cortou o bolo cuidadosamente e então perguntou com falsa solenidade:
— Muito bem, senhorita aniversariante… para quem vai o primeiro pedaço?
Charlie nem pensou.
— Pra mim.
A resposta imediata arrancou uma gargalhada de mim e de Renesmee ao mesmo tempo.
— Egoísta igual ao pai — Nessie comentou sorrindo.
— Isso é claramente genética da mãe.
Charlie já abria a boca pronta para responder alguma coisa quando Renesmee ficou imóvel.
A mudança foi instantânea.
Seu sorriso desapareceu devagar enquanto seus olhos se voltavam na direção da praia.
Eu conhecia aquela expressão.
Meu corpo inteiro entrou em alerta antes mesmo dela falar.
— Jacob…
Seu tom de voz saiu mais baixo agora.
— Alguém está vindo.
O ambiente leve da cozinha desapareceu imediatamente.
Peguei minha arma sobre a bancada quase por reflexo enquanto Renesmee puxava Charlie para os braços dela. Nossa filha percebeu a mudança no clima na mesma hora e segurou a camisa da mãe em silêncio.
— Fiquem aqui — ordenei já caminhando em direção à porta.
Meu coração desacelerou automaticamente no instante em que atravessei a varanda. Anos de treinamento assumiram o controle enquanto meus olhos analisavam cada movimento da praia escura iluminada apenas pela lua escondida entre as nuvens.
Então ouvi.
O som de motor.
Uma lancha.
Caminhei rapidamente pela areia molhada mantendo a arma firme nas mãos enquanto a embarcação se aproximava devagar do píer improvisado. Nenhuma luz ligada. Nenhuma identificação.
Errado.
Muito errado.
Parei próximo à água esperando o momento exato em que a figura dentro da lancha finalmente se tornou visível.
E então senti o estômago revirar.
Porque eu conhecia aquela mulher.
A lancha finalmente encostou na madeira do píer e ela se levantou lentamente, os cabelos molhados pela chuva fina e os olhos fixos em mim da mesma forma intensa de anos atrás.
Bree Tanner.
Por alguns segundos nenhum de nós disse nada.
O som da água batendo nas estacas pareceu absurdamente alto no silêncio entre nós.
Mantive a arma apontada sem baixar a guarda nem por um segundo.
— Achei que estivesse morta — falei friamente.
Bree soltou uma pequena risada cansada enquanto descia da lancha.
Ela parecia diferente.
Mais magra. Mais velha. Mais quebrada.
Mas ainda carregava aquele olhar perigoso que sempre me fazia acreditar que ela sabia mais do que demonstrava.
Então ela ergueu os olhos diretamente para mim e disse:
— Te encontrei, Jacob Black.
Olhando para Bree parada na praia daquela ilha escondida, não fazia a menor ideia do que nos aguardava.
Nossa paz tinha acabado.
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