BlackSwan
23 Amazônia
Os últimos seis meses mudaram completamente a minha vida. Às vezes eu observava Renesmee atravessando a clareira da ilha e tinha dificuldade em associar aquela jovem à garota assustada que apareceu no meu apartamento em Manhattan usando uma camisa minha e tentando entender por que o mundo dela tinha desmoronado em uma única noite. O tempo na Amazônia transformou ela de maneiras que nem Charlie Swan teria conseguido prever.
A ilha onde estávamos escondidos ficava perdida no coração da floresta amazônica, tão isolada que sequer aparecia em mapas convencionais. O lugar pertencia a antigos aliados da CIA usados para operações clandestinas durante a Guerra Fria e depois abandonados. Havia apenas uma pista improvisada, uma casa principal de madeira reforçada e quilômetros infinitos de mata fechada ao redor. Era úmido, quente e brutal para qualquer pessoa despreparada.
Mas Renesmee se adaptou rápido demais.
Rápido até para mim.
No começo ela mal entendia conceitos básicos de sobrevivência. Não sabia ocultar rastros, não compreendia protocolos de fuga e confiava demais nas pessoas. O problema era que suas habilidades naturais compensavam aquilo de forma absurda. Os sentidos dela eram praticamente impossíveis de enganar. Renesmee conseguia identificar movimento a centenas de metros, reconhecer pessoas pelo cheiro e perceber mudanças mínimas no ambiente. E o pior de tudo era a velocidade com que aprendia.
Ela observava uma única vez.
E nunca mais esquecia.
Em poucos meses já desmontava armas mais rápido que muitos agentes experientes. Aprendeu combate corpo a corpo como se aquilo já existisse dentro dela apenas esperando ser despertado. Desenvolveu controle emocional, técnicas de infiltração e estratégias militares de forma assustadoramente natural.
Mas, apesar de tudo isso…
Ela continuava sendo Renesmee.
Ainda existia aquela doçura irritantemente genuína nela. Ainda ria das minhas piadas ruins, fazia perguntas aleatórias durante treinamentos e continuava olhando o mundo com curiosidade demais para alguém criado dentro de um projeto monstruoso da KGB.
Naquela manhã a chuva caía pesada sobre a floresta desde antes do amanhecer. O barro já cobria praticamente todo o campo improvisado de treinamento atrás da casa quando demos início ao exercício. Eu tinha criado um circuito militar completo inspirado em treinamentos de forças especiais, com obstáculos, rastreamento e combate em ambiente hostil. Troncos caídos, cordas suspensas, túneis cavados na lama e alvos móveis escondidos no meio da mata.
Renesmee odiava lama.
O que tornava tudo ainda mais divertido.
— Você fez isso de propósito — ela reclamou antes do início do exercício enquanto observava o estado do terreno.
Cruzei os braços tentando parecer sério.
— Bem-vinda ao mundo real, princesa.
Ela revirou os olhos imediatamente.
— Você gosta quando eu fico irritada.
— Muito.
O cronômetro iniciou e ela desapareceu praticamente no mesmo segundo.
Ainda era estranho assistir aquilo.
Renesmee se movia rápido demais. O corpo dela parecia naturalmente adaptado para combate, equilibrando velocidade, força e precisão de uma forma quase absurda. Ela atravessou o primeiro trecho deslizando pela lama sem perder impulso, escalou a parede de cordas em segundos e derrubou os dois primeiros alvos antes mesmo que o sistema automático terminasse de ativá-los.
A chuva deixava tudo mais difícil.
Para qualquer outra pessoa.
Para ela parecia apenas diversão.
Fiquei observando da cobertura enquanto ela avançava pela floresta molhada como se conhecesse cada centímetro daquele lugar. O som distante dos disparos ecoava entre as árvores junto com trovões enquanto o cronômetro continuava correndo.
Então silêncio.
Segundos depois Renesmee surgiu novamente da mata completamente coberta de lama da cabeça aos pés, respirando rápido, os cabelos grudados no rosto e um sorriso vitorioso irritantemente convencido.
— Novo recorde — anunciou antes mesmo de chegar até mim.
Olhei o tempo no visor e balancei a cabeça em falsa decepção.
— Isso está começando a machucar meu ego.
Ela sorriu ainda mais.
— Você devia treinar mais, Jacob.
Soltei uma risada baixa enquanto ela tentava limpar inutilmente a lama dos braços.
— Por hoje chega, Nessie.
O apelido saiu naturalmente naquele ponto. Em algum momento durante aqueles meses eu simplesmente comecei a chamar ela assim, e o pior era perceber que ela gostava.
Começamos a voltar para a casa caminhando pela trilha estreita no meio da floresta enquanto a chuva diminuía lentamente. Renesmee andava ao meu lado chutando pequenas poças de lama pelo caminho como alguém que não tinha acabado de finalizar um treinamento militar brutal em tempo recorde.
Então ela fez a pergunta mais importante do dia.
— O que vamos jantar?
Olhei rapidamente para ela.
— Peixe.
Renesmee fez uma expressão indignada imediata.
— De novo não.
— Estamos no meio da Amazônia, Nessie. O rio literalmente passa atrás da casa.
Ela cruzou os braços.
— Então pega outra coisa no rio.
— Tipo o quê?
Ela pareceu pensar seriamente por um instante.
— Um jacaré talvez.
Não consegui evitar a risada.
— Você quer jantar um jacaré?
— Pelo menos seria diferente.
Balancei a cabeça enquanto continuávamos andando pela trilha molhada.
— Você está ficando exigente demais pra alguém que quase incendiou a cozinha tentando fazer macarrão semana passada.
Ela apontou o dedo imediatamente na minha direção.
— A culpa foi sua. Você me distraiu.
— Eu literalmente só entrei na cozinha.
Renesmee estreitou os olhos fingindo irritação.
— Exatamente. Isso já atrapalha bastante.
Aquilo me fez rir outra vez enquanto continuávamos caminhando lado a lado pela floresta chuvosa.
E foi naquele momento simples, ouvindo ela reclamar do jantar enquanto a chuva caía sobre as árvores da Amazônia, que percebi uma coisa perigosa demais.
Eu já não estava apenas protegendo Renesmee.
Eu estava começando a construir uma vida ao redor dela.
A chuva continuou caindo durante boa parte da noite, transformando a floresta ao redor da casa em um mar de sons constantes. Água batendo nas folhas largas das árvores, trovões distantes ecoando sobre o rio e o vento atravessando a mata fechada como um sussurro interminável. Depois de seis meses naquele lugar eu já conhecia cada ruído da ilha, e, estranhamente, aquilo tinha começado a parecer lar.
Eu terminava o jantar na cozinha enquanto tentava ignorar o fato de que Renesmee provavelmente reclamaria do peixe outra vez. O cheiro do alho refogando se misturava ao da chuva entrando pelas janelas parcialmente abertas, e por alguns minutos o ambiente pareceu quase normal demais para duas pessoas fugindo da maior organização clandestina do planeta.
Ouvi os passos dela antes mesmo de entrar na cozinha.
Quando levantei os olhos, precisei de um segundo para reorganizar os pensamentos.
Renesmee estava usando um moletom escuro largo demais nela, os cabelos ainda úmidos caindo pelos ombros depois do banho e o rosto limpo de qualquer resquício da lama do treinamento daquela manhã. Era impressionante como ela conseguia alternar entre uma máquina absurda de combate e alguém simplesmente… linda.
Ela se encostou casualmente na bancada observando meus movimentos enquanto eu terminava o jantar, e percebi que minha atenção estava perigosamente dividida entre a panela e ela.
— Isso ainda é peixe? — perguntou desconfiada.
— Infelizmente pra você, sim.
Ela fez uma expressão dramática de sofrimento.
— Um dia eu vou morrer intoxicada por mercúrio.
Soltei uma risada baixa enquanto desligava o fogo.
— Você provavelmente sobreviveria até a uma explosão nuclear.
Renesmee sorriu daquele jeito tranquilo que sempre parecia desmontar parte das minhas defesas sem esforço. Então ficou alguns segundos em silêncio observando a chuva pela janela antes de fazer a pergunta que já vinha repetindo havia semanas.
— Quando vamos ao povoado?
Suspirei imediatamente.
Claro.
O maldito povoado.
Do alto da ilha era possível enxergar algumas luzes distantes do outro lado do rio durante a noite. Uma pequena comunidade ribeirinha escondida no meio da Amazônia. Desde a primeira vez que viu aquelas luzes, Renesmee começou a perguntar sobre o lugar quase todos os dias.
Porque ela queria conhecer pessoas.
Queria ver o mundo.
E eu sabia exatamente por quê.
Passei seis meses ensinando ela a sobreviver, lutar, se esconder e desconfiar de tudo ao redor. Mas, sem perceber, também passei seis meses tentando manter ela longe da vida real.
Girei lentamente a chave do fogão desligando tudo antes de finalmente olhar diretamente para ela.
— Nessie…
Já comecei tentando formular alguma desculpa convincente, mas ela me interrompeu antes.
— Eu entendo que é perigoso.
A voz dela saiu calma dessa vez, sem reclamação ou insistência infantil.
— Mas nós estamos no meio da floresta amazônica. Que agente da KGB viria até aqui?
Fiquei em silêncio olhando para ela.
Porque aquele era exatamente o problema.
Ela tinha amadurecido.
Não era mais a garota assustada que apareceu no meu apartamento meses atrás. Renesmee entendia riscos agora. Pensava estrategicamente. Observava padrões. E, pior de tudo, começava a perceber quando eu estava protegendo ela mais do que o necessário.
Passei a mão pela nuca soltando um pequeno suspiro derrotado e então sorri de leve — Vai trocar de roupa.
Os olhos dela se arregalaram imediatamente.
— Sério?
— Antes que eu me arrependa.
Renesmee literalmente riu de felicidade. E aquilo era tão genuíno que eu não consegui evitar rir também. Ela atravessou a cozinha rápido demais e me abraçou sem aviso, os braços envolvendo meu pescoço enquanto beijava meu rosto de forma impulsiva.
— Você é oficialmente minha pessoa favorita do mundo.
— Isso muda muito rápido dependendo do jantar — a provoquei.
Ela ignorou completamente.
Quando se afastou, saiu praticamente correndo pelo corredor da casa antes que eu pudesse voltar atrás.
E então o silêncio retornou à cozinha.
Fiquei parado olhando a direção por onde ela desapareceu enquanto uma sensação estranha apertava lentamente meu peito.
Não.
Eu já não tinha medo da KGB encontrar Renesmee, tinha medo de outra coisa, medo de que, cedo ou tarde, o mundo encontrasse ela e percebesse o quão extraordinária era.
Porque naquele instante, sozinho naquela cozinha enquanto a chuva caía sobre a floresta lá fora, eu finalmente entendi algo que vinha evitando admitir havia meses.
Eu não estava apenas protegendo Renesmee do mundo, eu estava tentando proteger o mundo dela também.
A travessia pelo rio aconteceu sob um céu escuro carregado de estrelas parcialmente escondidas pelas nuvens. A lancha cortava a água negra da Amazônia enquanto o vento úmido atravessava nossos rostos, trazendo o cheiro forte da floresta e do rio ao mesmo tempo. Eu mantinha uma das mãos no volante e a outra apoiada próxima ao painel, controlando a velocidade enquanto observava Renesmee sentada na parte da frente da embarcação.
Ela parecia incapaz de ficar parada.
Os olhos acompanhavam tudo com atenção quase infantil enquanto as luzes distantes do povoado ficavam maiores pouco a pouco. Reflexos amarelos surgiam sobre a água escura, desenhando pequenos caminhos luminosos no rio conforme nos aproximávamos da margem.
E ela sorria.
Um sorriso genuinamente feliz.
Acabei sorrindo também sem perceber enquanto dividia a atenção entre pilotar a lancha e observar ela.
— Você parece uma criança em um parque de diversões.
Renesmee virou imediatamente para mim.
— Porque isso é incrível.
Ela apontou para as luzes ao longe.
— Parece outro mundo.
Olhei rapidamente para frente.
— Tecnicamente… é outro mundo.
Ela riu baixo antes de voltar a observar o horizonte. O cabelo dela balançava com o vento e, por um instante absurdamente específico, pensei que nunca tinha visto alguém apreciar coisas simples daquele jeito.
Depois de alguns minutos finalmente alcançamos a pequena praia improvisada que servia como porto do vilarejo. Desliguei o motor da lancha e o silêncio da floresta imediatamente tomou conta do ambiente outra vez, quebrado apenas por vozes distantes e música vindo do centro do povoado.
Saltei primeiro na areia molhada e prendi a embarcação enquanto Renesmee observava tudo ao redor quase sem piscar.
— Então isso é um povoado ribeirinho… — murmurou.
— Um dos menores que você poderia encontrar.
Subimos juntos pela pequena trilha de madeira que levava às primeiras casas. O vilarejo parecia saído de outro tempo. Casas simples erguidas sobre palafitas se espalhavam próximas ao rio, algumas coloridas em tons fortes já desgastados pela chuva e pelo sol. Redes penduradas nas varandas balançavam lentamente enquanto crianças corriam descalças pela rua de terra batida e cachorros dormiam preguiçosamente perto das portas abertas.
Havia cheiro de peixe assado, lenha queimando e frutas maduras misturado ao ar úmido da noite.
As pessoas conversavam sentadas nas portas das casas como se o tempo ali passasse diferente do resto do mundo.
Renesmee caminhava ao meu lado observando tudo fascinada.
Então ela se aproximou um pouco mais de mim e falou mais baixo:
— Eles estão olhando pra gente.
Olhei discretamente ao redor.
Algumas pessoas realmente observavam nossa passagem com curiosidade natural.
— Eles sabem que somos turistas.
Ela franziu o cenho imediatamente.
— Como sabem?
Soltei uma pequena risada.
— Porque aqui todo mundo se conhece. Quando aparecem duas pessoas novas vindas do rio à noite… fica meio óbvio.
Renesmee pareceu refletir sobre aquilo por alguns segundos antes de sorrir outra vez. Era engraçado perceber como certas coisas simples ainda surpreendiam ela muito mais do que armas, combate ou espionagem.
Continuamos caminhando lentamente pelo vilarejo até um som diferente começar a dominar o ambiente, tambores, fortes e ritmados misturados com vozes e palmas.
Renesmee virou o rosto imediatamente na direção da música, os olhos brilhando de curiosidade.
Mais à frente havia uma pequena praça iluminada por luzes coloridas improvisadas. Algumas pessoas dançavam descalças enquanto músicos tocavam tambores e instrumentos que ela claramente nunca tinha visto antes.
O som vibrava pelo chão.
Vivo.
Quente.
Humano.
Renesmee literalmente segurou minha mão antes mesmo de perceber que estava fazendo isso.
— Jake..
Ela me puxou levemente já animada.
— Vamos ver.
E antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ela começou a me arrastar pela pequena praça na direção da música como alguém finalmente descobrindo o que era viver fora de uma prisão.
A praça parecia ainda mais viva de perto. O chão de terra estava marcado pelos passos das pessoas dançando enquanto os tambores ecoavam num ritmo forte e acelerado que fazia até o peito vibrar levemente. Algumas fogueiras pequenas iluminavam partes da praça junto das luzes coloridas penduradas entre árvores e postes de madeira. Mulheres giravam em rodas usando saias longas e rodadas estampadas com flores tropicais, folhas verdes e desenhos inspirados na floresta amazônica. Os tecidos se moviam como ondas coloridas toda vez que elas rodopiavam ao som da música.
Renesmee ficou parada observando tudo completamente encantada.
Então começou a bater palmas tentando acompanhar o ritmo enquanto mexia os ombros de forma totalmente descoordenada.
E ria.
Uma risada leve, solta, daquelas que ela quase nunca dava durante os treinamentos.
Aquilo me acertou de um jeito estranho.
Porque fazia meses que eu via Renesmee lutar, correr, sobreviver e aprender a ser perigosa. Mas ali, no meio daquela praça simples perdida na Amazônia, ela parecia apenas uma garota feliz pela primeira vez desde que entrou na minha vida.
Acabei sorrindo sozinho enquanto observava ela tentando acompanhar a batida completamente fora do tempo.
— Você dança pior do que atira — provoquei alto o suficiente para ela ouvir.
Renesmee virou imediatamente para mim com expressão indignada.
— Isso é impossível.
Antes que eu pudesse responder, uma senhora pequena usando uma saia vermelha estampada se aproximou dela sorrindo de forma acolhedora. A mulher segurou a mão de Renesmee sem cerimônia nenhuma e começou a puxá-la em direção à roda de dança.
— Não, não… eu não sei dançar isso — Renesmee tentou explicar rindo.
A mulher respondeu algo rápido em português carregado de sotaque amazônico que claramente ela não entendeu.
Mas, mesmo sem entender, Renesmee começou a rir junto.
A mulher entregou uma saia colorida nas mãos dela e apontou para a roda.
E, pra minha surpresa, Nessie simplesmente cedeu.
Vestiu a saia por cima da roupa mesmo e entrou no meio da dança.
O problema era que ela realmente não fazia ideia do que estava fazendo.
Renesmee começou a tentar copiar os movimentos das outras mulheres, mas rodava pro lado errado, batia palma fora do ritmo e quase trombou em uma senhora duas vezes em menos de um minuto.
E ainda assim parecia completamente feliz.
Cruzei os braços rindo enquanto observava a cena.
Ela percebeu.
— Não ri de mim! — gritou apontando o dedo na minha direção enquanto tentava girar outra vez.
— Você parece um filhote de girafa aprendendo a andar.
— Você está com inveja porque eu sou talentosa.
— Talentosa? Nessie, você quase derrubou metade da roda.
Ela abriu a boca pra responder alguma coisa, mas a mesma senhora de antes apareceu na minha frente apontando diretamente pra mim.
— Vai dançar com tua namorada!
Arregalei os olhos imediatamente.
— Não, não… ela não é minha namorada.
Só que eu não tive tempo nem de terminar a frase.
A mulher simplesmente me puxou pelo braço com força surpreendente enquanto as pessoas ao redor riam da situação. Em poucos segundos fui empurrado para o meio da roda bem na frente de Renesmee.
Ela me olhou e começou a rir imediatamente.
Muito.
Daqueles risos que fazem os olhos lacrimejarem.
— Ah, meu Deus… você dança pior do que eu.
— Isso porque essa dança claramente tenta me humilhar.
Ela segurou minha mão puxando pra acompanhar o ritmo enquanto eu tentava descobrir o que exatamente meus pés deveriam fazer. Sem sucesso.
— Você está pisando fora do tempo — ela provocou.
— E você girou pro lado errado três vezes.
— Pelo menos eu tenho ritmo.
— Você literalmente quase causou um acidente diplomático com uma senhora de sessenta anos.
Renesmee gargalhou outra vez enquanto tentávamos acompanhar os movimentos das outras pessoas ao redor. Em algum momento acabamos apenas improvisando passos aleatórios no meio da roda enquanto as pessoas batiam palmas e riam da gente.
E eu percebi algo perigoso demais naquele instante. Percebi que estava feliz, feliz de verdade.
Não pela ideia de proteger o mundo de uma arma biológica criada pela KGB, mas por ela.
Por ver Renesmee sorrindo daquele jeito,, por ouvir a risada dela misturada aos tambores e à chuva distante da floresta, por sentir a mão dela segurando a minha enquanto me arrastava naquela dança desastrosa.
Aquilo não parecia obrigação, não parecia responsabilidade, parecia outra coisa.
Uma coisa que eu nunca tinha permitido sentir antes, e talvez por isso eu imediatamente tentasse negar dentro da própria cabeça.
Porque me apaixonar por Renesmee Swan era exatamente o tipo de erro capaz de destruir tudo.
Fale com o autor