Black Sky: Filha do Raio
1 O apagão
Notas iniciais
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—Tive aquele mesmo sonho de novo. —quase engasguei com as palavras por conta da torrada que eu estava comendo.
Mamãe virou-se e me encarou por um breve segundo, voltando a colocar seu café preto em uma cafeteira térmica. Ela parecia pensar e acabou derramando um pouco de café no piso branco, que escorreu pelo armário até o chão.
—Não deve ser nada, meu amor. —caminhou até o armário pegando um pano de chão e o jogando sobre o café recém-derramado. —Talvez seja stress por causa do colégio, mas isso vai logo passar, pois as férias estão ai e vamos para a Tailândia. Você vai ver como tudo vai ficar melhor.
—Talvez seja. Espero que essas duas semanas não demore muito para passarem, estou contando a hora para ver novamente aquele lugar maravilhoso.
Antes que pudéssemos continuar a conversa, papai desceu as escadas apressadamente enquanto vestia seu terno. Era tão engraçado vê-lo naquela situação, que comecei a sorrir mentalmente e acabei por esboçar um curto sorriso nos lábios.
—Vamos, vamos meus amores! —disse pegando sua maleta que estava em cima do balcão da cozinha, enquanto mamãe pegou as duas garrafas térmicas nas mãos e desastrosamente tentava agarrar seu casaco. —Vamos amor, deixa isso comigo.
Já eram quase oito horas quando meu pai me deixou em frente ao colégio e por incrível que pareça não tinha quase ninguém pelos arredores do colégio. Hoje o dia será cansativo e longo, já que as provas finais estavam rolando e com tudo isso, as pessoas tendem a ficarem nervosas e impacientes.
Quando dei por mim, já estava nos corredores olhando meu caderno de anotações quando minha mão começou a tremular e minha cabeça ficar pesada. O piso parecia girar e minha mente pegou-se presa as lembranças dos sonhos com que venho tendo há seis dias. Os raios caindo sobre uma grande escultura que parecia de gesso, uma caverna escura com sons ensurdecedores e uma garota que estava submergida que gritava por socorro.
—Está tudo bem Aurora?
Senti uma mão em meu ombro que me trouxe a realidade e todo aquele zumbido parou, me fazendo enxergar a realidade movimentada dos corredores da minha escola. Levantei a cabeça e pude ver Lanin me encarar com o rosto divertido, logo alterando para confuso.
—Aurora? —insistiu e mesmo que eu quisesse falar minha língua parecia morta.
—O que foi? —pude por fim dizer. Meu corpo até então parecia que estava fora do chão, mas logo voltou ao normal.
—Sou eu quem pergunta. —sorriu largo, passando a mão pelos cabelos levemente loiros. —Você estava toda esquisita olhando para chão.
—Esqueceu que eu sou esquisita? —o fiz sorrir. Decidir por não tocar no assunto, eu não queria enchê-lo com coisas bobas logo pela manhã.
—Pensei que estava doidona. Os brownies. Você não comeu nenhum brownie não, né?! Não pela manhã. —rolei os olhos indo pegar meu livro de geografia, enquanto ele gargalhava. —Me empresta seu livro de biologia, acabei deixando o meu com o meu parceiro de aula. —sua voz ainda tinha resquícios daquela risada maldosa.
Entreguei o livro a Lanin para depois sairmos andando para as nossas classes. Ele terá aula de química e eu de geografia e como sempre estamos nos despedindo para entrarmos em salas diferentes.
A aula foi bem mais cansativa do que havia esperado e minhas preces de elas serem mais leves não se concretizaram. A nossa professora de geografia veio com uma prova surpresa; esse era o seu jeitinho de se despedir com classe da nossa turma, já que ela vai entrar de licença por causa da gravidez.
Cheguei em casa já eram quase seis horas da tarde, passei o resto do dia na casa de Lanin curtindo música e piscina, já que em casa não posso ter o prazer que me deleitar em águas calmas —que não fossem a da minha banheira, pois a piscina está vazia por motivos torpes que se chama: manutenção.
Subi para tomar banho depois de pedir uma pizza, havia me esquecido que papai e mamãe chegariam penas pela manhã e que passaria a noite sozinha em casa. Terminei o banho e as habituais roupas de dormir já estavam em meu corpo, não se passou muito até o cara da pizza chegar.
Fucei minhas redes sociais a procura de algo interessante, mas não havia nada que pudesse me fazer ficar ali por mais tempo, a não ser a foto do garoto mais gato do colégio, fugo: M.M. P, fugo: Michael Martinez Pérez. Na verdade ele não é o garoto mais gato, porém é o colegial mais desejado pelas garotas e por mim. Conclusão: O cara mais gato. Na foto ele está abraçando sua irmãzinha, o que fez a foto ficar ainda mais fofa.
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Como pode ser tão lindo? !
Peguei-me escrevendo aquelas palavras, mas eu não podia fazer aquilo já que nem daqui a mil anos ele iria olhar para mim, logo eu a esquisitona do colégio.
Procurei outra imagem onde estava apenas ele e deixei aberta no meu notebook, retirei meus óculos o deixando em cima do criado e enquanto isso... Eu comia pizza e tentava imaginar uma vida real com Michael. Nosso casamento, filhos, casa, um cachorrinho peludo e um gato preto e quem sabe uma cacatua-branca.
Meus olhos pesaram, sem perceber já estava novamente naquele sonho maluco onde raios caiam sobre uma estátua branca, pude ouvir a garota gritar e sua voz saia sufocada em busca de ajuda enquanto seus olhos haviam ficado negros. A caverna já não estava em puro negrume, uma chama branca dançava no centro dela e parecia não tocar o chão, já que um pequeno espaço estava entre ela e a areia úmida da caverna. Havia algo lá, atrás da chama que parecia se esconder por causa da luminosidade...
Acordei!
Meus olhos se abriram e minha respiração estava falha, pude ouvir um barulho vindo da varanda do meu quarto. Fechei o computador, que há essa hora a tela estava escura, desci devagar da cama caminhando nas pontas dos pés para ver o que poderia estar dentro da minha casa. Não acredito que me esqueci de fechar a janela, pensei enquanto dava curtos e cuidadosos passos até a janela.
Dois garotos que pareciam ter aproximadamente a minha idade discutiam, eles vestiam roupas aparentemente velhas e surradas, que com certeza não era dessa época, — pelo menos era o que parecia já que eu estava sem meus óculos. Andei de costas até o outro lado da cama, onde eu guardava um taco de beisebol, que não foi tão difícil de encontrar, já que o mesmo estava debaixo da cama, caminhei até a porta do quarto.
—Saiam da minha casa agora! —impus com certa seriedade. Mas eu estava com tanto medo que tremia e aquilo era visível, já que eu tremia mais que vara verde. —Vão embora. —bati com o taco no chão. —Vou logo avisando que sou facha preta.
—Okay garota, para de drama e abaixa isso ai. —um deles apontou para o taco. —Porque ela tem um taco desses no quarto? —olhou para o outro que apenas assentiu.
—Só queremos conversar, não estamos aqui para te machucar Aurora. —o outro se dirigiu a mim, fiquei surpresa por ele saber o meu nome. Ele caminhou para mais perto.
—Nem ousa chegar perto de mim ou eu vou partir vocês dois na pancada. —tentei soar séria. Se Lanin estivesse aqui com certeza estaria rolando no chão com essa cena: eu de calcinha das meninas superpoderosas e uma camiseta de gatinhos, sem os meus óculos parecendo uma doida com os cabelos armados.
Quando o garoto que estava mais próximo a mim deu um passo a frente fui obrigada a bater nele com força com o taco de beisebol, fazendo ele se virar por conta do ataque. Naquele momento lancei o taco sobre suas costas já que ele se virou para se esquivar da agressão. Bate a porta correndo o mais rápido possível até a sala pra ligar para a polícia, mas antes que eu pudesse digitar o número, o garoto moreno me segurou pela cintura, me fazendo espernear, jogando o telefone no chão.
—Eu disse que ela não iria reagir bem. —o outro que parecia ser loiro falou ao se sentar no sofá.
Dei um soco para trás, que pareceu acetar em cheio o rosto do garoto, corri para a cozinha indo parar perto da piscina que estava vazia, mas sem antes ouvir: Não fique parado, me ajude! Do moreno que levou o soco.
Com certa dificuldade saltei o cercado que dividia o terreno dos meus pais com o dos vizinhos. Corri pela rua do condomínio descalça a procura de alguém. Quando senti uma leve fisgada na perna direita, assim que entrei no quintal de um dos moradores, foi ai que eu caí de cara na grama fria e tudo escureceu a minha volta.
Por que isso só acontece comigo?
Notas finais
Querida Aurora, tenho certeza que isso não acontece apenas com você. rsrs
Espero que tenham gostado.
Em breve sai o próximo capítulo!
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