Black Sheep.
7 Epílogo.
Notas iniciais

Epílogo
Rose Katherin Weasley.
“Rose era uma Weasley.
Uma Comensal da Morte.
Uma Sonserina.
Uma garota esperta que só queria que os pais parassem de julga-la pela sua casa.”
A grama verde sempre aparada, as flores ao redor do jardim – em sua maioria, lírios e rosas – estavam sempre tão lindas e bem cuidadas. O pequeno lago com suas águas cristalinas, o pequeno balanço perto do lago, pintando de lilás; uma cor que não fazia parte de nenhuma casa de Hogwarts, como se dissesse “Aqui, todos são aceitos, independente da sua casa”. – Rose costumava pensar que de tudo que envolvia a família Weasley, o balanço lilás era o único que a aceitava.
Aquele belo jardim era seu refugio, sempre que alguma briga acontecia ou quando não se sentia bem estando perto deles, ela fugia para lá; E mais uma vez, aquele jardim era o refugio dela, mas agora, pela a eternidade.
A maioria dos bruxos, quando morre, imagina-se em King’s Cross, mas Rose não. Rose se imaginava no jardim da Toca, aquilo era engraçado: Depois de tudo o que havia acontecido, depois de tudo o que fizeram para ela e ela fez para eles, era ali que Rose gostaria de passar a sua morte. Tanto é que o seu velório era ali; diante daquele dia maravilhoso. O Sol brilhava tanto e era como se mandasse uma mensagem “A guerra acabou, está na hora de voltarmos a comemorar, a sermos felizes sem nos preocuparmos com o que pode acontecer”
A ruiva olhava tudo e sentia-se estranha; nunca imaginou que veria seu velório, nunca imaginou que morreria tão cedo, com apenas 25 anos. Ela não tinha filhos, não tinha marido, só tinha Arabella e Tyler – que no momento, estavam em algum lugar, dando um tempo para Rose, depois voltariam e então, vagariam pelo mundo; pelo jardim dos Weasley, por Hogwarts, pela casa de praia dos Zabini...
Toda sua família estava ali, olhando para o caixão. Seus primos não sabiam dizer o que sentiam, já haviam velado Lilly e agora estavam velando sua prima, Rose. – Era estranho, mesmo depois de tudo, eles ainda sentiam-se mal pelo o que aconteceu. Como se agora que ela tivesse morrido, começassem a gostar dela, começassem a perceber que foram eles que fizeram ela se tornar aquilo que havia virado.
Hermione, sua mãe, sentia-se vazia e culpada.
Vazia por ter perdido sua menininha, sua garotinha. Ela percebeu, tarde demais, que foi uma péssima mãe para Rose. – Rose era sua filha mais velha, vivia fazendo perguntas, vivia querendo ser aceita pelos pais, querendo ter a atenção da família. Mas eles nunca tentaram mostrar que se importavam com ela; eles achavam que ela percebia que eles a amavam, entretanto, estavam enganados. Rose achava que eles a odiavam, pelas ações do pai e da mãe, pela reação deles ao ver ela ir para a Sonserina, ao esquece-la quando ela mais precisou ser lembrada.
Hermione sentia-se culpada, por nunca ter conversando com a filha, nunca ter dito “Tudo bem, eu estou aqui”, Hermione sabia não que estava. Todas as mães sabem quando a filha deu o primeiro beijo, quando perdeu a virgindade, qual foi o primeiro amor de sua princesa, seu primeiro namorado, o que desejava seguir como carreira, se queria ter filhos, se queria casar e etc. Hermione não sabia nada disso, Rose nunca chegou para ela e disse “Mãe, eu preciso de sua ajuda...”, não, ela sempre resolvia seus problemas sozinha, desde pequena era independente; nunca precisou da ajuda dos outros, mas, a presença deles era necessária, ninguém pode viver achando-se sozinho. Todos precisam saber que há alguém com quem podem contar. Infelizmente, Hermione não era essa pessoa para Rose.
Ronald estava envergonhado; sua mãe não havia o criado para ser um péssimo pai. Rose era sua princesinha, quando tinha medo de algo ia atrás dele, quando tinha alguma dúvida, perguntava à ele, quando não conseguia dormir com medo de algum monstro, ele lhe ajudava: olhava em todos os lugares e depois dizia “não há nenhum monstro aqui, você pode dormir tranquilamente” e ela sempre pedia para ele ficar ali com ela, até o sono vir e ela ir para o mundo mágico de Hypnos; Ronald foi seu herói, porém, quando ela precisou que ele provasse que sempre estaria ali para protege-la do mundo, ele a abandonou. A deixou a mercê do mundo e seus perigos, a deixou sozinha tendo que cuidar de si mesma. Nenhum pai deveria fazer aquilo, ele deveria ser o seu herói até a morte. Ele deveria morrer primeiro que ela, deveria contar o Conto dos Três Irmãos para ela dormir, deveria jogar quadribol com ela, deveria vê-la sendo a melhor apanhadora do mundo, deveria coloca-la para dormir e dizer que tudo ficaria bem, deveria, nos piores dias, dizer que melhores virão e que aquilo era só mais um dia nublado que logo se tornaria ensolarado. Ele deveria ficar ao lado dela pelo resto da sua vida; ele era seu pai e deveria aceita-la do jeito que era.
— Filha, você foi a ovelha negra da família – Falou ele, deixando as lágrimas escorrerem em seu rosto.
Rose, sentada no balanço, olhava para tudo e desta vez não ria; chorava.
— Você foi uma garota má, Rose. – Comentou Morte, ao seu lado. – Fez coisas terríveis, mas assim com Voldemort, fez coisas grandes. Esse era o seu destino, você sempre soube, não é mesmo?
A ruiva olhou para a Morte. – Sempre imaginou que ela teria a forma de um dementador ou dos desenhos que via no livro “Os Contos de Beedle, o Bardo”, ou até mesmo, a Morte de Supernatural. Entretanto, nunca passou pela sua cabeça que a Morte poderia ser uma mulher com longos cabelos loiros, porte atlético, olhos castanhos e 1,70m.
— Sim, eu sabia onde estava me metendo. – Respondeu Rose, agora, olhando para os primos. – Sabia que mais cedo ou mais tarde, você viria me buscar.
— Você morreu tão jovem. – Morte suspirou. Deveria estar buscando mais almas, entretanto, seus ceifeiros poderiam fazer isso; Agora ela estava se dando ao luxo de conversar com uma mortal que, diferente dos outros, não a temia; a admirava. – Teria uma vida pela frente, por que fez isso? Por que virou uma Comensal da Morte? Seu futuro teria sido diferente, sua vida teria sido mais bela.
— Minha vida foi bela, tive meus momentos de felicidade e de tristeza; vida não se resume em apenas momentos bons.
— Você ainda não respondeu a minha pergunta.
— Sabe, uma vez Sirius disse para meu tio Harry “E depois o mundo não se divide em gente boa e Comensais da Morte, todos temos luz e trevas dentro de nós, o que importa é o lado que decidimos agir, isso é o que realmente somos.” – Rose começou a falar. – No meu primeiro ano, dizia que não pude escolher, que simplesmente fui jogada nas “trevas” sem o direito de escolher se era isso que queria. Talvez, em algum momento, eu pudesse ter escolhido se era aquilo que realmente queria, mas não faria diferente. Eu, Rose Katherin Weasley, continua sendo ignorada e humilhada pela minha família, pelos meus “amigos”, por qualquer pessoa.
“Entretanto, agora digo que Sirius estava certo; Nós podemos escolher o lado que queremos ficar. Eu não fui jogada ali. – Rose a olhou. – Eu escolhi ser assim, porque é isso que eu realmente sou; Eu não sou uma boa garota, não sou a mocinha da história, não sou uma Grifina como todos. Eu uma Sonserina, sou a vilã da história. Eu nasci para ser vilã e eu morri assim, nunca quis ser a mocinha. Isso é chato e clichê!”
Morte ficou em silêncio, absorvendo tudo o que havia ouvido. Aquela garota despertava a sua curiosidade; Ela poderia mudar o seu futuro, poderia ter feito tudo diferente, poderia ter ficado com Scorpius, ter tido filhos com ele, mas não, ela optou por ser uma Comensal.
“... Porque é isso que eu realmente sou... ” Se é assim que ela se imagina, o que a Morte pode fazer senão concordar com a ruiva? A vida foi dela e ela escolheu aquele caminho.
— Você não está contente com a minha resposta. – Observou Rose. – Não entende o porquê de mesmo podendo tomar outra decisão, eu escolhi esse caminho, escolhi ficar longe de Scorpius.
Morte ficou em silêncio.
— Bem, mesmo que eu fizesse tudo diferente, ele não ficaria comigo: Eu fui sua primeira paixão, seu primeiro erro, só isso. – Rose continuou a falar. – Ele pode ter sido o “amor da minha vida”, mas para ele, eu não passava de uma paixãozinha. Era errado termos um “caso”, nossas famílias se odeiam e, céus! Há coisa melhor do que ser rebelde e experimentar o que é errado? Ele ficou comigo porque sabia que ninguém aceitaria isso e porque a adrenalina que sentíamos toda vez que pensávamos que seriamos pegos, era maravilhosa. Eu poderia ter mudado tudo, mas acabaria magoada no final, ele sempre iria até Lilly e quando tudo desse errado, ele viria até mim, pois eu sou fraca quando se trata dele. Porque ele sabe que eu o aceitaria e depois Scorpius iria e eu ficaria aqui, sofrendo.
— Mas...
— Só porque ele dizia que me amava, não significa que seja verdade. Eu amei ele, ele amou Lilly e Lilly amou ele. Eu sobrava na história. – Rose riu. – Entenda: Tudo o que fiz não foi por causa dele, eu o amava, mas não seria tola aponto de criar uma guerra só porque ele não me queria mais. Eu senti raiva quando ele me trocou pela Potter? Claro que senti! Porém, eu lutei ao lado de Tyler porque foi aquele lado que me acolheu e foi onde fiz meus amigos de verdade. Não lutei do lado vencedor e nem do melhor lado, talvez, ele nunca fosse o melhor. Mas lutei do lado dos meus amigos, da minha família de verdade.
Morte olhou para o jardim e viu Arabella e Tyler se aproximarem.
— Foi bom conversar com você. – Falou Rose saindo do balanço. – Quando quiser falar sobre o que não entende ou se só quiser bater uma papo, saberá onde me encontrar.
— Rose! – Morte a chamou quando viu ela abraçar Arabella. Rose se virou para olha-la. – Se você pudesse voltar no passado e mudar tudo, o que faria?
— Sinceramente. – Rose começou a falar e sentiu Tyler passar um dos braços ao redor do seu ombro, enquanto o outro estava ao redor do ombro de Arabella. – Se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual.
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