Black Letter

3 Uma Ajuda Bem Vinda.


Virei para ver quem tinha falado e me deparei com um garoto de mais ou menos 1,86 de altura com cabelos pretos repicados e bagunçados, olhos castanhos feições bem bonitas com um nariz perfeito e fechando com lindos dentes brancos e alinhados...

Morri de inveja...

E eu aqui de aparelho.

— É eu acho que você alcança as latas sim – Luci comentou com voz frustrada.

— Pois é. – Para a minha surpresa minha voz saiu igual.

Okay... Somos "anões fêmeas" (como diz o Lucas). Ele sorriu para nós e pegou as latas que causaram todo aquele transtorno e colocou no carrinho.

— Sem querer me intrometer de mais... Vocês vão conseguir levar os carrinhos? – Ele perguntou com um ar preocupado.

Olhamos para os carrinhos cheios e ficamos mais frustradas...

— Bom... É... Pra dizer a verdade... É...Acho que......Nós vamos....... Não. — Tentei usar um argumento de "sim claro que nós conseguimos, somos mais fortes do que aparentamos", mas é a mais absurda mentira.

— Foi o que pensei... – Ele pegou dois carrinhos juntou as laterais e começou a empurrar e nós ficamos cada uma com um. — A propósito meu nome é Sam.

— Obrigado Sam... Eu sou a Luci e a com cara de louca ali é a Megan – Disse Luci
E eu apenas sorri pra ele, e fiz cara de "te pego na saída" pra Luci. Quando chegamos ao caixa a Madre que conversava com um senhor, viu a quantidade de coisas nos carrinhos e se surpreendeu.

— As outras garotas só mandaram vocês duas fazerem as compras? – Ela perguntou completamente incrédula.

— Sim Madre. – Respondi calma e Luci concordou com a cabeça.

— Que coisa feia... Vou ter uma conversinha com elas. Obrigado Sam por ajudar as meninas. – Ela disse sorrindo para ele enquanto Luci e eu trocamos olhares discretos de “Hã?”.

Passamos as compras no caixa nem quis olhar o valor da compra e o senhor que logo descobri que era diretor do Instituto McCoy pediu ao Sam que por acaso era um aluno de lá nos ajudar a colocar as compras na 4x4 da Madre... É a Madre tem uma 4x4 e eu aqui pegando ônibus.

Fomos carregando o carro enquanto Sam nos enchia de perguntas...

— Vocês são novas aqui? – Ele realmente parecia interessado e deixei Luci com o trabalho de responder por mim, ao menos ela seria simpática, eu iria dar uma resposta mal criada nessa pergunta.

— Sim nós somos... – Luci sorria enquanto respondia e eu caminhava ao lado dela com as mão nos bolsos.

— Estão gostando? – Sam olhava pra nós enquanto andávamos.

— Sim... Tirando essa parte chata com as meninas da escola sim... — Luci respondeu pensativa e eu concordei com a cabeça.

— O Marcele é legal? – Ele realmente estava tentando manter um dialogo simpático.

— É sim... É um lugar bem bonito... – Luci riu um pouco.

— Ela não fala? – Ele apontou pra mim.

— Fala sim. É que ela ta em standby*. – Luci riu e estalou os dedos na frente do meu rosto. —Meg? Ta viva ainda? – Ela me perguntou rindo.

— Eu? – Respondi meio assustada, pois não estava prestando atenção na conversa deles.

— Vish ta lesa... – Luci disse rindo.

— Luci, Luci você dorme no mesmo quarto que eu... Cuidado – Respondi rindo — Mas é sério o que foi? Eu estava ouvindo musica... – Puxei o cabelo para trás da orelha e mostrei o fone — Qual é o assunto?

— Sobre você não falar... – Me atualizou Luci.

— Atá... Eu falo sim, mas me distraio com os fones... – Respondi meio constrangida ao me dar conta que o assunto era a minha pessoa.

— Agora eu entendo o porque dos cabelos comprido.... Escondem os fones. – Sam deu risada.

— Faz tudo parte de um plano maior. – Respondi.

— Fica bonito em você... – Ele disse olhando pro céu.

— Os fones? Também acho... – Respondi brincando.

— O cabelo comprido Meg... Não se faça... – Luci riu.

Eu senti que ela queria gargalhar, mas estava se segurando para me zoar depois. Eu fiquei com vergonha e automaticamente deixei meu cabelo cair sobre o rosto. Isso é como um mecanismo de defesa pra mim. Quando olhei pra cima novamente Sam sorria olhando pra mim. Sorri e executei meu movimento de defesa novamente. É automático não dá pra segurar.
Luci já estava vermelha de segurar o riso e pra minha salvação a Madre apareceu.

— Vamos meninas – Ela dizia sorridente.

— Vamos. – Respondi um pouco rápido de mais.

— Obrigado Sam querido. – A madre agradeceu novamente ao Sam.

— Foi nada Madre – Sam beijou a mão dela e o diretor Ronaldo chegou ficando ao lado dele. — Tchau meninas. Nós vemos mais tarde no evento.

— Tchau Sam obrigado pela ajuda – Respondemos em coro e ele riu. — Prazer conhecê-lo senhor Ronaldo. – Completamos em coro ainda.

Nos olhamos com uma cara estranha... Íamos rir a qualquer momento.

— Tchau meninas. – Ele sorriu —Madre – e completou um gesto de cabeça.

Todos acenamos e então fomos embora

No St. Marcele a Madre puniu as meninas e nos deixou de folga pelo resto do dia então fomos para cidade com a permissão da Madre.

— Nossa Meg o que foi aquilo com o Sam? – Luci me perguntou rindo.

— Não começa Lu! – Eu disse começando a mexer no cabelo, ficando sem graça.

— Mas Meg? – Luci insistia no assunto.

— Menos Meg... Agora vamos andando... – Cortei aquele assunto.

Chegamos à praça e sentamos no balanço e começamos a rir do nada...

— As mocinhas não acham que são grandes de mais pro balanço? – Uma voz conhecida chegou aos nossos ouvidos.

Olhamos para o lado e vimos Sam que estava sentado em um banco com um garoto loiro dos olhos verdes e cabelos cacheados. Lindo! Parecia um anjo, tinha a mesma altura de Sam só que não tão forte. Mas os dois faziam uma bela dupla de modelos.

— Não somos tão grandes assim – Comentou Luci ficando vermelha na hora pelo contato visual com o loiro...

V for Vendetta!*

— É verdade respondeu Sam...
O Loiro sorriu simpático para nós. Pois é acho que a tarde vai ser legal...

Notas finais
* Standby: é o termo usado para designar o consumo de energia elétrica em modo de espera de vários aparelhos eletrônicos como geladeiras, maquinas de lavar, televisores, rádios, DVDs, consoles de videogames, fornos de micro-ondas, computadores, celulares etc.
* V for Vendetta: V de Vingança é uma série de romances gráficos escrita por Alan Moore e em grande parte desenhada por David Lloyd. A história se passa em um distópico futuro de 1997 no Reino Unido, em que um misteriosoanarquista tenta destruir o Estado, através de ações diretas.