Black
22 Flores
Notas iniciais
– Uma semana de detenção! — gritou Minerva com os olhos em chamas enquanto encarava os três jovens sentados à frente da sua mesa.
Ambos os três seguravam o riso e se entreolhavam divertidos.
– Vocês acham que estão aqui para fazer o que quiser? — gritou Minerva quase perdendo a voz de tanto berrar. — Uma semana é pouco para vocês, três semanas! Agora saiam da minha sala, diretamente para o dormitório!
Sage, Teddy e James saíram da sala da diretora e assim que a gárgula voltou para o seu lugar os três caíram na gargalhada.
Estavam subindo as escadas quando uma voz fina e feminina os chamou.
– James! — gritou a ruiva segurando o lírio com as duas mãos e correndo atrapalhada atrás do irmão.
Nenhum dos três sabiam para quem as flores iriam ser direcionadas, apenas haviam combinado de dar flores para pessoas especiais.
Os três pararam de falar e de andar ficando no meio da escada, que se moveu indo para outro lugar.
– Obrigada pela flor. — disse a Potter mais nova abraçando o irmão.
Ela estava terceiro ano.
– Não à de que, Lily. — sorriu Potter mais velho beijando a testa da ruiva e voltando a andar para cima da escada junto aos amigos.
Lily desceu os degraus indo junto as amigas deixando o trio para trás.
– Para quem vocês deram as flores? — disse James colocando as mãos dentro dos bolsos da calça negra.
– Ninguém em especial. — disse Sage e Teddy ao mesmo tempo e os três começaram a rir.
James nunca fora de querer saber demais sobre a vida pessoa dos amigos.
Já no salão comunal da sonserina Albus estava se contorcendo de tanto rir.
– Ganhou florzinha foi? Ai que lindo! — disse o Potter entre os risos e recebendo um olhar mortal do Malfoy que não via graça alguma no que Albus dizia.
– O que tem? — perguntou irritado.
– Foi do Teddy? Ou será que foi meu irmão? — Albus não conseguia parar de rir.
– Foi da Sage. — disse ele ríspido olhando para a flor em sua mão.
– Como sabe? Pode ter sido do Teddy ou do meu irmão! — disse Albus controlando a risada e se sentando mais uma vez ao lado do loiro, pois havia caído no chão de tanto rir.
– O cheiro... É o perfume da Sage. — disse ele alisando uma pétala do lírio.
– Ai, agora vai ficar todo babão ai apaixonado pela Black. — disse uma voz feminina não tão ouvida no salão comunal.
Os dois levantaram os olhos e viram Bárbara se aproximando dos dois. Ela não era muito de falar ali no salão comunal.
– Está com ciumes? — perguntou Albus arqueando as sobrancelhas.
– Da Sage? Claro que não! Ela está mais do que certa em dar a flor pra ele. — disse batendo o pé e se sentando ao lado do loiro.
– Então o que foi? — disse Scorpius colocando a flor no colo e passando um dos braços sobre os ombros da menina.
– Uma daquelas flores deveria ter vindo para mim! — disse ela rangendo os dentes.
Scorpius olhou de relance para Albus que sugava seus próprios lábios fazendo que sua boca ficasse uma linha reta engolindo todas as piadinhas que havia passado em sua mente.
– Bárbara... — o loiro começou, mas a Black o interrompeu.
– Babi. — corrigiu-o.
– Babi... — revirou os olhos — o que você acha de eu dar um boque para ela? — disse ele encolhendo os ombros imaginando já as piadinhas que iriam ser soltas por Albus.
Mas ao invés de piadas, Albus apenas ficou observando a conversa dos dois.
– Apenas um boque? — disse a morena encarando Scorpius. Aqueles olhos eram tão parecidos com os de Sage que fez a espinha do loiro se arrepiar. — Por favor né Malfoy, se você está apaixonado pela Sage de verdade você pode fazer muito mais do que dar um boque. Você é um bruxo, acorda! — disse a sonserina se levantando e voltando para o corredor que dava para o dormitórios femininos.
Scorpius olhou para Albus que estava com as sobrancelhas unidas e suspirou.
– O que eu vou fazer? — perguntou levantando e indo para o corredor oposto do que Babi foi junto a Albus.
Ambos foram para o quarto e Scorpius colocou a flor ao lado da cama, que impregnou o quarto todo com o perfume de Sage.
– E se você fizer brotar flores do chão? — perguntou Albus se lembrando do que o pai fez no aniversário da mãe ano passado.
– É, talvez faça isso... — disse o loiro se deitando na cama de cobertores verdes e se cobrindo com os mesmos.
***
– Faltam um ano para que vocês terminem a escola! — disse Horácio Slughorn com as mãos nas costas e olhando para cada rosto que estava atrás dos caldeirões, por hora, vazios. — E nesse ano iremos ver uma poção muito difícil de ser feita!
– Não tão difícil do que aguentar você falar mais do que dois segundos... — sussurrou Sage fazendo os dois amigos ao seu lado rir.
– Amortentia é a poção mais poderosa do amor, muito perigosa para falar a verdade. Ela é tão perigosa que quem a toma faz qualquer loucura, por amor... — Horácio andava de um lado para o outro da sala andando entre as mesas altas de madeira onde os alunos estavam parados a frente.
– Quero que vocês façam essa poção... Por enquanto é só... Bom trabalho. — disse ele e alguns alunos começaram a pegar alguns ingredientes e a misturar no caldeirão.
– Poção do amor? Sério isso? Não preciso de poção nenhuma para alguma menina se apaixonar por mim! — disse James estufando o peito de ar e ego, mas ele disse alto demais e Babi que estava na mesa de trás ouviu quase jogando um vidro inteiro de sangue-sugas sobre a cabeça do menino.
– Não importa, faça direito para ganharmos pontos para Grifinória, já basta termos tirado cinquenta pontos cada por causa do nosso show. — rosnou Sage revirando os olhos e começando a preparar a poção.
Estava quase no final da aula quando todos os alunos já haviam terminado a poção. Horácio voltou para a frente da sala sorridente.
– Boa parte de vocês conseguiram o resultado desejado... — disse ele olhando para uma menina da primeira mesa, que estava aos prantos por não ter conseguido fazer a poção. — Mas lembrem-se, nunca façam essa poção, pois a pessoa que a toma fica obsessiva, realmente louca! — disse ele cruzando os braços e encarando fixamente Sage, que parecia brilhar aos olhos do professor. — Agora me digam... Que cheiro vocês sentem... — disse parecendo até ter mudado de humor.
– Sinto cheiro de nada! — disse um garoto aos fundos fazendo boa parte dos alunos caírem na gargalhada.
– Alguém sente algum cheiro? — disse o professor risonho e divertido.
– Eu sinto cheiro da flor dente-de-leão, café e... — Sage começou a falar colocando seu nariz sobre a fumaça rosa que a poção soltava. — Não sei que cheiro é esse... — mentiu sentindo suas mãos suarem.
Babi encarou a prima com as sobrancelhas arqueadas e sorriu, ela sabia que a menina estava sentindo o cheiro de Scorpius.
– Que maravilha! — disse o professor batendo palma e rindo. — E você senhorita Andrômeda?
Bárbara arregalou os olhos e suspirou ao ver os olhos do professor e de todos os alunos sobre ela.
Fez o mesmo que a prima e aproximou o nariz do caldeirão e da nuvem rosa que a poção soltava.
O cheiro dos cabelos de James invadiu suas narinas rapidamente fazendo-a se irritar com a poção. Ela não poderia estar apaixonada por aquele idiota!
– Sinto o cheiro de roupa nova, da casa da minha avó e de ferrugem... — disse ela mentindo a ultima parte, ela sentia fortemente o cheiro de James.
O sinal tocou e todos foram dispensados. O professor ficou na sala e censurou com os olhos todas as meninas que estavam se entreolhando animadas planejando usar aquela poção futuramente.
– Finalmente o almoço, estou faminta! — disse Sage acompanhando os amigos e a prima até o Salão Principal.
– Vão na frente... Eu vou passar rápido no salão comunal. — Babi disse se despedindo dos amigos e indo rapidamente até o salão comunal na esperança de encontrar Scorpius e Albus lá.
Por sorte ambos estavam saindo do salão comunal na companhia de Rose — uma grifinória que Babi nunca fora com a cara.
– Scorpius, graças a Merlin! — disse ela estendendo as mãos para cima e quase agarrando o loiro.
– O que aconteceu? — perguntou os três ao mesmo tempo encarando a Black com os cenhos franzidos.
– Hoje na aula de poções, tive certeza que Sage sentiu seu cheiro quando o professor pediu para ela cheirar a poção! — disse ela e para Albus parecia que a menina estava falando em grego.
– Cheirar a poção? — perguntou o de olhos verdes com o cenho ainda mais franzido.
– Sim, poção do amor! — disse ela revirando os olhos cinzentos. — Quando se está apaixonado se sente cheiros ao sentir o aroma da poção, cada pessoa sente um cheiro diferente! Entendeu? — Babi quase gritou, ela precisava informar Scorpius o mais rápido sobre o que havia acontecido na sala de aula.
– Ta... E ela sentiu meu cheiro? — disse o loiro ainda confuso.
– É! Ela sentiu cheiro de café, de dentes-de-leão e seu cheiro! Você não entendeu ainda criatura? — disse ela aos berros no meio do corredor já vazio.
– O que ela quer dizer, Scorp, é que a Antares realmente está apaixonada por você. — disse Rose e a Black só não martelou a cabeça da ruiva, pois não tinha um martelo em mãos e também a ruiva estava ajudando-a.
– Também... O que eu quero dizer é que ela sentiu o cheiro de dentes de leão por algum motivo, não acha? Deve ser a flor favorita dela, criatura. Por Merlin, como você é lento!
E então, só então, Scorpius entendeu. Era aquela flor que ele deveria fazer aparecer para Sage.
***
– Eu não quero ter treino. — resmungou James já com a roupa de Quadribol andando a passos lentos.
– Mas precisamos. — sussurrou Sage com o mesmo animo que o menino.
Eles estavam andando pelos gramados do castelo indo em direção à quadra de Quadribol quando uma coisa chamou a atenção de Sage.
Uma trilha de dentes-de-leão levava para trás de uma torre qualquer.
– Vai indo, Jay, já te alcanço. — disse Sage com a sobrancelha franzida encarando a trilha fixamente.
– Se assim deseja... — disse James dando de ombros e nem reparando para onde a amiga olhava.
Depois de ver James sumiu de seu campo de vista Sage seguiu a trilha das pequenas flores, a cada passo que dava uma flor entrava dentro da terra e sumia.
– Mas o que...? — começou a falar assim que fora para trás da torre e viu um enorme campo de dentes-de-leão.
Ela nunca havia visto aquilo ali antes. E para falar a verdade era lindo. O sol já estava se pondo e o vento balançava as flores que se soltavam do caule verde e frágil.
– Gostou? — a voz masculina e não tão grossa de Scorpius fez os músculos de Sage se congelarem e ela segurar a varinha que estava dentro da capa vermelha e amarela mostarda de quadribol.
– Nunca me assuste assim! — disse se virando para ver que se tratava de Scorpius.
– Iria me machucar? — perguntou o loiro sorridente se aproximando da Black.
Ele poderia ser mais novo que ela — apenas um ano, como gostava de se lembrar — mas do mesmo jeito era mais alto que ela.
– Se você fizer isso de novo, nada me impede. — disse risonha sentindo cada vez seu coração acelerar mais pela proximidade perigosa que o menino mantinha.
– Você não respondeu... Gostou do campo? — olhou sobre os ombros de Sage e sorriu ao ver que seu esforço havia valido a pena.
– Lindo... — disse ela voltando a ficar de costas para Scorpius e encarando o campo de dentes de leão.
– Como você. — Scorpius deixou escapar.
Sage voltou a encarar o loiro, que ficou tão vermelho quanto a capa da menina ao ver que ela havia escutado-o.
– É para mim? — disse ela cruzando os braços e finalmente sentindo o cheiro agradável das flores.
– É um jeito de agradecer pelo lírio. — deu de ombros.
– Como sabe que fui eu? — fora a vez dela corar.
– Seu perfume... — disse ele se aproximando mais dela.
– Eu... Eu preciso ir. — disse se afastando do Malfoy.
Por acidente Sage tropeçou em algo que parecia ser uma pedra e segurou o braço do loiro para não cair, mas segura-lo fora ainda pior.
Ambos caíram sobre algumas flores, Malfoy sobre Black.
– Eu tenho que ir... — disse ela mordendo o lábio e tentando sair de baixo de Scorpius. — O treino... — sussurrou reparando só então a distancia de seus lábios.
Scorpius ficou olhando aquelas orbes cinzas tão belas por um longo tempo que pareceu ser horas, mas seu transe fora rompido quando Sage jogou o rapaz para o lado e se levantou limpando as vezes agora suja por causa das flores.
– Eu agradeço, muito... Mas tenho que ir. — disse ela muito mais vermelha, agora, do que sua capa.
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