Biólogos Marinhos Odeiam o Mar
2 Marinheiros felizes são marinheiros bêbados
Notas iniciais
O Velho Jaguar se tratava de um pequeno bar que se encontrava perto das docas de Poole. Era um pequeno prédio de 2 andares; Naturalmente, o depósito era em cima e a recepção em baixo. A placa, que mostrava um jovem jaguar com uma garrafa na mão bem borrado, estava cheia de lodo e algas secas, devido às várias cheias e tempestades.
Dylan Otto, o marinheiro, adorava passar todos os fins de tarde no V. Jaguar para tomar algo. Pode não parecer, mas vida de marinheiro é difícil: carregar e descarregar, patrulhar o porto e a costa, suportar temporais em alto mar... Toda essa rotina exaustiva cansava o jovem, porém esta lhe dera em contra partida um belo físico.
Acabando de chegar à porta do estabelecimento, apoiou as costas na parede e como sempre, esperou o amigo, Ian Whoodman, o biólogo marinho, que convidara para o encontra aquele horário. Já sabia o esquema: ''São 6 horas; Esperarei uns 15 minutos, como sempre, daí eu entro, bebo algo até o Ian chegar; Daí ele me dá um sermão e às 8 me leva em casa''. O que dá raiva no amigo, segundo Dylan, era sempre se atrasar para compromissos sagrados como aquele, mesmo sendo desocupado como era. Absurdo.
Passando os benditos 15 minutos, Dylan entrou no bar. Teve uma surpresa. Uma bem grande...
O interior do estabelecimento era retangular e bem iluminado; Se limitava a 10 mesas redondas de madeira gasta e um longo balcão do mesmo material. A estante atrás do balconista gozava dos mais variados tipos de bebidas. Ao longo do bar, estava os vagabundos de sempre ( Sr. Binns, na mesa 6; Sr. Jonny, na 4 e Sra. Anne na 10). Nas cadeiras que ficavam ao lado do balcão, havia um curioso cliente: possuía um longo cabelo castanho, mal preso em um laço vermelho e extravagante; Usava um blusão bem surrado e calças marrons cheias de lama. Do seu lado, havia 2 garrafas vazias de vinho e outra cheia; tinha na mão um copo vazio. O balconista, de certa forma, não se incomodava com sua presença.
Dylan quase chorou de felicidade. Finalmente, após 15 "fucking" anos de amizade profunda, Ian Whoodman aprendera a chegar no horário certo que combinava.
Infelizmente, Dylan sentiu uma pontada de preocupação assim que se aproximou do amigo. Ian estava acabado. E bêbado, também. Dylan sentou-se ao lado do biólogo e tentou acordá-lo ( de quebra, pediu uma dose de whisky).
Ian acordou atordoado, parecia cansado e tinha olheiras. Fitou o amigo e de primeira não reconheceu; Olhou de novo e “eu conheço esse cara''... Deu mais uma olhada e acenou tristemente com a cabeça. Dylan, sem mais delongas, perguntou o essencial:
– Então, eles pediram licença dessa vez?
– Ahan-m... — respondeu Ian, cabisbaixo.
– Viu!? Nem foi tão ruim!
O marinheiro deu tapinhas nas costas do biólogo, mas aquilo apenas piorou o clima; ''Talvez, eu deva ser mais cuidadoso", pensou Dylan, e pediu mais uma dose. Não existe melhor maneira de entender uma pessoa do que estar numa mesma situação. Após se sentir mais "alegre", tentou puxar conversa:
– A máquina que você mostrou... Do que se tratava?
Ian fitou o amigo. Apoiou-se sobre os braços e observou o fundo do copo vazio. Pegou a garrafa cheia de vinho e despejou no copo, mas por causa da visão dupla, derramou meio litro sobre o balcão. O servente não pareceu nada feliz com isso. Após um gole bem filosófico, escolheu breves palavras:
– Era... *glup*... Um observador...
– Observador de quê? — Perguntou Dylan, já perdendo o foco.
– De... *glup*... Uso aquá-... Aquático... Para explorações marinhas...
Ian teve ânsia de vômito. Virou-se em direção ao chão e acalmou o estômago. Após o susto, bebeu mais um pouco e deixou pesadas lágrimas caírem de seus olhos. Por mais bêbado que Dylan estivesse ( 7° dose), não iria aprofundar o assunto; De todas as vezes que fora expulso da Academia, aquela parecia a mais dolorosa para Ian. Mas o marinheiro não estava satisfeito, queria saber certas coisas, por exemplo, como alguém consegue ficar bêbado com apenas duas garrafas e meia de vinho?! Começou pelo essencial, como sempre, olhando severamente (os dois) Ian:
– Sabe... Até hoje não entendi... Por que você escolheu ser “isso”, se tem tanto medo do mar?
Ian paralisou. Seu mundo acabara de cair. Começou a chorar e soluçar amargamente. A bebida amolecera seu coração; Estava sendo praticamente provado. Entre os gemidos e as lágrimas que caiam, murmurava palavras mastigadas, como "pai" e "queria"
Porém, enquanto tentava consolar o amigo, Dylan percebeu uma aproximação ao lado deles. Uma menina, de mais ou menos 15 anos, usando um blusão listrado e toda encharcada, se sentou ao lado deles.
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