Bittersweet Tragedy
1 Prólogo
Notas iniciais

POV Noah Wilhelm:
"Porra, eu não mando mais em nada!" pensei ao acordar arfando, de um jeito que já me era familiar. Eu havia falecido, novamente. Mas alguma coisa, alguma força, sempre me trazia de volta. Como uma fênix que renasce das cinzas. Continuei com os olhos fechados, enquanto respirava devagar.
"Não foi dessa vez, então." pensei. Apesar de ter passado todo esse tempo, eu ainda não me acostumei com a ideia de que estaria para sempre — ou por muito tempo — preso no corpo de um homem de 26 anos.
Abri os olhos.
Prendi minha retina em cada detalhe em volta e estava em um necrotério. Vazio. Haviam corpos sem vida dentro de sacolas de lona preta, a luz era escassa. O ambiente não me agradava. Acho que nunca agradou ninguém, pensei irônico.
Levantei-me daquela maca fria de ferro na qual estava deitado. Eu olhei para mim mesmo e percebi que estava nu. Não havia muitas marcas no meu corpo, somente alguns arranhões e um inchaço na minha barriga, que denunciava o motivo da minha "morte". Hemorragia interna devido a um atropelamento. Mas eu estava me sentindo bem. Daqui alguns dias esse inchaço e os arranhões desapareceriam, junto com a dorzinha incômoda que estava sentindo.
Desviei meus pensamentos para o objetivo de conseguir me vestir. Olhei um amontoado de roupas usadas e fui até lá, não me incomodando nem um pouco em roubar roupa de gente morta. Achei um par de botas, uma camisa xadrez e um jeans que serviriam por enquanto.
FLASHBACK ON – 1789
– Noah! — ela gritou meu nome enquanto corria em minha direção. Abri meus braços enquanto um sorriso se abria em meu rosto. Eu estava tão feliz porque pensei que nunca mais iria vê-la.
Não demorou para o seu corpo chocar-se contra o meu e eu abraça-la fortemente em meus braços e pouco me importava com o que aconteceu. O que importava era que ela estava ali e em seus atos, eu sabia que ela me ama assim como eu a amo.
– Noah.. — sussurrou meu nome mais uma vez contra o meu pescoço. — Disseram... Disseram que você estava morto — havia tanta hesitação e tanto medo em sua voz, que a apertei mais contra mim tentando passar a segurança da qual ela precisava.
– Shiu — retruquei, interrompendo as palavras sombrias que saiam de sua boca. — Depois conversamos sobre isso, okay? Eu senti sua falta. — afastei seu corpo do meu somente para conseguir contemplar seus olhos azuis que estavam tão temorosos e eu os meus também deviam estar mostrando o que eu queria esconder. Por isso agarrei sua mão e entramos na nossa grande mansão, guiando-a até nosso quarto.
(...)
Acordei pelo simples fato de acordar e ergui meu braço na cama para encontrar... Um travesseiro.
Levantei num átimo, me cobrindo com um lençol enquanto ia até o banheiro e lá, por fim, encontrei Kate com um semblante pensativo dentro da banheira.
– Pensei que tinha sumido — murmurei e ela me olhou, forçando um sorriso. Suspirei devidamente nervoso porque sabia que lhe devia uma explicação. Afinal, eu estava morto há algumas horas atrás.
Tomei coragem e me sentei na beirada da banheira. Kate me olhou com expectativa.
– Era verdade — comecei — Eu morri.
– É claro que você não morreu, senão você não estaria aqui... — riu deixando claro seu nervosismo. Ela não queria acreditar no pior ou no desconhecido.
– Me deixe continuar, Kattie- a chamei do mesmo jeito de sempre. Era um apelido carinhoso que somente eu usava com ela.
– Ocorreu um acidente no navio de tráfico negreiro e... — hesitei e levei meus dedos até uma cicatriz rósea próxima ao meu ombro. Era uma cicatriz redonda e pequena, um detalhe que ela não havia percebido. Quando viu, sua boca abriu e fechou diversas vezes.
– O que aconteceu, Noah? — perguntou preocupada. — O que... O que fizeram com você?
– Eu levei um tiro, Kate. E me jogaram no mar.
– Mas você estava vivo! Como puderam lhe jogar no mar?
– Eu estava morto, Kate.
– Não, Noah. Não! Você não morreu, para de dizer idiotices! — negou com a cabeça diversas vezes antes de se levantar, pegar uma toalha felpuda e sair dali, me deixando desolado com meus pensamentos incômodos.
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