Bittersweet Tragedy
3 Capítulo 2: Feel what real life means (pt. I)
Notas iniciais

POV Noah Wilhelm:
Acordo ofegante pela quarta vez no mês, e pela segunda vez na semana. Olho a janela e vejo que a luz clara do início da manhã fazer contraste com as minhas cortinas.
Esfrego os olhos, na tentativa de me certificar de que o pesadelo que me acordou tenha permanecido somente na minha cabeça, e no meu passado. Levanto-me da cama e caminho pelo quarto, pegando peças de roupas e vestindo-as. Não demorou para eu sair do apartamento e tranca-lo logo em seguida.
Eu precisava espairecer.
E precisava de um café.
Na rua, com meu copo de café em mãos e meus passos me guiando até a London Bridge, me sinto um pouco melhor do que quando acordei. Quando chego lá, me apoio na beirada da ponte e observo as águas calmas do rio Tamisa. O vento embala meu rosto e eu fecho os olhos, sentindo os dias suportáveis e submissos ganharem um contentamento que nem o sofrimento ousava se manifestar. Eu odeio sentir tal contentamento, por isso saio a procura de regiões que possam me trazer o ódio, ou se não, o prazer. Mas se não encontro ambos, eu procuro o conforto através da visão das lentes translúcidas da minha câmera, que também era meu ofício.
Mas surpreendentemente, eu me sinto bem ao olhar o dia ganhar cor e o sol surgir timidamente entre as águas do rio, apesar de Londres estar em um dos seus típicos dias frios e nublados.
(...)
POV Julie Hammilton:
— Pelo amor de Deus, Julie!
— O quê? — questiono para a minha melhor amiga, a incontestável e brilhante Ravena. Ela dividia o apartamento comigo há 4 anos e nos entendemos bem desde então.
— Você vai fazer uma entrevista de emprego vestida assim?
Olhei para mim mesma. Eu era estudante de Jornalismo e desde que eu aprendi a me vestir decentemente, eu uso jeans, camiseta e uma jaqueta de moletom, com um all star preto que não lavava há anos.
— Sim — dou de ombros.
— Ah, você não vai mesmo! — ela disse me puxando pelo braço e me arrastando de volta para o meu quarto.
— Qual o problema com a minha roupa?! — digo ofendida
— Tudo! Você está toda errada! — ela diz quando me solta e começa a vasculhar meu armário numa velocidade impressionante. — Julie, você não vai para a escola, você vai para uma entrevista de emprego e entrevistas de emprego requerem uma vestimenta adequada!
Revirei os olhos, porque eu sabia que aquele ser irritante tinha razão.
— Okay, vista isso
Ela joga um montante de roupa em meus braços e eu, sem reclamar, ando até o banheiro para me trocar.
Em menos de 10 minutos estou pronta, e um pouco atrasada. Saio do apartamento correndo, sem nem ao menos dar a chance da Ravena dizer algo.
(...)
"Foi a pior entrevista de emprego da minha vida" concluo mentalmente sem hesitar, quando meus passos já estão próximos do condomínio no qual morava.
Minha cabeça está abaixada, mas sinto a presença de alguém na minha frente e, quando levanto o olhar, me surpreendo ao encontrar o Sr. Não-Sociável na minha frente.
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