Bittersweet

4 Cap 4 – “Bittersweet symphony”


Era meio inacreditável o que esta acontecendo. Nós estamos nos beijando em frente a casa dele.

Depois de um longo tempo, já sem fôlego nós nos separamos. Continuamos próximos, com os rostos colados, sentindo a respiração ofegante e as batidas do coração um do outro. Kaoru se afastou um pouco, de modo a me olhar bem nos olhos.

—Eu gosto de você Han.

O quê?

—O quê?

—Eu gosto de você, desde aquele dia na biblioteca. E eu já sabia que você gostava de mim.

Não acredito...

—Se você sabia por que não disse nada?

—Hehehehe. Eu queria que você desse o primeiro passo, e se declarasse pra mim. Sabia que ia ser algo difícil de acontecer, já que você é muito fechado, mas eu queria que você tomasse alguma atitude em relação a isso.

Idiota!!

—Seu…seu idiota! Você estava brincando comigo?

—Hehehehe! Não fique bravo comigo.

—Bravo? Eu não estou bravo, estou furioso com você! Eu estava muito preocupado com o que eu sentia por você, e você…além de já saber, ainda gostava de mim e me deixou ficar assim?

—Hehehehe. Han, você quer sair comigo?

Ta de brincadeira...esse...esse...idiota, manipulador, alegrinho!

—NÃO!

Eu me virei e comecei a caminhar, quase correr. Eu quero ir para casa, pra bem longe de Kaoru.

—Espera, espera. Hehehe. Não precisa ficar bravo. Saia comigo, eu realmente gosto de você.

Eu quero sair com ele.

—NÃO! Eu vou pra casa.

No dia seguinte na aula, eu passei a manhã inteira ignorando ele. Kaoru continuava com aquele sorriso idiota no rosto. Eu o odeio. Odeio a porcaria da sua atitude positiva! Odeio como ele me faz sentir, e o fato de mesmo que ele tenha me enganado eu querer beijá-lo de novo.

Depois das aulas eu fui à biblioteca da escola pegar um livro. Passei um tempo lá, tentando tirar ele do meu pensamento, e quando eu finalmente consegui…

—Han?

—O que você quer Kaoru?

—Eu vim em paz.

—Você devia se desculpar pelo que fez.

—Não, eu não vou.

—An?

—Não vou me desculpar pelo o que eu sinto. Eu não te contei que gostava de você, porque seria fácil de mais pra você. Como eu disse, eu queria que confiasse em mim e se abrisse, me contasse o que você sente. Ao invés de ficar se escondendo.

—Como é? Além de não se desculpar, você está me repreendendo?

—Talvez…hehe.

Irritante!

—Pare de ser tão positivo. E se eu te contasse meus sentimentos e você passasse a me odiar por eu ser bi.

—Então eu não mereceria seus sentimentos! Eu não sei o que aconteceu com você, quem te magoou, ou o quanto te magoou e eu não me importo com isso. Eu me importo com você, e com como você se mantêm preso a algo que já aconteceu. Isso está te impedindo de ir atrás do que você quer e de ser você mesmo.

Ele está certo, eu sempre penso de mais e não costume tomar uma atitude. Eu me escondo atrás dos meus pensamentos. Eu só não quero ferir ninguém, incluindo a mim mesmo...

—Eu…eu só não quero…eu superei aquilo. Admito que não totalmente, mas superei boa parte. Eu não uso isso como um obstáculo, mas como uma forma de ir em frente, eu sou alguém que pensa de mais nos prós e contras das coisas e sei que às vezes isso me faz perder o momento de fazer algo, mas não é algo tão ruim, eu só...as vezes eu...

—Você pode ser honesto comigo!

...Ser honesto...

—Eu não sei como me abrir com os outros, ou como parar com essa minha mania de…me fechar tanto em mim mesmo.

—Me diga, o que você quer fazer agora?

—An?

—Responda. O que você quer?

Quero beijá-lo.

—Quero te beijar.

—Então não pense tanto se deve ou não fazer isso...

Eu me aproximei e beijei-o. Esse beijo foi rápido, mas cheio de sentimentos misturados. Depois que nos afastamos...

—Eu vou te ajudar a abrir mais seu coração. Você é um cara legal, e tenho certeza que seus amigos querem dividir com você, suas alegrias e tristezas. Então...quer sair comigo Han?

Ele sorriu gentilmente para mim. Com aquele sorriso infernal que me deixa paralisado e até me faz querer dizer ou fazer coisas que eu não costumo dizer ou fazer. Talvez ele realmente consiga me fazer mudar, como na ficção. Talvez a vida real e a ficcional não estejam tão separadas como pensei. Talvez nossas vidas sejam tão ou mais loucas que um livro, um filme ou um mangá.

—Claro que eu saio com você!

Esse sorriso...ele ainda vai me matar.

...............................................................FIM............................................................................

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