Notas iniciais
Minha primeira One, espero que gostem! Já tinha postado no SS, bjs :3

Detestava doces.
Odiava, com todo o meu ser, eu odiava.
Me perguntava como as pessoas podiam se deliciar com algo tão grudento e enjoativo. Não me imaginava degustando qualquer aperitivo com o mínimo de açúcar que meu corpo suportava.
Só de pensar em tal hipótese, já sentia calafrios.
Não era um ranzinza, muito menos fresco com alimentos. Mas não me agradava os doces. Como era possível?
Todos diziam ser a maravilha do mundo, mas não conseguia enxergar o que se tinha tão bom naquilo.
Será que eu estava perdendo algo? Talvez uma parte do que a vida tem a oferecer de melhor?
Quem sabia...
Talvez eu fosse dormente aos prazeres banais e hábitos mundanos.
Ora... Era um humano também, mas um humano que não gostava de doces.
Será que era tão ruim não gostar?
Será que era algum tipo de androide?
Me perguntava enquanto bebia em pequenos goles o café amargo que haviam me preparado.
Estava em meu escritório no centro de Tokyo, com ambas as mãos ocupadas. Em uma pairava a xícara pela metade de líquido negro, e na outra, estava lá, uma pilha de papéis — não muito significativos para mim naquele momento.
Observava com cautela meu café. O aroma era convidativo, o gosto agradava-me o paladar. Mas ainda sim, sentia que faltava algo...
Não sabia ao certo, mas sentia que havia alguma coisa fora do lugar.
Olhei ao redor, tudo parecia estar em seu devido ponto. As poltronas âmbar dos convidados, as formosas plantas ao lado da entrada. A estante grande e antiga europeia se tinha distante em um dos cantos do cômodo, assim como o armário com fichas e mais fichas de meus arquivos pessoais de trabalho.
E claro, minha grande mesa pairava abaixo de meu olhar.
Por que, ainda assim, sentia que faltava algo?
Tudo estava lá, mas o sentimento de perda... Por que achava que tinha perdido alguma coisa?
- Talvez as chaves do meu carro... — Me perguntei alto, mas descartei a tese após sentir ao metal gelado colidir com meus dedos que vasculhavam os bolsos.
Não... Não era aquilo.
Faltava algo, mas era em outro lugar.
Tornei a olhar o líquido escuro mexendo vagarosamente em seu recipiente, aquilo me lembrou de algo.
Quem havia feito o café?
Quem havia me trazido a pequena xícara?
Não lembrava.
Não percebera ninguém, não havia ninguém ali... Ou tinha?
Sim.
Obviamente havia alguém.
Apertando o botão do telefone em minha mesa, pedi à secretaria que me trouxesse a pessoa que havia preparado o café.
Precisava perguntar, sentia que me falta, e precisava esclarecer.
A mulher assentiu, mas respondeu que não sabia se a menina ainda se encontrava no andar. Ignorei sua resposta e mandei que a procurasse.
Eu sabia que era loucura minha, pois não havia nada de mais na substância que me deram. Entendia bem que era uma idiotice chamar a garota do café só porque lhe queria fazer uma pergunta tola.
Mas, ainda sim, sentia que devia fazer aquilo. Queria por fim a minha dúvida.
- Bem, bem... Por fim, sou um fissurado por detalhes. — O tom cansado se fez presente na frase dita, estava pensando demais, era o que achava. Já largava os papeis na mesa e logo traguei mais um gole generoso do café amargo. Senti o líquido descer quente pela minha garganta, sorri com o feito. Era reconfortante e ainda sim amargo. Não era doce. Sabia que não era. Então, por que ainda se tinha tão ruim para mim?
Começava a me perguntar se não haviam me drogado. Porque não era nada normal para mim, Uchiha Sasuke, me contestar daquela forma.
Nunca fui tão vacilante como estava sendo naquele momento.
Desci o objeto até pousa-lo na mesa, não gostei de me imaginar sendo tão instável. Na verdade, era o contrário.
Sempre fui um homem cuja a força de vontade e a firmeza em seus atos nunca foram antes contestadas. Era um ser convencido. Podia ser até arrogante, mas nunca egocêntrico. Era determinante e seguro.
Não entendia o que me dava agora.
Porque me tinha tão cauteloso...
Batidas na porta interromperam meus pensamentos.
Levantei-me formalmente, ajeitando meu terno de costura negra dei uma ordem dura para que entrasse.
- Com licença, Senhor Uchiha. — A mulher loira se adiantou antes que pudesse entrar. Sua voz firme soou forçada. Parecia que lhe falta ar para falar. Ah, sim...
Eu havia mandado que procurasse a dona do café, claro.
- O senhor tinha pedido para que encontrasse a uma pessoa, ela está aqui.
Subi o olhar, e logo atrás da mulher loira puder notar uma figura pequena. Ela era diminutiva, com toda certeza. A secretária saiu da frente dando espaço para que pequena mulher entrasse.
Receosa, ela adentrou na sala, seu olhar estava baixo, ela não me olhava nos olhos.
Atrás dela a secretaria se despediu e logo fechou a porta com um baque, a pequena deu um salto levantando a cabeça pela surpresa, mas logo voltou seu olhar ao chão, enquanto juntava as mãos em frente ao seu corpo.
Sua cabeleira era negra, um azulado incrível que jaziam presos por um rabo de cavalo atrás do topo de sua cabeça.
Era pequena, talvez uns 20 centímetros a menos do que os meus 1,90.
Branca, pálida, mais pálida do que eu. As roupas eram simples, uma saia formal azul-marinho um palmo acima dos joelhos, uma blusa branca social e saltos medianos negros.
Ela era simples, mas tinha um belo corpo, concordava.
- Espero que eu possa ver seu rosto. — Zombei com divertimento, a pequena mulher estremeceu. Parecia assustada.

Suspirando, dei um passo à frente e logo dobrei meus braços em frente ao meu peito.
- Não fique tão apreensiva, não vou lhe despedir. — Nem ao menos sabia se tinha tal poder para aquilo. Talvez sim, afinal, era o diretor da filial...
Surpresa.
Foi aquilo que vi sendo espelhado em seus grandes orbes prateados, quando a mesma levantou a cabeça tão rápido quanto um felino.
Sua boca pequena rosada, mas ainda sendo carnuda, se abriu para sugar o ar. Seu nariz arrebitado se levantou e ela piscou três vezes mais do que o normal para um ser humano.
Me ajeitei em meu lugar desconfortável, fitando-a por instantes confusos. Ela parecia querer falar algo, mas nenhum som era ouvido de sua boca.
Seu rosto ainda tinha a mesma expressão de incredulidade e surpresa.
Não acreditava em mim? Será que me achava um porco egoísta e egocêntrico como todos os outros empregados?
- O-o senhor... — Sua voz... — N-não vai me despedir? — doce?
Franzi o cenho e assumi um semblante surpreso.
Mas que infernos...
Por que sua voz... Era tão...
- Doce?
- Desculpe, senhor Uchiha. — Ouvi a menina soprar baixo, dando alguns passos para trás, logo jogando seu olhar abaixo, para sua mãos entrelaçadas. — Pensei que não gostasse de nada d-doce... — A voz macia falhou ao falar. Seus dedos ficaram agitados, tentando brincar uns com os outros por alguns instantes.
Só agora me dava conta de que havia dito aquilo alto. Abri um pouco os olhos e limpei a garganta, como se nada me afetasse. Merda.
Estava sendo descuidado falando sem pensar.
Voltei a olhá-la inexpressivo, tinha que me por em meu lugar de direito. Não podia me mostra fraco, não era o certo.
- Como sabia? — Foi a única coisa que me veio a mente. Como ela sabia? — Apenas me responda, como sabia que eu não gostava de doces? — A voz saiu alta e com um tom a mais de desinteresse.
Não. Não que eu estivesse desinteressado, na verdade, eu queimava por querer saber mais.
Queria tirar a limpo aquela história. Devia saber o porquê, era meu direto.
Então, como aquela diminutiva mulher sabia sobre eu não suportar a ideia de comer nada doce?
Como, se eu nunca havia dito a ninguém?
Sua cabeça subiu devagar, ainda fitava suas mãos e aquilo já me dava nos nervos. Infernos, como ela sabia daquilo?
- Não me lembro de ter dito isso a ninguém. — Continuei enquanto andava para mais perto da garota — Então? Como soube?
Estremeceu, eu pude ver.
Já tinha chegado perto o suficiente para sentir o seu cheiro, e cheirava doce. Jasmim, talvez cítrico... Ainda sim, era doce.
E por mais estranho que pudesse parecer, não era tão enjoativo.
Ela ficava abaixo dos meus ombros, sua cabeça não fitava meus olhos, e ainda tremia.
- Já disse que não vou lhe despedir...
- Se eu contar, o senhor certamente vai. — Falou finamente, parecendo tremer mais do que antes. A voz continuava ali, como mel...
Estávamos perto, um braço de distância. Olhei-a curioso, ansiedade jorrava perguntas e mais perguntas a minha mente. Eu queria saber, saber como é porquês.
Quem era ela? Como sabia daquilo? Por que sabia? Por que tremia?
- Não vou. — Droga, queria as reposta da minha pergunta. — Prometo que não a demitirei. Afinal, acredito que assinou um contrato. Há regras a serem seguidas neles. Creio que não quebrou nenhuma delas, não é mesmo? — Meu tom tinha se apaziguado, não era mais exigente. Eu sabia que não me responderia se eu não fosse paciente. Então eu estava sendo.
- Sim... M-mas! — Sua voz se elevou, por fim seu olhar cristalino colidiu com o meu. Em meu peito, meu coração errou uma batida, mas o acalmei em um segundo. Não era hora de se surpreender por pequenas coisas. Mesmo seus olhos sendo tão... deslumbrantes...
Fiquei em meu lugar e continuei a segurar seu olhar quente. Seus olhos pareciam querer chorar, estavam marejados.
Pisquei algumas vezes fazendo menção em falar, mas não disse nada. Não sabia o que dizer.
Ela sustentou suas duas mãos na altura do peito e suspirou pesado fechando os olhos. Ela falaria agora?
- Eu... — Ela começou, soou fraca, mas deu continuidade. — O ouvi. — Disse por fim. Ainda com os olhos fechados.
- Não minta, eu não disse iss-
- O senhor disse! — Exaltou-se com convicção. Agora não tremia. Seus olhos estavam abertos também, sua expressão confiante e ainda sim gentil, sutil...
- Disse? Quando? Onde? Como foi isso? — A bombardeei com perguntas, as mesmas perguntas insistentes que não me abandonavam desde a hora que a tinha visto.
Eu tinha que saber, era meu direito. Era sobre mim, não?
Tomando coragem, a garota se remexeu no lugar, soprando o ar que havia sugado, para fora de seus pulmões.
- D-d-disse... E-enquanto... — Gaguejou frenética. -... dormia.

{…}

Aquilo tinha sido tão vergonhoso!
O senhor Uchiha riu de mim! Ele riu, riu sim. Na verdade, gargalhou.
Nunca tinha visto ele com aquela expressão. Nunca iria imaginar que ele poderia fazer aquele tipo de cara. Rindo como se tivesse ouvido a melhor piada do mundo. Droga.
Já tinha se passado uma semana, mas ainda me lembrava como se fosse hoje.
" — A partir se hoje, você faz o meu café. — Sua voz profunda e cheia de risada retumbou pelo cômodo grande.
Ele riu de mim, foi um alívio, mas ainda sim, extremamente vergonhoso. Imaginava que seria posta para rua depois daquilo. Mas ele apenas riu. Riu muito.
- Como se chama? — Perguntou com sua voz curiosa apenas.
- Hinata. Hyuuga Hinata. — Respondi por fim."
Me sentia tão patética.
Não tinha sido porque eu queria ouvi-lo sonhando tão alto, apenas aconteceu de eu ter que lhe entregar o café porque sua secretaria não estava.
Ele tinha pego no sono e por acaso, o escutei reclamando do bolo de casamento de sua mãe que era tão doce. Ele resmungou profundamente que era horrivelmente doce, que chegava a ser nojento.
Sorri ao lembrar daquilo, era engraçado imaginar aquele poderoso homem reclamando por causa de doces. Parecia-se com uma criança, cuja infância não foi tão saborosa, chegando ao ponto de não ser mimada por não gostar de doce. Ri baixo.
Ele era uma pessoa tão assustadora assim?

O grande empresário Uchiha, o intocável diretor de uma das maiores filiais de todo o Japão.

Ele era assim tão inimaginável?
Eu já não sabia...
Ele não parecia ser.
Não agia daquela forma rude como eu imaginava.
Enquanto dormia e falava, estava tão bonito...

Ele era um homem bonito, parecido com os modelos da revista que Ino vivia lendo.
Ele era até mais bonito do que os tais.
Confirmei após tê-lo que visita-lo naquele dia.
Um rosto alto e másculo, mandíbula apertada completamente marcada. Ombros largos que caiam perfeitamente com o seu terno. Era alto. Alto, robusto e intimidador. Olhos ameaçadoramente negros e perspicazes, nariz detalhado juntamente com uma boca fina.
Seus cabelos pareciam ser sedosos, sua escuridão combinava com a noite. Um homem tão intrigante... Um homem tão assustadoramente bonito...
O telefone da minha mesa tocou, atendi de imediato e a voz feminina da linha apenas formulou as palavras rápidas.
- Hyuuga. O diretor quer café, agora.
- Certo. — Respondi baixo e duvidei se ela havia me ouvido. Sugeri que sim, e logo me levantei pondo o telefone no lugar. Não que eu fosse uma empregada da área da cozinha. Na verdade, eu trabalhava com o marketing da empresa. Apenas fazia o café do diretor porque ele havia me dado àquela ordem.
Fui até a cozinha e preparei agilmente o líquido escuro. Cheirava bem. Coloquei o conjunto de louça em cima da bandeja — tirando o recipiente que deveria vir com açúcar, mas não era necessário — e fui ao elevador.
Alguns olhares curiosos me seguiam, mas eu não ligava. Ino me dizia que comentários maldosos circulavam por ali sobre mim. Mas eu não dava à mínima. Por obrigação ou não, eu gostava de poder ser umas das poucas que chegavam perto do grande Senhor Uchiha.
Cheguei ao meu destino.
Abriu-se a porta do elevador e eu já saia em frente à secretária do diretor. Ela se levantou e foi prontamente abrir a porta do grande escritório.
Me anunciou rapidamente e lá eu pude ouvir uma voz grave sendo abafada pelas paredes grossas.
Estremeci um pouco, nada violento. Apenas animada por poder vê-lo de manhã cedo.
Disse um obrigada a secretaria e atravessei a porta com olhar no chão à minha frente. Ainda achava desrespeitoso olha-lo tão livremente nos olhos.
Ah... Meu coração dava socadas leves em meu peito...
- Com licença, Senhor Uchiha...
- Realmente aparento ser tão velho, senhorita Hyuuga? — O tom rouco zombou enquanto explorava meus pensamentos. Encolhi os ombros um pouco pela surpresa, ele estava rindo, claro.
Levantei a cabeça e encarei seu olhar afiado. Seus olhos sempre ameaçadores me mantiveram ali por poucos instantes, mas eu desviei e neguei habilmente com a cabeça. Deus, aquele homem não era um velho.
E se fosse, estaria muito melhor do que os jovens daqueles dias.
Eu não conseguia formular palavras, não naquele momento. Sempre acontecia aquilo.
Eu ficava estática em sua frente.
Ele tinha tal poder sobre mim, me mantinha ali, em transe.
Ele sorriu, mostrando nada mais do que um curva de lábios. Subiu a caneta que estava em suas mãos e mordeu a tampa aparentemente mostrando curiosidade.
Se curvou a frente enquanto apoiava ambas as mãos na mesa para se sustentar, e logo se levantou.
- Espero que esse café seja para mim... Sabe, gosto dos meios amargos... — Sua sugestão me tirou do meu estado zen. Sangue se acumulou em minhas bochechas, me fazendo corar violentamente. Droga. Eu tinha feito de novo.
- D-desculpe. — Minha voz saiu mais baixa do que o normal.
Andei apressada até a sua mesa, parando a poucos centímetros do seu corpo grande. Tratei de não me incomodar pela sua presença, mas era difícil. Eu conseguia notar seu olhar quente em minha nuca, enquanto eu colocava o café na xícara pequena.
Queimava ser olhada tão diretamente por ele.
Com as mãos trêmulas despejei o conteúdo na xícara. O aroma convidativo e embriagador se espalharam pelo cômodo, o cheiro delicioso de café recém-feito acendeu algo em meu estômago. Borboletas voaram ali. Oh... Era fome?
Não. Não acreditava que fosse.
- Senh... Diretor... — O chamei já me virando pra lhe entregar a xícara, mas parei desastradamente pela súbita surpresa. Ele estava perto, muito perto. Tão perto que podia sentir sua respiração em meu rosto. O hálito quente, mas ainda fresco de hortelã em minha face me fez queimar...
E não só aquilo havia me feito queimar. O café também, ele tinha sido derramado em meus dedos e nos dedos dele, que seguravam minhas mãos e a xícara com metade do seu líquido dentro.
Não só aquilo me fazia arder. Não me importava com a dor naquele momento, pois seus olhos... Aqueles olhos negros me faziam queimar ainda mais.
Eles me olhavam como se eu fosse um tipo de presa, aqueles profundos escuros pareciam querer me engolir, fazer com que me perdesse ali...
- Parece quente... — Seus lábios sopraram uniformes.
- Des-desculpe. — Deus! Ele estava vendo, não era? Como eu podia deixá-lo me ver daquela forma? Tão vergonhoso. Deus...
Ele sabia, não é? Meus pensamentos eram tão claros assim? Eu era tão transparente?
- Por que esta se desculpando? — Perguntou soando sério. — Não foi culpa sua, foi minha...
- N-não, eu que tive tais p-pensamentos... — Comecei já ficando histérica com a ideia de ter sido tão violada por outra pessoa, cuja adivinhara o que eu pensava.
Ele tomou rápido a xícara das minhas mãos e colocou-a de volta na bandeja.
- Merda... — Amaldiçoou, só depois percebendo que eu estava ali, se desculpou baixo. — Pensamentos? Do que você está falando, Hyuuga? — Seu tom confuso misturou-se com curiosidade. Seus olhos procuraram algo para que pudesse esfregar as mãos, ele encontrou guardanapos ao lado da bandeja.
- M-meus pensamentos... Digo... — Meus olhos se abriram em pratos e minha boca ficou semiaberta. Sobre que infernos eu estava falando? Como ele poderia saber de algo? Ele não sabia, Deus, como sou idiota!
Minhas bochechas arderam, com certeza estava vermelha. — N-nada.
Ele me olhou, seus olhos semicerrados descendo até minha boca e logo voltando aos meus olhos.
Sua expressão séria não abandonou seu rosto.
Ainda do meu lado, pegou dois guardanapos, ignorando ao café derramado no chão.
Tomando uma respiração a mais, segurou minhas mãos e eu gemi de dor. Com doçura, passou devagar os guardanapos por entre meus dedos, onde o café havia atingido, eu estremeci.
Suas mãos eram grandes, tão grandes que eu me sentia uma criança a ser segurada por elas. Com cuidado e com um semblante preocupado, ele secava devagar meus dedos e então minha palma.
Sua mão que sustentava a minha emanava um calor reconfortante, agradável. Algo remexeu em mim e eu me senti inquieta.
Voltei minha atenção ao seu rosto.
Mesmo com a cabeça baixa, ainda era maior do que eu muitos centímetros...
Seu cabelo havia caído para frente, tampando sua visão de mim. Eu gostava dos seus olhos, gostava de olha-lo. Suas expressões sempre eram novas descobertas a meu ver.
Suspirei pesado.
Queria vê-lo...
Respirando devagar, subi minha mão livre em reflexo aos meus quereres. Em um único movimento retirei as mechas que sombreavam seus olhos.
Minha respiração prendeu e meu olhar se abriu.
Me encontrei, novamente, fitando aqueles majestosos orbes ônix.
Era tão inexplicável, tal profundo negro... Olhava-me tão abertamente, tão avidamente...
Desci meu olhar, sua boca pouco aberta, lábios finos separados...
Por que ele estava calado? Não seria hora de dizer alguma coisa? Qualquer coisa?
- Por que você não fala? — A pergunta saiu antes que eu pudesse impedi-la.
Ele piscou algumas vezes, minha mão ainda na sua. Seus cabelos sedosos e macios ainda em meus dedos.
- Porque você não fala.
Foi minha vez de piscar. Meu coração martelou forte.
Seu rosto se aproximou, se aproximou perigosamente.
Estávamos agora nariz com nariz. Respirações se perdendo umas nas outras. Olhares mergulhados uns nos outros. Escuridão e luz, se misturando. Yin e Yang...
- E-eu... — Tentei formular algo, mas não consegui, minha voz saia inaudível. Era frustrante...
- Você gagueja muito. — Sua voz zombou com uma nota de divertimento. Sorriu, mostrando a mim uma nova expressão. Uma que havia gostado, e muito.
A vermelhidão tornou a voltar. Não era assim porque queria, apenas gaguejava quando ficava nervosa, e agora estava.
- Por que sua voz é doce? — A pergunta ressoou pelos seus pensamentos. Ela foi dita séria, o tom de zombaria não habitava nela, muito menos o divertimento.
Algo me despertou e eu dei um passo em falso para trás. O desequilíbrio me atingiu feio e eu pensei que cairia como uma fruta podre no chão, mas mãos calorosas e grandes em minha cintura impediram o acontecimento.
O moreno me segurou rápido e firme. Suas mãos me rodearam me sustentando próximo de si. Seu calor corporal me aconchegou conforme ele me puxava mais e mais...
- Até mesmo o seu cheiro... — O grave rouco som explorou meus ouvidos. Ele estava perto... tão perto de mim que eu sentia sua barba mal feita sendo esfregado contra o meu pescoço. Aquilo proporcionava malditos calafrios em minha espinha, nada bom...
- Tudo em você é assim...? — Continuava soprando levemente o aroma quente de suas palavras ditas. — Tão doce?
Oh, lá estava...
Ele me odiava, não?
Com certeza odiava... Odiava as coisas doces... Dizendo aquilo, ele...
Então esse era seu jeito de dizer que não precisava mais de mim, certo?
Apenas me dispensaria dizendo que me odiava da forma que ele sabia.
Que cruel...
Antes que meu peito doesse mais, o empurrei pra longe fazendo um bom trabalho em me ter longe.
Ótimo.
Obviamente me demitiria agora.
Droga...
Meus olhos ardiam...
Esfreguei as costas da minha mão boa em cima deles, não podia chorar na frente daquele homem. Eu não me permitia.
As batidas loucas do meu coração eram ouvidas em meus tímpanos, eles pareciam ouvir claramente e somente a isso. As pancadas violentas e rápidas do meu peito.
Andei desajeitada para frente, ignorando o chamando do homem atrás de mim. Raiva e tristeza se faziam grande no meu coração, aquilo pesava.
Eu já estava alcançando a porta quando uma mão grande agarrou violentamente meus ombros. Tentei me desvencilhar de seu aperto, mas não consegui. Ele era forte...
Me virou a ele com facilidade, seus orbes escuros colidiram com os meus claros, me examinando com um misto de confusão e raiva e eu devolvi o olhar, começando a ficar marejado pelas insistentes lágrimas.
Ótimo, agora choraria, com certeza. Já até mesmo sentia o nariz arder e a garganta se fechar pelo nó se formando.
- O qu- Droga, se ele falasse mais alguma coisa, eu choraria, estava sentindo a dificuldade em respirar e o sufocar agonizante. Minha visão já se tinha turva pelas lágrimas emergindo aos montes. Droga, droga, droga. — O quê... O que aconteceu?! — O desespero na voz máscula era óbvio, por algum motivo, a preocupação se fez presente também. Por que estava preocupado? Ele não me odiava? Não me achava irritante? Enjoativa?
Não era?
Eu era como os doces que odiava...
Oh... Não era bom lembrar daquilo. Apenas me fez cair em prantos em seus braços como uma criança.

{…}

O que estava acontecendo?
O que eu tinha feito?
Ela estava com dor? Talvez passasse mal e eu não sabia?
Ou eram problemas pessoais?
Não...
Não podia... Estava bem em momentos atrás, então por que chorava tão fortemente agora? Por que parecia tão devastada?
Eu conseguia ouvir seus soluços incessantes, a pele de seus ombros abaixo de meus dedos tremiam, parecendo convulsionar.
As lágrimas desciam quentes e aos montes sobre suas bochechas rosadas. O rosto pequeno e gentil tinha agora uma expressão de tristeza e dor... O que eu faria? Como eu a faria parar?!
Ela chorava e chorava. Aquilo estava me deixando mal... Eu não me sentia bem a vendo daquele jeito. Algo revirava o meu estomago e logo náusea me atingia como um tiro.
- Me diga! — A impotência das minhas palavras eram refletidas em minhas ações, eu não sabia o que fazer. Não sabia como agir, não sabia como consola-lá. — O que aconteceu? Esta com dor? É a queimadura em suas mãos?! — Exclamando, me exaltei, peguei em suas mãos, mas seu choro não cessava. Tremi por dentro me sentindo um inútil. Eu não tinha ideia do que fazer. Ela era tão pequena e parecia ser frágil, sua mão macia estava vermelha na região do indicador. Aquele não parecia ser um ponto de dor tão profundo. Aquilo não era o motivo de suas lágrimas.
- Por favor... — Eu disse sem recursos, minha garganta ardeu. — Eu não sei... O que fazer... — Admiti minha derrota, mas a garota não pareceu escutar. Ela ainda tinha os olhos fechados e os lábios separados enquanto gemia e soluçava entre novas ondas de lágrimas salgadas.
Deus... O que eu posso fazer?!
Pense, Uchiha. Você é o líder de uma corporação, não?
Vamos lá! Pense!
Agarrando firmemente a mão da morena, a guiei até o sofá de dois lugares que usava para abrigar meus visitantes. Fiz com que sentasse, mesmo que ainda chorasse. Merda.
O que eu faço?
Sentei-me rápido ao seu lado, pondo em meu rosto uma expressão que a muito não usava. Fui vacilante... Impotente.
Não sabia como resolver aquilo, ela estava muito vermelha, seus olhos estavam vermelhos e inchados. Seus lábios ressecados e a voz saindo entrecortada pelas baforadas de ar mal respiradas e a fungadas.
Mordi forte e bufei em desdém.
Droga, merda...
O que fazer?
O que fazer?
O que fazer?
Ela é tão pequena...
Por que não tinha nenhuma ideia agora?
Por que, só agora, diante dela?
No próximo segundo, eu já não raciocinava.
Um cheiro rico e doce se instalou no ar ao meu redor. Os finos fios azulados eram visíveis perto de mais dos meus dedos calosos.
Meus braços rodeavam uma pele leitosa e formosa como se fosse natural... Sentia a respiração descompassada soprar leve em meu pescoço nu, era bom. De uma maneira contraditória, o aroma e a sopro, — que deviam ser enjoativos — eram bons...
Estar ali, abraçando-a, não era o meu objetivo de início. Achava-a bonita, sim. Mas nunca me imaginei tendo-a nos braços a confortando. Nunca pensei que poderia desfrutar de um contato físico inesperado, o que havia dado em mim?
Não era um homem obsoleto, nunca pensei que chegaria o dia que não teria uma estratégia a seguir.
Ela tinha feito aquilo.
Havia me deixado desequilibrado. Desde o primeiro dia que a vi... Sabia que ela era inconstante.
Senti que não poderia ser como as outras. Não, aquela mulher era única, sabia disso. Era sincera, gentil e tímida, mas não deixava de ser forte, decidida e indomável.
Sabia... Sabia bem...
A pequena mulher era um fascínio aos meus olhos. Era exótica, tinha-se jovem e pequena como uma colegial e era doce...
Muito doce...
- O-o... O se-senhor disse... — Entre soluços pequenos, a voz se fez baixa e escorregadia. Esforçava-se para dar continuidade à frase. -... disse que não... que não gostava... — Mais lágrimas, eu sentia em meus ombros. Eram quentes, ferventes.
Gemeu uma vez mais e eu a apertei levemente, incentivando-a a continuar. Mesmo assim, eu não sabia do que falava, e aquilo me deixava puto. Não aguentava mais vê-la chorar. Estava me quebrando, merda...
- D-disse... Que não gostava... — Me afastei devagar, não que eu quisesse quebrar o contato, me sentia bem nele. Mas precisava entende-la. Precisava ouvi-la melhor.
Com pequenas pérolas, me lançou um olhar tristonho e cabisbaixo. Em volta dos orbes preciosos, a vermelhidão lhe atribuía a combinação com as maças altas de seu rosto. A boca tremia um pouco, mas ela continuava tentando o seu melhor para continuar.
- De... D-d-doces. — Novamente, caiu em prantos.
Continuei a olhá-la sem ação.
Mas. O. Que?
- Você já não sabia disso? — Perguntei mais alto do que o normal. Mas que droga estava acontecendo?
- Ma-mas... O senhor disse... — Soluços e mais lágrimas, uma mão esfregou o olho direito já cansado das lágrimas. Fungou. — D-disse que eu era doce...!
- Han?
- O senhor disse! — O choro tinha diminuído, sua garganta parecia acabada depois de tanto esforço. — D-disse que tudo em mim... T-tu-tudo em mim era do-doce... — A gagueira foi atribuída aos soluços constantes. Meu cérebro parou de raciocinar e por um instante eu pensei no que tinha feito em momentos atrás.
Uma súbita vontade de rir cresceu em meu interior, e eu me limitei a um sorriso alegre.
Ela achava que eu a odiava?
Deus!
Ela achava que eu a odiava?!
Eu disse aquilo, disse que odiava as coisas doces e depois falei que ela era doce, é claro!
Essa mulher...
Ela com certeza não é como as outras.
Passei as mãos em minhas mechas rebeldes e a joguei para trás. O sorriso idiota ainda pairava em meus lábios. Meus olhos a fitavam com divertimento, o fluxo de lágrimas agora eram pouco. Oh... O que acontecerá se eu...
- Você gosta de doces? — Perguntei com malícia, o rouco e divertido me fez o favor em explorar seus sentidos. Ela levantou a cabeça rápida, fazendo com que seus cabelos soltos se espalhassem sobre as laterais de seu rosto redondo. Lançou-me um olhar choroso abertos de par em par. Suas bochechas marcadas pelas irritadiças lágrimas coraram fortemente.
Me aproximei de sua face bonita, e admirei aos redondos e marcados olhos perolados. Minhas mãos subiram aos lados de seu rosto e começaram um rápido trabalho em esfregar para longe mais algumas das insistentes gotículas salgadas. Ela estava quente...
Sua face... Seus ombros... Sua respiração... Seu olhar...
Quente.
- Eu vou te beijar, senhorita Hyuuga. — Após dizer, em um único movimento, me lancei furtivamente para frente, alcançando sem delongas meu único objetivo: sua boca.
Rápido e suave.
Ao tocar seus lábios brevemente, senti eletricidade percorrer por todas a minhas terminações nervosas. Meu corpo tremeu em demanda e eu a senti ceder.
Seu corpo acendeu quente e faminto, assim como o meu.
Minhas mãos saíram de seu rosto e exploraram novas áreas. Sua nuca se tinha nova pra mim, e suas costas arqueadas sobre minha palma aberta.
Em meu peito, meu coração acelerou gradativamente a um nível superior. O sangue era bombeado duas vezes mais rápido e tudo ao redor pareciam parar.
Oh... Aquilo era novo.
Foi um simples tocar de lábios, mas mesmo assim senti todas aquelas sensações... E se aprofundasse? E se fosse mais longe... Por que, oh, eu queria, e ela parecia compartilhar do mesmo desejo.
A sensação mínima do toque quente dos lábios macios não era suficiente. Confirmei após sentir as diminutivas mãos da Hyuuga caçando os meus cabelos, ela queria mais. E claro, eu não negaria.
A ternura do toque doce da mulher me ligou. Um batimento mais tarde tragou o som de seu gemido com um exigente beijo molhado. Conduzindo profundo além dos lábios, varrendo em seu interior como se não pudesse esperar mais um segundo para saborear toda a boca. Eu não podia esperar.
Doce.
Eu senti.
Era doce, um doce perigoso.
Era...
Por que não o detestava?
Aquele sabor açucarado, tal que temia ser possível nenhum mel ultrapassa-lo. Podia existir tal gosto...?
Aquele sabor... Tão doce?
Novamente, minha boca reclamou a sua, os lábios sensuais da morena deram um golpe atrás de outro, usando sua língua pequena e erótica para atormentar-me com círculos deliciosos em minha boca.
Oh... Gostava daquele néctar, o doce aroma encantador da inocência se dispersava. A mulher sabia o que fazia com a língua...
O desafio com cada empurrão da língua, com cada varrido frenético dos lábios sobre os meus. Ela não era tão ingênua, afinal.
Devolvi seus movimentos, jogando-a sobre a pelugem do assento felpudo. Abandonei seus lábios devagar formando um trajeto mais divertido abaixo. Passei pelo sua mandíbula, despojando beijos contínuos. Encontrado um ângulo perfeito, afundei meus dentes levemente sobre a dobra de seu pescoço e ela gemeu alto, tremendo vulnerável. Substitui o mordiscar pelos meus lábios pesados e suguei sua pele leitosa. Parecia fervente, febril ao tocar de minha pele.
Hm... Queria mais... Muito mais.
Mordi novamente, agora mais e mais em baixo. Ela arqueou a costas e prendeu um suspiro longo.
Ouvi meu nome ser chamado por um sussurro. Aquilo me fez hesitar. Era a primeira vez que ouvira meu nome saindo de sua boca.
Ignorando os suspiros demorados, tornei a devorar-lhe os lábios.
O forte sabor feminino, seduziu-lhe a boca. O baile sensual de meus lábios pareceu hipnotiza-la. Foi profundo e aparentemente interminável, o beijo.
Me afastando, dei lugar para o ar circular sobre nós dois. Estava quente, muito quente. O gemido feminino reclamando pelo abandono foi ouvido. Sorri satisfeito.
Olhei abaixo, já estávamos deitados sobre o tecido escuro do sofá. Sua cabeça apoiada no descanso negro estava virada em minha direção, os olhos confusos me fitavam com vergonha e excitação.
Os lábios manchados de um rosa avermelhado buscavam pelo ar com dificuldades, enquanto sua face se acostumava novamente com a cor pálida que tinha.
Não deixaria que o tão bonito rosado abandonasse suas bochechas.
Com um curva de lábios perigosos, admiti.
- Sabe... — Oh, só agora havia percebido que minha respiração também não estava nada bem. — Acho que estou começando a apreciar aos doces. — Dito isso, voltei ao meu foco inicial.
Degusta-la.
Sentiria os prazeres que um doce poderia oferecer. Afinal, doces eram umas das maravilhas da vida...
E ela era, oh sim.
Era um dos doces mais viciantes.

FIM.

Notas finais
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