Bittersweet.
41 Não decepcione.
Notas iniciais
Os telespectadores assistiam a ação de Sonic e Shadow com suas respirações presas, cada um por razões diferentes, olhares de preocupações vinham de Mary, Rouge e Tails, que olhavam a ação dupla com um misto de pura preocupação e alguma reprovação.
Ambos os três sabiam do estado delicado que Sonic estava, sabia do risco que corria e do quanto um erro poderia ser fatal. Tails estava com suas mãos apertadas em punhos, seus olhos azuis brilhavam desesperados, aflitos.
Ainda havia a raiva, a sensação nauseante de traição, o sentimento corrosivo que seu irmão não confiava o suficiente em si para que lhe contassem seus problemas.
Quanto tempo Sonic fingia que estava tudo bem para tudo e todos enquanto ele escondia tal monstruoso segredo? Quantas vezes após uma batalha exaustiva e arrastada o ouriço negro não o tomava para si e explorava sua inocência?
O podre garoto estava enojado, um pequeno e crescente ódio para com Shadow estava aos poucos ganhando espaço em sua mente, corroendo suas entranhas como ácido. Ele o odiava, odiava pelo que estava fazendo à Sonic, seu tão imaculado herói, odiava-o por se comportar diante todos como se não se abusasse de seu irmão todas as noites. Essas atitudes monstruosas tinham que acabar.
Ele tinha que fazer parar.
Olhos vermelhos encaravam a raposa com as pálpebras pretas formando um olhar em fendas, um castanho sutil começava a tomar espaço pelo vermelho, mas o olhar era analítico, cauteloso e tão sutil que Tails tampouco deu conta que estava sendo observado de forma tão minuciosa.
Rouge virou o olhar para Mary, um de seus olhares levantados, questionando o olhar fixo e perigoso, porém a morcega negra lhe ignorou completamente. Irritada pela ação, ela seguiu seu olhar e então entendeu o que ela via, entendeu perfeitamente porque ela parecia estar se preparando para algum ataque silencioso.
Tails tinha um olhar de completo ódio em seus olhos azuis, não era simples raiva ou qualquer coisa parecida, era um puro e concentrado ódio focado na figura negra de Shadow, no modo como ele e Sonic e interagiam, como ele o tirou na zona de fogo, protegendo-o a morte e depois novamente, quanto ambos tinham se tornado o foco do megalomaníaco Eggman.
Rouge entendeu o que ela via, a ameaça silenciosa vinda de um pequeno garoto, o modo como ambas podiam ver claramente seus músculos tensos e sua postura de quem estava prometendo violência sem qualquer piedade.
Ambas estavam igualmente tensas.
O grupo parecia ter aumentado com um piscar de olhos, um grupo tão inusitado e inesperado se juntou a eles, outros surgiam aos poucos.
Um crocodilo verde robusto estava acompanhado de um camaleão purpura, que tinha seus olhos dourados percorrendo por todo o lugar com tensão, uma abelha cantarolava baixo, sendo repreendida duramente pela voz alta e chamativa do crocodilo, na qual ela ignorava rodopiando e cantarolando como se nada lhe afetasse.
Em uma esquina, um grande gato roxo listrado com branco fazia sua aparição, uma enorme vara de pescar estava em um de seus ombros enquanto no outro estava confortavelmente sentada uma pequena e delicada coelha de cor creme, com orelhas ligeiramente grandes para seu tamanho e um laço pomposo em seus cabelos avelã.
A morcega preta franziu a expressão com desgostos, mais indivíduos, mais vidas as quais ela tinha que manter intactas, ela direcionou um último olhar para o garoto raposa antes de direcionar seu olhar para os recém chegados, indo diretamente para o gato roxo enorme, enquanto seu andar parecia dolorido e até mesmo predatório.
Um predador ferido.
— Sinto que vocês terão que sair. — Ela disse duramente enquanto olhava para o gato com um olhar sério e superior. — Estamos em uma zona de batalha, crianças e uh... Não soldados não são permitidos.
— Big vai ajudar! — O gato disse com a voz arrastada, lenta e rouca.
Mary apenas o olhou como se ele tivesse alguma doença mental.
— Eu sinto muito, porém não é seguro vocês estarem aqui. — Ela disse sem rodeios, encarando-o com o olhar gélido.
Um grito agudo atingiu seus ouvidos, fazendo-a estremecer, o som agudo e desafinado era o suficiente para que ela sentisse uma dor de cabeça.
A ouriça rosa, cujo nome Mary sabia que era Amy Rose, veio correndo em direção deles, correndo saltitante, enquanto chegava onde estavam com uma animação enorme, fazendo Mary recuar de seus gritos animados e observar de uma distância audivelmente segura.
— Big, Cream! — Ela disse animadamente, não se importando se seus gritos estavam incomodando ou com o quanto ela estava chamando a atenção desnecessariamente para si.
Ela chegou até ele aos tropeços, não sendo cuidadosa com os destroços espalhados pelo caminho, ela lhes sorriu calorosamente, como se encontrasse velhos e amados amigos, o que de fato estava.
— Há quanto tempo? — Ela disse retoricamente, cumprimentando-os.
Mary resolveu sair daquele lugar, se uma das integrantes da equipe que compunha os lutadores da equipe do Sonic estava ali, então talvez não fossem tão inúteis quanto imaginou que eram, porém, teria que manter um olhar neles.
Ela presenciou o descuido exagerado de Amy, de forma que ela claramente não podia confiar na ouriça rosa como uma grande guerreira ou até mesmo detende de grande estratégia. Deu um suspiro pesado enquanto ela ia para o trio que viu inicialmente, seu estresse ultrapassando limites do que poderia ser considerado recomendado.
O castanho desapareceu completamente de seus olhos rubi.
— Vocês três. — Ela disse tão seca quanto possível, parecia estar com ódio deles, no entanto não era ódio, mas também não era a esperança de uma animosidade. — Se estão aqui para ajudar... — Ela disse a frase friamente. — Não cruze meu caminho e não se descuidem, eu não vou falar outra vez. — Foi o que disse antes de virar as costas.
Ela fechou os olhos com força, antes de falar novamente.
— É um prazer lhe conhecer, Espio. — Ela sorriu com sarcasmo. — No entanto, infelizmente não posso dizer que realmente estou agraciada.
Ela virou as costas para eles e foi para outros soldados, citando ordens entredentes que eles assentiam desesperadamente em consenso, o camaleão estava congelado no lugar.
— Conhece ela, Espio? — O crocodilo perguntou, sua voz alta tentando ser sutil.
— Não. — Respondeu simplesmente, mas seus olhos estavam em fendas. Ele não a conhecia, mas ela sabia exatamente quem ele era, isso estava lhe incomodando de uma que ele poderia sentir que algo errado não estava certo.
Balançou a cabeça enquanto se postava em posição defensiva, se preparando para o que poderia acontecer, reação essa que iniciou uma série de acontecimentos. O crocodilo se colocou ereto, suas mãos fechadas em punhos na altura do rosto, como se estivesse se preparando para uma luta de boxe. A abelha que até então parecia totalmente alheia ao clima tenso de batalha, parecia ter finalmente fechado sua boca, seus olhos castanhos estavam atentos agora e não mais dava alegres cambalhotas no ar.
Parecia que tudo tinha mudado em uma questão de segundo, Amy agora estava quieta, falando baixo com o grupo recém chegado enquanto o gato roxo, que se denominou como Big coçava a cabeça e a coelha lhe assentia concordando com algo que não dava para se ouvir, seus olhos castanhos estavam com um brilho terminado, feroz.
Os ouriços tinham acertado o robô em cheio, porém, parecia que nenhum arranhão tinha sido feito em sua armadura metálica, ambos caíram levemente cambaleantes no chão, em pé.
Shadow puxou Sonic para perto de si, seus peitos se chocando, seu hálito quente sendo jogado no rosto pêssego enquanto ele falava.
— Pronto para o show? — Shadow perguntou-lhe com a voz rouca, seus olhos rubis escurecendo e sua voz saindo como um sorriso.
— O quê? — Sonic perguntou, de repente totalmente consciente de todo o calor que era jogado para cima de si, o corpo negro colado no seu, seus peitos praticamente se tocando, exceto que ele estava encoberto pelo pijama.
Shadow passou um de seus braços nas costas do ouriço, prendendo-o junto ao seu corpo enquanto com a mão direita ele entrelaçava seus dedos no dele, esticando ambos os braços, a mão que estava solta de Sonic, automaticamente estava em seu peito, tentando o empurrar, no entanto sua falta de vontade era tanta que seus dedos subiram o peito negro, acariciando os pelos brancos e descansando em seu ombro.
Um passo para trás, dois para frente, três para a esquerda e um giro em sincronia, desviando dos laisers que eram lançados para eles com perfeito, literalmente dançando em campo de batalha, com uma coreografia perfeitamente sincronizada.
— Acho que quando Egghead imaginou que iriamos dançar, ele não levou no literal. — Sonic comentou com um sorriso nos lábios a olhar para Shadow, com uma rosa vermelha entre os lábios.
— Eu não brinco em serviço, baby. — Shadow disse simplesmente, enquanto afastava o ouriço de si, que ria enquanto girava em seu próprio eixo e era puxado para o peito de Shadow, enquanto o inclinava para trás, seus espinhos azuis quase tocando o asfalto quebrado.
— Eu vejo. — Ele sorriu enquanto giravam novamente, todas os tiros pequenos sendo afastados deles por milímetros.
Sonic sentia com intensidade como sua energia diminuía e aumentava, quase no mesmo ritmo de sua respiração, seus pés estavam dançando um tango com uma sensualidade exagerada e nenhum pouco desagradável, porém uma parte de sua mente sentia falta do break dance.
Shadow também notava, nada passava despercebido por seus olhos rubis ávidos.
Até que ele lhe deu um puxão forte, o ar sendo tirado de seu pulmão enquanto os peitos se chocavam com força, logo desaparecendo de vista envoltos por um brilho dourado.
Shadow soltou Sonic suavemente enquanto se distanciava alguns passos deles, estava de costas para o ouriço azul. Seus olhos baixos e a rosa vermelha jogada em um lugar aleatório, longe de suas vistas.
Ambos estavam em um lugar rodeado de árvores, fazendo com que Sonic de repente se lembrasse de seu sonho naquela manhã, seu rosto tomando uma coloração avermelhada enquanto as lembranças sensoriais invadiam sua mente.
— Eu não quero que você lute, Faker. — Shadow disse com uma voz baixa e dolorida.
— Por quê? — Sonic perguntou confuso, seus olhando para as costas de Shadow.
— Eu não sou uma bateria para você pegar minha energia quando quiser. — Foi sua resposta, dura.
— O quê? — Sonic disse alarmado, seus olhos piscando surpresos.
— E também é — ele deu uma pausa, enquanto parecia estar escolhendo as palavras certas — complicado, Faker. — Ele respondeu enfim, fechando seus olhos com força.
Sonic olhou-o confuso, dando a volta pela sua forma, ignorando o fantasma de seu sonho de sexo selvagem na floresta.
— Do que você está falando? — Ele perguntou baixo, olhando magoado para os olhos fechados, como se tivesse sido ferido sentimentalmente. — Eu sempre lutei, por que agora não?
— Eu sou alguém de gostos singulares, Sonic. — Ele disse secamente. — Você não entenderia.
— Me mostre então.
Shadow abriu os olhos vermelhos, sua expressão torturada, enquanto ele avançava e pegava a mão enluvada de Sonic, puxando-o junto consigo, enquanto andavam em problemas pela floresta, o aperto forte da mão Shadow assustava-o, fazendo com que pensamentos ruins passassem por sua mente.
Por um breve momento imaginou que seria fodido na floresta como em seu sonho, no entanto ele parecia não ter nenhuma intenção sexual, o que de certa forma, tinha decepcionado Sonic que estava ansioso por uma aventura selvagem.
Viu com surpresa enquanto eles saiam de onde estavam, uma abertura para onde estava o campo de batalha destruído, mas, havia detalhes que ele chegou a notar.
Havia uma espécie de espaço no meio, onde deveria estar o robô enorme de Eggman estava completamente limpo, o robô estava encostado em um canto, desligado enquanto tinha um apoio para microfone, Shadow estava levando-o para o centro, ainda puxando sua mão, sem o soltar.
Eggman estava no palco improvisado, usando um casaco preto, para o lado direito, claramente o microfone não era para ele e seu drama de dominação mundial.
Passou por Amy, que lhe dirigia um sorriso malicioso que teria deixado o tímido se ele não fosse tão sem vergonha, Amy estendeu um casaco para Shadow, que o pegou soltando a mão do ouriço e vestindo-o calmamente.
— Sonic... — Ele disse virando para ele com os olhos rubis em brasas, olhando-o com uma emoção muito forte. — Eu apenas... Preciso te dizer como eu me sinto sobre tudo isso...
— Não... — Sonic disse, enquanto sua postura mudava, seu rosto ficando sério.
— Eu quero te fazer entender...
— Não... — Sonic repetiu, enquanto via Shadow indo em direção ao microfone que estava ali, Eggman ao seu lado.
Do alto de um prédio podia ver um grande holofote, sendo colocado e posicionado por um quarteto de tartarugas com badanas coloridas, Tails tinha um holofote colorido em cima do Tornado, jogando luzes coloridas sobre a figura de Shadow e Eggman.
Como em um sinal silencioso, o crocodilo pegou do chão uma enorme caixa de som, colocando-a sobre seus olhos enquanto a abelha tinha fones de ouvidos e estava diante à uma mesa de dj.
O som começou a tocar, uma balada baixa e enérgica, quando Sonic piscou, um corvo com um terno preto com um corte fino deslizou para o lado esquerdo. O trio enquanto começou a dançar ao ritmo da música, com suavidade e maestria enquanto mexiam os quadris em sincronia.
— Sonic, eu....
— Não, não, não! — Ele balançava a cabeça.
Mary batia palmas no ritmo, incentivando Rouge, Amy, Big que rebolava desajeitadamente, Cream, Knuckles, os soldados G.U.N e os telespectadores a seguirem, batendo palmas no ritmo constante da música.
Um pouco longe da cena, estava um gato de pelagem azul petróleo, com uma arma prateada apontada em sua própria cabeça, o olhar vazio em seu rosto.
— Eu... — Disse calmamente, antes de sua voz sair como música melodiosa. — Never gonna give you up, never gonna let you down.
— Eu não acredito que ela fez isso! — A voz incrédula soou, olhando com incredulidade para a tela de seu celular, piscando com o que leu.
Seu dedo suavemente deslizou pelo touchpad, enquanto clicava no media desligando o remix de sandstorm e never gonna give you up, seus lábios com um sorriso sádico enquanto seus olhos olharam com satisfação o que acabou de escrever. Tirou seus headphones com cuidado enquanto ajustava os óculos na face.
— Trollei. — Disse enquanto dava fim ao capítulo, orgulhosa de seu senso doentio de humor.

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