Bittersweet.

43 42. Elos do passado.


Notas iniciais
Um pequeno e bobo salto temporal. Boa leitura.

Há muitos anos antes, em uma época onde tantos overlanders quanto mobians estavam se encaminhando para suas evoluções, existia nessa terra recém ressurgida, uma civilização que muito sobrepujava todos.

Eram engenhosos, capazes das mais criativas e poderosas invenções, além de um intelecto invejável e uma facilidade magistral para utilizar tanto da tecnologia, quanto da magia, tão abundante em um planeta em recuperação.

Eles eram os Echidnas.

Tais Tachyglossus eram misteriosamente mais ligados com as energias caóticas, tirando proveito de suas habilidades para podem facilitar todo tipo de trabalho e problemas que poderiam ter, porém, tal brilhantismo não poderia ser adquirido sem uma consequência, um preço para ser pago.

Cientistas mais avançados no acompanhamento dos astros, vieram com uma notícia fatal, Equidinopólis estava com seus dias contados, pois em apenas no curto de poucos dias, um meteoro cairia exatamente onde a cidade crescia e progredia.

O alarde e o medo atingiam todas as classes, em meio ao desespero de salvarem não só suas vidas, como também tudo que para eles eram sagrados, não conseguiam pensar em nenhum plano para se livrar de tal ameaça fatal.

Eis que, como um pedido atendido pelos deuses a qual eles cultuavam sem profanar a ciência, a dupla de irmãos veio então com uma plausível solução.

Mover a ilha do chão e a tirar da rota de colisão. Era tão simples a solução.

Eufóricos com a possibilidade de sobreviver para presenciar novos dias, trataram logo de colocar o plano em pratica enquanto os irmãos trabalhavam em uma nova tecnologia, capaz de salvar todos.

Numa câmara secreta, longe de todos os perigos e olhares, a joia que cultuavam como um Deus crepitava de tão poderoso e monstruoso poder, eles poderiam fazer isso, eram capazes disso.

Na data prevista ao desastre, já tinham tudo preparado com tamanho cuidado e pericia, que era questionável a hipótese de que todo seu trabalho teria sido em vão.

Com seus corações batendo descompassados, a nação equidna assistiu estarrecida, quando há poucos segundos do desaparecimento completo de suas vidas, um milagre aconteceu, todos assistiam com tamanha admiração e surpresa quanto enfim, a terra sagrada subiu e alcançou o céu e tão rápido quanto um desastre poderia ser, logo o asteroide flamejante caiu furiosamente do seu, atingindo onde antes havia uma cidade prospera, agora alcançando o céu e de rumo incerto.

De uma situação alarmante, uma nova parceria se firmou, onde antes existia presa e predador, agora existia uma parceria prospera.

Mas esse era apenas o preludio de uma série de desastres, esses monotrêmatas nunca estiveram seguros.

E o nosso guardião teria uma importante aula de história.

O sol se estendia preguiçosamente em um céu claro e azul.

O ar parecia maçante, pesado e carregado e respirar corretamente era algo que somente os que nasceram naquele ambiente seriam capazes de fazer, no entanto, naquela imensidão de terra peculiar. Mais precisamente um pedaço de terra flutuante.

Suas sombras eram lançadas em cidades, mares e florestas, de acordo com onde ela estava indo, girando em torno de um eixo desconhecido para os menos conhecedores, menos para um certo jovem guardião.

Se tratava de um jovem equidna vermelho com uma marca de nascença no peito que se assemelhava a uma cicatriz, tão branca que se destacava em seu tórax, seus olhos lilases brilhavam com um ar de irritação enquanto socava galhos e árvores de seu caminho.

Resmungava algo desconexo enquanto andava por uma floresta refreta de obstáculos, tendo como único caminho para seguir uma simples direção pintada em uma pedra junto com um nome escrito com todas as letras maiúsculas.

E claro, a Master Emerald não estava mais em seu pedestal.

O motivo de todo seu ódio era dirigido à simplesmente isso, um desaparecimento completamente inexplicável e impossível, mas de uma certeza ele tinha, quem é que estivesse desafiando lhe não tinha saído da ilha. Porém sua raiva e descontrole era tamanha que não conseguia controle o suficiente para conseguir se concentrar na energia da Master Emerald e descobrir com exatidão sua localização.

Knuckles the Echidna era o último da linhagem dos equidnas guardiães, nunca soube a razão de carregar tal fardo, tampouco o que tinha acontecido com sua família.

Pouco do que se lembrava, remetia a algumas conversas nebulosas vinda de interlocutores sem vozes, mal se lembrava de seu pai, muito menos de sua, mas não tinha memória o suficiente deles para que sentisse qualquer falta. Porém, muitas vezes sentia raiva de quem seja lá seu pai, desde que o deixou sozinho sem qualquer explicação e preso a um legado que não escolheu.

Apenas sabia que era seu dever protege-la, seu elo com a joia lhe apontava claramente isso, desde que era o único que podia a encontrar. Isso é, quando não estava fumegando de raiva e quebrando tudo que aparecia em seu caminho, seja galhos, pedras e até mesmo monumentos de uma arquitetura em ruinas.

Apesar de residir naquele solo instável e cheio de numerosos segredos, o equidna não era necessariamente um completo conhecedor de todos os palmos daquela terra. As armadilhas, quebra-cabeças e atalhos não haviam sido obra sua, ele apenas se usufruía do que tinha ao seu favor, sendo bastante útil para casos de invasões indesejadas, como tinha sido o seu primeiro e desastroso encontro com Sonic e Tails, sendo enganado por Dr. Eggman e acreditando que eles eram vilões que queriam causar-lhe mal.

Grande de suas recordações também traziam lembranças ruins consigo, tal como das vezes em que por sua ingenuidade e inocência tinha colocado em risco seu lar, abrindo espaço para que um cientista megalomaníaco pudesse circular livremente enquanto fazia da vida dos verdadeiros mocinhos um inferno literal jogando-os nas piores masmorras e áreas cruelmente preenchidas de todo tipo mortal de armadilhas, que ele só tinha tomado conhecimento de sua irresponsabilidade muito tempo depois, quando sua preciosa joia tinha sido roubada em diante de seu nariz e seu santuário secreto profanado.

Ele era um mobian peculiar, ingênuo por um lado, mas durão do outro, o que o fazia muitas vezes cair em armadilhas ou ser enganado facilmente em contrapartida que ele lutava sem hesitar sempre que ele sentia que precisavam da ajuda dele, principalmente porque odiava seus novos amigos em perigos mortais e situações sem saída.

Ele tinha conquistado um sentido para sua vida, desde que apenas viveu sem um proposito carregando um pedaço de pedra gigante e poderoso como único elo de seu passado, em realidade ele nunca se questionou sobre seu passado, tampouco o futuro, sendo o último de uma raça extinta, de uma linhagem que tampouco conviveu ou sequer conheceu.

Seguia a única dica que tinha, desde que simplesmente não tinha uma ideia melhor e estava realmente curioso para descobrir onde a seta iria, mesmo que, algo em sua mente gritava alarmado que ele poderia desgostar do que poderia ser encontrado, não via outra alternativa. Afinal, ninguém era páreo contra ele em uma batalha, sendo ele um dos mobians anormalmente mais forte e ágil que outros que conhecera.

Não que ele tivesse tantas oportunidades para conhecer outros, estando confinado em sua sina, embora em outras oportunidades ele tinha se permitido sair brevemente de sua função e explorar o mundo junto com Sonic e seus amigos, o remorso sempre lhe corroía e uma ansiedade sem precedentes o tomava, deixando-o bem mais impaciente e instável que o costume, embora geralmente ele tivesse certeza que não corria riscos para a joia, escondendo-a onde outrora havia sido seu lar original antes de Robotnik profanar tal santuário sagrado, embora os reparos feitos em Hidden Pallace tinham sido feitos à longo prazo, ainda tinha várias de suas estruturas terrivelmente frágeis e delicadas.

No entanto, por mais ele estivesse empenhado em consertar alguns dos estragos que tinham sido feitos por sua imprudência, inesperadamente parecia que não estava sozinha nesse trabalho, desde que algumas vezes via rachaduras consertadas e alguns outros pequenos detalhes que na primeira vez tinha se passado desapercebido.

Tinha mais moradores na ilha que ele desconhecia? Ou era sua mente pregando peças lhe causando a falsa impressão de não estar sozinho? Será que estava tão desespero por qualquer companhia que ele estava vendo coisas onde não existiam?

De qualquer forma, seus questionamentos sobre sua sanidade podia esperar, desde que estava alcançando o ápice de Sandopolis, suas areias traiçoeiras e espinhos mortais eram armadilhas mortais para qualquer desavisado que ousasse se aventuras nessas terras estéreis e áridas, com temperaturas altas e o ar rarefeito, sendo uma das partes das áreas na ilha, quase impossível de ser acessada por qualquer indivíduo que já não estivesse acostumado com ela. Curiosamente rodeada por um lado por Marble Garden e perto demais de Mushroom Hill, onde para pegar ao ar fresco e se usufruir de longas e aconchegantes sombras dos inúmeros cogumelos que rodeiam essa parte curiosa da ilha.

Sandopolis não era somente conhecida por seu deserto, mas por fragmentos de um passado perdido, com suas cavernas labiríntica e os fantasmas que atacam qualquer um que ousasse se aventurar por seus túneis sem qualquer fonte de iluminação, protegendo todos os segredos que qualquer curioso poderia procurar desvendar.

Knuckles não tinha muita ideia do que procurar quando se aventurou nesse momento, muito menos que tipo de inimigo ele poderia encontrar, mesmo que Robotnik tenha sido expulso da ilha e raramente ousasse colocar seus pés ali (exceto no episódio em que ele quebrou a Master Emerald para libertar Chaos de sua contenção centenária para conquistar seu tão antigo sonho de dominação mundial), ele ainda não tinha certeza de todos os mistérios e armadilhas que ali poderia esconder como autopreservação para proteger não só a mestre de todas as esmeraldas, como também o seu guardião, desde que algumas poucas vezes quase fora atacado por alguns ladrões menos astutos que cogitavam almejar fortunas os seus tesouros de uma civilização cheia de histórias místicas.

De qualquer forma, o guardião, ao adentrar no túnel de entrada, automaticamente se sentia tenso, a impressão maior era que estava sendo observado, apesar de que mesmo que olhasse para os lados, não encontrasse nada além de paredes cor de areia com manuscritos além de sua compreensão, desde que nunca teve interesse ou curiosidade de saber o que cada um de seus símbolos significava, apesar que, desde criança sempre olhava admirado para elas quando ainda era acompanhado por seu pai, alguns anos antes dele misteriosamente desaparecer deixando-o completamente sozinho e a própria mercê.

Agora, mais velho e deixando de lado a curiosidade inocente infantil, aquelas paredes cheias de histórias ancestrais, não passavam de desenhos sem qualquer significado e que causava lembranças dolorosas de uma época que ele podia dizer que era feliz, onde não tinha toda essa pressão e fado nas costas.

Algum dia ele poderia ter sua liberdade? Estaria ele sendo injusto com seus antepassados que nunca conheceu se desistisse de sua função indesejada? Como seu pai reagiria se soubesse que a maior vontade dele era de simplesmente desistir de tudo e deixar seu posto sem nem se importar com o que poderia acontecer com o pedaço de joia estupida que só o distanciou de uma vida completamente normal e rodeada de amigos?

Sentia uma inveja irracional de Sonic, o ouriço não era fadado a guardar com sua própria vida uma joia na qual seu desaparecimento poderia fazer com que cidades inteiras poderiam ser inundadas com a queda de Floating Island. O ouriço não tinha responsabilidades contra sua vontade, ele não nasceu para ser algo que não queria ser. Ele apenas era livre e fazia questão de demonstrar que nada e nem ninguém queria capaz de quebrar seu espirito.

O ouriço era exatamente tudo o que ele desejava ser e não podia.

Por isso ele nunca deixaria que Sonic pudesse ser melhor que ele, desde que quando se deu por si, tinha lado suas intrigas para além de uma brincadeira para o lado pessoal, ferindo seu orgulho muitas vezes quando o ouriço simplesmente caçoava de uma ou duas coisas que para ele chegava a ser ofensivo.

Suspirou enquanto desviava de uma chuva de setas que eram lançadas em sua direção enquanto os sensores das armadilhas tinham o detectado depois de ter escalado uma parede para se livrar de um piso com 4 metros revestidos de espetos de 1m metro de tamanho que poderia o empalar se não tivesse cuidado, um corredor com lasers que quase arrancou sua cabeça do resto do corpo e mais outras armadilhas que por absolutamente muito pouco não tinha atingido alguma parte sua.

A única certeza que tinha de que não estava se encaminhando para o lugar errado, era justamente porque o número de armadilhas só aumentava a cada corredor e as dificuldades eram exorbitantes e se não fosse em algum ponto acostumado com alguns desafios que a própria ilha lhe impunha, ele já teria cedido à exaustão em diversos pontos, porém seus músculos já reclamavam de dor e sua respiração já estava descompassada.

Agora, para seu completo horror, estava correndo de uma enorme bola de concreto de tinha 5 vezes seu tamanho, embora ele realmente não tinha parado para calcular, suas pernas não estava mais suportando correr por uma distância de quase 10 quilômetros sem qualquer descanso, desviando de mais lanças, fogo, alguns fantasmas que o encontrara, semelhante aos que já tinha visto antes em Death Chamber, enquanto procurava as chaves para abrir a porta da estação que os levariam para a A.R.K, na qual tinham feito de sua vida um inferno, desde que as três chaves estavam absurdamente complicadas de encontrar, além de uma batalha exaustiva contra King Boom Boo.

Viu com imenso prazer, quando uma porta convenientemente menos chegava cada vez mais perto e praticamente se jogou contra ela, seu corpo cansado sentindo o impacto contra o chão gelado, seu coração batendo como louco com a experiência de uma enorme e exaustiva provação enquanto seus braços e pernas doíam e tremiam, respirava rapidamente, o suor e o cansaço evidente em seu rosto enquanto o que ele mais desejava era uma cama, um analgésico e dormir.

Mas, mesmo que essa fosse sua maior vontade, naquele momento, ele não tinha tempo para descansar e, mesmo que todo seu corpo doesse completamente, ele se forçou a se levantar e com passos hesitantes de um par de pernas tremeluzentes.

Colocou a mão enluvada imunda em seu peito cheio de terra e respirou fundo fechando os olhos por alguns momentos.

Esse era um caminho totalmente diferente do que ele se lembrava ter tomado aquela vez, caindo em uma câmara onde tinha várias caixas de metais abertas e espalhadas por todos os lados, era um espaço amplo, onde uma porta de metal maciço o separava de seu objetivo, ele já podia sentir a Master Emerald em algum lugar perto, porém, mesmo que tentasse se concentrar, não conseguia devido toda sua exaustão. Duvidaria que naquele estado, ele poderia ser páreo em uma luta, mas ele não desistiria tão fácil.

Andou pelo recinto abismado, olhando para uma das caixas pesadas de metal, sentindo uma imensa surpresa e admiração.

— Essas eram as armas antigas do meu povo... — Pegou uma espécie de revolver com sua fisionomia mais robusta e pesou-o em suas mãos, além dessas tinham outras, mas focou na que tinha em mãos, desde que podia ser útil, já que desconhecia o salão e tinha suas dúvidas de que ele seria tão pacífico quanto transparecia.

Analisou a porta por um tempo, enquanto por raro momento, pareceu pensar.

— Eu duvido que isso se abriria se eu socasse. — Falou para si mesmo. — Eu duvido que eu consiga socar algo agora. — Estremeceu quanto apontava a arma para a porta e pressionava o gatilho, não custava tentar, afinal.

A porta explodiu aberta com um estrondo alto que fez com que Knuckles tivesse que fechar seus olhos para que pudesse proteger sua visão, quando abriu, ele estava completamente sem palavras para o que estava a sua frente.

— Estamos sobrecarregando o garoto, ele não teve tempo para se preparar, Spectre. — A voz saiu de um equidna de olhos negros com pupilas robóticas douradas que balançava a cabeça com certa exasperação.

Estavam 6 equidnas sentados diante de uma mesa de madeira elipsada, enquanto no meio tinha duas criaturas vermelho amarronzadas olhando para o monitor de 32’ que estavam diante deles, dividindo espaço com outros 3 de mesmo tamanho que observava vários ângulos da cena e acompanhava toda a trajetória de Knuckles.

— Eu sei, pai. Eu sei.

Notas finais
É, eu sei, querem me matar por mudar de foco em um momento trivial no capítulo anterior. Mas não seria Bittersweet se não se complicasse um pouco mais. Esse capítulo é referenciado e baseado na edição 38B - Ritos de passagem. Mas não precisam ler ela exatamente para entender, adaptei algumas coisas e a história não é exatamente fiel apesar de ser, em certo ponto. Há também referências clássicas ao Sonic & Knuckles e Sonic Adventure 2. O suposto mapa e partes dessa fase é levemente baseado no mapa da Floating Island fornecido na própria edição do 38B, porém com algumas modificações próprias. Até uma próxima~ by: ShadowShirami