Bittersweet.
27 27. Vou mostrar o que acontece quando se desobedece as minhas ordens!
Notas iniciais
Não era uma situação confortável quando em um momento estava repreendendo o ouriço por desacatar sua ordem direta e no outro estava pressionada com força contra a parede de pedra do corredor do laboratório subterrâneo.
Não ajudava o fato de que a mão dele estava apertando seu pescoço enquanto seu corpo estava sendo pressionado de encontro a parede com bastante força e frieza.
Sem mencionar suas asas comprimidas, causando-lhe uma parcela maior de dor.
Seus pés pouco tocaram o chão, a ponta de sua bota ficando a centímetros do piso, sua respiração estava complicada, levando o fato de que não era qualquer ser que estava a mantendo ali, mas o Ultimate Lifeform, ela sabia que não deveria ter subjugado o ouriço daquela forma, mas não estava em seus planos que ele poderia perder o controle daquela forma.
Ela precisava melhorar sua capacidade de julgamento antes de entrar em outra missão.
Sua audição captou som de passos sendo ecoados pelo piso. Deduziu que talvez um dos soldados tenha encontrado algo que pudesse ter útil, no entanto a situação não era nenhum pouco favorável.
Ouviu quando o soldado parou, sua voz soando pelo corredor até seus ouvidos.
— General, nós-
Sua fala foi interrompida bruscamente, quando o soldado percebeu a situação em que ela se encontrava. Conseguia ouvir o som de ambas as respirações. Sua mão foi para o braço que apertava seu pescoço rapidamente, aplicando pressão para que o aperto se suavizasse, não conseguindo muitos resultados pela respiração debilitada, fechou a expressão em uma careta, odiava esses tipos de imprevistos.
Apertou novamente, dessa vez usando as unhas, perfurando a pele, mesmo que com dificuldade. Não sabia que ele tinha a pele resistente e grossa, porém não se sentia surpreendida, somente um pouco irritada. A ação deu frutos, o aperto afrouxou, embora em um grau menor. O quanto de dor aquele ouriço conseguia suportar até que finalmente lhe soltasse? Pressionou as unhas com mais força, embebecendo seus dedos com o sangue dele, mais escuro que o sangue comum, mas ainda conseguia sentir o cheiro.
Ouviu o som de uma arma sendo preparada, franziu a testa tentando se concentrar.
“O que?”
A ação do soldado pegou-lhe surpresa. Virou o rosto em direção ao soldado, viu que este empunhava sua arma com um olhar de determinação.
— Abaixe essa arma, soldado. — Disse, sua voz saindo irritada, porém não fraca quanto imaginou que poderia sair.
Seus olhos pegaram o movimento de hesitação vindo dele, mas seus dedos pressionaram a arma com mais determinação.
— Eu mandei abaixar essa arma, soldado! — Rosnou irritada, sua mão pressionando o braço que segurava seu pescoço com mais força, o cheiro de sangue preenchendo suas narinas, deixando-lhe à beira de um ataque.
O soldado disparou.
O som da arma ecoando pelo corredor, soando alto e claro para os ouvidos sensíveis ali presentes. Enquanto o projetil parecia seguir seu caminho em câmera lenta para o olhar da morcega, que em um movimento extremamente rápido e forte empurrou o ouriço com o peso do seu corpo.
Ambos caíram sobre a tubulação da parede, a mão que estava em seu pescoço não lhe restringia mais, ambos agora estavam se debatendo, um querendo causar mais dado ao outro.
Os olhos castanhos tinham adquirido uma coloração mais avermelhada, seus óculos estavam longe de seu alcance enquanto um empurrava o braço do outro, porém Shadow era mais forte e ela sabia claramente que não podia lutar contra alguém com tamanho poder. Ou conseguia uma solução, ou estaria morta se tivesse mais outro descuido.
Shadow rolou seus corpos, ficando por cima e segurando seus braços acima da cabeça com uma mão, a outra estava preparada para lhe desferir um soco, ela pensou rapidamente, erguendo seu tronco e batendo sua cabeça contra a dele com força. Foi um movimento doloroso, mas não o suficiente para o fazer lhe soltar, porém causou-lhe um leve atordoamento, o aperto afrouxou.
Ela inverteu a posição, ao mesmo tempo em que o som de um segundo tiro soou.
Ela fez uma careta, sua expressão se vincando em concentração, enquanto ofegava. Seus dedos vasculhavam os bolsos do colete, procurando algo com pressa e ansiedade, seus dedos ficando molhados à medida que desciam para os bolsos inferiores, encontrou o que queria, colocando a mão nele enquanto tentava puxar.
Um joelho acertou pouco abaixo de seu estomago, ela gritou de surpresa e dor. Se afastou dele se levantando com pressa, seu braço abraçando onde foi acertada, seu rosto fazendo uma careta enquanto seus dedos puxavam algo que tinha pego em um dos bolsos. Estava lacrado, mas antes que pudesse tirar a tampa, outro golpe rápido a jogou contra a parede, suas costas batendo com força contra a parede e o objeto que segurava caiu de sua mão, fazendo um baque quase surdo no chão.
Ela caiu de joelhos, incapaz de sustentar seu próprio peso.
Seus ouvidos captaram o som do ouriço vindo de encontro a ela, o andar orgulhoso. O braço dele se levantou e de sua mão uma energia amarela se acumulava aos poucos, adquirindo o formato de uma espécie de lança.
Fechou os olhos castanhos avermelhados, suas orelhas atentas, seus lábios se abriram.
Em uma fração de segundo, em um movimento rápido e instintivo, ela estava de pé atrás do ouriço enquanto seus dedos pressionavam o embolo da seringa que segurava diretamente no pescoço do ouriço.
Demorou alguns segundos, até que o braço dele caísse molemente ao seu lado, logo depois o corpo do ouriço se inclinou para a frente, caindo inconsciente ao chão.
Mary abriu os olhos, olhou para o ouriço no chão e se dirigiu onde estava seus óculos, colocando-o na face. Seu andar era vacilante, lento e parecida doloroso. Sua respiração era ruidosa, mas ela não parecia reclamar e seu rosto tinha uma máscara de neutralidade.
Assumiu uma postura ereta, apesar da dor. Sua cabeça se ergueu, embora estivesse de costas para o soldado.
— Parabéns soldado. — Disse em um tom frio. — Aproxime-se.
O overlander sorriu, agraciado pelo elogio. Se aproximou dela rapidamente, ela virou rápida e inesperadamente para ele, lhe desferindo um chute tão forte e rápido que ele bateu contra a parede.
Ele segurou o peito, sentindo dor, olhou para ela com confusão, apenas para arregalar os olhos com a visão.
O colete escuro apresentava um furo em seu lado, onde o sangue escorria, havia outro rasgo do outro lado. As mãos dela estavam embebecidas de sangue e seu rosto estava frio, seus olhos demonstravam um sentimento que ele não sabia qual era, enquanto um filete de sangue descia por seus lábios.
Ela se aproximou dele lentamente, cada movimento sendo calculado para não sentir dor, enquanto o soldado estava petrificado no chão, não tendo ideia de como reagir.
— Muito bem, novato. — Ouviu a voz dela sair em um rosnado. — Vou mostrar o que acontece quando se desobedece as minhas ordens!
**
Seus olhos se abriram confusos, onde estava?
Flashes passaram em sua mente, imagens borradas, levou a mão a cabeça onde uma dor começava a se manifestar.
Olhou ao redor, reconhecendo vagamente o lugar. Tubos onde corpos estranhos estavam, por um momento esperava que um overlanders já velho entrasse em campo de visão, coçando seu bigode grisalho enquanto fazia alguma observação cientifica. Mas nada disso aconteceu.
Ouvia várias vozes de variados tons e timbres. Foi então que a memória do que aconteceu lhe veio à mente, fazendo com que se levantasse em um átimo e procurasse pelo lugar.
Alguns olhares se dirigiram a ele, no qual ignorou. Viu um dos soldados encolhidos em um canto, parecendo sentir dor, ignorou o overlander, não se importava com eles.
Se levantou da mesa onde estava, se sentindo enojado de estar encima de algo tão sujo e empoeirado como aquilo, passou a mão para tirar a poeira que estava impregnada em seus pelos negros, franzindo o rosto ao perceber que seu braço estava levemente dolorido, olhou para ele, sentiu leve surpresa ao perceber que nele tinha cicatrizes de pequenas feridas, como se fossem causadas por unhas.
Por um breve momento se lembrou de quando Sonic cravava as unhas em seus braços e ombros, balançou a cabeça, aquilo tinha que acabar.
Erguei a cabeça, procurando entre os rostos algumas respostas. Porém não encontrando alguma, percebeu que o número de soldados parecia ter aumentado, novos rostos estavam ali, enquanto um grupo de cientistas estavam observando os tubos onde aqueles ouriços estavam, seus rostos vincados em concentração enquanto divagação, porém nenhum sinal da morcega.
— Onde está a morcega? — Perguntou a um dos soldados que estavam perto. Esse apenas deu de ombros e apontou um corredor, na qual ele já tinha visto antes quando tinham entrado, porém não tinha dado importância já que havia overlanders se dirigindo para lá para averiguar o lugar.
Se moveu para lá, recebendo olhares curiosos e outros de nervosismo vindo dos soldados. Como sempre ignorou toda as reações deles. Não era novidade que iriam lhe encarar de todas as formas, ele lembrava vagamente de uma luta, mas depois tudo era um borrão. Queria respostas daquela morcega e as queria agora.
Seus punhos se fecharam enquanto seguia pelo corredor, via algumas portas, umas já abertas e outras fechadas, não era um grande número de portas, porém era de se admirar que alguém conseguisse construir um laboratório embaixo de um castelo real, muito menos que ninguém tivesse a ideia de sua existência ou a razão de estar ali em primeiro lugar.
Parou de frente a uma porta, onde um soldado estava ali, como guarda. Seus ouvidos sensíveis captavam o som de conversa, duas vozes em tom irritado, como se estivesse discutindo, porém não dava importância para o que é que as vozes femininas estariam discutindo.
— Tenho ordens para não permitir ninguém passar. — Disse o soldado, olhando para o ouriço de forma orgulhosa, tentando mesmo que inutilmente, demonstrar superioridade.
— Foda-se suas ordens. — Foi o disse o ouriço antes de o empurrar para fora de seu caminho, abrindo a porta de qualquer maneira e a fechando com força, antes de o soldado se virar para ele, trancando-a logo depois.
— Pensei que Gerald o tivesse ensinado boas maneiras. — Ouviu a voz da morcega, virou para ela a encontrando em uma situação estranha.
Ela estava sem a camisa e colete, com uma faixa apertada cobrindo os seios. Sentava em uma cama que parecia de uma garotinha segurando um caderno velho e desgastado em mãos, enquanto uma overlander de cabelo curto de um castanho claro parecendo loiro estava ajoelhada a sua frente com agulha a sutura na mão. Reconheceu a overlander imediatamente.
— Topaz. — Disse em reconhecimento, a overlander levantou a cabeça e o cumprimentou com um balançar de cabeça.
— O que quer ouriço? — Perguntou ao mesmo tempo em que fechava o caderno e o colocava ao lado na cama, Topaz continuava o trabalho quietamente.
— Quero respostas! — Rosnou, mas não fez menção de se aproximar.
— Eu também. — Murmurou baixo, enquanto fechava os olhos e se inclinava na cama.
— O que aconteceu naquele corredor? — Ignorou o murmuro.
— Você perdeu o controle, simples. — Respondeu direta. — Aquele poder era puro demais para alguém sem preparação prévia, o erro foi meu em não ter me precavido. — Suspirou.
— Que poder era aquele? — Rosnou.
— Uma chaos emerald em sua essência maligna mais pura. — Começou enquanto Topaz concluía a sutura e pegava um algodão embebecendo em iodo. — Há cerca de 50 anos Gerald Robotnik teorizou que poderia tornar as emeralds mais puras se pudessem as filtrar, de forma com que seu poder fosse limpo, ele pesquisou sobre todas as histórias da civilização equidna antiga e adquiriu um interesse sobre as emeralds, ele pensava que se as tornassem puras, o poder poderia beneficiar todos no planeta.
Shadow arregalou os olhos à menção de seu criador, não era uma das questões que ele esperava ouvir.
— Então ele executou o plano, porém o recipiente era fraco, assim que ele conseguiu comprimir todo o poder maligno em uma nova joia, ela se estilhaçou. Ele temia que pudesse causar estragos piores, então as usou como núcleo energético para uma das suas mais conhecidas criações. — Explicava calmamente.
— A A.R.K... — Shadow completou, seu tom demonstrando uma admiração inconsciente sempre que fala ou mencionava seu criador.
— Exatamente. Foi esse tipo de poder que atraiu Black Doom em primeiro lugar, acreditando que Gerald estivesse com as emerald, enquanto na verdade ele tinha essa e mais uma cópia, na qual foi a base para a criação do Project Shadow. — Suspirou enquanto Topaz terminava de fazer um curativo nos lugares feridos, em uma cadeira Shadow podia ver suas balas postas ali. — Biolizard falhou por ele ter acreditado que a joia negra fosse capaz de criar a criatura perfeita, mas ele saiu do controle. Então não usou novamente. Durante anos esses pedaços foram esquecidos, até que desapareceram, junto com um dos cientistas que faziam parte do corpo integrante dos moradores da A.R.K e sua irmã.
— Então esse poder é de uma emerald corrompida... — Murmurou pensativo.
— Sim, acreditávamos que poderíamos chegar a uma pista de onde estava, não poderíamos permitir que a joia desaparecesse ou caísse em mãos erradas, o que aqui vimos que caiu. — Abriu os olhos, se endireitando na cama ao mesmo tempo em que fazia uma careta, pegando sua camisa e a vestindo novamente. — Não tinha certeza se esse lugar tinha relação com nosso fugitivo escorregadio. Mas graças a isso — apontou com a cabeça para o caderno — consegui respostas que eu não eu imaginaria encontrar, mas que estava procurando.
Pegou o colete também, vestindo-o com cuidado, Topaz estava no canto, com os braços cruzados e uma expressão insatisfeita.
Quando ia falar mais algo, a porta bateu. Topaz foi para ela e a destrancou, dando de cara com o soldado que estava de guarda e outro, provavelmente chegou para lhe dar algum recado.
— Estamos prontos, General. — Disse batendo continência, Topaz aproveitou a oportunidade de sair dali, longe do olhar da morcega.
— Ótimo. — Foi sua resposta, os dois então bateram continência e saíram, sem dizer qualquer palavra a mais.
Mary então olhou para Shadow e com um mínimo sorriso, falou a ele.
— Hora de voltarmos, ouriço.
**
O clima dentro da aeronave não era tão agradável como era esperado, desde que levantaram voo de Christmas Island, nenhum deles proferiu nenhuma palavra, Mary estava recostada no bando, a cabeça inclinada para trás enquanto seu rosto parecia demonstrar profunda dor, seus olhos fechados com força. O caderno antigo e surrado estava em seu colo, onde suas mãos o apertavam para assegurar que não o perderia tão facilmente.
Shadow olhava pela janela o mar abaixo, seus olhos vermelhos estavam perdidos em vários pensamentos, seus braços cruzados sobre o peito com força, desconfortável com os pensamentos que estavam tendo sobre o ouriço azul.
Ele tinha que parar com isso. Ele iria acabar com toda essa brincadeira assim que encontrasse novamente o ouriço e desapareceria de sua vida, onde não interferia mais. Deixaria o seguir sua vida feliz, encontrar uma garota com que pudesse formar uma família e viver toda sua curta vida em paz e tranquilidade.
Suspirou para seus pensamentos, porque essa ideia parecia difícil de executar?
Via como lentamente a imensidão de água para espaço para praias, casas, cidades, florestas, até que a voz do piloto soava pelo alto falante:
“Solicitando permissão para mudar o curso, Speed Highway está sobre ataque de Dr. Eggman!”
Mary abriu os olhos, levantou a cabeça e com a voz firme e alta, pronunciou:
— Permissão concedida.
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