Bittersweet.

22 22. Um ser frágil para cuidar e educar.


Notas iniciais
Well, feliz natal em atraso e feliz ano novo adiantado (já que não sei a data da próxima postagem), bem eu teria tentado atualizar mais cedo se alguém não tivesse me viciado em Leagues of Legends. Anyway, está enfim aqui, o capítulo que fecha o segundo arco da história. Sem mais delongas, boa leitura.

Seus olhos verdes encaravam o reflexo do espelho do banheiro com orgulho, seus lábios repuxados em um sorriso alegre e infantil enquanto encarava a imagem com pouca ou talvez nenhuma modéstia.

Puxou a escova do armário e deslizou pelos espinhos bagunçados depois de uma proveitosa noite de sono, tendo cuidado para não a estragar e deixar seus espinhos em seu costumeiro estilo chanel que lhe custou muito a acostumar a fazer.

Pegou os resquícios de espinhos que se prenderam na escova, descartando-os na lixeira ao lado do armário.

Virou a cabeça de um lado para o outro, para confirmar se havia algum erro em seu 'penteado', sorriu ao perceber que não.

Hoje ela havia acordado com um ânimo a mais, como se os flickies que cantarolavam em sua janela orquestrassem a mais pura e bonita sinfonia já feita.

Saiu do banheiro já com os dentes escovados, apesar da sonolência, parecia estar mais desperta que usualmente estaria em uma manhã como aquela, saiu de seu quarto para sua cozinha aos pulinhos, ainda trajando seu pijama rosa bebê. Pegando uma caixa de leite e cereal, despejando ambos em uma tigela e pegando uma colher da gaveta da cozinha se servindo alegremente. Se pudesse estaria cantando e dançando.

A fonte de sua animação não era tão desconhecia para si como seria para uma pessoa normal, ela iria ver a razão de toda sua adoração e amor, para ela era claramente justificativa para seu estado de humor matutino.

Pensar sobre ele a fazia soltar suspiros apaixonados, a forma como ele era muito veloz e forte, como nunca se deixava perder, não deixando o inimigo vencer em hipótese alguma, essa era uma das razões para ela ser sua fã número 1, de sempre o acompanhar em todos os lugares que passava e claro, estufar o peito de satisfação e dizer com bastante orgulho de que era sua namorada para todas mas mídias possíveis.

Claro, ela admitia para si mesma que não era verdade, ainda. Porém ninguém precisava saber.

Ela pensava que Sonic apenas era reservado sobre demonstrar seus sentimentos e até mesmo tímido quando se tratava de uma garota tão bonita — em modéstia parte — quanto ela. Sempre interpretava suas fugas repentinas como sua forma de demonstrar de que estava envergonhado quando ela lhe abraçava com todo o seu amor e devoção.

Talvez ele só não soubesse como retribuir o afeto? Isso lhe despertava uma vontade de dar um gritinho animado.

Balançou a cabeça para se distrair da vontade, claro, Sonic era tão fofo e tímido que ela sempre tinha vontade de apertá-lo quando o encontrava, mesmo machucado. E nunca fez questão de reprimir a vontade quando ela aparecia, causando às vezes risadinhas em um tom maligno de Rouge e um balançar de cabeça reprovativo de Tails enquanto Sonic fazia seu esforço para reprimir sua careta.

Talvez ele apenas não gostasse de demonstrar afeto em público, foi a única conclusão que ela conseguiu chegar depois de tanto tempo de perseguição. Não, ela não era uma stalker, apenas protegia e vigiava o que era seu por direito.

Levantou da cadeira, levando seu prato para a pia e guardando o leite e o cereal em seus devidos lugares. Lavou a pouca louça usada e voltou para seu quarto para trocar o pijama. Vestiu seu usual vestido vermelho, a cor que ela considerava como a cor do amor e paixão. Pegou outra tiara, apesar dessa também ser vermelha, porém com adereço parecido com penas, achava-o bonito além de ser um tanto útil, já que ela poderia girar seu piko piko hammer quantas vezes fosse necessário que não iria ficar tonta.

Não sabia porque optou por ela, mas a achava bonita demais para que ficasse escondida nas gavetas de sua penteadeira, além de que poderia ser útil se Sonic se recusasse a sair consigo como tem feito em todos esses anos que o conhecia, tinha a esperança de que dessa vez conseguiria arrebatar o ouriço para si definitivamente, por bem ou por mal.

Calçou suas botas vermelhas com a listra branca com entusiasmo, o dia parecia simplesmente estar ao seu favor, isso lhe parecia lhe dar uma energia adicional.

Depois de tantas tentativas e uma longa pesquisa — isso incluía seguir tanto Tails quando Knuckles para todo lugar onde iam, apesar de ter desistido definitivamente do equidna porque ele parecia interessado demais em sua Master Emerald para sequer visitar o ouriço —, ela finalmente conseguiu encontrar a casa onde Sonic passou a viver.

Claro, ela não poderia deixar de lhe fazer uma visita e chamá-lo para sair, fazer um piquenique ou até mesmo sentarem juntos de frente a televisão e assistir algum filme romântico. Seus olhos brilharam com a possibilidade da cena, os dois juntos sentados no sofá vendo uma comédia romântica abraçados com sua cabeça em seu peito, as mãos dele lhe apertando contra seu corpo esbelto.

Levantou em um átimo, estivera tão absorta com seus pensamentos amorosos para não dar atenção ao horário. Correu para sua porta e passou a chave, trancando e escondendo-a debaixo do tapete.

Sorriu para a visão que tinha do céu, apesar de estar um clima ameno, fazia uma leve brisa. Andou com passos alegres e ao mesmo tempo rápidos, quanto mais cedo chegasse, mais cedo estaria junto a ele.

O movimento dos pedestres e do próprio trânsito lhe atrasou, fez carreta para o sinal fechado, sua paciência se esgotando com a demora para que pudesse atravessar a rua.

Uma forte rajada de vento passou pela rua, porém antes que ela pudesse levantar a cabeça para poder descobrir de onde veio, o som de pneus raspando contra o asfalto chamou sua atenção, ao mesmo tempo em que o sinal tinha acabado de abrir para si. Ficou estancada na calçada enquanto via o carro preto com algum logo que não conseguia ver ir em direção ao prédio com velocidade mortal, até que, poucos centímetros antes de atingir o alvo, ele simplesmente parou.

Soltou um suspiro de alívio, assim como os telespectadores que estavam junto dela que aguardavam o desfecho da cena até que, o carro deu ré e retornou em alta velocidade para onde tinha vindo sem qualquer explicação ou motivação visível, deixando muitos do que estavam na calçada com um ponto de interrogação em suas cabeças.

Deu de ombros e atravessou, o que é que tivesse acontecido, não importava mais enquanto sua cabeça voltava ao foco, encontrar Sonic, seu único amor.

Apressou seus passos, olhando casualmente quando os prédios lentamente abriam espaço para a vegetação verde, quando sentiu um baque contra si, tão inesperado e rápido que ela caiu feio no chão.

— Wah! — Gritou de surpresa, enquanto levantava a cabeça, esperando que quem é que fosse tivesse a dignidade de se oferecer para ajudá-la a se levantar.

Sua fúria apareceu quando não viu ninguém, levantou com raiva, esfregando com as mãos as costas enquanto olhava para trás, vendo um vislumbre de amarelo com branco.

Seu grito demostrou toda sua raiva e frustração.

.

Suspirou enquanto viu as mãos hábeis retirar a agulha que estava em seu braço, sentiu uma ardência leve quando o algodão com álcool foi esfregado no lugar, mas não foi tão ruim quando poderia parecer, ela finalizou colocando um curativo no lugar de forma que ficasse bem colocado.

Seus olhos verdes acompanhavam toda a movimentação com ar de tédio.

— Posso ir? — Perguntou com a voz levemente rouca, fazendo careta quando se recordou que ainda não tinha escovado os dentes e se livrado do gosto de vômito na língua.

— Para que se jogue na frente do primeiro carro que vier na rua? — Perguntou retoricamente com tom ácido.

— Eu não- Foi cortando pela voz da morcega.

— Acha realmente que vou deixar você sair ainda nesse estado? — Fez outra pergunta, dessa vez mais séria.

— Por que está fazendo isso? — Levantou seus olhos à altura dela que já havia se levantado e estava indo ao banheiro descartar a embalagem do curativo e o algodão usado na lixeira.

— Tenho um código de ética e uma reputação a manter. Não vou permitir que alguém em minha responsabilidade corra riscos. — Respondeu antes de entrar.

A morcega reapareceu tão rapidamente quando entrou, voltando a mesma escrivaninha que estava desde que acordou pela segunda vez naquele dia, abrindo a tela do notebook com o qual ele podia ouvir ela teclando rapidamente algo que não podia ver.

O gosto na boca estava incomodando, até se recordar que ela tinha lhe dito que havia uma escova de dentes para ele usar e a possibilidade de tomar um banho, se remexeu meio inquieto, chamando a atenção da morcega.

— Algum problema, ouriço? — Perguntou sem tirar os olhos da tela.

— Eu... Posso realmente tomar um banho? — Perguntou meio incerto.

— Lembro-me de ter lhe deixado isso claro há alguns minutos atrás. — Murmurou. — Mas lhe respondendo, sim, deixei uma toalha no banheiro, se quiser alguma roupa tenho alguns pijamas que possam servir-lhe.

— Obrigado... — Exclamou dando um sorriso, seu tom fez a morcega desviar a atenção e encará-lo, não resistindo ao impulso de sorrir-lhe de volta.

— Sem problemas, prometi lhe ajudar, ouriço. — Retomou a atenção ao que estava digitando.

Se levantou meio hesitante, a cama fazendo barulho com a sua movimentação, mas nada que fosse ruim ou que lhe deixasse desconfortável, seus pés com meias tocavam o piso gelado, estremecendo levemente pela temperatura. Caminhou com passos lentos demais para si, mas que ele sentia que era o que precisava, um tempo para poder ser lento, não ser a criatura mais rápida viva pelo menos daquela vez.

Entrou no banheiro com ansiedade, observando-o depois de ter fechado a porta, porém não a trancou, por alguma razão ele não sentia a necessidade de trancar a porta, de alguma forma sabia que a morcega que acabará de conhecer, Mary, não invadiria sua privacidade sem seu consentimento.

Seus ombros caíram, com o peso de sua nova e inesperada responsabilidade. Não se sentia preparado para ser pai, ou melhor, mãe. Algo que ele nunca imaginou que poderia acontecer, principalmente consigo. Encarou o espelho do banheiro razoavelmente pequeno, com um chuveiro, um sanitário e uma pia, que era bem simples e de alguma forma lhe deixava confortável por não ter extravagancia nenhuma.

Não que ele reclamasse, mas ele por ter crescido em uma casa simples de uma vila pobre perto da praia, via mais conforto na simplicidade que em algo luxuoso e extravagante demais. Algo que ele aprendeu com sua mãe Bernadette, que era uma mãe rígida, mas sempre carinhosa consigo, apesar de ser hiperativo demais para que ela pudesse o conter e com seu tio Charles, o qual era apelidado de Chuck desde a juventude. Nunca soube o que tinha acontecido ao seu pai, talvez tenha morrido ou simplesmente lhes abandonado, mas qualquer que fosse a razão, ele nunca lhe fez falta.

Lembrar daqueles nomes, rostos e personalidades lhe dava vontade de chorar, ele nunca falava sobre si mesmo nem mesmo para Tails porque sabia que, se tocasse naquele assunto, ele iria quebrar e a dor seria enorme para que pudesse suportar. Seu medo de assustar seu melhor amigo e irmão lhe fez se esconder em um muro de orgulho e altruísmo, porque ele melhor do que ninguém sabia como era a sensação de presenciar sua família sucumbir ao fogo enquanto ele não podia fazer nada para salvá-los.

Há anos ele tentava pensar que esse destino era melhor do que ser robotizado ou servir para experiências, mas ele mesmo sabia que era um pensamento egoísta demais, anos que ele fingia ser forte, enquanto sua casca era vazia e escondia imensa dor.

Quando se deu conta, estava chorando encarando sua própria face abatida, os olhos verdes e cansados, as olheiras sob as bochechas de seu focinho cor de pêssego, o modo como mordia o próprio lábio para impedir que quaisquer soluços saíssem deles e o denunciasse.

De alguma forma, ele sabia que essa sensibilidade é pela sua gravidez, o modo como ele se sentia desamparado e sozinho, o aperto no peito e seu crescente medo e desespero.

Pegou a escova ainda na embalagem com as mãos tremulas, tendo alguma dificuldade em abri-la com sua visão embaçada. Gastou toda sua concentração para que pudesse o fazer, mas mesmo assim não desistiu, pegou a pasta de dentes que tinha ali e colocou seu conteúdo.

O frescor da menta foi o bastante para que o fizesse se sentir bem, apesar de as lágrimas ainda caírem sem que ele pudesse fazer algo a respeito. Terminada a tarefa, descansou a escova sob a pia depois de usá-la, suas mãos se apoiando no suporte da pia. Olhou para o chuveiro que parecia convidativo, a toalha lilás dobrada em um suporte perto do box. Ele não tinha intenção de recusar a oferta.

Descartou suas luvas e meias, as colocando juntas em uma bola na pia, seus pés nus tocavam o piso gelado, suas mãos pareciam inquietas, entrou rapidamente ligando o chuveiro sem antes verificar qual era a temperatura para não ter uma surpresa com água gelada.

O contato com a água quente fez seus pelos se eriçarem, era uma sensação boa como seus músculos relaxavam com o contato, fechou seus olhos quando relaxava, sua mão direita tocou sua barriga, com curiosidade, sentindo um mínimo e leve volume na barriga dura, sorriu. Era loucura, impossível, mas ele não conseguia desfazer o sorriso ao saber que era capaz de carregar uma vida em si.

Um filho, uma criança do mesmo sangue que o seu, uma verdadeira família. Algo que ele se negava a ter, sendo jovem demais e tendo uma vida pela frente.

Nunca passou pela sua cabeça que ele poderia conhecer Shadow, o pai de seu bebê. O ouriço mais solitário e cruel quando queria ser. Sorriu ao pensar nele, a forma como ele parecia tão cheio de si e confiante em seu poder. Como sua voz grossa e rouca lhe causava arrepios e faziam os inimigos tremer, como a forma bruta com que lidava com uma luta, sem medos, sem hesitações.

Ele admirava Shadow, como ele agia, como ele falava, como se comportava. E como faria seu coração bater forte e como ele se sentia quando eles faziam sexo, como cada toque lhe causavam efeitos únicos e inimagináveis. Claro, era engraçado imaginar ele, Sonic the Hedgehog se comportando como um adolescente descobrindo o amor, embora ele não esperava que fosse pelo ser mais indecifrável possível.

Acariciou sua barriga com amor. Um filho. Uma família. Um ser frágil para cuidar e educar.

Seu peito se encheu com uma onda estonteante de ternura e amor, não era como se ele dividisse o amor que sentia pelo ouriço negro, mas como se em seu peito abrisse um novo espaço para seu bebê, era algo inimaginável que ele pudesse sentir amor dessa forma, um amor crescente de mãe, apesar de exteriormente ele ser considerado como um pai.

Mas também ele estava envolto em meio medo e nas dúvidas, na incerta de como levaria uma gravidez como aquela, sendo ele quem era. O receio de como seria tratado dali adiante simplesmente por ter optado seguir com a gestação. Ele também era um herói, a admiração recebida muitas vezes conseguia suprir todo vazio pela ausência de sua família que perdera.

Parecia algo fútil, mas ele gostava e se habituou a ser admirado, agora com sua nova condição, ele duvidava que essa admiração que tinham nele ainda pudesse existir. Ainda mais porque ele sabia que não poderia lutar como antes, não poderia batalhar enquanto tinha alguém mais importante para proteger crescendo dentro de seu ventre que horas antes ele tampouco sabia que podia ter.

Seu banho não demorou tanto quanto ele queria, apesar de tudo ele não estava na casa de um amigo ou até mesmo na sua, não queria abusar da hospitalidade que recebeu de uma pessoa desconhecida, mas de que alguma forma o ajudou.

Puxou a toalha para secar lhe os pelos encharcados, seus músculos relaxados depois de toda a tensão e medo que sentiu, mas nem mesmo o banho poderia lhe tirar todas as preocupações de sua mente. Suspirou enquanto esfregava a toalha com cuidado em seus espinhos, não queria causar mais inconveniente a Mary do que aparentemente ele já causou.

Enrolou a toalha com cuidado com seu tronco, de forma com que lhe cobrisse, pegou suas meias e luvas levemente sujas e se encaminhou para fora, mas antes que tocasse a maçaneta uma forte tontura lhe bateu, fazendo com que batesse o braço na bia do banheiro e fizesse barulho ao soltar um grito involuntário de dor.

Ouviu a porta abrir com violência, braços lhe segurando e apoiando com cuidado, não chegou a tocar ao chão, mas a dor em seu braço lhe fazia morder os lábios com força fazendo uma careta.

— Tontura? — Perguntou, embora ela conseguisse saber a razão.

— Sim. — A voz saiu baixa, relevando um tom de dor.

— Eu ajudo. — Disse calma, enquanto passava um dos braços do ouriço pela parte de cima das asas e apoiava sua na base de suas costas, carregando parte de seu peso enquanto andavam com passos lentos, com cuidado para que não acabasse machucando o braço que ele tinha batido.

Sonic não disse nada, apenas se apoiou nela enquanto seguiam para a cama, ela era calma e precisa nos movimentos, não comentou nada fazendo que entre eles surgissem um silencio estranho.

— Isso acontece com frequência? — Perguntou quando o sentava na cama ainda enrolado na toalha, suas mãos se moveram para trás do ouriço, puxando um conjunto de camisa de botão de algodão e calça do mesmo tecido em um tom claro de verde que pareciam confortáveis.

— Não. Mas nesses dias estão surgindo muito forte. — Resmungou com a voz longe, seu braço latejava, mas não doía tanto quanto antes.

— Hm. — Disse simplesmente, colocou um conjunto no colo de Sonic e se levantou. — Se quiser que eu saia... — Deixou a questão no ar, como se esperasse consentimento dele para permanecer no quarto enquanto ele trocava de roupa.

— Não, tudo bem. — Disse meio sem jeito. — Não tem problema.

— Certo. — Foi sua resposta enquanto se sentava novamente a cadeira, depois de mais algum som de digitação ela começou a lhe fazer perguntas.

— Família? — Ouviu a resposta hesitante do ouriço, resolveu então não tocar nesse assunto. — Idade?

— Dezesseis... — Disse constrangido. Seus olhos encaravam o chão quando puxava a manga da camisa para a vestir.

— Há quanto tempo mantem relações sexuais com seu atual parceiro? — Perguntou novamente em um tom profissional enquanto digitava rapidamente no computador.

— T-Três meses... Foi só com ele... — Sentiu seu rosto enrubescer enquanto confessava para outra pessoa sobre sua vida intima.

— Três meses? — Perguntou meio incerta, levantando uma sobrancelha que Sonic não poderia ver. — Está certo disso?

— Sim, por quê? — Perguntou com curiosidade, enquanto levantava a cabeça para tentar ter algum vislumbre do rosto da morcega, falhando.

— Hm, nada. — Ela voltou a digitar. — Usaram preservativos em algumas das suas relações?

— Não. — Tentou manter a voz neutra, para esconder seu constrangimento enquanto só lhe restava a calça para vestir.

Era estranho usar calças, principalmente para ele que nunca viu necessidade em as usar. O tecido apesar de aparentemente confortável, ainda assim lhe era estranho, também tinha a sensação de restrição quando ele tentava a vestir, levantou da cama para terminar de a colocar e se sentou novamente, pegou a toalha e a colocou em seu rosto, o escondendo dela.

— Meio imprudente, uh? — Comentou casualmente. — Os jovens tendem a não se preocuparem tanto assim, se tornaram imprudentes demais. — Murmurou reprovativa.

Sonic nada respondeu.

— Deite-se ouriço. — Ouviu o comando, queria recusar, mas algo no seu tom não permitia questionamentos.

Deitou-se meio a contragosto, a toalha que estava em seu rosto ainda permaneceu em sua cabeça enquanto ele fazia uma careta ao seu braço tocar o colchão. Olhou para teto perdido em pensamentos quando ouviu a aproximação da morcega.

Ela sentou na cama calmamente, sentiu quando suas mãos foram para os botões de seu pijama, seu corpo enrijeceu com a ação.

— Não irei lhe causar mal. Confie em mim, ouriço. — Disse com bastante calma, enquanto seus dedos já tinham desabotoado quatro botões.

Sentiu a pressão dos dedos em sua parte baixa da barriga, onde ele sentia o pequeno volume quanto tocava, não chegava a ser doloroso, mas era desconfortável para si ter alguém lhe tocando que não fosse Shadow. Via a expressão concentrada dela, enquanto ela parecia fazer contas mentais que ele não sabia quais eram.

— Pronto. — Disse simplesmente, voltando para a cadeira com a testa franzida em concentração.

Ouviu o som de uma sacola, assim como passos que se aproximavam do quarto, a raposa que ele tinha tido apenas um breve vislumbre entrou no quarto, lhe entregando a sacola.

— Pronto. — Cantarolou suavemente com sua voz levemente infantil.

— Obrigada, Nyazu, foste de muita ajuda. — Agradeceu formalmente, enquanto a raposa lhe dava um amplo sorriso e saia da sala.

— O que é isso? — Perguntou com curiosidade enquanto ela abria e vasculhava o que é que estivesse dentro.

Tinha 3 vidros que ele não conseguia ver, uma embalagem de algo que não conseguia ver direito.

— Algo que pode evitar um problema maior. — Disse com um tom escuro.

— O que você quer dizer? — Sua voz tinha curiosidade, mas não podia negar que o tom da morcega lhe deixava com uma tensão.

— Sonic, você está com início de aborto.

Notas finais
Acaso houver qualquer erros, sejam eles de digitação ou gramaticais peço que por favor me avisem. Comentem caso tenham o interesse, gosto de saber a reação de vocês. Até uma próxima. by: Shadow Shirami