Bittersweet.

19 19. Garotinha insolente.


Notas iniciais
Well, bem, acho que demorei. Mas enfim trouxe mais um capítulo. E não, não tem salto temporais, mas focado em uma personagem em particular. Sem mais delongas, boa leitura.

Parecia que havia se passado horas ao invés de apenas alguns poucos minutos, mas a realidade parecia bastante surreal até mesmo para ela apreender com exatidão tudo o que estava acontecendo, talvez por sua própria imprudência ou por acaso do destino mesmo brincando consigo de uma forma irritante.

Parecia que a cada caminho que seguia as pistas se tornavam cada vez mais escassas, chegando ao ponto em que ela percebeu que não estava chegando a lugar algum, como a irritante sensação de estar andando em círculos diversas vezes até finalmente se dar conta.

Não era sua culpa ou talvez em parte seja.

Ela deveria ter percebido, deveria ter sido perspicaz em seu julgamento, ao invés de apenas ter se focado em sua própria diversão doentia. Mas ela não detinha do poder de saber o que aconteceria no futuro. Apenas acreditou que tudo ficaria bem e ninguém sairia ferido.

No entanto a culpa por sua imprudência e o remorso por ter deixado a situação sair do controle lhe tirava constantemente o foco, parecia um loop quase infinito, sempre que tentava se focar, acabava por se distrair e se culpar cada vez mais.

Estava voando o mais rápido que suas asas lhe permitia, não era uma tarefa tão fácil quanto deveria ser. Sonic não poderia ser tão difícil de encontrar, era?

Ela duvidava que ele teria ido tão longe ou simplesmente desaparecido tão rápido ao ponto dela não ter sequer uma mísera pista de seu paradeiro.

Aquela situação a deixava frustrada e ao mesmo tempo ansiosa.

Ansiedade em encontrar Sonic, em cuidar dele, algo nela simplesmente despertou com aquela realidade, talvez até mesmo um instinto fraternal, mesmo que ela não fosse tão próxima dele, apesar dos últimos acontecimentos, foi apenas um acaso ambos cruzarem seus destinos tendo Shadow como ‘amizade’ em comum.

Apesar de seu exterior aparentar ser a figura forte e zombeteira, com sempre um comentário malicioso na ponta da língua para dirigir tanto para amigos quanto para inimigos, ela era no fundo alguém solitária que tenta a todo custo demonstrar uma força que na realidade era apenas uma farsa.

Às vezes manter uma imagem diferente da realidade era a única maneira de não deixar nada e nem ninguém lhe afetar de modo negativo, ainda mais ela que era agente de uma organização como a G.U.N, onde o menor sinal de fraqueza poderia significar sua morte.

Ela nunca poderia se dar ao luxo de fraquejar. Nunca.

Era uma das razões que ela primeiramente não queria se envolver nessa história de Sonic, porque ela não tinha qualquer intenção de fazer amizades, exceto talvez por Shadow, porém a relação deles era apenas profissional e nenhum dos dois tinha realizado qualquer avanço para mudar aquela situação.

Então apenas permaneceram assim, até o dado momento.

Desceu ao solo, não parecia fazer sentido voar sem sentido pela cidade sendo que andando conseguiria ser bem sutil, que era algo que ela precisava ser em um momento como aquele, dado que poderia levantar suspeitas e questionamentos que ela não gostaria nenhum pouco de esclarecer.

Porém isso tornava o processo de procura mais lento, o que tornava cada segundo perdido algo crucial que não deveria ser desperdiçado de qualquer maneira, porque caso ela chegasse tarde demais, Sonic poderia fazer uma loucura irreversível e era justamente isso que ela desejava a todo custo evitar.

Suspirou, ao olhar para o céu, ela fazia a conta mental de quanto tempo poderia ter se passado, não poderia dizer com absoluta certeza, já que não tinha relógio, porém já sabia que já passava das 12pm, já que o sol já estava aos poucos descendo no céu, o que significava que ela estava perdendo tempo demais.

Passou por todos os caminhos que ela pensou que ele poderia ter passado, até avistar algo que tinha chamado sua atenção pela visão periférica, uma marca de pneu no asfalto que se estendia pela calçada e depois parava até um prédio. Não que um acidente de transito fosse incomum na cidade, porém a falta de mais danos era no mínimo intrigante. Avistou uma barraca de fastfood e se encostou no balcão.

— Hey, sabe se houve algum acidente hoje? — Olhou para o vendedor que não passava de um overlander de meia idade, os cabeços pretos com alguns já grisalhos, olhos castanhos tão escuros que pareciam negros e a pele enrugada queimada de sol, estava com carranca concentrado na fritura de alguma carne que ela tampouco dava importância.

— Uh? — Resmungou o homem, parecendo irritado pela perturbação.

— Eu perguntei se houve algum acidente aqui hoje. — Repetiu a questão de uma forma lenta, como se estivesse supondo que o homem tivesse problemas de compreensão, o que claro não o agradou nenhum pouco.

— Garotinha insolente. — Resmungou baixo, porém Rouge conseguiu escutar as palavras claramente. Porém ignorou.

— Vai me responder ou não? — Sorriu presunçosamente.

— Isso não é modos de fazer uma pergunta. — Resmungou o homem não cedendo, seu rosto agora estava fechado em uma expressão de raiva que a morcega achava engraçada, porém fez um esforço para segurar a risada.

— Nem isso é maneira de tratar uma possível cliente, não me admira que aqui esteja vazio. — Mexeu a mão com desdém, como se pouco estivesse interessada naquele lugar. — Acho melhor procurar outro lugar, já que a administração daqui é horrivelmente péssima.

Virou as costas para o homem, embora seu tom tenha soado decepcionado, um sorriso estava óbvio em seus lábios, de um passo lento para longe. Três. Cruzou os braços ainda mantendo aquele sorriso de se tornava cada vez mais de zombaria e diversão, deu mais dois passos. Dois. Olhou para os lados, observando ao redor, como se estivesse procurando algo. Avistou uma lanchonete do outro lado da rua, com pouca movimentação. Um. Focou sua atenção para lá, quando deu mais dois passos. Agora.

— Espere! — Ouviu o grito do homem. — Foi logo quase na hora do almoço, quando um carro preto pareceu desviar de algo que não deu para ver, quase bateu no prédio e depois deu meia volta e seguiu na direção contraria como se estivesse perseguindo algo. — O homem disse tudo rapidamente, deu para ouvi-lo tentando recuperar o fôlego.

Ela virou na direção dele, uma expressão divertida no rosto.

— Estou de dieta. — Foi a única coisa que respondeu antes sair de lá, deixando o homem com uma expressão estopetada para trás.

Seguiu para a direção informada, de certa forma ainda esperava encontrar Sonic seguindo por aquele caminho, mesmo sabendo que já havia se passado muito tempo desde a hora que ele saiu, ela sentia como se estivesse falhando miseravelmente em uma missão de suma importância, ela odiava essa sensação. Era um misto de frustração com decepção, ela foi treinada para ser a melhor, não podia deixar nada e nem ninguém atrapalhar seus objetivos, por isso abriu as asas novamente e pôs-se a voar.

.

O dia se esvanecia assim como as suas esperanças de encontrar o ouriço.

Não sabia que sentia pena ou raiva dele, como poderia ele simplesmente desaparecer sem nem deixar rastros dessa forma? Talvez não foi sem deixar rastros, já que tinha encontrado algo promissor, espinhos azuis haviam sido deixados fincados em uma árvore, como se Sonic tivesse sido comprimido contra o tronco de madeira de surpresa, mas duvidava que isso sequer tivesse sido feito naquele dia, porém teve convivência o suficiente com ouriços para saber que não tinha se passado muito tempo desde a última vez em que ele passou por ali.

Mas embora essa pequena pista tivesse surgido em seu caminho, não serviu para nada além de a intrigar. Porém tinha preocupações maiores, como o fato da noite estar se aproximando e amanhã ainda ser obrigada a comparar ao trabalho para uma audiência com o Comandante, algo que infelizmente para ela não poderia de forma alguma adiar, já que não tem nenhuma desculpa para dar, não estava presa à qualquer missão e não poderia de forma alguma contar sobre Sonic para G.U.N, não podia até ter certeza do que suspeitava no momento seguinte em que cruzou a porta para fora da casa de Sonic.

Não podia de forma alguma arriscar a segurança de Sonic, de forma alguma poderia encarar Shadow se algo acontecer com o ouriço azul e a criança que carregava.

Suspirou.

Ficou fora o dia praticamente todo, estava cansada, suada e faminta.

Resignada voou em direção ao seu apartamento, precisava de algum descanso e não poderia de forma alguma aparecer ao trabalho de qualquer forma, já que isso certamente mancharia sua reputação, não queria de forma alguma dar razões para se tornar alvo de piadas dos overlanders, era ela que fazia as piadas, nunca se rebaixaria a ser a piada.

Suas asas não podiam a levar para muito longe, apesar de suportar muito mais do que seu próprio peso, o que foi provado muitas missões atrás, ela estava cansada demais de uma procura de resultado insatisfatório. Seu humor não estava muito agradável e tudo o que ela mais desejava naquele momento era um prato cheio de frutas frescas, um banho e uma noite de sono longa em sua cama confortável.

Porém, antes de chegar aos elevadores, uma voz hesitante a chamou:

— Senhorita Rouge? — Veio a voz da recepcionista, Sarah.

Respirou fundo, fechando os olhos e contou até dez, não era culpa da hibrida seu estado de humor. Claro, ela sabia sobre a identidade da garota, embora ela tentasse esconder suas orelhas mobians com um chapéu que de longe parecia um laço, era óbvio para uma morcega com um faro e audição apurada não se deixar enganar pela aparência dela, assim como ela, Shadow também estava ciente da garota.

— Sim...? — Sua voz pareceu levemente irritada até mesmo para ela mesma, porém não deu importância.

— Tenho um recado para a senhorita. — Isso lhe chamou a atenção, pois desconhecia alguém que poderia usar a recepcionista do prédio para lhe passar um recado. Sua lista de amigos era bem restrita.

Virou para encarar a garota, se deparando com a imagem de uma garota de pouco mais de 20 anos, estatura baixa, cabelos longos até a altura da cintura de um castanho que clareava até chegar as pontas, que eram uma mistura suave de um ruivo claro com dourado e brilhantes olhos verdes. Estava trajada com um conjunto social branco com detalhes em dourado, as mãos brancas estavam juntas em sua frente, ela estava em pé ao contrário de sempre sentada.

A viu se aproximar com um papel na mão e o estender, ela pegou sem pensar, dando uma olhada no que estava escrito. Reconheceu a letra como sendo da própria Sarah, isso a confundiu.

Antes que ela pudesse fazer qualquer pergunta, Sarah se adiantou.

— A senhorita Mary me pediu para lhe dizer que precisa falar com a senhorita. Parece urgente. — Ela disse em uma voz insegura, olhando para a morcega como se esperasse uma reação negativa a qualquer momento.

— Certo... — Foi a única palavra que conseguiu proferir para ela, virou as costas e acenou casualmente, logo em seguida apertando o botão que chamava o elevador.

Sua mente estava confusa e uma dor de cabeça ameaçada a aparecer, lhe deixando levemente hostil.

Mary? De onde conhecia esse nome? Forçou sua mente para todos os rostos que conhecia, mas nenhum tinha o nome de Mary. Parecia que cada vez que ela pensava, mais sua cabeça doía, então decidiu ignorar a questão por enquanto, já que logo se encontraria com essa Mary, então não se dignou a forçar sua mente em algo que aparentemente só estava lhe dando uma dor de cabeça.

Suspirou enquanto o elevador parecia mais lento naquele dia, porém sabia que essa sensação era apenas mental. Estava cansada emocionalmente e fisicamente. Só queria apenas resolver o que ainda estava dependente e depois dormir, pois sabia que o dia seguinte seria longo, talvez até mais que esse que já tinha se encerrado, sendo preenchido pela noite que vinha com a promessa de ser fria.

Por fim, o elevador abriu deixando-a com a vista do último andar do prédio, um acima do seu, fato que ela tampouco deu importância e seguiu, seus passos ecoavam pelo corredor vazio, vez ou outra seus ouvidos sensíveis captavam o som fraco de uma televisão ligada ou até mesmo o som do microondas de alguém notificando que o que é que tenha posto já estava pronto.

Por alguma razão desconhecida se sentiu tensa, mas ignorou a sensação.

Chegou a porta, os números escritos em cor dourada diziam que se tratava do apartamento de número 70.

Levantou o braço, dando uma batida tímida na porta. Nenhuma resposta. Então bateu na porta com mais força e disposição, rapidamente ouviu o movimento, uma mudança, o som mais se assemelhava de alguém que estava se levantando, depois passos abafados e por fim uma tímida soou.

— Quem é? — Perguntou, embora ela pudesse ver o leve tremor da maçaneta quando as mãos tocaram.

— Sou Rouge the Bat, Sarah me passou o recado de que queriam falar comigo. Você é Mary? — Perguntou com cautela, embora ela estivesse curiosa com o que estava acontecendo e com o que essa Mary queria tratar consigo.

Ouviu o clique da maçaneta enquanto a porta era lentamente aberta.

E então seus olhos se encontraram com olhos carmesins.

Notas finais
Caso houver quaisquer erros, sejam eles de gramatica ou digitação peço por gentileza que me avisem. Comentem caso quiserem, gosto de saber sobre a opinião de vocês. Até uma próxima. by: Shadow Shirami.