Bittersweet

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Aloha!

Essa é minha primeira fanfic na categoria "originais" e ela nem iria sair se não fosse minha criatividade que não me deixava dormir em paz até escreve-la. Então, aqui estou eu.

Sei que ao lerem a sinopse logo pensaram: "Nossa, vai ser mais um clichê e blá blá blá." Nope, vocês estão enganados meus caros amigos. Apesar da ideia inicial ser bem clichê muita coisa acontecerá e ao lerem vocês irão perceber que não será um clichêzinho '3'

Não tenho muito o que dizer, então, vamos ao capítulo. Boa leitura e espero que gostem!

Desde que nasci, sempre fui a gêmea estranha. O que posso dizer? Ao contrário da minha irmã, prefiro ter cérebro do que um corpo bonito. Mesmo quando éramos pequenininhas era possível se ver uma diferença entre nós duas, Valentina geralmente usava vestidos floridos – sabe aqueles vestidinhos de garotas que geralmente as mães compravam para exibir suas filhas na rua?Esse vestido ai – enquanto eu usava roupas simples que de pessoas normais. Agora, anos depois, continuamos do mesmo jeito de quando éramos crianças, ela é a irmã bonitinha e eu sou a ogra. Ah, como eu amo ser a irmã estranha.

Papai colocava minhas malas no carro, arrumando-as apropriadamente no porta malas do carro. Quando eu ainda era criança e meus pais se separaram, foi uma grande bomba para duas garotas de 7 anos e três meninos mais velhos. Enquanto Valentina se mudou com mamãe para Paris, para que as duas vivessem inúmeras aventuras francesas com o amante da minha mãe, eu e os garotos ficamos com papai, e esse definitivamente foi a melhor decisão que tomei em toda a minha vida. E minha vida continuaria boa, se a dois dias atrás eu não tivesse recebido a notícia de que minha “bela” irmã estaria vindo morar conosco.

Isso seria apenas uma notícia boa, se ao menos eu me desse bem com minha irmã.

– Vocês não estão empolgados? – papai perguntou, sentado no banco docarro e ligando o motor, rumo a nossa nova cidade. No banco detrás estava Antony – ou Tony, como ele prefere ser chamado, Louis e eu sendo esmagada no meio dos dois, ao lado do papai estava Charlie, que trocava de rádio compulsivamente a procura de alguma música decente.

– É, claro, estou super empolgada. – comentei sarcástica, revirando os olhos, enquanto Tony soltava uma pequena risada do meu comentário. Por que tínhamos que nos mudar? Eu entendo, papai tem uma grande oportunidade de emprego nessa cidade nova, mas eu sinceramente acho que ele deveria ter me deixado com nossa antiga casa e eu me viraria para me sustentar. Simples assim. Afinal, tenho 17 anos, posso muito bem cuidar de mim mesma.

Charlie colocou em uma rádio que tocava Eminem, mas precisamente tocava uma das minhas músicas favoritas dele, Rap God. Louis balançava a cabeça, Tony cutucava no banco da frente e Charlie tentava cantar no mesmo ritmo ele. Era uma cena engraçada de se ver. No meio dos meus irmãos idiotas, eu sou considerada a princesa deles. Motivo? Certa vez – por mais incrível que possa parecer – um garoto se apaixonou por mim, o erro dele foi se declarar perto desses três, não demorou muito para que o garoto estivesse chorando e pedindo colo para a mãe dele.

A viagem foi demorada. Horas e horas sentada no banco traseiro do carro – que com certeza farão com que minha bunda fique quadrada devido a tanto tempo que passei sentada – e ainda ter que aguentar meus belos irmãos brigando, discutindo e brincando no meio de toda a viagem foi algo que só os fortes conseguiriam. Finalmente, estávamos em New York, uma das belas cidades do Estados Unidos e agora o lugar que estou sendo obrigada a morar. Meu pai estacionou o carro em frente a aquelas típicas casas de filmes americanos, branca, com um gramado e alguns arbustos e plantas, com aparentemente dois andares.

Assim que sai do carro, Tony me empurrou, pegando sua mala rapidamente e correndo para dentro de casa como uma criancinha de 3 anos de idade. Revirei os olhos, me aproximando do porta-malas do quarto e pegando minha mala. Suspirei. De agora em diante essa seria minha casa e eu infelizmente teria que me acostumar com ela. Caminhei com minha mala para dentro da casa e até que ela era bem bonita, algumas partes da mobília não haviam chegado, então havia poucas coisas na casa, andei até o andar de cima e logo tive vontade de cavar um buraco de tanta vergonha. Haviam cinco quartos, todos com plaquinhas ridículas dizendo a quem pertencia o quarto.

Parei em frente a porta do meu quarto, uma porta branca com uma plaquinha de uma boneca segurando o meu nome, abri a porta me preparando para o pior e assim que vejo o quarto quase caio para trás. Era rosa, a cor que eu mais detestava na vida, havia duas camas em cada canto, um televisão mediana na parede, dois armários, uma estande de livros no formato do simbolo do batman – tenho que admitir que isso era muito legal – e um tapete, novamente rosa, em um formato de um coração felpudo. Joguei minha mala no chão e corri até meu pai, que estava na cozinha colocando alguns copos no armário.

– PAI! – chamei, assustando-o e fazendo com que ele me olhasse – Será que posso saber o por quê de ter duas camas no meu quarto? E por que o quarto é rosa? Você sabe que eu odeio rosa. – eu poderia continuar com meu discurso sobre estar completamente decepcionada com o quarto, mas decidi que seria boazinha com ele.

Meu pai coçou a nuca, levemente constrangido e abrindo um sorriso amarelo.

– Bem, essa foi a maior casa que eu consegui comprar e ela só tinha cinco quartos, então.. você terá que dividir seu quarto com sua irmã.. – disse a última parte mais baixo, porém consegui escuta-la em alto e bom som. Ótimo, meu dia só parecia melhor a cada minuto, só falta alguém me dizer que a terra será destruída devido a expansão do sol.

– O que? Quando falamos sobre nos mudar e sobre a Valentina ter vindo morar conosco, eu deixei bem claro que não queria dividir um quarto e que queria um quarto somente meu. – exclamei, pronto, agora eu começaria meu enorme diálogo sobre meu pai ter vacilado comigo e de como eu estava profundamente chateada com ele. Meu pai suspirou, antes de abrir a boca para falar.

– Olha Maddie, eu sei que te prometi um quarto só seu, mas infelizmente você vai ter que dividir com sua irmã. – retrucou, antes de sair da cozinha para ir arrumar outras coisas da mudança.

Bufei, antes de voltar para o quarto. Já que logo Valentina estará aqui, é melhor que eu arrume o meu lado do meu jeito. Tirei a plaquinha da boneca, troquei o lençol branco por um verde e preto, a parte do coração que estava para meu lado foi pinchada com uma latinha antiga de tinta preta que eu tinha, procurei a caixa em que estava meus livros e os arrumei perfeitamente na estante, e nas partes que sobraram eu coloquei alguns dos meus ursinhos de pelúcia favoritos. Bem, não ficou maravilhoso, mas ficou no jeitinho Madeline, só tenho que me lembrar de que preciso pedir para papai comprar tinta preta para pintar o meu lado do quarto. Tony entrou no meu quarto, sem ao menos bater na porta, apenas invadindo minha privacidade.

– O que você quer, peste? – perguntei, encarando meu irmão mais velho. Tony era um ano mais velho que eu, tinha cabelos loiros arrepiados e olhos azuis. E mesmo que ele seja mais velho que eu sua mentalidade é de uma criança de 3 anos. Ele riu, dando um cascudo na minha cabeça e bagunçando meu cabelo.

– Papai te chamou pro jantar. E também mandou avisar que logo sua companheira de quarto irá chegar. – disse, com um sorriso no rosto. Me pergunto como meus irmãos e meu pai não ficaram chateados por Valentina ter escolhido ir morar com nossa mãe do que com a gente.

Peguei meu celular em cima da cama, a capinha do Mario o deixava ainda mais especial. Tony correu para se sentar logo na mesa, enquanto eu corri atrás. Nunca, nunca mesmo, seja a última pessoa a sentar na mesa do jantar, meus irmãos tem a péssima mania de comerem tudo desesperadamente, lembro-me da ceia no natal do ano passado, assim que papai colocou a comida na mesa, não demorou muito pra que só sobrasse algumas migalhas de comido. Me sentei ao lado de Tony, enquanto meu pai colocava o prato e a comida no meio da mesa.

– Podem comer. – papai anunciou. Esse é basicamente um grito para o começo de uma guerra aqui em casa. Louis pegou diversos pedaços de bacon, Charlie atacava o bife como um animal faminto que não come a dias e Tony enfiava pedaços de cada coisa na boca de uma vez só.

Peguei um pedaço de bife, antes que Charlie pudesse acabar com ele e coloquei no meu prato. É, apenas um dia normal na família Collins.

+

Eu escutava música em meu celular, Imagine Dragons simplesmente me acalmava em alguns momentos da minha vida. Comecei a cantarolar a música baixinho, até começar a elevar minha voz e cantar o mais alto que eu conseguia – acho que me empolguei demais –, escutei batidas na minha porta e assim que abri dei de cara com Tony sorrindo.

– Valentina chegou. – disse.

E minha vida começou a melhorar agora – ironia –, desci as escadas não tão animada quanto Tony, descendo cada degrau como se minha vida dependesse deles. Lá estava ela, no centro da sala, o mesmo cabelo loiro que o meu só que mais cacheados, olhos azuis destacados pela maquiagem exagerada que usava, um vestido branco florido, com salto alto e uma bolsa que provavelmente é de marca. Um pouco afastada dela estava minha mãe, de braços cruzados enquanto parecia impaciente com algo. Assim que pisei no último degrau da escada minha mãe me olhou abrindo um sorriso.

– Filha, como você cresceu! – exclamou, passando a mão nas minhas madeixas curta, lisa e loira – tingida nas pontas por uma tinta roxa –, ela ainda mantinha o sorriso e me abraçou, logo depois se afastando para me olhar – Você está linda. – se com linda ela que dizer com toda desarrumada, cabelo bagunçado e com um pijama de pandas, então sim, eu estou linda.

– Obrigada. – sorri amarelo, por favor pai, aparece logo e me tire daqui. Como se soubesse que eu precisava de sua ajuda papai surgiu na sala, com um sorriso no rosto e uma mão na nuca.

– Caroline, como você está bela. – meu pai, cavaleiro como sempre, disse, pegando a mão da “minha” mãe e beijando-a levemente. Por algum motivo ainda sinto que meu pai ama ela, mesmo que não admita e mesmo que tenha ficado triste depois da traição que ela cometeu, era como se o amor que ele sentisse por ela o cegasse totalmente fazendo dele um cego apaixonado – Como anda a sua vida? Está tudo bem em Paris? – perguntou, enquanto ele e ela começavam um diálogo chato sobre a vida dela em Paris.

Se eu fosse chutar como seria a vida de Valentina e minha mãe em Paris tenho quase certeza de que ela se resumiria em compras, visitar os melhores pontos e novamente compras. Valentina sempre puxou muito a minha mãe, tanto na personalidade quanto no jeito, lembro de quando eramos pequenas e papai dizia que Valentina era uma versão mais nova da minha mãe.

– Tina, você cresceu. – disse Tony, sorrindo de orelha a orelha enquanto dava leves tapinhas no cabelo loiro encaracolado de Valentina, ela sorriu e pude notar que ela estava um pouco desconfortável com isso, então decidi interferir.

– Claro né, você não pensou que ela estaria com 10 anos ainda não é mesmo? – comentei, rindo de Tony que inflou as bochechas e fez bico – E então mamãe, como anda sua vida com seu querido amante Danielé¹? – pronunciei o “Danielé” com ironia. Danielé é o nome do francês com quem minha mãe fugiu, além de ter um nome ridiculamente ridículo e um cabelo castanho e que vai até o ombro, também foi responsável pela tristeza do meu pai durante esses anos de separados.

– Estamos bem, Madeline. Fico muito feliz que tenha perguntado. – ela sorriu amarelo, passando a mão no cabelo – Vamos deixar esse assunto para lá, o importante é que estamos reunidos como uma família novamente. – comentou. Ri sarcasticamente, era isso que ela chamava de família.

– Uma família? Não somos uma família desde que você decidiu sumir com Danielé. E por mim você poderia se manter o mais longe possível de nós e viver sua aventura romântica em Paris. – exclamei, em alto e bom som – Por mim você podia simplesmente sumir da minha vida. – completei, vendo-a arregalar ainda mais os olhos e colocar a mão sobre a boca.

– Madeline, vá para seu quarto. Agora! – papai exclamou com o rosto ligeiramente furioso. Bufei, cruzando os braços e batendo o pé até o andar de cima.

Por que diabos eu ficou de castigo por dizer a verdade? Poderíamos ser uma família se isso não tivesse acontecido. O fato de Caroline dizer que ainda éramos uma família irritava meu psicológico, porque tudo era culpa dela e ela ainda agia como se nada tivesse acontecendo. Fechei a porta com força, me jogando na cama enquanto colocava o fone e ligava a música o mais alto possível. Uma música para esquecer os problemas e esfriar a cabeça. Enquanto a música ainda tocava alto, eu batia o pé no ritmo dela.

– I just want to turn the lights on, In these volatile times.. – cantarolei um verso da música, antes de fechar os olhos e me perder em um mundo onde apenas existia eu e a música.

Notas finais
¹ - O nome "Daniel" em francês é pronunciado de uma forma que parece "Danielé", por esse motivo Maddie "zoa" o jeito que se pronuncia o nome Daniel.

Gostaram? Espero que sim. Eu ainda não tenho dia previsto para o próximo capítulo, eu tenho outras fanfic's e muito pouco tempo para elas, porém não pude me segurar para não postar essa daqui.

Até breve.