O Mello sempre gostou de chocolate.

Em segundo lugar estava o chocolate negro, chocolate de leite em terceiro e chocolate branco era o último da lista. O seu favorito?

Chocolate com sabor agridoce.

Vivi com ele durante um longo tempo, então é natural que eu perceba essas coisas em particular sobre ele. Foi natural que tenha sido uma barra de chocolate que nos tenha unido. Foi natural, para mim, pensar nisso como forma de me desculpar uma noite. Uma barra de chocolate, presa naquelas mãos dele, enquanto ele se deitava na cama com a tranquilidade na sua cara.

Um chocolate com sabor agridoce.

O nosso amor era agridoce. Talvez eu soubesse que tudo iria acabar em lágrimas naquela noite, quando entrei no seu quarto e deixei a minha prenda, o meu coração, nas suas mãos.

Era satisfatório amá-lo. Beijá-lo, tocá-lo, senti-lo a correr-me nas veias. Talvez fossemos jovens, mas sabíamos o que estávamos a fazer. Éramos espertos o suficiente para ouvirmos o nosso coração e agir conforme o que eles nos dissessem.

Quando ele deixou este mundo ele pareceu mais vazio, maior. Ele não estava mais ali para preencher o espaço com os seus risos e sorrisos, e aqueles seus estranhos olhos que eram lindos de alguma forma. Lembro-me de chorar que nem uma criança quando Giovanni me disse que ele tinha morrido. Chorar como uma criança, agarrar-me aos lençóis da sua cama, tentando absorver cada pequena parte da sua essência antes que esta também desaparecesse. Tentando lembrar-me de tudo sobre ele. Partia-me o coração saber que ele não ia mais voltar, que eu nunca mais seria segurado por aqueles braços, nunca mais o ver, tocá-lo, beijá-lo.

Satisfação.

Acho que nunca mais fui realmente feliz depois de ele morrer. Talvez uma vez, quando Light Yagami morreu no chão do armazém, e o seu último suspiro indicava o fim de Kira. Estava feliz nessa altura, acho. Saber que a pessoa que levou o Mello para longe de mim também estava morta. Talvez estivesse feliz, mas é difícil de dizer. Talvez estivesse triste.

Agridoce.

Ainda tenho a fotografia dele que copiei sem lhe dizer. Está debaixo da minha almofada, embora eu já não durma.

Sento-me no chão e simplesmente olho para a sua cara, antes de estar marcada pela explosão, antes de aqueles lábios alguma vez terem tocado os meus. E às vezes sigo o cliché e beijo essa foto, e imagino por um momento que talvez aquele fosse mesmo ele, que talvez ele ainda estivesse vivo e que me acordasse daquele pesadelo. Mas quando abro os meus olhos, é óbvio que era tudo uma mentira, e que estou apenas sozinho no escuro com um pedaço de papel colado aos meus lábios.

E choro por um pouco, e desejo com todas as minhas forças que ele estivesse ali, para me dizer que tudo estava bem.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.