BitterSweet

4 Capítulo 4: Too Close


Notas iniciais
And it feels like I am just too close to love you (8) Too Close (Tão Perto) Alex Clare. Nos vemos nas notas finais! Bon Apetit!

Stiles estava em sua casa com o garoto Scott, que quase caíra de sua vespa, ou melhor, caíra. A moto ficou lá na frente de sua casa como a fotografia de um filme antigo. Stiles ajudou o garoto a se levantar e a andar de forma lenta, mas ininterrupta até a casa.

— Espera mais um pouco, já... Vai ficar melhor – Disse rapidamente Stiles, começando a procurar a chave de sua casa no vaso ali perto, enquanto via Scott colocar a mão no pescoço, parecia sentir uma dor, e algo estranho. O corpo todo tremia e cada vez estava mais avermelhado.

— Pai! – Gritou o humano, assim que abriu a porta, começou a puxar o rapaz para dentro, leva-lo em direção a sala de sua casa. O arrumou no sofá, vendo-o cair pesadamente entre as almofadas fofas. Scott porém começou a tremer, parecia que iria explodir ou algo do tipo.

— Scott, droga, o que tá acontecendo?! – Exclamou, olhando para o outro que tinha a tez cada vez mais suada – WTF cara!... Droga, droga, droga.

— Vai... Pra longe... – Pediu Scott, mas Stiles não sabia o que ele queria dizer com isso, será que ele iria vomitar?

Stiles foi rápido até a cozinha e pegou uma panela do pai, voltando e entregando para Scott que, sem entender, agarrou a mesma, se abraçando a ela e continuando a tremer. Vira que os pais não estavam na cozinha, nem um, nem outro e, ao subir as escadas, por um segundo ficou com medo de pegar os pais transando no quarto. Já que ele deveria estar na escola e eles, deveriam estar de folga.

Mas não estavam em casa. Foi até seu quarto, depois colocou a mão no bolso, procurando o celular que, naturalmente, deveria ter caído devido a correria. Era uma emergência e não estava fazendo nada do que era certo.

Volto ao corredor e começou a se preparar para descer as escadas, avistou o celular caído no chão próximo ao rodapé da escada e, quando pensava em descer e pegá-lo, uma figura alta e forte passou pelas escadas em direção à sua sala.

Pensou, só poderia ser seu pai, ou algo assim. Desceu as escadas e antes de entrar na sala vira o cara. O cara da balada, o cara que levara Scott para a escola. E... Céus, ele estava forçando Scott a beber algo. Sim, via a cena: segurava com força o rosto do moreno e forçava-o a tomar algo. Seria alguma droga?

Stiles pé-ante-pé, foi em direção ao armário embaixo da escada, pegando o velho bastão de baseball do pai. Agarrou-o firmemente e ficou atrás da porta, esperando a melhor hora.

— Eu sou o melhor amigo do mundo – Fechou os olhos enquanto tomava fôlego e virou para o corredor, indo quase correndo até a sala, erguendo o bastão e... – AHHHH! – Gritou e Zap.

Bem no meio das costas do indivíduo.

As leis da física são bem claras, ação e reação. Era a terceira lei de Newton e Stiles estava ciente dela, mas claro que havia se esquecido naquela hora de pânico. Assim que bateu nas costas do outro, a força que aplicara voltara para si e fora para trás, caindo no chão. O bastão que deveria continuar rijo e, no mínimo, ter feito o outro desmaiar (ou até mesmo tê-lo matado, devido a força) se espedaçou. Stiles abriu a boca, horrorizado. Por dois motivos: um, aquele cara?! WTF?!, e, segundo, aquele taco de baseboll era um chodó de seu pai.

Não ouviu nem mesmo um gemido da figura à sua frente. Só o vira terminar de fazer Scott engolir aquela coisa e parar de se mover, será que aquele cara matara Scott? Provavelmente começaria a apagar as evidências e ele seria o próximo.

O homem se virou para si, com uma cara... Fúria não se define. As sobrancelhas aduncas lhe davam ainda mais um rosto de durão, os olhos estavam fixos em si, Stiles foi indo para trás até bater a cabeça na parede – estava enquadrado – naquele olhar, naquele canto de parede. A jaqueta de couro aberta revelava a camiseta cinza e de gola aberta, mostrando o músculo peitoral do homem subir e descer, de maneira acelerada. Stiles não sabia por que estava reparando naquele movimento de subir e descer constante e rápido.

— Por favor, não me mate, sou muito jovem para morrer – Stiles colocou a mão no rosto, como se para evitar um soco na cara – Tudo bem, essa foi um clichê, mas sério, não me mata. Eu, só estou protegendo meu amigo!

Viu o homem voltar-se para o outro jovem. Levantou Scott com uma facilidade que assustou o menor, e se virou para sair.

— Está louco?! Onde vai levar meu amigo seu Psicopata?! – Gritou, se levantando em um salto e indo até a porta da frente, onde o cara já estava. Mas o maior não levara Scott para nenhum carro preto, como imaginou que o faria.

Deu a volta na casa e foi andando com Scott para a floresta.

— Ei! HEY! – Gritou, se pondo na frente do outro. – O que tá pensando? Que vou te deixar sair com meu amigo?!

— Você não é muito jovem para morrer? – Indagou o outro, lhe olhando, parecia mostrar os dentes para Stiles – Fique fora! – E empurrou bruscamente Stiles, começando a correr floresta a dentro, deixando o menor e o coração batendo para trás.

Stiles voltou para a frente de sua casa, olhando ao redor, a cabeça parecia que iria explodir. Depois entrou e começou a procurar o celular, tinha que ligar para a polícia, para seu pai, para as amigas, para todo mundo, para a mãe de Scott. Céus... O que falaria para ela?! Viu a panela e se assustou.

O objeto metálico que tinha certeza absoluta que era muito, muito rijo, estava com suntuosas deformidades nas bordas, marcas de dedos que amassaram aquilo.

— Que diabos... – Disse, pegando o objeto e encarando-o. Virou-o ligeiramente, até que seu olhar se desviou em algo caído, algo em segundo plano. Entre as farpas do taco de baseball quebrado: algo que não era da sua casa, algo que não era seu.

Pegou e analisou o objeto. Era uma chave, uma chave estranha, comprida e de algum veículo. Agarrou-a com força e deu o melhor tipo de sorriso que sabia dar. Correu para fora de sua casa e avistou, a alguns metros afastada: a moto.

A mesma moto que derrubara um mês atrás. Jogou a chave para cima e a agarrou no ar. Fez o mais obvio.

oOo

— Idiota! – Gritou Derek, jogando o rapaz em uma clareira. Scott caiu no chão de barriga para cima. Os olhos arregalavam-se. – Como pode estar querendo se transformar sem o seu cristal?!

Sim, porque era impossível. Era impossível que o outro pudesse se transformar sem o cristal, ao menos não durante o dia, não sem ser lua cheia. Derek observou enquanto Scott parecia torcer o corpo e, logo, aparecer na forma de lobo após as roupas explodirem e o corpo dar lugar à figura canina.

— Nem mesmo água-escura... – Falou o maior, cruzando os braços enquanto o lobo andava próximo, em círculos, explorando o lugar da floresta em que estava.

Algo estava errado e Derek não sabia. Dera uma poção que bloqueava a transformação, bloqueava-a desde sempre. Havia algo estranho nesse bando que ameaçava sua casa, havia algo de errado nesse garoto novato. Algo que não estava certo.

E... Céus... Seu coração parecia que iria explodir. Ao mesmo tempo que tinha que lidar com esse bastardo estranho, tinha que lidar com o órgão que batia de forma descompassada no peito. Por causa do maldito humano, o maldito humano pelo qual tivera aquela conexão, a conexão igualmente estranha. Coisas estranhas estavam acontecendo.

Derek fechou os olhos, apenas por alguns segundos, estava longe de casa, aquele não era seu território e não deveria estar ali. Tinham que caminhar um ou dois quilômetros. Não seria perigoso desde que não demorassem muito ou não se aproximassem de qualquer fonte de riqueza do clã que ali regia.

— Vamos bastardo – Disse Derek, vendo Scott ir à frente e começar a andar, enquanto ele próprio ia atrás, em forma humana, apenas observando o lobo.

Lembrava-se da sua primeira vez, como lobo, fora um momento lendário, especial para si. Fora um momento de mais pura e delicada felicidade e... Chegou a sentir isso, alguns segundos atrás. Mas isso lhe irritava profundamente. Olhou para trás e parou um instante, pensando em voltar. Era seu lado animal, seu lado instintivo.

“Preciso protegê-lo” Pensou, curvando as sobrancelhas, quem o via não o reconheceria, sua expressão era de preocupação e submissão. Poetas medievais poderiam escrever odes sobre aquela expressão do grande lobo pelo ‘patético humano’.

Sim, porque ainda assim Derek pensava no quão patético ele era. Com aquele corpo magro, esguio demais para ser alguma hora forte. Não era o beta que merecia. “Mas eu preciso dele”, o pensamento o enganou, e rosnou baixo o que, em forma humana parecia estranho, mas seu lado animal lhe pregava peças o tempo inteiro.

As costas nem mesmo doíam, ao menos o rapaz tinha dignidade, tentou proteger o amigo...

— Mas ele não teria chances contra mim – Disse Derek, para si mesmo, olhando o caminho de volta para a casa do... nem mesmo sabia seu nome, precisava saber o nome. Quando voltasse buscar sua moto ficaria olhando-o novamente. Longas horas olhando a janela em que ele habitava e exalava o cheiro que lhe deixava excitado.

Excitado de forma física, sexual. Era, de fato um atrativo que ali em sua casa – o cheiro mais forte que nunca – tivera que se controlar para não se transformar e o arrastar para a floresta, o morder, o marcar como seu para que nenhum outro lobo tivesse a coragem de o tocar novamente. E, excitado como uma criança, como uma criança que ganha um brinquedo e se sente sublime ao vê-lo, ao saber que aquilo é dele.

E como aquele garoto era dele. Ou talvez...

“Eu sou mais dele do que ele é meu”.

Novamente os pensamentos de lobo se perderam na confluência de seu âmago. Naquela parte dentro de si, profunda, em que animal se misturava com humano e davam origem ao que ele realmente era.

Derek se virou, abanando a cabeça, nervoso, raivoso. O cão, que ainda não parecia nem mesmo um lobo de verdade, sentava-se sobre as patas traseiras e lhe olhava com olhos inteligentes, esperando o Alpha.

— O que foi? – Disse raivoso – Vamos cão.

Falou, chamar outro lobo de cão era uma ofensa, sabia disso desde pequeno. Mas para aquele rapaz essa vida era tão nova que ser chamado de cão não era nenhum problema, era, em realidade, o menor dos problemas. Derek continuou andando lenta e distraidamente. Pensando em como o inverno seria rigoroso esse ano pelos ventos que já vinham e como isso tornaria a primavera mais bela.

Explodiu contra uma árvore. A dor no corpo foi imediata e tardou dois ou três curtos segundos para notar o que acontecia. Seis figuras. Seis cães como Scott, um tentava lhe morder o pescoço enquanto, por instinto, se defendia. Derek se levantou, o tronco da árvore lascado em alguns pedaços pelo impacto sobrenatural. O homem se transformou em lobo. Era maior, muito maior do que aquelas outras figuras. Mais quatro surgiram, não era do clã vizinho, eram os lobos que Scott viera. Seria uma traição?

Derek começou a brigar, mordendo um, mordendo outro. Eles tinham um alpha, este cercava Scott que se abaixava enquanto o garoto olhava para seu ‘atual’ Alpha. Estaria ele mudando de rumo? Derek talvez não conseguiria, talvez. E engolia o orgulho por isso, teria que fugir. Já abatera outros três lobos, mas dois pulavam sobre si. Derek não tinha muito a dizer ao outro, se mudasse de lado estaria lhe traindo e – sabia onde encontrá-lo.

Scott, o cão bastardo, pulou contra o pescoço de seu ex-alpha, mordeu-o e jogou-o longe. O alpha começou a cercar Scott, mas Derek se posicionou na frente. O lobo era intimidador, era bem maior do que aquele falso-mestre, os cães se puseram atrás dele enquanto Scott se pôs atrás de seu Alpha.

Começaram a rosnar e o embate continuaria furioso, não fosse um barulho de rosnados e latidos altos e furiosos vindouros dali de perto. Derek rosnou e intimidou aquele grupo. E só entrou se lembrou. Arregalou os olhos caninos. Eles podiam saber do seu humano, poderiam tê-lo visto... Consigo, com esse cão-bastardo que tinha como atual pupilo.

Não deu mais tempo, correu para atacar, mas os cães começaram a correr, debandar e apenas conseguiram, ele e Scott, pegar mais um e lhe cortar o pescoço de forma afiada. O sangue banhando o chão da floresta enquanto o recém transformado lobo morria.

Derek suspirou, estava perdido. Seu humano...

— Derek Hale! – Ouviu, em um idioma que não gostava de falar, odiava se sentir humano quando estava como lobo. Se comunicavam por rosnados e latidos em sons que conseguiam falar.

— Humpf. – Resmungou Derek, ao ver quase vinte figuras lhes rodear. – Tio.

— Estamos em família garoto... Veio caçar em minhas propriedades?

— Eles nos atacaram, estávamos em Beacon Hills e atravessando o trecho para minha casa.

— Quem são? – O tio indagou, se aproximando do cão morto – Recém feito, de qual clã é?

— Não tem clã, eles foram transformados... Por alguém. Alguém que quer montar um exército. Um exército de bastardos, frutos de sangues mesclados com humanos.

Os cães rosnaram baixo. O tio era de um tom cinzento, as patas pesadas moviam a figura.

— Pobre coitado. Mas é o que é melhor de se fazer, com esses bastardos nojentos. E esse desgraçado que está transformando esses humanos em cães fedorentos, sangue-impuros. E quem é esse? É um filhote, de quem é? Tommem?

— Não, ele é um parente, da minha mãe, do sul. – Mentiu Derek.

Derek não gostava da forma que pessoas como Scott haviam sido criadas, sem um mínimo de herança do que realmente eram. De suas origens, de sua história. Mas o tio não gostava da mescla de sangues, achava qualquer forma de mescla de sangue com humanos a coisa mais impura.

— Ele não fala bem, é recém-criado. O pai dele o mandou para treinar aqui.

— Homem esperto, sabe que para o Sul as florestas são mais perigosas. Vou mandar alguém lhes acompanhar.

Derek então viu a figura sair de trás do lobo cinzento. A luz do sol bateu entre as folhagens e a figura de um lobo branco, belo. O pelo era completamente arrumado. Era uma dama. Tinha as unhas pintadas de rosado. Derek quis vomitar.

— Derek... – Disse, em um tom meloso.

— Alana...

Mais essa, mais essa que teria que aturar. Por que o pai fora arrumar essa maldita loba nesse maldito momento. Justo agora que... Tivera sua ligação com o humano. Parecia que cada vez mais espetavam espinhos em sua pata.

Notas finais
Yey! Capítulo na segunda! (ou quase terça) Eu iria publicar apenas na quinta. (ya, um capítulo por semana apenas, não se acostumem! =( E amanhã é dia de MasterChef... Então, eu precisei escrevê-lo hoje, amanhã não teria tempo alguém. (E talvez porque praticamente divaguei a aula de matemática inteira hoje pensando nesse enredo). ♥ Mas pretendo, muito provavelmente, postar outro capítulo na quinta ou sexta. (Maior! Prometo!) Esse foi mais uma transição, e que vai permitir me resolver muita coisa e.... Bem, aquele monólogo pensativo do Derek... Foi algo que eu não consegui resistir e demonstra a completa perdição dele pelo branquinho, magrelo, 'patético' humano dele. hehe. Pessoas que merecem destaque por ter me emocionado essa semana. Muito obrigado pelos elogios e estímulos!: Sayume Nimble, Tiffany, Sora Kin, Andrew Malfoy Krum & fhaena23 Sério, meu coraçãozinho sempre para quando eu vejo essas mensagens de carinho nos comentários! You Rock!