BitterSweet
18 Capítulo 18: Marry You
Notas iniciais
Stiles estava impaciente. Faltava pouco para seu aniversário, porém sabia que os pais tinham preparado algo para si naquele fim de semana e justamente no outro fim de semana seria o casamento no qual seria padrinho.
— Odeio comemorar meu aniversário no dia errado – Falou o Stilinski às amigas, o rapaz vestia o Allstar sujo com desenhos feitos à caneta azul na lateral branca. Os tinha a tanto tempo que definitivamente seria um bom presente de aniversário.
— Você nem sabe o dia que nasceu mesmo – Malia deu de ombros, abrindo uma latinha de coca-cola.
— Isso é maldoso – Respondeu Allison pegando a latinha que a amiga jogara.
— Adoro ser amigo das vadias maldosas da escola – Stiles deu um meio sorriso, já estava com o copão de coca também.
— Você não nos contou muito da noitada com o Derek – Falou Allison, agora que os pais haviam ido buscar os salgadinhos e o bolo.
— Ah, foi simples, foi legal.
— Então transaram. – Afirmou Malia.
— Nós não... – Principiou Stiles, mas logo sabia que seria inútil mentir muito mais. – É, fodemos.
— Pensei que vocês adolescentes fizessem amor e tudo mais – Allison sorriu.
— Nós adolescentes... Tsc – Stiles fechou os olhos e se reclinou, lembrando na noite passada.
Sim, porque depois “daquela” noite ele e Derek faziam quase sempre. Sexo tornara-se algo praticamente comum aos seus corpos jovens. E descobrira que podiam se explorar cada vez mais, em várias maneiras imagináveis e possíveis.
Divagava da noite anterior ao seu aniversário adiantado: Derek lhe dera de presente um oral.
Fora, de fato, engraçado e delicioso. Um homem como aquele, aos joelhos e lhe sorvendo o membro. A falta de prática da boca do Hale era um charme, e teve que o ensinar a sorver com maior... Proficiência.
Mas no final das contas, o lobo Alpha gostou de proporcionar ao seu 3,1415 (e tantos outros números mais) algo como aquilo. Prazer, sublime, prazer.
— Stiles, estamos falando com você! – Exclamou Malia, estalando os dedos na frente de Stiles. – Você tem que dar mais detalhes!
— Que tipo de detalhes? – Perguntou Stiles, piscando os olhos e ficando levemente excitado com os pensamentos da noite anterior. Teve que pegar uma almofada e cobrir a ereção.
— Nossa, você é novato mesmo nessa coisa de viado – Falou a garota, sentando-se ao lado do amigo – Sabe, como que o machão do Derek é...
— Céus, você não tá querendo perguntar isso para o Stiles, realmente – Allison interrompeu, dando uma travesseirada na cabeça da amiga. – E nenhum viado fica compartilhando esses detalhes com ninguém, você está fazendo muito estereótipo Mai.
— Céus, não sabia que era a noite do politicamente correto – A garota resmungava, se recostando.
Stiles começou a rir, não daria à Derek o gostinho de contar aos outros como ele era. Claro que vários do seu clã já o viram nu, mas não da forma como ele o vira. Isso ficava para si.
A campainha soava.
— Falando no diabo – Falava Stiles, se levantando, imaginando que deveria ser Derek.
Realmente.
Ele e Scott estavam na porta. Derek trazia uma caixinha, Scott também. Presentes.
— Nada que me envergonhe, não é? – Perguntou Stiles, pegando com desconfiança a caixa de Derek.
— Isso depende – Respondeu o lobo, entrando na casa da sua alma gêmea.
— De quê? – Perguntou Stiles, desconfiado, balançando a caixinha.
— Boa noite garotas – O lobo sorriu e cumprimentou Malia e Allison.
— Céus, como vocês são gostosos – Foi o que Malia disse. – Os três, é claro – A garota falou. Não vou falar que é um desperdício serem todos gays... Mas... Faz falta no mercado.
Allison olhou para a amiga e pegou a latinha de coca-cola da mesma, cheirou o interior da lata.
— De onde vem isso, onde você está consumindo álcool – Perguntava Allison.
— Ei! Eu não sou gay! – Defendeu-se Scott.
— Vestindo couro apertado babe, YMCA – Malia estalou os dedos e Stiles começou a rir.
— Céus, eu tenho as melhores amigas – Disse o aniversariante, enquanto Derek também ria e pegou uma long-neck na geladeira do namorado.
— As coisas estão indo apressadas, hum? Já está abrindo a geladeira do namorado – Afirmou Allison.
— Eu... Er... Só ia pegar... Uma cerveja – Disse Derek, ficando corado por se sentir confrontado com uma humana.
— Eu estou brincando – Continuou a garota, Derek assentiu, e todos foram à mesa.
Os pais logo chegaram com um bolo decorado e alguns salgados. Começaram a comer e a rir com algumas histórias dos pais de Stiles: histórias sobre a infância do pequeno Stilinski. Derek sorria timidamente – a maior parte do tempo de olhos no namorado – mesmo entre um gole ou outro, mesmo quando participava da conversa e tinha que desviar um pouco o olhar dele, sempre acabava voltando;
sempre voltaria.
— Papai comprou um presente para você! – Disse o médico, se levantando e indo abraçar o filho, dando-lhe um beijo no rosto.
— Pensei que deixaríamos todos comerem primeiro, depois íamos mostrar – Falou o policial, olhando o médico hiper-animado.
— Ah, não dá, quero que ele veja logo! – Afirmou o pai, pegando na mão do filho e o puxando.
— Acho que todo mundo deveria ir ver, né? – Falou o médico – Vamos crianças.
— Ok, acho que vou ganhar um daqueles carrinhos com bateria e buzina de palhaço – Afirmou Stiles, com o pai os tratando como crianças.
— Bem, tem rodas – Afirmou o pai, os puxando para fora de casa.
E lá estava. Os olhos de Stiles brilharam.
Não, não era uma Kawasaki, também não era uma BMW ou uma Mercedes. Era um Jeep CJ-5 de 1980 azul e preto. Tinha ainda o para-choque clássico de 7 entradas da Jeep. Os charmosos faróis que davam aquele aspecto de que o carro falaria com você.
— Wow – Disse o rapaz – Indo ver o carro de perto, super-animado. Os pais se abraçaram, enquanto o rapaz dava partida e ouvia o carro pegar. – Céus eu tenho que te dar um nome.
— Ele é normal? – Questionou Allison. O Sr. Samuel Stilinski olhou a garota.
— Não muito, nem todo mundo bate bem nessa família – Respondeu o médico, dando um pequeno sorriso e uma piscadela.
Stiles desligou o carro e desceu do mesmo, fechando a porta e abraçando os pais.
— Obrigado pai! – Falou, mesmo que ´pai´ parecesse soar no singular, havia tanto plural naquela palavra que ambos se sentiam amados pelo filho adotivo.
— Wow, um carro – Afirmou Malia, batendo no ombro de Derek, que olhou a ação da garota, odiava que lhe tocassem daquela forma, então apenas continuou encarando-a, até que ela tirou a mão – Difícil superar um presente desses, hum? – Derek rosnou baixinho, mas sentia-se bem por Stiles estar feliz daquela forma.
Não tão feliz por todos os acidentes que o mesmo passara: sua moto, a própria lambreta dele. Talvez agora com um veículo com quase uma tonelada a mais... Deveria estar mais seguro?
Foram para a sala em seguida, pegaram bolo e Stiles fez algo que fazia desde criança: sentar-se no chão e abrir os presentes que ganhara. Não eram muitos, mas eram presentes de pessoas que gostava.
— Okay, de Malia... – Afirmou Stiles, começando a desembrulhar o presente.
— Ai, ela te deu um CD novo! – Exclomou Allison, roendo as unhas – Abre logo o do Derek!
Noah, o pai policial de Stiles deu um pequeno pigarro, cruzando os braços e esticando o pescoço para ver realmente o que Derek daria ao filho. Olhou o homem pelo qual seu filho ´se apaixonara´, será que ele realmente era uma pessoa ideal para Stiles?
— Calma... – Falou Stiles, rindo enquanto agradecia à Malia por um CD de uma banda indie chamada The Head and the Heart.
Stiles colocou tocar uma música chamada Rivers and Roads, que já ouvia seu MP3 pirata algum tempo, e provavelmente furaria o CD de tanto ouvir em seu carro novo.
Sorriu enquanto abria os outros presentes, era uma de suas músicas favoritas. O rapaz abria os presentes lentamente, algo como se quisesse torturar as pessoas da sala: todos queriam saber o que Derek lhe daria.
— Obrigado Scott! – Falou Stiles, ao abrir e ver que era uma caneca com o logo de lacrosse do time da escola e estava na mesma “Stilinski 24” – Uma raridade, do melhor jogador da escola – Divertiu-se Stiles, olhando o objeto, realmente, Scott havia se superado. Mesmo que não gostasse do esporte do qual praticamente morria para praticar... Aquilo era igualmente especial.
— Vamos logo com isso, eu te deu um ursinho de pelúcia – Afirmou a amiga – Depois você abre.
— Calma, céus – Disse Stiles, desembrulhando lentamente enquanto Allison queria espiar o presente de Derek para o Stilinski.
— Eu já sei o que é – Disse Samuel, surpreendendo a todos.
— O quê? – Perguntou Noah, curioso também.
— Algo que você provavelmente não vai gostar, mas que eu acho fofinho.
— Algo que eu não vou gostar mais você acha fofinho... – Refletiu o policial, coçando o queixo enquanto pensava. Ficou levemente corado.
— Não isso seu idiota – Falou Noah.
— O quê? – Questionou Malia, curiosa.
— Nada – Respondeu Noah, rindo e trocando olhares com o marido.
— Ownttttttttt! – Exclamou Stiles, soltando uma gargalhada – Meu deus. Deuses nórdicos e todos os outros mais. É apenas, a coisa, mais adorável – Falava o rapaz, olhando dentro da caixa que Allison lhe dera.
Stiles tirou da caixa o objeto e Derek não podia acreditar, era uma pelúcia de um lobo negro.
— É o Cão Felpudo de Game of Thrones – Explicou Stiles para os pais e para Derek, que olhava intrigado de como a amiga dele pudera “adivinhar” algo do tipo.
— Todo mundo sabe que se Stiles fosse um Stark, o cão felpudo seria o lobo dele.
— É claro que seria – Disse Stiles, ainda sorrindo e acariciando a pelúcia do lobo negro – Todo mundo sabe que um lobo negro é o meu lobo.
Scott olhou para Derek, que apenas arqueou mais as sobrancelhas aduncas, sua típica marca de SourWolf, Stiles achou adorável, tanto pelúcia como lobo-homem.
— Agora – Falou o rapaz, pegando a caixinha, era relativamente pequena. Stiles abriu lentamente, tirou o pequeno laço e abriu a caixinha. Ali dentro tinha o Um. Ficou levemente corado. – Então... Você se lembrou – Disse Stiles, pegando o objeto.
Era um anel. Não tinha muito o que comentar. Era prateado e tinha um brilho incomum – com certeza Derek quem fizera o objeto.
— É, eu pesquisei na internet – Confessou o homem, olhando para os pais de Stiles – Sobre o tal Um Anel.
— Céus, e ele realmente colocou um anel nele – Disse Malia, sorrindo.
— É fofo – Murmurou Samuel – Não é amor?
— Humpf – Resmungou Noah, cruzando os braços e observando o filho com o anel.
Era um anel de compromisso? Sentia-se satisfeito em ver que Stiles não colocara no dedo. Mas colocaria, provavelmente. E era estranho ver que tudo isso acontecia tão rápido, esse namoro – tão de repente e tão... diferente. Mas Noah não disse nada, o filho tinha uma personalidade forte. Céus, sim, como tinha. Dizer-lhe não, proibir-lhe, era tudo impossível.
Stiles estava mais interessado no interior do anel. Não haviam inscrições élficas, mas haviam palavras, e elas não tinham nada a ver com o senhor dos anéis, ou game of thrones, ou qualquer outra coisa que o Stilinski gostasse. Eram palavras de Derek para si.
“Que seja na escuridão, eu, sua luz”. Stiles sorriu e vestiu o anel no dedo indicador. Gostava de usar anéis no indicador e ninguém se atreveu a comentar muitas coisas. Derek, porém não precisava comentar nada – não precisava falar uma palavra a noite toda.
Seu olhar intenso bastava para que todas as palavras ditas não tivessem propósito. Para Stiles, essa noite estava sendo mágica, especial. Feliz. Adorava as noites em família.
Ficaram ali, comendo, tomando refrigerante e conversando até quase a meia noite, até que fosse hora de partir. Um a um os amigos se despediram, Malia, Allison e Scott se foram. Derek dera uma folga do clã para Scott. Ainda não se conformava em ver seu medalhão com o rapaz, mas, se Stiles lhe – e não se conformava em pensar nisso – emprestara, talvez fosse algo bom, visto que o seu humano parecia gostar de se meter em confusão quando não estava perto e Scott se via como a última opção.
— Vamos dar uma volta de carro? – Perguntou Stiles, com um sorriso enorme.
— Mas eu estou de moto – Falou Derek, com um meio sorriso.
— Ah, mas, posso te levar para casa, ou algo assim, amanhã você pega sua moto.
— Céus, você está tão necessitado assim de dirigir o Jeep? – Perguntou Derek, olhando o veículo.
— É.
— Ok.
Bateram-se as portas, Derek no carona, Stiles no volante. O veículo deu partida e Stiles engatou a ré.
— Evite bater – Pediu Derek e Stiles o olhou.
— Eu sei dirigir um carro, ok?
Stiles deu a ré rápido demais, esterçando o volante com vontade. É claro que a traseira do Jeep bateu em algo.
Derek fechou os olhos.
— Você deve ter algum problema com minha moto – Falou Derek, de olhos fechados. Respirando profundamente.
— Calma – Respondeu Stiles, colocando a cabeça para fora do carro e olhando para trás – Foi só a lata de lixo.
Derek suspirou aliviado.
— Eu acho – Murmurou Stiles, tão inaudível que, não fosse Derek um lobo, jamais escutaria.
Stiles dirigia enquanto tinha Derek ao seu lado. Ambos se olhavam de vez em quando. Eram tão... incrivelmente diferentes que a diferença lhes tornava iguais. Andavam pelo caminho em um silêncio não desconfortável, mas pacificador. Derek não conseguia parar de observar o pequeno objeto prateado na mão do seu humano.
Podia não ser muita coisa para ele – não — como lobo nunca se apegara muito à símbolos humanos: anéis, papéis escritos que os fizessem algo, um status em alguma rede social.
Não existiam muitos contratos sociais, o seu cheiro, sua pele, suas peles se tocando, seus cheiros se mesclando, bastava.
Mas, ver que Stiles vestia o presente dado com tanto afeto... Fazia-lhe lembra das horas que passara esculpindo o anel, as horas que gastara derretendo o metal, recolhendo pó de pedra-da-lua e misturando-o ao líquido quente e derretido. Que gastara fundindo e dando formato, tal como o amor que agora nutria pelo humano.
Stiles já estava na rodovia, o Jeep não conseguia pegar muita velocidade de início, mas Stiles já percebia que o mesmo começava a ganhar velocidade depois de uma ou outra marcha trocada. Tão logo entrava pela estrada de terra e era ali que esse tipo carro ganhava destaque. Os buracos eram facilmente ignorados pela boa suspensão, que, mesmo depois de tantos anos de fabricação do mesmo, se encontrava em bom funcionamento.
O Stilinski segurava o volante com força e com um grande sorriso no rosto.
— Estou quase achando que você gosta mais desse carro do que de mim – Afirmou Derek, olhando para o lado, enquanto o humano lhe olhava de volta.
— É de se pensar... Uma máquina fria e sem sentimentos... – Afirmou Stiles – E Derek Hale – O humano tomou um tempo para continuar – É, não são tão diferentes assim.
Derek rosnou baixinho, indicando para o rapaz cheio de pintinhas adoráveis o caminho que deveria fazer. O cenário era conhecido: a mesma clareira, no mesmo monte em que Derek lhe forçara o primeiro beijo.
— Você está muito romântico essa noite – Afirmou Stiles. – Derek lhe fitou e sorriu de lado, assentindo. – Eu... Er... Acho que estou com medo? – Continuou o humano.
— Deveria, realmente – Derek falou, assim que Stiles parou e a única luz do lugar era de uma lua minguante e dos faróis do Jeep.
— Essa parece a parte do filme em que um lobisomem arranca as portas e nos mata – Stiles olhava ao redor, uma pequena neblina vinha das árvores e caía barranco abaixo.
— Pode até ser – Disse Derek, piscando os olhos e suspirando – Mas é minha parte favorita de qualquer filme, de qualquer forma.
Derek tirou a camiseta, Stiles arqueou as sobrancelhas e demorou alguns segundos para entender que o outro não estava simplesmente com calor. Também se despiu.
— O que você está esperando? – Perguntou Derek, quando estavam ambos se beijando e já de cuecas. Faltava apenas aquela fina peça de roupa para ser tirada, mas Stiles parecia incomodado com alguma coisa.
— O carro... – Murmurou Stiles, muito baixo.
— O que diabos tem o carro? – Derek tinha sempre a voz aflita e necessitada quando estavam assim em um momento tão íntimo.
— É a primeira vez dentro do meu carro novo – Afirmou Stiles.
— Talvez devêssemos fazer disso memorável – Derek deslizava os dedos pelo corpo de Stiles, o sorriso se formando, maior e mais necessitado.
— Quero que você... Me chupe – Pediu Stiles, mordendo os lábios.
Também era homem e tinha suas necessidades, Derek parecia meio aflito em fazer isso. Talvez toda a pose de homem sempre lhe deixasse incomodado em fazer qualquer coisa que saísse de seu status quo.
— Eu faço isso – Respondeu Derek, olhando nos olhos do namorado, o SourWolf levou a mão ao próprio membro que já estava crescido e suspirou, levando a mão ao membro do outro, apertando-lhe com certa força.
Stiles encostou-se na porta, o banco reto facilitava o espaço e permitia ao homem-lobo abaixar-se entre as pernas do namorado e abaixar-lhe a cueca. Abocanhou o humano e ouviu seu arfar: prazer misturado a uma coleção de sensações.
Explorou o corpo do menor com o dedo, entrando e afundando dentro de si e sentindo o interior curioso que tinha e o gosto que tinha. Stiles estava avermelhado, um novo tom à sua pele pálida e adornada por uma constelação de pintinhas.
Derek continuou o movimento da boca, o movimento de seu rosto. Até que achou suficiente e completou subindo os lábios ao rosto de Stiles, beijando-lhe profundamente. Lhe beijava enquanto manuseava o corpo que já conhecia de cor. Puxava Stiles para o colo, beijava-lhe o pescoço enquanto lhe penetrava com certa força e ímpeto.
O humano estava todo sobre si e aquela pressão do corpo de quem tanto amava sobre si era completamente inebriante. Stiles se movimentou, gemeu baixo enquanto faziam aquele amor. Os corpos suando e os vidros do Jeep 1980 azul eram profanados pelo vapor de seus corpos. Os amortecedores do veículo não rangiam, mas seguravam todos os movimentos bruscos e fortes de quem fazia aquele amor forte.
(...)
O corpo apoiava-se no painel do lado do carona, enquanto o corpo ainda estava sentado no colo de Derek. Ambos estavam nus e ´calmos´, relativamente. Os corpos brilhavam pelo ato recém-concluído e Stiles não conseguia falar nada por algum instante, apenas deslizar os dedos pelo peitoral de um Derek igualmente sereno.
O silêncio nunca fora um desconforto para o lobo, mas para o humano era uma afronta à sua integridade mental. Mas não tinha muito o que falar. Apenas ficou calado e pensativo, estava sendo um bom aniversário, afinal.
Nunca soubera realmente que dia nascera, ou quem eram seus pais, ou o por que eles terem lhe abandonado. Mas sabia que tinha pessoas que podia contar sempre, Derek era uma delas, mas também tinha sua família, suas amigas, seu amigo. Suspirou.
“Será que eu realmente tenho 18 anos?”, pensou o jovem humano. Poderia ter 19, ou ainda estar nos 17. Realmente era um mistério que jamais teria explicação e, não era de fato a idade que realmente lhe preocupava, que lhe tirava o sono.
Era o futuro que lhe tirava o sono.
Quereria ir à faculdade, estudar engenharia, ou artes (era muito eclético nesse ponto). Mas o fato é que talvez o SourWolf que lhe prendia agora – cada vez mais intensamente – não gostaria da ideia que fosse à outra cidade estudar.
Os pais também não entenderiam que deveria ficar com o “namoradinho do colegial”, um romance adolescente não deveria interferir em seu futuro, em seus estudos. A coisa toda da alcateia era complexa e seria dificilmente evitada. Derek mais provavelmente lhe sequestraria, lhe prenderia e privaria de qualquer coisa.
Era um dilema que cada vez mais entrava em seu subconsciente e, mesmo que o dilema se apagasse por algum tempo, ele sempre estava lá, escondido atrás de sua fortaleza mental, prestes a subir em uma bola de demolição e, tal como Miley Cyrus, vir e derrubar tudo.
Preocupações fúteis de um adolescente pós-sexo. Um questionamento interno que era de nenhuma maneira decifrada pelo lobo que apenas respirava – o olhar de quem havia só uma preocupação: ele e a noite.
Enquanto ele respirasse, estava bem. Enquanto a lua continuasse a girar no céu, em seu ciclo infindável, estaria tudo bem.
— Stiles?
Incrivelmente quem quebrara o silêncio fora Derek. Stiles ficou apenas observando os lábios no rosto adunco de Derek, o maxilar quadrado e forte, pintado por uma barba de dois ou três dias sem fazer, o que dava ao lobo sempre uma aparência mais agressiva.
— Casa comigo? – Perguntou Derek, com quem não quer nada.
— É claro Derek – Respondeu Stiles, em um tom sarcástico, voltando lentamente para perto do volante, enquanto caçava sua camiseta, sua cueca: todos os itens caídos pelo chão do veículo.
Acabara que pegara a cueca de Derek, entregou-a para ele.
— Eu digo sério... – Derek parecia incomodado, não era de fato um pedido de casamento perfeito, mas ainda assim, era de coração.
— Você... Está... Brincando, não é mesmo?
O coração de Stiles começara a pulsar profunda e rapidamente. Não porque estava sendo pedido em casamento, mas porque Derek nunca brincava em suas palavras.
Aquele olhar intenso de Derek era a resposta para tudo: não, não estava brincando.
— Eu não posso me casar com você – Afirmou Stiles, suspirando, o peitoral de Derek subia e descia em uma respiração lenta. As sobrancelhas aduncas de Derek questionavam em silêncio o por quê. – Derek... Somos dois adolescentes, tudo pode acontecer.
— Nada vai acontecer. Você sempre vai ser meu, entendeu? – Derek respondeu, em um tom nervoso e possessivo – O que temos é muito maior do que qualquer outra coisa. Se você fosse um lobo também entenderia. Seu cheiro, estar perto de você. Eu não consigo mais.
— Eu sou tipo uma droga, então – Afirmou Stiles, assentindo pensativo.
— A pior delas.
Stiles refletiu se aquilo era um elogio ou uma ofensa. Resolveu pensar que era um elogio.
— Mas não vou me casar com você – Stiles foi categórico.
Derek abaixou as orelhas e apenas assentiu, a face triste de cão-sem-dono do lobo era impagável. Stiles mordeu os lábios e se recostou no banco.
— Não agora, tudo bem? – Afirmou Stiles, dando partida no Jeep, que roncou baixo, como quem acorda depois de um pequeno sono.
O veículo andou pelas estradas de terra em uma velocidade mais baixa que o comum, silencioso também: nenhum dos dois ousava falar nada.
— Que roupa vamos usar? – Perguntou Stiles, depois de um tempo, quando já quase chegavam nas casinhas dos Hale – Digo, no casamento do seu primo.
— Podemos usar ternos, a roupa realmente não se importa.
— Não vai me dizer que todos lá vão se transformar em lobo e eu vou ser o centro das atenções de novo. Não que eu não seja... Mas... Você sabe o que eu quero dizer.
— Não – Derek resmungou, ainda magoado de ter tido o pedido de casamento negado. Demoraria algumas horas para esquecer.
— Okay Doki – Stiles olhava diretamente para frente, com um ligeiro sorriso – Você fica mais adorável quando está nervoso.
— E mais perigoso também – Derek rosnou baixo, exibindo o braço forte como símbolo de força.
— Claro, claro, mais perigoso – O humano ergueu as mãos, como se se rendesse.
Derek assentiu, confiado de que realmente Stiles acreditava que era um lobo perigoso. O que, de fato, poderia ser, mas não para ele. Para ele, Derek não passava de um cão que ladrava, mas não mordia. Talvez isso se dava ao fato de que Stiles nunca tivesse visto Derek realmente brigar com alguém, de lobo para lobo.
O SourWolf desceu do carro, com a carranca completa. Aproximou-se do lado do motorista e apenas suspirou.
— Dirija com cuidado para casa – Afirmou o maior – Me manda mensagem quando chegar em casa.
— Tudo bem, pai – Respondeu Stiles sarcasticamente.
— Te amo – Resmungou Derek em meio à caranca que fazia.
Stiles sorriu de lado.
— Ei – Respondeu o menor, Derek arqueou as sobrancelhas, esperando um ´Eu te amo´ de volta. – Nós vamos nos casar, ok? Algum dia... Deixa essa onda casamentória passar...
— Tudo bem – Derek cruzou os fortes bravos, tentando manter a pose de machão depois de ter sido ´rejeitado´.
— Vamos ter lindos filhos. Alguns cachorros...
— Filhos? – Derek arqueou as sobrancelhas.
— É, podemos adotar.
— Mas eles não vão ser... Lobos...
— Por isso os cachorros, Derek, por isso os cachorros. Você finge que eles são seus filhos lobos, entendeu?
— Tudo bem, vou ignorar isso – Derek rosnou baixinho, Stiles lhe comparando a um reles cão.
— Te amo – O humano murmurou, e toda a solidez do rosto de Derek se desmanchou por alguns segundos. – Ok, agora entra porque está ficando estranho. Eu lhe deixando em casa, você encostado no meu carro, esperando um adeus. Cada vez mais parece a garota da relação, Derek.
Derek ignorou aquilo novamente, o eu te amo obliterava qualquer outra palavra.
O eu te amo sempre puxava tudo, como um buraco negro massivo. E esquecia de tudo, porque amava aquele maldito humano e, pelas palavras de Stiles, também acreditava que ele lhe amava. O lobo cada vez sentia-se uma garotinha de colegial, que sempre esperara por um relacionamento perfeito e ´normal´, por assim dizer. Esperava que sua alma gêmea fosse alguém o mais parecido consigo possível.
Mas agora entendia, ou ao menos fingia que entendia. Stiles era bem melhor do que qualquer outro lobo que conhecera, e voltaria a pensar isso novamente, mais de uma vez. Mesmo que fosse difícil de admitir em voz alta, o pensamento lhe denunciava.
Talvez por isso fosse tão difícil casar-se com ele, não seria uma presa fácil.
Nem sabia se realmente, entre eles dois, era Stiles quem era a presa.
Talvez o maior caçador, tornar-se-ia a maior presa.
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