BitterSweet
32 Capítulo 32 - Daddy Lessons
Notas iniciais
Derek estava cansado, de fato, cuidar de um clã e de uma nova família não era uma tarefa fácil. Ao contrário, estava fazendo-se uma das tarefas mais difíceis de sua vida, ou melhor A MAIS DIFÍCIL.
Mas não era algo infeliz.
Antes da descoberta da possibilidade de gravidez do castanho, imaginara que muito provavelmente ali acabaria sua descendência, já que não conseguia pensar na possibilidade de estar com alguém diferente do Stilinski.
Mas a vida dá limões, não é? E com ela o que fazemos?
Limonada.
O frio começava a surgir naqueles primeiros dias que antecediam o Natal, mas o corpo quente do lobo continuava a suar para regular a super-temperatura. Batia nas tábuas com o martelo, função que, pouco a pouco, dava origem a um casarão.
Não cogitava mais na ideia de pequenas casinhas separadas. Agora, pensava em uma grande casa onde os filhos, os primos e os futuros irmãos viveriam e, mais importante, o lugar onde Stiles viveria consigo. O projeto era tão grande que tornar-se-ia finalmente um clã. Finalmente poderiam ter, no hall de entrada o emblema de sua família, o emblema do clã Hale. Era, de fato, bem mais ambicioso que o próprio pai.
O engenheiro estava levemente irritado com algumas desobediências. Afinal, para uma casa desse aspecto, não conseguiriam eles sozinhos construir apenas com a força de vontade, e os lobos eram meio irritadiços em serem ordenados, mas Derek estava ali para fazê-los obedecer, como sempre.
Todos estavam descamisados, uma tira de suor manchando o corpo dos rapazes lobos, alguns dos trabalhadores humanos sentiam-se incomodados diante da cena, pois de fato fazia frio, e não sabiam como ou, porquê diabos aqueles rapazes estavam despidos daquela forma. Mas estavam contentes, pois sabiam que estavam construindo seu lar.
Não muito tempo depois Stiles chegava com seu Jeep, mais lindo que tudo, aliás, havia algo nele que Derek não sabia dizer o que era mas que lhe deixava com uma beleza impressionante, ao menos aos olhos do lobo – e, esperava, apenas aos seus olhos mesmo.
Sorriu aquele sorriso bobo, levantando a cabeça e olhando em direção ao outro, o corpo estava cansado de tanto martelar e ajudar a serrar, um descanso cairia bem. Arqueou as sobrancelhas ao ver o rosto do Stilinski, provavelmente ele teria algum de seus comentários inapropriados (porém adoráveis).
O Stilinski desceu do carro com duas garrafas de cinco litros de limonada, Derek correu ajudá-lo.
— Céus Derek, eu consigo carregar – Falou Stiles, mas logo ponderou e disse – Ou melhor: Oh meu deus, como pode deixar seu noivo grávido carregar tão pesadas peças... – Seu tom dramático fez Derek rolar os olhos dramaticamente também, mas mesmo assim ajudou o amado. – Aliás, e essa coisa toda de YMCA?
— Você é muito dramático, Stilinski – Murmurou Derek, logo arqueou a sobrancelha de forma mais protuberante, fazendo um rosto ligeiramente irritado – Estamos trabalhando, se é o que você está perguntando.
— Claro, trabalhando, todos sem camisa... Pegando no batente... Hum. Quero trabalhar com esses rapazes também.
Derek rosnou baixinho, o que arrancou um sorriso do Stilinski, que, inclinou-se e beijou os lábios do lobo irritado.
— Eca, você está todo suado – Resmungou o menor, em seguida após seu beijo – Parece um cachorro molhado.
Derek rosnou baixinho novamente, mas um rosnado divertido, realmente, parecia um cachorro molhado, mas, o que poderia fazer?
— Alguém tem que trabalhar bruto aqui, não é? – Ironizou o Hale, recebendo um olhar de reprovação do menor – Além do mais você deveria gostar do cheiro do meu suor, são puro feromônios.
— Eu, Pacco Rabanne, Versace e um milhão de outros perfumes discordamos veementemente. – Mentiu o Stilinski, pois de fato tinha algo no cheiro do lobo que lhe atraía, mas não daria esse gostinho para ele. – E se tem alguém que está trabalhando pesado aqui sou eu. Ou se esqueceu que sou eu quem está carregando 4 filhos seus, e estou sem expectativas de como eles vão fazer para sair. Ontem tive um pesadelo depois de assistir Alien, nem queira imaginar o que eu sonhei.
— Você não deveria estar assistindo a esse tipo de filme... Não faz bem para você – Advertiu Derek.
— Adoro esse seu lado cuidadoso e preocupado. – Stiles sorriu, tocando o rosto do outro, Derek revirou os olhos, amava odiar aquele jeito de Stiles de lhe tratar como um cãozinho obediente. – Agora chama tomo mundo para tomar um pouco de suco e descansar.
Derek chamou todos para tomar o que Stiles trouxera, o urso também voltara ao carro para buscar o lanche natural que preparara com Isaac. Estava muito gostoso e todos comeram e beberam da limonada.
Stiles deixou Derek com seus amigos mais velhos e foi com os mais jovens, seus amigos, pareciam estar apreciando a comida que, rapidamente, ia acabando.
— Hum, agora alguém parece uma esposa prendada – Murmurou Theo, com um meio sorriso, comendo um naco do pão. – Porque você não pode ser como Stiles, Liam?
— Espero que você se engasgue com esse naco de pão – Respondeu Stiles, mas logo sorriu ao ver Liam olhar com certa reprovação Theo, que apenas rolou os olho abanando a cabeça.
— E você Scott, está gostando?
— Está bom, Stiles – Respondeu o amigo, com a boca cheia de pão, tomando o suco em seguida para engolir.
— Que bom que gostou, Isaac me ajudou a preparar.
Scott então olhou para baixo e ficou apenas observando o pedaço de pão, realmente pensativo que aquele pedaço de pão passara pelas mãos de Isaac. O que foi um pouco cômico e foi alvo de piadas do grupo de amigos.
— Estou brava com vocês – Disse Liz, levemente irritada, e todos olharam para elas.
— Quando não está? – Indagou Theo, rindo.
— Idiota, todos vocês namorando e eu sem ninguém – Irritou-se a garota, tirando risos de todos.
— Logo você consegue uma moça bonita e carinhosa... – Brincou Theo.
— Ei! Eu quero um macho, pelo amor de deus – Choramingou a garota – Nada contra... Claro! Mas... Sabe.
— Não é assim que as coisas funcionam Liz – Falou Stiles – Tenho quase certeza que Derek era hétero antes de me conhecer.
— Mas meu amigo, se eu fosse homem, e te conhecesse, eu viraria gay na hora – Disse Liz, com um sorriso, e Stiles sorriu também, mostrando a língua para a outra.
— Mas me confessa, ursão, você era gay antes de conhecer Derek? – Questionou a garota, Stiles recebeu o olhar dos amigos, deixando o rapaz levemente corado.
— Ei... Essa pergunta é muito pessoal... – Desconversou, ficando levemente corado.
— Está na roda tem que contar – Disse Theo, adorando toda aquela conversa.
— Eu tenho horário no médico marcado... – Falou Stiles, já olhando o relógio e se preparando para ir embora.
— Meu deus, é tão difícil assim falar se era ou não gay?! – Indagou a garota – Ninguém vai te julgar aqui amor, porque né, quem somos nós, outros três lobos mais gays que tudo e uma garota.
— É complicado... Eu nem sabia o que queria antes de conhecer Derek – Disse o castanho, olhou para trás e viu que Derek estava de costas para si – Mas no momento que eu vi aquela bundinha arredondada...
Quase como se Derek soubesse o que estavam conversando, o lobo olhou para trás e viu os garotos o olhando, o mesmo entrecerrou os olhos e todos tiraram os olhos dele.
— E tem toda a história de ser algo mais que nós e blá blá blá também. – Ironizou Stiles, o fato era que tudo fora tão rápido que nem sabia como de fato tinha se apaixonado pelo mesmo sexo, e, mais do que tudo, por Derek. Apenas sabia que acontecera. – Citando Rei Leão: Love will find a way, ou seja, o amor vai achar um meio...
Stiles apenas abanou a cabeça positivamente e localizou novamente Derek para ir ao seu encontro depois de se despedir dos amigos. Stiles cutucou o lobo e o mesmo apenas terminou de explicar algo aos seus amigos sobre a construção para finalmente voltar a atenção ao urso.
— Então – Stiles indagou, olhando o seu sourwolf – Ele quer se encontrar de novo com a gente... – Era um bilhetinho de seu pai biológico. Mas não iria sem Derek, estava, com o tempo, aprendendo que haviam coisas mais importantes do que seus segredos pessoais e, a vida dos filhos estavam acima de qualquer coisa do universo. Especialmente depois que vira suas almas animalescas, os pequenos espectros de luz que já haviam se formado no universo.
— Tudo bem – Respondeu Derek, abanando a cabeça. – Vamos.
— Assim?!
— Como mais você quer que eu vá?
— Não sei, banho tomado, cabelo penteado e, mais importante, de camiseta? Talvez para não parecer um perdido perto do meu pai?
— Céus, tudo bem papai – Ironizou Derek, com um tom de voz sério – Me espere um instante.
Derek se afastou, indo falar com os rapazes que estavam envolvidos na obra, delegando a eles em seguida algumas instruções. Ao tempo que foi até um dos carros que possuíam. Entrou no veículo e saiu com uma camiseta cinza clara.
— Vai ir com essa camiseta? – Questionou Stiles.
— Qual o problema?
— Parece ter sangue nela.
— Mas é sangue – Respondeu o Hale, dando de ombros e Stiles simplesmente abanou a cabeça.
Derek em seguida pegou uma das motos de trilha que tinham e deu o capacete para Stiles, apesar de saber que não era necessário, conhecia muito bem aquelas trilhas e os deuses sabiam como jamais deixaria o urso cair.
Em alguns minutos estavam próximo a um local que Stiles conhecia bem: o lago que acordara depois de se tornar um urso. O pai estava ali, tinha uma aparência ótima, deu um pequeno sorriso, mesmo que fraco, parecia ter nele uma tristeza pesada que nada no mundo curaria. Ao ver aquele rosto Stiles tinha vontade de abraçar o outro, dizer à ele que tudo estava bem, que o perdoava e que entendia seus motivos.
Mas ainda era cedo.
Cedo demais.
— Olá Castiel. – Falou o filho.
— Olá criança – Respondeu o urso mais velho – Hale.
Derek apenas balançou a cabeça positivamente.
— Bem, eu preciso continuar com a minha missão de lhe instruir... Das coisas que lhe aguardam. Preciso desempenhar essa função, de instrução. Nós ursos somos bem complicados de dar a luz, ao contrário dos lobos ômegas.
— É claro que teria que ser complicado, ou não seria comigo – Falou sarcasticamente Stiles, mas logo o urso deu um calmo olhar para o mesmo. O filho pode ver como o pai estava ansioso para falar algo – Tem algo que eu não vou gostar de saber, não é mesmo?
— Sim, – Respondeu o homem, Derek apenas observava, com os braços cruzados, seu rosto barbado deixava-o com uma aparência de vários anos mais velho.
— Nem todos os filhotes... Podem vingar – Falou o urso.
Aquilo foi como um soco no estômago em Stiles e Derek. Apesar de que Derek conseguia compreender um pouco mais do que Stiles, já que já ouvira o avô falar de ômegas.
— C-como assim podem não vingar? Estamos falando de crianças aqui, não de animais! – Irritou-se o Castanho.
— Eu... – Castiel engoliu em seco.
— Não me diga... – Stiles conseguia pensar rápido demais, e isso podia ser tanto uma benção como uma maldição – Era para eu ter irmãos, não é?
— Sim, vocês eram três, criança... Mas apenas você conseguiu sobreviver ao parto – Castiel fitou o rapaz.
Apesar de ser de dia, parecia que uma nuvem densa e monstruosamente pesada pairara sobre eles, uma nuvem fria a qual sugava qualquer sombra de felicidade daquele novo reencontro entre pai e filho.
— Eu apenas quero prepará-lo criança – Defendeu-se o pai – Eu não o quero assustar. Mas, é algo que pode acontecer.
“Não!”, pensava o Stilinski. “Não vai acontecer!”. Os pensamentos de Stiles iam à loucura, e instantaneamente começara a chorar. Derek rapidamente se aproximou do outro e o abraçou. Não disse nada ao homem, não estava bravo com ele e sabia que isso era uma probabilidade, apesar de que até o instante não pensara sobre. Mas para Stiles era algo diferente, não era simplesmente uma possibilidade, era algo que se negava a acreditar. Se negava a acreditar que algum daqueles quatro espíritos animalescos dentro de si pudesse morrer. Sentia-os ao seu redor quanto fechava os olhos, imaginava-os correndo atrás de Derek, sendo homens feitos, ou mulheres, afinal não sabia bem o que eram, mas que eram seus filhos e nasceriam, nasceriam todos os quatro!
— Mas podemos prepará-lo melhor do que eu fui preparado, criança. Você nasceu em uma caverna, onde eu me escondia. Onde ninguém cuidou de mim. Você foi uma criança forte. Nasceu da minha forma de urso e se esquentou em mim enquanto estive desmaiado.
Stiles conseguia imaginar a cena. Um recém nascido se esgueirando entre os irmãos mortos, placenta e sangue, até alcançar o pai e sobreviver. Sabia que biologicamente as bebês humanos nascia completamente dependentes. Mas fora ele um urso desde o nascimento, lutara para sobreviver nesse mundo sólido.
O Hale apenas apertava o outro contra si, imaginando também a cena. Porém, sua imaginação era bem mais limitada do que o do Stilinski e conseguia apenas imaginar como seria o futuro dele.
— Mas se Stiles se transformar, ele vai se tornar incontrolável novamente – Afirmou o Hale.
— Sim e não – Respondeu em seguida Castiel – Eu o ajudarei a seguir esse caminho, eu consigo me controlar melhor, eu consigo ter consciência com meu eu Urso.
— Meu pai, ele tem que me ajudar a ter essas crianças – Afirmou Stiles, obviamente Castiel sabia que o filho falava de seu pai adotivo – Ele é médico, vai conseguir dar o melhor suporte à eles.
— Tudo bem, não será perigoso, depois que você as tiver... Tudo se acalmará e não oferecerá mais perigo a ninguém.
Aquilo acalmava Stiles. Porém, agora essa pontinha de ansiedade perpetuava em seu corpo. Agora, além de tudo, havia também a possibilidade de perder um dos filhos. E não queria, sob hipótese alguma, acreditar que isso aconteceria.
— Mas nem tudo são má notícias – Disse Castiel, sedo um pouco mais aberto e alegre, apesar de que profundamente Stiles sentia nele aquela profunda tristeza – Pelo que vejo você está engordando, parece corado, está muito bem – O homem se aproximou e Stiles se desvencilhou um pouco dos braços de Derek.
— Podemos fazer aquela coisa de espíritos novamente? Quero vê-los novamente!
— Aquilo não é muito saudável, criança... Está muito vulnerável. Talvez uma outra hora.
— Tudo bem... – Resmungou apenas Stiles, o outro se aproximou mais e o grávido permitiu que o pai biológico lhe tocasse com a mão cálida o ventre.
Derek sentiu-se um pouco enciumado, mas permitiu.
— Eles estão bem – Afirmou Castiel – Mas acho que deve comer um pouco mais comidas saudáveis, um pouco menos de doces.
— Eu disse – Afirmou Derek.
— O-o-o QUE? É você quem me traz doces Derek Hale – Exclamou Stiles, virando o rosto para Derek.
— Aliás, eu vejo que vocês ainda não conseguem se transformar sem perder as roupas – Afirmou Castiel.
— Não é algo que nos importamos muito – O lobo deu de ombros.
— Mas se quiserem posso lhes dar uma cópia de um livro com vários símbolos e materiais mágicos que serão úteis – Disse o urso mais velho.
“Obrigado”, “Não, obrigado”, disseram ao mesmo tempo respectivamente Stiles e Derek.
— Tudo bem, pode pegar o livro – Falou Derek, abanando a cabeça. Era um pouco mente fechada para mudanças, nem mesmo gostava tanto assim desses livros de magia, tinha um pouco de receio também.
Castiel se afastou e se aproximou de sua bolsa de couro que deixara próxima a umas rochas, tirou de dentro dela um livro que aparentemente era antigo e era grosso, a capa era de couro e tinha um fecho bonito. Stiles adorava aquele tipo de livro.
— Não há nada perigoso aqui, é apenas um compilado que roubei da casa dos meus pais antes de... Bem, tudo acontecer – Afirmou o urso mais velho, omitindo a parte triste de sua história.
— Eu ainda quero saber mais... Bem, é sobre meus avós... Não é? Eles eram ursos também?
— Sim, criança – Respondeu o mais velho, com um gentil sorriso – Ainda lhe contarei tudo, seus avós... Mamãe... – Castiel olhou fixamente para Stiles e suspirou. Sim, apesar da enorme quantidade de anos, a morte da mãe não era algo fácil de se esquecer.
O pai nunca lhe fora tão importante, infelizmente. Fora um homem que sempre caçara briga com os vizinhos do ocidente. Mantinha a briga dos ursos com os lobos e, por meio dos lobos, pereceu. Era algo mais antigo do que Stiles poderia sequer imaginar.
— Nós somos Russos, Mieczyslaw. E nossa briga sempre foi com o povo da Alemanha. É algo mais antigo do que as grandes guerras dos humanos... Dean era da Inglaterra... Os Winchesters... Foram eles que mataram minha mãe. O pai dele. Nossa história sempre esteve marcada de sangue.
Castiel suspirou, aquilo lhe cortava o coração, mas sabia que era a história do filho, era a história que ele também merecia conhecer.
— E... Eu fui buscar vingança... E encontrei amor.
O rapaz se aproximou do pai e o abraçou. Como poderia odiá-lo?
Apesar de tudo, apesar de todas as denominações do mundo, ali estava sua “mãe”, estava o ser que lhe dera a luz. Não, não o culparia. Não o machucaria com o aço das palavras. Não o culparia mais por ter-lhe abandonado.
Castiel não se lembrava o que era ser abraçado, mas ali, desarmou-se.
Depois de tantos anos dormindo com um dos olhos abertos, com medo das caçadas que Dean lhe fizera. Do ódio que sentia vir dos quatro cantos do mundo... Ali estava ele. Praticamente inofensivo.
Era o amor, em sua forma mais única e doce.
Derek apenas observava, em silêncio. Ele compreendia a dor de ambos e sabia que era o momento deles. Mas estava apreensivo, tinha tantas coisas em sua cabeça. A reunião dos lobos apenas se aproximava e, realmente, não sabia o que faria. Tinha poucas opções em suas mãos. Já mandara mensagem aos companheiros do Alasca, aos lobos ágeis do Sul. Eles odiavam os lobos europeus tanto quanto ele, então, ao menos era uma carta que tinha na manga.
— Existe um problema, ainda... Senhor... Castiel – Interrompeu Castiel entrecerrou os olhos e arqueou a sobrancelha. Até Stiles olhou de forma estranha para Derek.
— Senhor? – Questionou Stiles, com um pequeno sorriso. Derek contraiu a mandíbula, sabia que Stiles nunca deixaria isso barato.
— Ele... Ele é seu pai – Explicou-se o lobo, abanando a cabeça – De qualquer forma. Ainda há o problema que possuo a exigência da reunião dos lobos. Devo levar Stiles... E eu não o quero fazer.
— Mas será a única forma – Castiel abanou a cabeça – Ainda temos a esperança de que respeitarão as tradições... Todos estarão em um lugar sagrado, não poderão se transformar...
— Acredito que estaremos em minoria lá – Afirmou Derek, olhando o homem.
— Sim, os conheço, não chamarão nenhum outro povo além dos Europeus. Acreditam até hoje serem os melhores.
Derek rosnou baixo, irritado com isso.
— Acredito que você convocou alguns amigos?
— Sim, meus primos do Alaska, conhecidos do Sul, conhecidos da Austrália e tenho o apoio de alguns lobos do Continente Africano.
Castiel assentiu.
— Acredito que seja proibido negar passagem a qualquer lobo... É a única maneira de serem ouvidos... Mas. Você tem que convencer o Winchester, depois disso, Stiles... Você estará salvo de qualquer coisa. Dean nunca pôde ter filhos, entende – Explicou Castiel para Derek, que assentiu.
— Ter uma prole a missão de vida de qualquer lobo, Stiles – Falou Derek, com um sutil sorriso no rosto, apesar das tensões, estava feliz.
— É, eu estou vendo – Respondeu sarcasticamente Stiles – Uma prole grande na verdade – Resmungou o rapaz, mas nem ousava reclamar muito, o medo recente da possibilidade de perder os filhos era pior que qualquer coisa.
— É um fardo, encontrar o amor da nossa vida – Falou Castiel – E eu quebrei esse pacto, ele nunca de fato sentirá amor por ninguém mais... – O homem olhou para baixo e suspirou – Devo ir, agora. Antes de irem para a Índia, me avisem. Esse é meu número. Tudo dará certo. Eu acredito – O urso sorriu.
— Finalmente uma forma de falar com você sem ser através de bilhetes – Stiles pegou o número do pai e anotou-o em seu celular – Obrigado Cas.
O homem sorriu ao ouvir ‘Cas’. Lembrava-lhe como o amado o chamava.
— Bem, agora tenho que ir para casa – Afirmou Stiles assim que viu Castiel ir embora.
— Ou pode ficar comigo mais um pouco...
— Você anda muito carente, Derek Hale – O mais novo se aproximou do lobo e lhe beijou os lábios. O calor de Derek lhe esquentava de forma boa, então apenas deixou-se ficar próximo dele por um instante.
Estavam preocupados. Eram tantas as coisas que poderiam acontecer. O que aconteceria quando contasse à Dean que era seu filho? Como faria para que ele acreditasse em si? Tinha medo, tinha muito medo. Mas, nada se comparava ao medo de perder uma das crianças que levava em seu ventre.
Não. Não existia entre o céu e a terra algo mais terrível do que isso. Especialmente porque a todo instante podia sentir (ou talvez, imaginar), a presença daqueles quatro espíritos de luz ao seu redor. Era algo muito além da vida e podia imaginar o que era o amor de mãe. E por isso mesmo decidira-se, naquele instante, a decisão final de perdoar Castiel. O que ele fizera fora um sacrifício maior do que qualquer outro.
Sabia que ele escondia de si os piores fatos, o que acontecera de fato ao longo desses anos. Tinha nele uma expressão profunda de tristeza, apesar das tentativas de sorrisos perpassada em seu rosto.
— Talvez... Deveríamos nomeá-los – Falou Stiles, fitando Derek. Mordeu os lábios – Aqui, perto da água, das árvores, embaixo do céu. Vamos dar nome aos nossos filhos.
— Mas... – Derek contraiu os lábios. – Você tem alguma ideia? – Questionou – Digo, podem ser duas meninas... Dois meninos. Uma menina, três meninos... Digo, a possibilidade é infinita, não é?
— É, é bem grande. E eu estou cansado demais para pensar em permutação agora – O Stilinski, suspirou. O lobo sorriu – Talvez, devêssemos chama-los de Um, Dois, Três e Quatro.
O lobo olhou para o castanho, sabia que a maior parte das vezes Stiles estava sendo sarcástico, mas sempre tinha um pouquinho de medo do outro estar sendo sincero, era adorável a inocência do maior.
— Está... Brincando, não é mesmo?
— É obvio que estou brincando, você acha que vou chamar meus filhos por números?
— Bem... Ao menos são números inteiros. Lembra quando você se auto chamava de 3,1416?
O menor sorriu enormemente, como é que, mesmo depois de tudo, Derek ainda poderia se lembrar de detalhes tão adoráveis como esse?
— Então, eu estava pensando... Vamos escolher 4 nomes masculinos e 4 nomes femininos... Daí vamos colocando em ordem de nascimento...
— Faz sentido.
— Que tal... Devon...
— Dexter... – Propôs Derek
— Demetrio... – Pensou Stiles, faltava apenas um nome, ficou pensativo. – Gosto de Devlin, também.
— Realmente, vamos escolher nomes com D apenas? – Perguntou Derek, arqueando a sobrancelha – Vai parecer que eu quem escolhi todos os nomes.
— Mas são todos nomes que eu gosto, você gostou também?
— Sim – Sorriu Derek, abanando a cabeça. Se estive em sua forma lupina, estaria abanando o rabo – E se forem meninas?
— Sabrina, Samanta, Sophie e Safira – Falou Stiles, arqueando as sobrancelhas.
— Trapaceiro – Resmungou Derek, cruzando os braços, mas adorando os nomes – Mas muito bem... – Apenas se aproximou do outro em seguida e beijou sua cabeça, colocando sua mão ali no baixo ventre do pai de seus filhos. O lobo suspirou e apenas ficou próximo de Stiles.
— Sabe o quê, Derek?
— Hum – Perguntou o outro, se afastando um pouco o rosto, apenas o suficiente para olhar levemente para baixo e fitar os olhos castanhos. Tinham nele tempestades e trovões.
— Nós vamos enfrentar tudo isso. E vamos ganhar.
— Eu apenas estou preocupado com nossos filhos agora, Stiles... O resto... – Derek suspirou.
— I find your lack of faith disturbing – “Acho sua falta de fé perturbadora”, falou Stiles, sabendo que o outro não entenderia nada.
— Faça, ou não faça, tentativa não há – Completou Derek, com um sutil sorriso – Nós vamos vencer toda essa coisa, pequeno.
— Oh meu deus, Derek Hale! – Stiles se afastou, dando um tabefe no peito de Derek – Está me traindo?! Quando foi que você passou a assistir Star Wars sem me chamar?
Derek sorriu, dando de ombros.
— Quando você não está comigo, tenho que me distrair, não é mesmo? – O lobo sorriu de lado – E você gosta tanto dessas coisas que resolvi assistir... É até divertido.
— “É até divertido” – Respondeu Stiles, revirando os olhos e voltando a abraçar o outro. – É um dos melhores filmes... Meu deus... Quero assistir com você, agora. Vamos para casa, ficar quentinhos juntos, pé com pé, mão com mão, e assistir os oito filmes.
— Oito? Tem mais cinco filmes?! – Exclamou Derek, arqueando as aduncas sobrancelhas.
— Bem, até agora sim.
— Céus... – Suspirou Derek, mas logo sorriu ao sentir os dedos de Stiles invadirem sua camiseta e tocar-lhe sua pele, os dedos dele estavam frios, então apenas deixo-o se aquecer em si e ali, naquele lugar em que o outro renascera depois de se tornar um gigante urso, sentiu-se finalmente com uma família.
— Eu te amo, Stilinski – Falou Derek.
— I know – Respondeu o urso. “Eu sei”.
O lobo sorriu.
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