BitterSweet

30 Capítulo 30: Riptide


Notas iniciais
I gotta lump in my throat 'cause | Me dá um nó na garganta porque You're gonna sing the words wrong | Você vai cantar as palavras errado Riptide | Correnteza

Stiles sentiu-se um pouco embriagado por tudo aquilo e passou um longo tempo fitando o próprio ventre enquanto o pai passava o estranho aparelho. Se encolheu um pouco, ouvindo o barulho curioso que o aparelho emitia. Derek lhe olhava paralisado, os braços cruzados, os olhos bem atenciosos.

— É normal isso? – Perguntou Stiles, ouvindo algo estranho, um ritmo mais acelerado do que estava acostumado a ouvir um coração.

— Não... Não é normal – Murmurou o pai, movimentando o aparelho, o coração começou a bater na garganta. “não era normal”, o filho poderia estar em perigo? Odiava ser leigo no assunto. Prometia já a si mesmo que começaria a ler todos os livros possíveis de paternidade. Ou maternidade, também. – Parece que é mais de um coração batendo.

— M-mais de um? – Perguntou Derek, sentando-se no canto da cama.

— É, definitivamente é mais de um... – Explicou o pai – Dois, no mínimo.

— No mínimo?! – Stiles levantou o busto, apoiando-se com os cotovelos na cama – O que diabos o senhor quer dizer com no mínimo?! Tá louco?! Como diabos vou cuidar de duas crianças?! Eu não sei cuidar nem de mim mesmo! – Desesperou-se o rapaz, sentindo-se bizarramente preocupado.

Derek tinha um sorriso leve no rosto, mas era um sorriso de desespero também. A ideia de ter um filho era linda, mas... Mas de um poderia se tornar um problema. Um grande problema. Sabia o quão infernizara os pais quando criança, sabia que provavelmente seria punido por isso agora.

— Q-quantos, Doutor? – Perguntou Derek, ao pai do urso.

— Então, Derek, não sei, agora só com o ultrassom, pois os sons se mesclam... Não há como saber precisamente, mas parecem dois filhotinhos... Um casal de gêmeos! – Sam tinha um sorriso, e acarinhou a barriga do filho. – E como vocês costumam... Ter filhos, quando vem em homens? – Perguntou Sam, à Derek.

— Bem... – Derek tentou explicar, pensando em como falaria isso ao outro – A forma animal de Ômegas, são fêmeas... Então... No parto, se transformam e dão à luz... “Normalmente” – Derek sabia, pois, isso era conhecido, não que houvesse testemunhado pessoalmente. – Mas para Stiles isso é perigoso... Ele não é um animal qualquer... Ele...

— Eu sou um urso pai, eu posso matar todo mundo, etc, etc. Você vai ter que dar um jeito – Explicou Stiles, coçando a cabeça.

— Preciso falar com meus primos no Canadá. Wolfgang tem alguns ômegas... Talvez... Talvez tenham algumas coisas que possamos fazer, Sti – Derek abraçou o outro, estava feliz. Estava feliz que era verdade! Estava feliz que o outro estava grávido.

— Céus, agora você vai ficar mais grudento ainda, não é? – Perguntou o mais novo em um tom de humor e Derek rolou os olhos, abraçando o outro.

— Você precisa fazer um exame de sangue, quero saber como estão seus hormônios. E acho que podemos fazer uma ressonância depois desse primeiro trimestre – Falou o pai, já pensando no que faria – Se precisarmos tirar eles, cirurgicamente falando... Quero saber como estão as coisas aí dentro.

— Mas... Mas pai, não tem perigo? – Questionou Stiles, pensativo, agora preocupava-se completamente com o filho. Ou melhor, os filhos.

— Não, ressonância não sua radiação, criança – Falou Sam, com um sorriso, ouvindo o carro chegar – Seu pai chegou com as compras, chamou seus amigos?

— Sim, sim.

— Ótimo, e vocês precisam falar com Noah. Onde está Isaac?

— Saiu com o namorado dele.

— Namorado?! – Sam arregalou os olhos.

— É brincadeira, mas eu sei que um lobo teve um imprint por ele – Falou Stiles, e Derek rosnou baixinho, arqueando a sobrancelha.

— Qual deles? – Perguntou, suspirando. Quanto mais o romance entrava na coisa, mais descontrolado seus filhotes ficavam. Derek tinha que ser, além de tudo, agora pai também. Precisava urgentemente terminar as obras de seu clã, precisava resolver as coisas do outro lado do mundo, não queria ter que cuidar de um dos filhotes do clã e seus problemas de romance.

— Não posso falar – Disse Stiles, que ouviu um resmungo de Derek, mais um resmungo que um rosnado.

Derek tentava se controlar na forma de ficar bravo com o outro a partir de agora. Stiles carregava seu bebê, era o pai de seus filhos. E essa era a coisa mais maravilhosa do mundo.

— Bem, eu vou indo – Suspirou Sam, deixando o casal à sós.

oOo

Isaac tinha o velho walkman de Stiles. Não que os novos pais não tivessem lhe dado um bom celular, bons fones de ouvido. Mas gostava de algumas coisas antigas, e o empoeirado walkman no armário de Stiles era um charme que não conseguira resistir.

Colocou os fones de ouvido e a sua música indie favorita começou a tocar: To All of You.

E começara a andar sem um rumo certo. Não havia combinado nada com Scott, mas por alguma razão, sabia que o outro lhe acharia.

Começara a andar pela rua, entrando em algumas ruas que conhecia e outras que não. Passando na frente de casas novas. Chegara rapidamente à um parquinho, passara o parquinho e entrara na floresta pública da cidade, nas trilhas tortuosas.

Parou em uma ponte sobre um lago.

Alguém parou ao seu lado. Continuou fitando a água que corria abaixo.

— Oi Scott – Falou apenas, mordendo os lábios, para virar-se em seguida.

Scott apenas acenou, o moreno tinha um queixo quadrado curioso, o rosto desenhado.

— Então, você, você disse que ia me ensinar matemáticas e tals – Indagou Scott, cruzando os braços que nos últimos meses haviam ficado mais e mais definidos.

— É, totalmente – Respondeu Isaac, fitando o outro.

— Obrigado, digo. Eu te chamei para andarmos... Quero dizer que, bem, podemos ser amigos... Sabe – Scott falou rapidamente, abanando a cabeça – E... Me desculpar... Por ter sido agressivo e... tals.

— Tudo bem – Disse Isaac – Você gosta de música?

Scott deu de ombros, aceitando um dos lados do fone de ouvido. Ficaram ali, sob a noite que os cercava. Ficavam ouvindo músicas. Ficavam apenas se olhando enquanto o CD era lido pelo nostálgico aparelho. O lobo não sabia muito bem o que sentir pelo outro. Não identificava muito bem aquele sentimento estranho de uma atração quase forçada.

Podia desgostar, mas ver Isaac tão sereno, lhe deixava calmo.

oOo

— Oi Derek, – Falou Noah, ao ver que Derek descia as escadas da casa. O xerife estava sentado em sua poltrona e assistia à TV.

— Tudo bem, Senhor – Respondeu respeitosamente Derek, um pouco apreensivo. Noah viu que Stiles descera um pouco abatido.

— Está tudo bem filho? – Perguntou o chefe da polícia, olhando para ver se Sam estava na sala e pudesse, de imediato, ver se algo abatia o filho.

— Está – Falou Stiles, indo e se sentando no sofá, assistindo à TV também, enquanto Derek estava em pé. O menor abanou a mão simplesmente – Derek quer conversar com o senhor.

— Ele quer? – Perguntou Noah, olhando então diretamente para o rapaz – O que vai pedir agora? Vai levar meu filho para morar com você? Só falta falar que Stiles está grávido – E soltou uma risada aguda na última sentença, fazendo Derek apenas ficar mais pálido.

O lobo sentou-se perto de Stiles.

— Senhor Noah. Stiles... Stiles está com um problema – Indagou, suspirando enquanto observava Noah ficar levemente irritado.

— Pois diga logo, homem! – Demandou o xerife, odiando a enrolação toda.

Stiles então começara explicando sua parte urso. Começara explicando como tudo acontecera durante a festa, como tivera um “blackout” e como as chances disso ser verdade e não estar mentindo era enorme.

Noah acreditou, mesmo que completamente perplexo com essa possibilidade.

— Então. Pai – Stiles suspirou, se encolhendo nos braços de Derek. Vendo que Noah olhara com um pouco de reprovação aquele excesso de ‘carinhos’ em sua sala. Sim, era um pouco tradicionalista. Mas, quem diabos era ele para reclamar do amor do filho e do Hale.

— Stiles está grávido. – Disse apenas Derek, com um rosto muito sério, olhando diretamente nos olhos do pai de seu ursinho. – Essa é a verdade. O senhor será avô, e eu, obviamente, assumirei o filho que fiz em seu filho.

— Olha ele, todo papai – Disse Stiles, colocando uma das mãos na barba de Derek – Já está de barba grande e tudo mais.

— Para Stiles – Falou Derek um pouco nervoso, tirando a mão do outro dali. – Isso é... Isso é muito sério.

— Vocês... Estão brincando, não é? Não, isso é piada – Disse Noah, abanando a cabeça.

Sam logo aparecia, como se tivesse se teletransportado, na sala, tinha uma xícara de chá. Sentou-se no braço da poltrona em que Noah estava.

— Você... Você sabia disso, não é? – Questionou o xerife para Sam, que apenas confirmou com a cabeça. Dando de ombros em seguida.

— Incrível, não é? – Falou o médico, com um meio sorriso, o chá criando uma leve neblina à frente de seus olhos.

— Como assim incrível?! Isso... Isso é perigoso! – Exclamou o xerife – Vocês estão todos malucos!

— Pai... – Resmungou Stiles, apenas suspirando – Está tudo ok...

— Não, não está Stiles! – Gritou o xerife – É uma criança dentro de uma criança! Céus, eu pensei que havíamos te educado bem – O homem colocou os dedos contra os olhos, parecia querer chorar.

Não, não era o problema econômico, não era isso que assustava o xerife. Não era o fato de seu filho ter feito sexo com o rapaz, não, essa era a parte mais normal, era a parte que menos lhe assustava. O que lhe assustava mesmo era os detalhes de como isso seria. Como diabos o filho teria esses filhos? E os riscos, os riscos de Stiles morrer?

Sam começou a explicar ao marido o que fariam à seguir, e Derek falou logo em seguida, dizendo que traria os melhores xamãs da américa para cuidar de Stiles e vê-lo.

Mas o homem parecia consternado, suspirou por fim, depois de algumas palavras à mais de Sam. Stiles sentiu sede e foi até a cozinha, onde Derek lhe seguiu para dar privacidade aos homens.

— Está tudo bem? – Perguntou Derek, um tanto quanto apreensivo – Acho que no fim das contas seu pai vai gostar de tudo isso.

— Eu estou bem – Afirmou o Stilinski, pegando o corpo de água, sentindo o corpo massivo do outro perto de si.

— Quando eu ouvi o coração deles... Foi algo...

— Inexplicável, hum? – Apenas respondeu Stiles.

— É, assustador.

— O grande Derek Hale, com medo? – Murmurou Stiles.

— Não esse tipo de assustador – Derek respondeu com seriedade, Stiles adorava como o outro não entendia as pequenas ironias da vida.

— Está tudo bem, você ainda vai ficar com medo – Murmurou Stiles, colocando os dedos na mandíbula de Derek, deslizando os dedos pelo contorno firme de seu rosto – Apesar de toda essa barba áspera, e essa cara de bravo... As crianças vão te comer vivo Derek.

— Eu vou rosnar e elas vão me obedecer – Derek fechou os olhos, em uma expressão de decidida clareza. Mas na verdade apenas queria concentrar-se no toque do amado em seu rosto.

— É, claro... – O urso sorriu, suspirou.

Os pais entraram na cozinha.

— Então, vamos preparar a mesa? – Perguntou Sam, o xerife parecia mais calmo. Os deuses sabiam como Sam sabia convencer qualquer um a qualquer coisa. Algo que talvez Stiles tivesse puxado à eles.

— Eu vou ser vovô então... – Indagou o xerife Noah, com um pequeno sorriso em seu rosto carregado pelo tempo.

— É, o senhor vai. E tem cara de quem vai ser daqueles avôs bem melosos – Stiles respondeu, com um sorriso, abraçando o pai, que lhe abraçou de volta.

Stiles colocou então um pouco de música na casa: Beautiful Day.

Era meio velho, mas U2 era atemporal, de qualquer forma. E o pai gostava, ah! Como ele gostava!

Derek parecia tão comum quando estava pegando com os dedos ásperos os pratos no armário, enquanto colocava na mesa da cozinha apertada dos Stilinski. Stiles estava apenas encostado e observava o amado fazer aquilo.

Era prazeroso, apenas observar.

Observando sentia, lentamente, as sutis linhas de expressão de sua felicidade incondicional. Era quase como se tudo o que tivesse acontecido simplesmente não tivesse tido impacto nenhum em si.

Apenas acontecera. E ele vivia o agora.

Vivia com o resto de família que tinha e se agarrava à família que formava.

Era um belo dia, de fato.

oOo

O riacho tinha uma água fluída, corria por baixo da ponte em que recém estiveram. Isaac tirara os tênis e mergulhara os pés na água fria. Scott apenas ficara em pé, observando o outro como uma coruja, que observava. Isso dizia muito de quem eles eram, de como eles eram.

O lobo, impacientemente se abaixou ao lado do outro, mas não queria de fato se molhar.

— Você precisa ficar à salvo – Falou Scott, um tanto quanto preocupado.

Isaac olhou para ele.

— Eu... Sei? – Respondeu o rapaz, sentindo a água fluir nos pés.

— Nem todos do clã gostam de você – Afirmou Scott – Apenas não fazem nada porque você é o novo irmão de Stiles. Mas ninguém acredita que você seja bom.

— E você acredita, Scott? – Perguntou Isaac – Eu poderia te matar aqui mesmo. Sabe? – Falou sarcasticamente – Apesar de não ter garras, de não ter dentes afiados. Apesar de não rosnar interiormente. Eu sou só um rapaz, com um passado. Com uma mãe e um pai mortos.

O rapaz falava de forma tão natural que soava quase assustadoramente.

O jovem tocou a água com as mãos, antes dos pés, pegando um pouco e a bebendo. Estava gelada e deliciosa. Sabia que o ideal era não a beber. Mas, quem era ele para se prender ao ideal?

Ele que quase morrera duas vezes. A primeira quando nascera e não era dotado de nada além de vida. E a segunda quando o pai morrera.

Quando foi que a vida simplesmente se tornou algo tão comum?

— Eu nunca pensei que teria um futuro, Scott – Afirmou Isaac, fitando a água – Eu já pensei em me matar. Incontáveis vezes. A minha vida era uma prisão e eu, covarde demais para pular de alguma ponte ou cortar os pulsos.

O rapaz falava sem nenhuma lágrima nos olhos.

— E eu apenas vivia no meu presente – Continuou, Scott tremia, sentia-se terrível, sentia-se péssimo pelo outro sentir-se daquela forma – E hoje eu vivo pensando no futuro, quem diria. Eu. Pensar em ter um futuro.

— Isaac... – Murmurou Scott, tocou-lhe a mão. Isaac não a moveu.

— Então não venha me dizer que eu estou sendo ameaçado, que eu corro perigo, Scott. Porque pedras e paus podem quebrar meu corpo, mas eu sou de titânio.

— Você... – Scott entrecerrou os olhos.

— É, eu falei uma parte da música – Isaac sorriu, virou a mão e segurou a de Scott – E essa é a parte que você me beijar, sabe.

— Oh – Indagou bobamente Scott, se aproximou do outro e lhe selou os lábios.

Isaac lentamente deslizou os dedos para as costas do outro, abrindo os lábios e cedendo as línguas adolescentes sedentas. Se separaram depois de algum tempo.

— Eu vejo o que está acontecendo entre nós – Falou Isaac.

— Eu sei, desculpa, não é algo que eu possa evitar – Indagou Scott, meio corado.

— Tudo bem, não é como se eu fosse lhe impedir, ou algo assim... Não é algo que eu quero que seja evitado.

— Não quer? – Scott arqueou as sobrancelhas. Isaac apenas sorriu, abanando a cabeça.

— Melhor irmos para casa – Falou o mais pálido, levantando-se e secando os pés de qualquer forma antes de colocar seu adidas nos pés.

Scott foi em silencio ao lado de um Isaac decidido, olhava a todo instante ao outro rapaz, queria analisar suas expressões. Mas não conseguia, perdia-se em cada detalhe. E queria o tocar novamente, queria segurar-lhe a mão, e chamar-lhe de seu.

Era uma paixão súbita e incondicional. Era tão profunda que doía.

Mas era aquele tipo de dor boa.

oOo

— Então, acho que todos que estão nessa mesa sabem das grandes novas – Disse Sam, com um sorriso, as meninas pareciam querer gritar. E Derek apenas suspirou.

— Meu deussss, tiooo, não acredito, Sti vai ser papito – Disse Malia, super-ansiosa. Acho que não tem como meu ano estar melhor. Descobrir que existe magia no mundo, descobrir que meu melhor amigo está grávido!

— Aii minha nossa, menos Malia – Pediu Stiles, recostando-se, mau havia tocado na comida, não estava com muita fome.

— Então, ao que vemos, é mais que um... – Afirmou Sam.

— Mais que um?! Vocês estão ferrados – Disse Allison – Totalmente ferrados.

— Ah, para! Cuidar de crianças é um amor – Respondeu Malia.

Allison deu um meio sorriso para Stiles, que apenas abanou a cabeça. Imaginava como seriam dois filhos, estava levemente ferrado, sabia disso, mas seria divertido.

— Então, hoje comemoramos nosso aniversário – Disse Sam, com um sorriso, levantando-se para propor um brinde, todos se levantaram. – Eu e Noah começamos a namorar nesse dia, nos casamos nesse dia e, nosso primeiro filho veio para nós nesse dia – Falou o homem, “nosso primeiro filho”, Isaac sentiu o coração pulsar de forma deliciosa, sentia um amor que jamais pensaria que teria: um amor paterno, materno. – E... eu quero propor um brinde, à união de nossas famílias... Ou clãs como vocês falam – Brincou o homem, e Stiles apenas riu baixinho. Derek deu um meio sorriso.

— Obrigado Senhor Stilinski – Agradeceu Derek – Stiles e eu nos inspiramos nos senhores como modelo de família.

— Todo formal ele – Murmurou Stiles – Eu... Eu acho que serei um ótimo pai – Afirmou o Stilinski mais novo – Porque eu fui abandonado, eu poderia estar abandonado, mas vocês me adotaram, vocês me deram um lar, vocês são os meus pais e o modelo de pais que eu tenho e que eu sempre vou ter.

Sam já começara a chorar, Noah tinha um enorme sorriso.

— Então, continuando o brinde de papai – Continuou Stiles – Eu brindo à nós, eu brindo à todos nós, nossa nova família. Minha nova família. À vocês papais, ao pai dos meus filhos. Aka Derek Hale. Aka Sourwolf – Derek rolou os olhos, Stiles até imaginou um leve rosnado do lobo ao seu lado. – Aos meus amigos, aos meus amigos lobos, ao meu novo irmão e à vida que eu crio dentro de mim.

Todos ergueram os copos e beberam. Depois logo voltaram a se sentar e voltaram a comer e a conversar bem alto. Stiles era muito conversador, e não ficara quieto nenhum instante. Derek conversava com Noah, sobre coisas até fúteis, sobre coisas até sérias.

Stiles se levantou, rindo, precisava ir ao banheiro. E foi, realmente, até o andar de cima. Entrou no quarto cantarolando, estava escuro, estava apertado, então nem notou que havia um homem sentado sobre sua cama.

— Yes babe! – Arfou de prazer ao esvaziar a bexiga apertada.

Quando saiu do banheiro, abanava as mãos para tentar secá-las. O corpo gelou.

— Olá Mieczyslaw – Falou o homem, com a voz calma, era um homem relativamente bonito, um rosto calmo – Não se assuste, não grite.

— Está bem difícil de não fazer isso agora mesmo – O coração de Stiles começou a bater como nunca. – E eu não me chamo Mie... Como é mesmo?

— Eu já vou sair pela janela, só... Só precisava lhe ver – Afirmou a voz.

— Talvez poderia já começar saindo pela janela – Pediu Stiles, em um tom quase ameaçador. – Meu pai tem uma arma. E meu noivo um bando de lobos na minha cozinha. E pode acreditar, isso é mais ameaçador do que soa.

A pressão de Stiles começara a subir de uma forma incrível, o coração estava disparado, aquilo definitivamente não era saudável para os filhos.

— Eu estive lhe observando de longe, criança – A voz era confortável, mas um arrepio interno se fazia em Stiles. Tinha vontade de gritar, mas tinha medo do homem lhe atacar antes de que Derek se aproximasse de si – Eu... Eu pensei que nunca fosse acontecer o que aconteceu com você...

O homem via os porta-retratos.

— O mundo é muito perigoso para nossa existência, garoto – Afirmou – O que aconteceu com você, já aconteceu antes. Um lobo e um urso. Mas o final foi trágico. Você sabe como Romeu e Julieta acaba?

— Isso não vai acontecer comigo e com Derek – Falou Stiles, decididamente, o coração pulsando de forma firme.

— Coisas ruins vão acontecer, Mieczyslaw – O homem fitou os olhos de Stiles – E se não formos inteligentes, coisas ruins irão realmente acontecer.

— Você tem um segundo, ou irei chamar Derek do clã Hale. Quem diabos é você?>

— Está tudo bem, eu não quero que ninguém saiba que estou aqui. Eu me chamo Castiel – Disse o homem, os olhos eram calmos, a voz era baixa e sussurrada, além de séria – Eu sou seu pai biológico – Falou o homem.

A última coisa que Stiles se lembrou, foi do homem correndo até si, amparando-lhe nos braços, a pressão abaixara-se subitamente. Desmaiara.

Castiel deixou o filho no chão, era perigoso demais para si expor-se. Aproximou-se de um vaso no gaveteiro do rapaz. Atirou o vaso no chão, fazendo um barulho alto o suficiente para que as pessoas embaixo ouvissem.

Saiu pela janela.

Precisava ver o filho. Sabia que tudo estava apenas começando.

Notas finais
Entãooo, gostaram da surpresa? =3 É uma atrás da outra, eu sei, eu sei =3 Heheh, a história do Stiles está longe de acabar.