BitterSweet
12 Capítulo 12: Million Reasons
Notas iniciais
— Não me olha assim – Disse Stiles, andando sem muito interesse em olhar para Derek.
Ainda se sentia estranho por ter tocado nele, tocado daquela forma em que apenas duas pessoas, entre quatro paredes, se tocava. E andava no caminho da vergonha no meio daquela vila de lobos. Sentia todos os olhares em si. Mas tratou de erguer a cabeça e andar como se realmente fosse o centro das atenções.
Passavam em frente à mesa extremamente desproporcional, Stiles não aguentou e comentou:
— A mesa é pequenininha, heim – Falou sarcasticamente.
— Ela está aqui por gerações – Afirmou Derek, enquanto andavam pela vila, Derek ia lhe mostrando uma coisa ou outra. – Nossa família é bem antiga na região.
— Então esse é o Seu beta problemático – Disse um rapaz bronzeado e forte, ao se aproximar. Bateu na mão de Derek, Stiles estendeu a mão e o rapaz apenas olhou para a mão de Stiles e depois para Derek. O humano, percebendo o vácuo, puxou a mão de volta guardando-a no bolso, achando extremamente mal-educado.
— Ei Rock – O seu alfa disse ao outro, provavelmente um beta da matilha.
— Extremamente problemático – Stiles afirmou sorrindo.
— Vocês combinam então – Respondeu o rapaz cujo apelido era Rock – Mas então, ele vai ser apresentado formalmente para nós ou não?
— Ele vai – Derek falou, com seu típico tom de voz sério.
Stiles olhou para ele, o que queria dizer ‘apresentado formalmente’? Se Derek pensasse que ele se prestaria ao papelão de fazer alguma coisa romântica ou algo do tipo... Olhou para o lobo que lhe olhou de volta. Derek deu aquele olhar bravo para si, mas Stiles manteve o olhar, diferente de qualquer beta que se submeteria. E, entre os olhares trocados, o lobo se lembrou o que acontecera à pouco, no quarto, e foi ele quem se submeteu ao olhar de Stiles.
— No fim de semana, durante a iniciação.
— Ah! Legal! – Anunciou Rock – Deixa eu ir, temos umas coisas para arrumar, papai disse para que eu visse a área que os humanos estão desmatando, não queremos nenhuma árvore a mais derrubada.
— Vai lá.
Derek voltou a andar com Stiles, indo em direção à floresta. Stiles não sabia por que estava andando com o outro floresta à dentro.
— É agora que você me devora na floresta. Lobo mau – Falou Stiles, colocando as mãos nos bolsos da calça – E eu nem trouxe meu capuz vermelho.
O lobo apenas continuou, até que estivessem andando por quase meia hora. Derek não conversava muito, apesar de Stiles puxar papo, conversar incansavelmente atrás do maior.
— Sério, porque diabos o cara lá não me cumprimentou? Aquilo foi muito mau educado.
— Ele não tinha minha permissão – Falou Derek, com um meio sorriso, mostrando dentes.
— Permissão para quê?!
— Para te tocar.
Stiles olhou de forma atônita para Derek.
— Como assim permissão para me tocar?
— Se você fosse um lobo entenderia. Depois do quarto...
— Nem fale uma palavra sobre o quarto – Stiles corou, continuando a andar pelo caminho irregular.
— Meu cheiro ficou impregnado em você. E como todos sabem que você é o escolhido para ser meu... Beta.
— Pi.
— Ser meu Pi – O lobo deu um meio sorriso divertido, estragando a cara de bravo que fazia até então.
— Então isso lhe dá o direito de decidir quem me toca ou quem não me toca? – Perguntou bravo Stiles. Olhou para Derek, que apenas assentiu.
— Dá.
— E está tudo bem com isso? Isso é bizarro. Eu não sou sua propriedade.
Derek respondeu com o silêncio e isso fazia Stiles se sentir muito estranho. Era uma propriedade agora de Derek Hale? Hell no! Não mesmo! Mas continuou andando em um silêncio mutuamente reflexivo.
— Onde estamos indo enfim?
— Para um lugar, acho que tem outros lá hoje – Falou Derek, erguendo as narinas e tentando sentir algo no ar. – É, tem outros lá.
Então correram até que chegaram em um lugar realmente lindo. Era uma clareira onde havia uma grande pira já queimada no meio. Haviam rapazes e garotas que quebravam grandes lascas de árvores para amontoarem onde seria uma nova pira.
— Isso não parece seguro – Falou Stiles, observando a fogueira que eles provavelmente acenderiam. – Então é sobre isso a tal da iniciação.
Derek assentiu, sem responder, enquanto foi falar com alguns dos rapazes que faziam o serviço. Stiles observou o amigo, e só então percebeu que já era de tarde.
— Scott – Falou, se aproximando de Scott que brandia um machado, subindo acima da cabeça e atirando contra um pedaço inteiro de madeira, partindo-o em dois em seguida. – Já pode ser um lenhador – Brincou Stiles. – Como foi a aula?
— Terminamos – Tomou ar, levantou o machado e abaixou o mesmo, partindo a madeira – a aula de Lacrosse... E depois a aula de matemática foi normal, o professor pediu umas coisas lá.
— Eu sei que ele pediu umas coisas – Respondeu Stiles, Scott lhe olhava de forma estranha – Não vai dizer que você está com medo de Derek. Por favor. – Abanou a cabeça – Ele não manda em mim, é bem capaz que eu mando nele. – Falou o rapaz com um meio sorriso e dando um sorriso de lado.
Scott que olhava para Stiles, desviou o olhar para trás de Stiles.
— E é claro que ele está atrás de mim – Falou Stiles, se virando e dando um sorriso cheio de dentes para Derek, que tinha os braços cruzados.
— Eu vou ter que terminar umas coisas, aqui. Tenho que arrumar os cristais para os rapazes que se iniciarem – Falou Derek.
— Eu preciso ir para casa – Afirmou Stiles.
— Vou chamar uns rapazes para lhe acompanhar até sua casa.
— Eu vou com Scott.
Derek olhou do seu humano para o cão bastardo que partia as lenhas.
— Ele está ocupado – Disse Derek, abanando a cabeça e já olhando ao redor quem chamaria para acompanhar Stiles até sua casa.
— Eu vou com Scott – Falou novamente Stiles, não estava pedindo, estava afirmando que iria com Scott.
— Você não pode sempre quebrar a hierarquia assim – Disse Derek, olhando para o rapaz que quebrava lenha, por sorte era apenas Scott, o amigo de Stiles e não um dos seus que ouvia a conversa – Eles vão pensar que eu não sou um bom líder.
— Se você acha que a opinião dos outros é tão importante assim, talvez você realmente não seja um bom líder então – Retrucou Stiles, o olhar fixo e furioso no de Stiles – Ok, agora eu me calo.
Derek rosnou baixinho, pegou o braço de Stiles e começou a puxá-lo para fora da clareira, Stiles foi andando forçado enquanto olhava levemente assustado com Derek. Será que ele estava bravo?
— Você não pode falar esse tipo de coisas na frente dos outros, ok? – Falou Derek assim que se afastaram um pouco da clareira – Eles esperam que um líder não receba ordem dos subordinados.
— Mas eu não sou seu subordinado – Stiles retrucou. Olhando fixamente para Derek – Foi você quem me escolheu, foi você quem foi atrás de mim e quem apareceu quase todos os dias fora da minha janela – O humano disparou, enquanto Derek ficava calado, rosnando baixinho.
Mas, como um cão que late mas não morde.
Não Stiles. Não seu humano. Mas porque ele não podia obedecer, por que ele não podia ser um pouco menos... Stiles.
— Eu vou te levar para casa – Falou Derek seco.
Stiles não falou nada. Foram de camionete, o grande veículo cortava a floresta, depois a rodovia. O meio largo do carro separava os dois. Stiles olhava para fora, enquanto Derek se concentrava na estrada.
— Você vai poder vir? É domingo. – Foi, surpreendentemente, Derek quem quebrou o silêncio.
— Não sei, tenho que pedir aos meus pais – Respondeu Stiles.
— Você quer que eu pergunte a eles?
— O quê?
— Se você pode ir...
Stiles começou a rir.
— Você quer ir na porta da minha casa, bater na porta, olhar para meu pai e pedir se eu posso sair com você? – Perguntou Stiles, com certo humor – Ok. Ok. – Ainda ria, enquanto Derek estava muito sério.
— É serio... – Murmurou o lobo, amuado, enquanto Stiles ainda tinha um sorriso divertido no rosto.
— Ainda mais depois que eu contei ao meu pai que eu estava gostando de um rapaz... bem, um dos meus pais vai fazer almoço para você, te convidar para entrar... enquanto que o outro pode, provavelmente, atirar em você.
— Eu gosto de correr riscos – Afirmou Derek, dando finalmente um pequeno sorriso para quebrar o gelo que se instalara entre eles depois da pequena briga de poderes na floresta.
— Aliás, por quê está escravizando meu amigo? – Indagou Stiles, olhando para Derek.
— Ele está lá porque agora faz parte da alcateia. Ele está lá por que quer participar. Eu salvei ele.
— Como você salvou, aliás, não entendi muito bem o que aconteceu com o Scott.
— Existe muitos de nossos que são chamados de mestiços, que as vezes têm um parente mais longe lobo. Scott é um desses, e tem esse... Lobo. Não sei. Têm alguém recrutando essas pessoas. Ele deu à Scott um fragmento de cristal, e isso ativou a transformação nele. Eu deveria ter matado ele. Scott.
— Você o quê? – Disse Stiles, irritado com a ideia de Derek fazer isso.
— Eu ia matar ele, mas... Ele não tinha culpa de qualquer forma. Ele disse não saber quem era o cara, e eu acredito nele.
— Scott é meio lerdo mesmo – Assentiu Stiles – Mas vocês estão atrás desse lobo?
— Não, não temos muito o que fazer. E ele não tem uma alcateia muito grande, somos quase 30 lobos crescidos, e tem os outros clãs. Não são loucos, mesmo que sejam são, são apenas filhotes mestiços e um maluco. Chegamos.
Estavam na frente da casa de Stiles, e ambos os carros dos pais estavam ali. Stiles abriu a porta e Derek também.
— O que diabos está fazendo? – Perguntou Stiles.
— Vou pedir ao seus pais, oras.
— Você corre sério risco de vida. – Falou Stiles, olhando para a casa – Meu pai acabou de chegar da delegacia, provavelmente ainda está com a arma no coldre.
— Eu sou um ótimo partido – Derek falou, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
— Você é sei lá, vinte anos mais velho que eu, papai não vai gostar da ideia, deixa que eu falo com meus pais.
— Eu não sou tão velho assim. – O lobo já estava ao lado de Stiles que tentava impedir o mesmo de caminhar.
— Derek, por favor. Não... – O rapaz falava, tentava bloquear o caminho do alpha, mas o mesmo ia apenas andando e empurrando Stiles em direção à porta.
Bateu na porta, Stiles pegou nos braços de Derek e, inutilmente, tentou deslocar o mesmo. Para o azar, o pai xerife atendeu a porta. Stiles soltou o braço de Derek imediatamente e ficou esperando que Derek fosse prudente e falasse ao menos que eram amigos ou algo do tipo.
— Stiles e... – O pai estreitava os olhos.
— O namorado do seu filho – Falou Derek, com o rosto muito sério.
A cabeça, queixo e boca e Stiles caíram em uma cena quase cômica, não fosse trágica. Derek tinha um sorriso e a mão estendida. Um sorriso estranho e que não combinavam com ele. Stiles revirou os olhos. Mau sabia o pai que o lobo era um lobo ranzinza. O pai pegou a mão de forma desconfiada, balançando a mão e soltando em seguida.
— Derek Hale, muito prazer, Xerife
— O que diabos é isso? – Falou o mais alto, o xerife tinha uma cara de bravo. Tinha a arma no coldre, olhava de Derek para o filho.
— Não é isso pai, o Derek é um brincalhão – Falou Stiles.
— Derek Hale? – Perguntou o pai.
— Derek Hale. – Afirmou novamente o lobo, não sorria tanto mais, mesmo assim mantinha uma cara de boa pessoa.
— Derek Hale, namorado do meu filho? – Perguntou o Xerife.
O homem de barba vermelha tentava processar o que acontecia, os olhos azuis olhavam do filho adotivo para o homem barbado à frente.
— O que está acontecendo Noah? – Perguntou Samuel, o outro pai, tinha uma roupa folgada, estava descalço. Tinha um copo de Coca-Cola, a qual sugava com o canudo – Filho e?
— Namorado do nosso filho – Falou Noah, olhando para Samuel que empurrava Noah para o lado para poder ficar no vão da porta.
— N-namorado? – Engasgou-se com o refrigerante.
— Stiles, você está com alguma gracinha de novo, não é? – Perguntou o xerife. Olhando para o filho.
Samuel olhou para Stiles, o filho olhou para o pai de volta, já haviam conversado sobre. Samuel deu uma batidinha fraca nos braços fortes do xerife, que olhou para o marido.
— O que foi? Você já sabia?! – Questionou Noah ao esposo.
— Não dessa forma. – Falou o médico – Entrem. – Deu espaço e puxou o marido para dentro, que olhava para trás enquanto entrava em casa.
Sentaram-se no sofá da sala. Stiles e Derek sentaram-se nas poltronas de um lugar, separados por uma mesinha com um abajur. Enquanto isso, o casal Stilinski sentou-se no sofá de trás lugares. Apenas uma mesinha de centro separava eles do novo casal.
O xerife tirou o cinto policial com as algemas, arma e distintivo e deixou, sonoramente, sobre a mesinha de centro.
— Expliquem-se – Disse o mais velho.
Stiles não sabia muito bem o que falar.
— Não é como se fossem ficar bravo se eu me assumisse gay, não é? – Falou o filho, Derek olhou para Stiles.
— Não. – Respondeu Noah, seco. Parecia uma versão mais velha de Derek naquele momento.
— Ok... – Acenou Stiles, esperava que o pai falasse mais algumas coisas. – Então, aconteceu e tals.
— Aconteceu e tals – Noah abanou as mãos, como se fosse a coisa mais simples do mundo. – O que exatamente aconteceu e tals? – Perguntou o mais velho, estreitando os olhos e olhando para Derek.
Derek estava muito tenso, agora que pensava, talvez não tivesse sido uma coisa tão boa ter já contado aos futuros sogros sobre o namoro. Ao final, nem mesmo pedira Stiles em namoro. Mas agora já estava feito.
— Eca pai! Não isso! – Stiles falou, abrindo a boca e olhando horrorizado para o pai. – Não... nós nos beijamos, gostamos um do outro e é isso.
Samuel soltou um barulho estranho, e quando Noah olhou para o marido, o mesmo tinha um sorriso divertido e tentava conter um riso alto.
— Aconteceu ¯_(ツ)_/¯ – Falou o médico, fazendo uma expressão divertida no rosto. Não se importava realmente que o filho estivesse namorando.
Não se importava quem ele amasse, ele tinha que se descobrir, tinha que amar, ter o coração partido algumas vezes, fortalecer-se. Fazia parte de viver.
— Eu amo o seu filho... – Principiou Derek, mas o xerife logo o cortou.
— Corta essa! – Exclamou o mais velho, olhando Derek com os profundos olhos azuis claros – Eu sei bem o que seu tipo quer – Estreitou os olhos.
— Noah! – Exclamou Samuel.
— Samuel! – Retrucou o Noah.
— Stiles!? – Samuel chamou a atenção do filho, que deveria responder ao pai e ajudar Derek a defender seu ponto.
— Derek?! – Noah exclamou, pedindo logo uma explicação do homem.
— Burro! – Exclamou Stiles divertido.
Derek olhou para Stiles que ria bobamente, e depois ficou sério, abaixando a cabeça fingindo estar sério.
— É do Shrek – Falou Stiles para Derek, baixinho, enquanto os pais se confrontavam com olhares. – Sério, você precisa assistir mais filmes.
— Tudo bem, eu aceito isso, mas não agora. – Disse Noah, se levantando. Não estava conseguindo deglutir a ideia do filho namorando.
Derek se levantou também, estava sério, apesar das gracinhas do... namorado?
Era isso que eram?
— Senhor Stilinski. – Falou Derek, muito seriamente – Eu não quero lhe desrespeitar, nem você nem seu marido. Mas eu realmente amo Stiles e eu sei que ele me ama.
“Convencido”, pensou Stiles, e assim que recebeu o olhar do pai tratou de acenar positivamente, com um pequeno sorriso.
— Sei que pode parecer brincadeira, já que bem conhecemos... Bem, Stiles. – Derek olhou para o rapaz sentado na poltrona, que sorriu com o sorriso grande. – Eu sou de uma boa família, não uso drogas, sou responsável.
“Relativamente, apesar de ser um lobo gigante que já me ameaçou mais de uma vez”, pensou Stiles novamente, mas preferiu ficar calado e acabou se levantando.
— Pai, eu gosto dele. – Afirmou Stiles. – Eu entendo se você estiver bravo e tudo mais, mas eu só quero ser feliz, e eu acho que estou sendo assim.
Stiles falara de forma tão informal, tão profundamente simples que o pai apenas assentiu, em silêncio, voltando a se sentar inconformado. Não tinha realmente muito o que se fazer. Não podia negar o amor que o filho tinha, não podia impedi-lo de ser feliz como os seus próprios pais fizeram-lhe.
Seus pais haviam lhe mandado ao exército para tentar ‘ser homem’. Realmente, se não fosse isso nunca teria conhecido Samuel. Mesmo assim, os pais nunca lhe visitaram, nunca quiseram ver o filho adotivo. Não se permitiria ser esse tipo de pessoa.
Apenas, ao contrário do marido, não queria deixar o filho ter o coração partido de forma alguma.
— Obrigado, mesmo – Falou Derek, muito sério. Olhou para Stiles, e assentiu, era sua hora de ir embora, até o fim de semana teria algum tempo de pedir aos pais do garoto a permissão para o mesmo ir à festa de iniciação.
“Namorado”.
Era o que Stiles refletia, era ou não era?
Derek realmente não lhe pedira. Também não poderia imaginá-lo se ajoelhando e lhe dando um anel, ou pedindo sua mão. Não, não o Derek. Mas assim, tão... instantaneamente?
O lobo se foi e Stiles ficou só com os pais.
— Não é uma piada? – Perguntou o pai xerife mais uma vez.
— Não – Stiles balançou a cabeça lentamente, negando.
— Tem certeza?
— Quase certeza absoluta.
“Namorados?”, refletia Stiles, mentalmente.
— Você realmente gosta... Desse cara? – Questionou o pai – Você sabe o que acontece... Entre casais do mesmo sexo, não é? – Falou o homem, corando fortemente. – Digo... Entre dois homens. Vocês...
— Nem termine a frase! – Exclamou Stiles – Quero manter minha sanidade!
— Pois então – Falou Noah, cruzando os braços.
Samuel que estava sorrindo até então, se pronunciou.
— Ele é bonitão – Falou Samuel para o filho, com um meio sorriso.
— Ele é mediano – Disse Noah, indo para a cozinha pegar uma cerveja. Precisava de algum álcool para engolir tudo.
— É bonitão sim! – O médico falou alto, fazendo Noah abanar a mão como se tentasse ignorar, o pai chamou o filho com a mão que correu e se sentou ao lado. – Mas me fala, como conheceu ele, como foi tudo?
“Conheci ele na floresta, depois de ter visto ele lutar com um cara em uma festa ilegal e eu destruir a moto dele”, pensou Stiles, imaginando como o pai reagiria se falasse isso.
— Nós meio que começamos a conversar, e nos demos bem. Temos muito em comum – Pensou rápido Stiles. Não era completa verdade, mas não deixava de ser algo de mentira – Quase como uma conexão. Eu conheci os pais dele já, eles estão felizes por nós.
— Sério? – Questionou Samuel, enrugando a testa. – Nossa, vocês crianças de hoje em dia são tão precoces.
— Você não tem ideia... – Comentou Stiles, pensando no que acontecera no quarto de Derek. – Pai, vou tomar um banho, estou cansado, hoje o dia parece que foi bem maior.
Entrou no quarto e sorriu bobamente, sozinho, quando fechou a porta e se virou, sentiu algo prender sua boca. Com razão, dera um grito de susto, que foi abafado pela mão grande em sua boca. A mão saiu de seus lábios.
— Você não pode ficar fazendo isso, vou ter que deixar minha janela sempre fechada agora – Disse Stiles.
Stiles trancou a porta e sorriu de leve, não que se sentisse completamente feliz com a situação. Em realidade, sentia-se completamente indeciso. Namorar ou não namorar com Derek?
— Você não vai ajoelhar ou algo do tipo? – Perguntou em sussurros Stiles, com um tom de humor nervoso.
Não estava tão brincalhão quanto deveria ou era. Nem conseguia pensar muito adiante. Derek lhe olhava intensamente.
— Não.
Como sempre tão resumido nas palavras. Stiles apenas desviou o olhar, aquele olhar de Derek era muito intenso. Conseguia lhe despir, conseguia lhe por na cama e lhe amar intensamente.
Apenas com o olhar.
Olhos.
Luz entrando em um diafragma tão minúsculo e exibindo milhões de detalhes.
Mas pela licença do poeta, existem mais coisas entre o céu e a terra para que os olhos consigam enxergar.
Coisas que apenas mãos, dedos, toques e duas almas necessitadas conseguem se sentir. Mutuamente.
— Então como vai ser?
Derek apenas balançou a cabeça. A voz de Stiles saía sussurrada. Tinha medo dos pais ouvirem, apesar de que tinha certeza que estavam embaixo, discutindo exatamente se ele poderia namorar um homem anos mais velho.
— Eu tenho um milhão de razões para não ser seu namorado.
— É, você tem.
Derek se aproximou, lhe cerceou com os braços grossos e esmagadores de ossos.
— Eu sou humano.
— É, você é.
O homem-lobo encarava seus lábios, seu rosto.
Para Derek, ele ser um humano era uma fraqueza inevitável. Sabia que estaria mais fraco ao lado de Stiles, sabia que teria que se defender e defender ele. Sabia que nunca estaria completo sem alguém da sua espécie.
— Você é um lobo.
— É, eu sou.
Mas para Derek isso já não importava tanto mais. Stiles lhe fazia se sentir de uma forma completamente diferente. O garoto conseguia ser destemido e ao mesmo tempo medroso. Sabia lhe tirar sorrisos mesmo nos momentos mais tensos.
— Somos muito diferentes.
— Completamente diferentes.
Tinha, de fato, um milhão de razões para não estar com o humano.
— Stiles?
Perguntou Derek, sua voz cortou qualquer voz de Stiles. Não sussurrou, não gostava de palavras sussurradas, tal como não gostava de meias palavras.
— Hum? – Indagou Stiles, ainda tentando sussurrar, com medo dos pais ouvirem.
Medos de crianças. Crianças que recém começara a vida, que nunca namorara.
Medo dos pais pegarem-lhe paquerando no quarto.
— Aceita ser meu companheiro para a vida? Aceita ser meu Pi?
De todos os números, logo ele, um irracional, fora escolhido pelo lobo.
Não, não estava aceitando apenas ser um mero namorado. Aceitava ser o companheiro eterno de um lobo, um homem lobo.
Não, não estava aceitando ser, tradicionalmente, o Beta de um Alfa.
Mas sim um número incompreendido e tão importante. Não aos matemáticos, mas único e exclusivamente para Derek.
Sentiu o maior lhe fitar os olhos, e então levar os lábios ao seu pescoço, depois ao ombro direito. Stiles fechou os olhos, talvez sabia o que aconteceria. Sabia que doeria. E doeu. Tão logo disse a palavra, sentiu Derek lhe morder, sentiu os dentes do homem-lobo perfurarem sua pele, sentiu o sangue quente regar-lhe a pele branca.
Era uma marca, Derek lhe abraçou, o verbo que antecedeu à mordida havia sido:
— Aceito. – Disse Stiles.
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