Bitolar

3 Capítulo 3 - Suspeitos e Batatinhas


Notas iniciais
Nesse capítulo vamos ter uma cena hot. Espero que gostem.

– Bom dia, Jamille. Essa conversa será transcrita e ajudará na investigação do assassinato.

Hamilton finalmente começava a coleta de depoimentos, o que o deixava extremamente satisfeito. A investigação finalmente começava.

– Bom dia, Hamilton. Estou à disposição da justiça.

–Tudo bem, vamos começar. Me diga como Ayla estava antes do ocorrido.

–Estava nervosa, apreensiva, comia pouco. Era nítido que se preocupava com algo, mas não quis se abrir comigo.

– E o que aconteceu naquela noite?

– Ela saiu de casa por volta de sete horas. Disse que ia sair com o namorado, Isaac, e que voltava antes de meia-noite.

– E você acredita que Isaac possa ter feito isso?

– Sim. Tem boas chances de que tenha sido ele.

– E por que diz isso?

– Uma vez Ayla apareceu com hematomas nos braços e descobri que foi o mesmo em uma crise de ciúmes.

– E como descobriu isso?

– Já estava desconfiada, porque o garoto é muito explosivo, acabei ouvindo uma conversa dela com Pérola.

– Você tem alguma outra informação que possa ser relevante?

– Infelizmente não, mas acredito que Pérola possa ser mais útil, já que estavam sempre juntas.

– Muito obrigado, Jamille. Assine seu depoimento e pode ir.

Os dos se despediram e Hamilton estalou seus dedos. Um longo trabalho estava por vir.

Depois de todas as formalidades resolvidas, a próxima testemunha entrou:

– Ora, ora, Isaac... Nem consigo acreditar que veio sem ser arrastado.

– Claro que vim. Eu sei quem foi o filho da puta que fez isso.

– Ah é? E quem foi?

– Enzo Abreu.

– E como sabe que foi ele?

– Aquele maconheiro metido a pintor vivia atrás dela. Provavelmente ficou doidão e fez essa abominação.

– Calma aí, está me dizendo que um pintor ficou drogado e matou a Ayla?

– Sim. Ele vivia de historinha falando que era artista... Era desculpa pras perversões dele. Onde já se viu pintar a mulher dos outros pelada? Dei uma coça naquele tarado. Mas Ayla defendia, dizia que era só arte e que ficaria imortalizada...

– Hm... Obrigada por suas suspeitas, vamos investigar. Agora me diga, quando foi a última vez que encontrou com a Ayla?

– Uma semana atrás.

– Então você não viu ela na noite em que foi morta?

– Não. Era pra ela ter encontrado comigo dez horas lá no bar Rokabilly, mas não apareceu.

– E o que você fez nessa noite?

– Eu estava em casa até às nove e meia, depois fui para o bar, esperei até as onze conversando com o garçom. Como ela não apareceu, fui pra casa do João e bebemos até uma da manhã. Então fui para casa.

– Me fale agora sobre quando você agrediu Ayla e deixou hematomas pelos braços dela.

Por alguns momentos, Isaac pareceu um pouco mais branco e pasmo. Mas sua incredulidade aos poucos se transformou em ira:

– Então é isso, não é Hamilton? Sempre te respeitei e você me traz aqui, pensando como todo mundo que fui eu que a matei.

– Minhas opiniões são irrelevantes para a investigação. Responda à pergunta.

– Eu estava bêbado. Peguei ela me traindo com aquele pintorzinho ridículo. Sacudi ela pelos braços. Usei força demais. Foi isso. Não agredi ninguém.

– Isso se qualifica como agressão, caso queira saber.

– Então me diga, Hamilton, o que você faria num caso desses.

Hamilton gostaria de dizer que seria alguém centrado e somente iria embora, sem nenhum tipo de briga. Mas ele sabia a verdade. Por isso ignorou a pergunta e continuou seu interrogatório:

– E mesmo depois desse episódio vocês continuaram juntos. Não ficou nenhum tipo de mágoa entre vocês?

– O senhor é padrinho dela, mas nunca a conheceu de verdade. Acha que eu não sabia que ela me traia mesmo depois disso e até antes? É claro que sabia. Já tentei me vingar, broxei com uma gostosa como nunca tinha feito antes. Tentei ficar longe dela, mas a vida era uma merda. Ela me prometeu que não faria mais, e eu fingi que acreditava pra não ter que me afastar.

Hamilton ficou impressionado ao ponto de sua inabalável seriedade cair.

– Acha que estou feliz de admitir ser um corno manso? Só estou aqui deixando meu orgulho de lado, porque todos esses hipócritas que nunca a conheceram de verdade falam sobre nosso relacionamento de uma forma nojenta. Éramos felizes juntos. Eu não a matei. Eu quero saber tanto quanto o senhor quem fez isso, porque aí sim eu vou matar alguém.

Hamilton suspirou fundo. Era difícil demais digerir tanta informação crua. Ele decidiu que faria isso em seu quarto, sozinho. Com a mão firme, ele tocou no ombro de Isaac, e num tom paternalista disse:

– Procure um advogado, não vá atrás desse garoto, deixe comigo descobrir o culpado. Isso é o máximo que posso te aconselhar e pedir.

Isaac agradeceu e se retirou da sala, mas Hamilton não estava totalmente convencido de que ele seguiria seus conselhos. Um copo de água fui tudo que se permitiu, mesmo com o desejo de um cigarro gritante. Flora tinha insistido que ele parasse, e pelo menos por hora, ele resistiria.

– Bom dia, Pérola. Como vai?

– Bem, senhor. Triste com essa tragédia, mas bem.

Hamilton observou os olhos azuis claro marejarem e o rímel da garota borrar. Era uma menina realmente bonita, com seu corpo mignon e o cabelo loiro caído pelas costas. Pérola o lembrava vagamente de Flora, quando mais nova.

– Podemos começar?

– É claro.

– Você e Ayla eram muito próximas.

– Sim, como irmãs.

– Então me diga, quem pode ter feito isso?

– A maior parte das pessoas acredita que tenha sido Isaac. Mas eu não.

– Por quê?

– Ele sempre teve loucura por ela. Teve uma vez que ele a chacoalhou e deixou os braços dela roxos, e ele passou três dias chorando e pedindo perdão. Ele sofria de verdade. Nem fumava. Duvido que fosse capaz de matá-la e estar com tanto ódio como estava ontem na praia.

– Entendo. Mas e então, quem você acha que fez isso?

– O que vou falar aqui é perigoso. Preciso de uma garantia de que não serei exposta. Não quero acabar do mesmo jeito.

– Você ainda é menor, tem todas as garantias.

Pérola assentiu e mordeu os lábios levemente antes de dizer:

– Temos um professor. Murilo Dias. Ele é obcecado pela Ayla desde que tínhamos quatorze anos. Obcecado mesmo. É doentio. Ele a perseguia na escola, sempre arrumava um motivo para ficar alguns minutos a mais com ela na sala, mandava cartas de amor. No ano passado, ela acabou ficando com ele numa festa e as coisas pioraram. Ele queria de todo jeito que ela fosse só dele e eles tiveram algumas discussões desde então. Ele até implicava com ela na sala. Todo mundo já estava percebendo.

Essa era nova para Hamilton, que escutava tudo impassível. Depois de anos ouvindo os maiores absurdos ele tinha aprendido do pior jeito como manter-se quieto.

– Eu tenho certeza de que foi ele. Dá pra ver a loucura nos olhos dele.

– Você quer acrescentar alguma outra informação?

– Sim. Ayla estava muito estranha alguns dias antes. Mas ela não queria me dizer porquê. Acabei percebendo que ele ficava muito nervosa quando recebia alguma mensagem no facebook. Mas não sei dizer qual o conteúdo e se tem alguma relação.

– Tudo bem. Muito obrigado pela colaboração.

Quando Pérola saiu da sala, Hamilton chamou um policial:

– Juarez, intime Enzo Dias, é um pintor. E também Murilo Dias, esse é professor. Chame o Henrique para mim, também, por favor.

O militar assentiu e Hamilton massageou suas têmporas. Uma perguntava imperava no reino de pensamentos do investigador: com que espécie de pessoas Ayla tinha se metido?

– Mandou me chamar, Hamilton?

– Sim. Sei que prefere trabalhar com mortos, mas hoje tenho um serviço vivo para você.

O forte homem, mulato e de sorriso extremamente branco pareceu confuso, mas assentiu curioso.

–*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

– Essa é Ayla Dornelles, Henrique.

– Nossa. Você é realmente tudo que dizem.

A menina sorriu traquinas e disse:

– E o que te falaram de mim? Espero que só coisas boas...

– Fala-se muito sobre uma beleza exuberante...

– Henrique, contenha-se, te trouxe aqui para trabalhar.

Hamilton não parecia nada feliz com os gracejos do jovem para com Ayla, e acabou por cortar o flerte antes que se desenvolvesse.

–Desculpa, chefe. Não estou acostumado com moças bonitas assim.

Ayla parecia em deleite com os elogios, mas permanecia quieta e sorridente, talvez para evitar contendas, talvez porque fosse novo alguém atraente que claramente a desejasse.

– Com licença moça, vou começar a te examinar.

Henrique pegou a mão da menina com delicadeza enquanto sorria atrevido. Ayla simplesmente estava amando a atenção que recebia.

– Vejo que suas unhas estão cortadas.

Henrique encarava atentamente as unhas que se encontravam no sabugo.

Hamilton interrompeu e disse:

– Quando a encontramos, já estavam. Mas conseguimos tirar um filete e mandar para análise. Talvez consigamos algo. Provavelmente não.

– Ora, já podemos acrescentar um traço a nosso assassino: é inteligente.

Hamilton pareceu mais irritado. Ayla sentia-se curiosa:

– Afinal, o que você é, Henrique?

– Sou legista. E estou fazendo uma especialização em psiquiatria. Gosto de ser um profissional completo. Olhe só, Hamilton, esses pequenos arranhões nos braços dela.

– Parecem arranhões de unha.

– Cravaram a unha nos braços dela. A pessoa tem unhas pequenas, ou os cortes teriam sido mais profundos. Pela altura do braço que foram feitos, é alguém mais alto que ela.

– Pela cena do crime, posso te dizer com toda a certeza que esse corte na testa foi feito socando o rosto dela no meio fio. A cabeça e os lábios são onde mais sangra, e como esse bocão está inteiro...

Henrique passou o dedo indicador sobre os lábios levemente pálidos de Ayla, e a mesma teve a certeza de que se estivessem sozinhos, seria a língua dele e não o dedo. Hamilton teve a mesma impressão, e em um tom autoritário pronunciou:

– Henrique, contenha-se.

– Pode levantar a blusa Ayla?

A menina pareceu surpresa com a ousadia.

– Só quero ver os machucados, moreninha.

– É que por causa das dores nas costas, eu tenho ficado sem sutiã.

Henrique parecia ter engasgado, Ayla estava claramente constrangida. Hamilton suspirou pesado e disse muito ameaçador:

– Vou esperar ali na porta. Se alguém se meter a engraçadinho com você, é só chamar. E você, rapaz, lembre-se que está aqui como profissional.

Hamilton saiu e a porta estalou com um leve clique.

– Agora, mocinha, me mostre o que fizeram com você.

Ayla lentamente levantou a blusa masculina que vestia de uma maneira intuitivamente sensual. Ela tinha consciência de seu corpo, e como tal, não sentia vergonha de si mesma. Sua semi-nudez era tão naturalmente bela que Henrique continha-se para não tocar os seios de tamanho tão perfeito. Caberiam em suas grandes mãos e mesmo assim não podiam ser considerados seios tão fartos. As auréolas provavam uma ascendência indígena e o tom natural da pele dourada.

– Parabéns, moreninha. Fez um homem feito de bobão. Mas vamos lá, preciso fazer uma análise.

Lentamente, e com medo de esbarrar “sem querer querendo” nos seios, as fortes e firmes mãos percorreram toda a extensão do tórax até que Ayla soltou um gemido de dor.

– Essa foi a costela trincada que vi na sua radiografia. Agora, vire-se, moreninha.

Ayla, com dificuldade, virou-se. A perna engessada ficou apoiada no chão, mas a imobilização cumpria seu papel. Henrique continuou tocando em pontos específicos e perguntando se doía. Rapidamente ele terminou e pediu a garota para que se vestisse, onde o fez sendo observada todo o tempo. Quando acabou, Henrique chamou Hamilton e disse:

– Pelas fotos da perna quebrada que me mandou, o que causou a fratura foi um tombo, já que o padrão dos hematomas é compatível com acidentes cotidianos. Quando caiu, o assassino deve ter aproveitado para chutá-la. Ela tentou sair, e o mesmo socou a cabeça dela tanto de lado quanto com a parte superior da face no meio feio. Pelo menos três vezes, já que a radiografia mostra concussões distintas no mesmo número. Quem fez isso é forte e se exercita regularmente, porque eu contei no mínimo, vinte chutes. Provavelmente homem. Chance superior à 80%. Uma pessoa que estava com muita raiva e ódio acumulado, mas que não deixa de ser inteligente, pois cortou as unhas dela. Poderia até dizer que foi um crime de vingança, mas os motivos já ficam com você descobrir, Hamilton.

– Muito obrigado, Henrique. Vamos voltar para a delegacia. Ah, oi meu filho.

Conrado acabava de chegar ao quarto, de bermuda e chinelo, mas sem camisa. Ayla automaticamente sentiu-se retraída, pensando no clima que teve com Henrique no quarto dele, parecia desrespeitoso aos olhos dela.

– Boa tarde.

– Já estamos de saída. Henrique precisa por tudo num papel agora.

Pensar nos dois levava-a uma inevitável comparação. Era óbvio que Henrique a desejava e não se continha ao mostrar isso. Já Conrado reprimia qualquer interação entre eles, e esforçava-se ao máximo para não demonstrar qualquer tipo de desejo.

Henrique despediu-se entregando um pequeno post-it com um número:

– Tchau, Ayla. Se quiser conversar...

Ela sorriu agradecendo enquanto ganhava dois beijos no rosto. Conrado evitava olhá-los e ela sentiu-se estranha por reparar nisso.

Ayla percebeu que era conquistadora ao pensar nos dois homens que conhecia. Tinha algo que a atraia irremediavelmente em ter Conrado desejando-a como Henrique a tinha desejado pouco antes. Algo satisfatório quando percebia que Conrado deixava seus olhos escorregarem até suas coxas ou seios. Momentos assim eram muito mais excitantes do que ficar seminua com um homem que claramente a queria.

A morena constatou que gostava da sensação de fazer alguém não conseguir resistir à ela mais do que de ser cobiçada. Era uma característica que a envergonhava, mas que percebia não poder negar. E ela pensou, que era algo inato nela... Se fosse, estava explicado porque incomodava tanto Conrado antes. E porque continuava incomodando agora.

Pronto, os dois estavam sozinhos e o clima tenso, mais uma vez após o comentário:

– Esse cara tem o dobro da sua idade.

– E o que tem isso? Não podemos ser amigos?

– Ele com certeza quer ser seu amigo.

Conrado começou a revirar as gavetas de forma desordenada e até raivosa.

– Só não use minha cama.

– Eu acabei de conhecer o Henrique. Acha que eu faria algo assim?

– Olha, você não era exatamente fiel ao seu namorado.

Mais uma gaveta revirada e nada.

– Eu tinha um namorado? Porque ninguém me falou isso?

Conrado sem parar de mexer em mais uma gaveta disse:

– Provavelmente ainda tem. Não importa o que você faça, ele nunca desiste. E não te falaram nada porque ele é um dos suspeitos e ninguém quer confundir a cabecinha da menina sem memória.

Ayla sentiu que poderia ter tomado um soco no estômago agora sem problemas que sua expressão facial seria condizente.

– Eu não entendo, Conrado. Eu sou alguém tão ruim assim, pra você sempre esperar o pior de mim e não ter nenhum tipo de consideração com o que fala? Sabe de uma coisa? Estou cansada de você, garotinho mimado.

– A mimada aqui é você. Sempre teve tudo que quis, não é? Se lembra agora?

– Não, não me lembro. Gostaria de lembrar porque tanta hostilidade sua. Dor de cotovelo tá no topo da minha lista.

Conrado aproximou-se feito um gato e parecia pronto para esganá-la, mas ao contrário das outra vez, Ayla não teve medo e também não abaixou a cabeça. Mas algo no percurso acabou distraindo-o:

– Ei! Minha blusa! Não acredito que você está vestindo minha blusa favorita pra dormir!

Ayla piscou confusa algumas vezes.

– Sério que você está indignado com isso?

– Eu amo essa blusa.

– Eu só peguei essa porque era a mais velha que vi. A Jamille não trouxe minhas roupas ainda.

– Tudo bem, garota. Não vou te deixar andando pelada por aí.

– Tenho certeza de que você ia odiar isso.

– Você tá dando em cima de mim ou tô ficando maluco?

– Com certeza tá ficando maluco, senhor não posso ver uma perna que preciso ir embora.

– Digamos então que você é fisicamente atraente. E pronto. Isso não significa que eu vá fazer algo ou que eu queira alguma coisa com você. Preciso de mais que um corpo bonito em uma mulher. E isso você não é.

Ayla dessa vez, sentiu o soco intenso no estômago. Ela sentiu que até um ai escapou de seus lábios. Ambos se encararam levemente e ela lentamente foi murchando como uma rosa ao sol. Quando se deu conta, nem estava mais sentada, e sim deitada na cama, olhando pro teto com Conrado sentado próximo a sua perna boa encarando-a. Ficaram assim por quase um minuto inteiro.

– Pode deixar que não pegarei mais suas roupas. Desisto também de tentar ter qualquer amizade com você. Não sei quanto tempo vai levar para que eu vá embora, mas pelo menos para sair do seu quarto falta pouco.

Mais silêncio. Ayla poderia chorar se estivesse sozinha. Parecia blasfêmia que ela fosse apenas bonita. Era ofensivo. Mais do que ser acusada de ser infiel, manipuladora ou maldosa. Era ainda mais ofensivo que insinuar que ela era vadia. Era mais doloroso que pensar que alguém que ela amava pudesse ter tentado matá-la.

– Me desculpe. Estou sendo um canalha com você repetitivamente.

– Tudo bem, Conrado. Tenho que aceitar isso. Não sei quem sou, não sei o que eu mereço ou não. Provavelmente mereço suas palavras, provavelmente merecia ter morrido aquela noite, também. Pelo menos isso, eu sei que você pensa isso.

– Claro que não. Me desculpa. Não precisa me fazer sentir culpado desse jeito. Você era mais afiada para respostas antes, sabia?

– E daí? Continuo sendo uma menina bonita que deveria estar morta.

– Para de drama, Ayla. Você não é assim.

– Agora sou. Só escuto o quanto eu era péssima de você. Se mudei algo já estou no lucro.

– Se continuar assim, vou ser obrigado a acreditar na sua amnésia.

– Não me interessa mais se acredita ou não.

Ayla continuava sem querer olhar para o homem a sua frente, que parecia sem jeito e muito culpado.

– Me perdoe. De verdade. Não fui criado para ser um canalha. Eu estou na defensiva desde que você veio pra cá. Eu tenho medo de você armar alguma pra mim.

– Caso não tenha percebido, tenho uma perna engessada, uma costela trincada e tantos hematomas que pareço uma batata roxa. Não dá pra pensar em muito além de analgésicos, dormir e tentar saber quem fez isso tudo comigo, e porque essa pessoa tem tanto ódio de mim.

– Sempre teve muita cobiça em cima de você. Inveja de quem queria ser você, de ter as suas coisas. Homem de todo tipo te desejando. E você sabia lidar com tudo isso, instigava a mais. Quando você chegava em um lugar as pessoas corriam pra te ver. Todo mundo queria falar com você. E você era tão charmosa que ninguém queria sair de perto. Isso tudo mexe com a mente de quem não tem tudo que quer.

– Isso que me disse faz sentido. Menos a parte de ser eu essa pessoa.

– Acredite em mim, você era, ou é. Viu como aquele cara ficou doido em você, mesmo parecendo uma batata roxa.

Os dois sorriram um pro outro levemente e um calorzinho se espalhou por toda a barriga da menina.

– Agora vou no mercado pra minha mãe. Depois a gente conversa mais. Tchau, batatinha.

Ayla finalmente sentiu-se livre para dormir onde estava. Parecia, que finalmente, ela tinha convencido Conrado de que estava sendo verdadeira. Ela curtiu a sensação deliciosa, aproveitando cada endorfina produzida. Sim, de fato, ela era uma conquistadora, e esse, tinha sido finalmente o seu primeiro passo na areia após desembocar de um mar furioso.

Cena do Próximo Capítulo:

– Você tem algum suspeito?

– Mas é claro. Isaac.

– E por que pensa isso?

Enzo ficou de costas para Hamilton e mostrou uma longa e fina cicatriz rosada que se estendia por toda a cabeça do garoto. O detetive sentiu seu estômago revirar. Lembrava-o claramente do longo corte na face de Ayla e a quantidade de sangue que precisaram para salvá-la.

– Por causa disso, senhor. Cortesia de um homem das cavernas.

Notas finais
Esse capítulo fluiu muito bem para mim. Gostaria de saber a opinião dos fantasminhas que estão lendo... Mas, paciência. Ando meio chateada com enem, problemas familiares e etc, e acabei ficando um pouco parada nessa semana, mas acredito que quinta que vem teremos capítulo de novo sim. Obrigada por todos que tem me apoiado nos comentários e também por quem só lê e não comenta. Sei que estão aí graças ao contador de visitantes. kkkk Ah, espero não ter decepcionado minhas amigas que shippam Ayla e Conrado com o Henrique. Já sei que vai ter ship com o Enzo também, mas a verdade não será revelada. kkkkkk Até semana que vem. beijinhos