Biscuit

2 Capítulo 2


Notas iniciais
POR FAVOR, DEIXEM REVIEWS E SEUS COMENTÁRIOS. QUERO SABER A OPINIÃO DE VOCÊS.

EXT. — NOITE — PRACINHA

Pequena praça com um o chão coberto de grama, alguns bancos

e árvores espalhadas por ela e no centro um pequeno

playground. Alguns casais sentados nos bancos e pessoas

caminhando.

Yara esta apoiada atrás de uma árvore e ocultando o corpo

cuidadosamente olha ao longe Henrique apertando a mão de

Jonas que segue para a direita descendo a rua enquanto

Henrique caminha até sua casa pouco mais a esquerda.

INT. — DIA — CASA — QUARTO DE HENRIQUE

Henrique está deitado em sua cama olhando fixamente para o

teto. Sobre seu criado mudo está um porta-retratos com a

foto de Yara sorrindo que ele fotografou no parque.

HENRIQUE

(PENSAMENTO)

Será que algum dia eu vou

encontrá-la outra vez?

Henrique fecha os olhos e respira fundo então escuta uma

batida na porta do quarto.

EDNA

Filho se levanta que você vai no

mercado comigo.

HENRIQUE

(GRITANDO)

Já vou.

INT. — DIA — SUPERMERCADO

As sessões são separadas por grandes prateleiras que formam

longos corredores, ao fundo fica a padaria e o açougue e

próxima da entrada os caixas e a esquerda seguindo um

pequeno corredor estão os caixas eletrônicos.

Henrique empurra um carrinho cheio de caixas, pacotes e

latas pela sessão de guloseimas, sua mãe caminha ao seu

lado.

EXT. — DIA — CASA DE HENRIQUE — FACHADA

Yara está na frente da casa, toca a campainha e espera

batendo a ponta de um dos pé mantendo um ritmo então toca

novamente a campainha.

ADRIANO

Posso ajudar?

Yara se vira para a direção daquela voz e se depara com

ADRIANO, alto, corpo definido, cabelos curtos, trajando um

terno cinza e carregando uma mochila nas costas.

YARA

Eu queria falar com o rapaz que

mora aqui. Você conhece.

ADRIANO

Sim. É meu filho. Prazer Adriano.

Adriano estende a mão para Yara que estende a sua e ambos

trocam um aperto de mãos.

YARA

Eu queria ver umas fotografias que

ele tirou de mim a algum tempo

atrás.

ADRIANO

(PENSAMENTO)

Então finalmente ele usou meu

presente.

Adriano sorri e abre o portão.

ADRIANO

Pode entrar.

EXT. — DIA — SUPERMERCADO — ESTACIONAMENTO

EStacionamento amplo. Na parte de trás fica a entrada para o

supermercado, e após as vagas dos carros uma pequena

portaria por onde os carros entram e saem. Quase todas as

vagas estão cheias.

Henrique carrega o porta-malas do carro com as compras.

INT. — DIA — CASA — SALA

Sala ampla com dois sofás e uma poltrona e uma mesa de

centro de vidro próxima deles, uma escda levando para um

andar acima, um hack com uma TV grande de tela fina e um

aparelho de DVD mais abaixo e ao lado algumas capas de CDs e

DVDs. Atrás dos sofás está uma estante com vários livros e

próxima as escadas um pequeno corredor que leva à cozinha.

ADRIANO

Pode ficar a vontade. Vou ver se o

Henrique está no quarto dele.

Yara se senta no sofá.

INT. — DIA — CASA — QUARTO DE HENRIQUE

Adriano abre vagarosamente a porta do quarto.

ADRIANO

Henrique? Você está ai?

Adriano entra no quato e caminha até o criado mudo, pega o

album de fotos que está sobre ele e folheia as fotos e

depois olha para o porta-retratos sobre o criado mudo então

passa novamente pela porta e a fecha.

INT. — DIA — CASA — SALA

Adriano desce as escadas com o album de fotografias na mão.

ADRIANO

Essas devem ser as fotos que ele

tirou. Acho que tem uma sua ai.

Yara passa foto por foto e as olha fixamente até chegar sua

foto, então aproxima o álbum para perto de seu rosto.

ADRIANO

Muito boas não? Apesar de tiradas a

esmo. Se você quiser, posso tirar

uma copia delas.

YARA

Sério? Eu ia adorar.

Yara separa algumas fotos do álbum e entraga a pequena pilha

junto do álbum para Adriano.

YARA

Podem ser essas?

ADRIANO

Claro. Eu volto logo.

Adriano sobe as escadas.

EXT. — DIA — AVENIDA

Avenida longa e cheia de carros e o grande barulho de

buzinas e palavrões. Nas calçadas apenas árvores.

Henrique aumenta o volume do rádio, encosta a cabeça no

banco do carro e fecha os olhos.

INT. — DIA — CASA — SALA

Adriano desce as escadas e entrega uma pequena pilha de

fotos para Yara.

ADRIANO

Ele teria uma boa carreira como

fotógrafo. Pena que não goste.

YARA

O tempo vai mostar o caminho pra

ele.

Yara abre sua bolsa e puxa uma agenda e uma caneta de

dentro, abre a agenda numa folha embranco e começa a

escrever.

"Oi. Será que você ainda lembra de mim? Aposto que você não

esperava pela surpresa no shopping. Pois é, eu também não.

Estou levando algumas cópias de umas fotos suas que eu

gostei e quem sabe se você continuar a fotografar possamos

nos encontrar por ai não é? Beijos, Yara."

Yara puxa um pequeno envelope branco de sua bolsa, arranca a

foha de sua agenda, a dobra, coloca dentro do envelope e o

entrega para Adriano.

YARA

Você pode entregar isso pra ele?

Agora eu vou indo.

ADRIANO

Tudo bem.

EXT. — DIA — CASA DE HENRIQUE — FACHADA

O carro da mãe de Henrique estaciona.

INT. — DIA — CASA — SALA

Henrique e sua mãe entram com várias sacolas nas mãos.

INT. — DIA — CASA — QUARTO DE HENRIQUE

Henrique passa pela porta e se depara com a figura de seu

pai de costas folheando o álbum com as fotografias dele.

HENRIQUE

Isso é invasão de privacidade

sabia?

Adriano vira o rosto e abre um pequeno sorriso.

ADRIANO

Só estava vendo suas fotos. Você

tem talento.

Henrique se joga em cima da sua cama.

HENRIQUE

(NARRAÇÃO)

Meu pai é um fotógrafo de um jornal

conceituado da cidade e estava em

viagem fotografando para um livro

que eles pretendiam lançar.

HENRIQUE

Isso foi só um passa tempo. Nada

demais.

Adriano coloca o álbum sobre o criado mudo.

ADRIANO

Bom. Vou ver a sua mãe.

Adriano caminha até a porta e põe e mão no bolso.

ADRIANO

Aliás. Uma garota loira deixou esse

bilhete pra você.

Adriano deixa o pequeno envelope do lado da TV e sai do

quarto.

INT. — DIA — CASA — SALA

Henrique risca sobre o dia 24 de Dezembro no calendário.

Edna passava de um lado para outro na sala esbarrando em

tudo no seu caminho.

EDNA

Henrique. Por que você não vai dar

uma volta.

HENRIQUE

(NARRAÇÃO)

Todo natal era sempre a mesma

correria.

EXT. — DIA — CONDOMÍNIO — FRENTE

Um grande condominio composto de 3 prédios, com um

estacionamento subterrâneo e uma pequena portaria.

Yara sai pela portaria vestindo uma bata azul marinho com um

babado no pescoço e um laço também azul marinho prendendo

uma trança feita em seu cabelo e, acompanhada de sua mãe,

entra em um taxi.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA

Grande parque repleto de árvores e com um grande lago onde

nadam patos, pistas para ciclistas e pedestres, um grande

estacionamento e museus. Grande parte das árvores enfeitadas

com pisca-piscas e uma grande árvore de natal toda enfeitada

foi montada ne entrada.

HENRIQUE

(NARRAÇÃO)

Naquele dia resolvi bancar o

fotografo mais uma vez.

Henrique caminha pelo parque parando as vezes para

fotografar algo.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — ESTACIONAMENTO

Estacionamento do parque ao ar livre com as vagas praticamente todas ocupadas.

O taxi estaciona e Yara e sua mãe descem.

Jane paga o taxi.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ

Praça dentro do parque. Um grande gramado, algumas árvores

enfeitadas e um grande palco montado e várias pessoas na

frente vendo a apresentação de uma dupla sertaneja.

Muitas pessoas da platéia gritam e cantam junto com a dupla.

Henrique fotografa o palco e a platéia.

INT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ — CAMARIM

Pequeno camarim improvisado com algumas cadeiras e mesas

plásticas.

Várias pessoas vestindo uma bata azul marinho estão

sentadas, em sua grande maioria crianças.

Yara chega ofegante junto de Jane e é recebida por uma

senhora.

SENHORA

Pensei que você tivesse desistido

de vir.

YARA

Eu voltei pra Brasil só por isso.

Não ia desistir assim do nada.

Yara se senta em uma das cadeiras e sua mãe se senta ao seu

lado.

YARA

(PENSAMENTO)

Eu sinto saudades do tempo em que

eu participava do coral da igreja.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ

As pessoas em frente ao palco gritavam.

Henrique toma um sorvete sentado na grama.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ — PALCO

Palco coberto com 2 metros de distância do chão, uma pequena

escada dá acesso a ele pela parte de trás e sobre ele estão

os amplificadores de som, uma mesa de aúdio com um operador

mais ao fundo, no centro fica a bateria e na frente três

pedestais com microfones.

A dupla se despede do público.

CANTOR 1

Muito obrigado pessoal.

CANTOR 2

Nos vemos em breve.

Os cantores descem as escadas.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ

Henrique caminha se empurrando no meio das pessoas em frente

ao palco com sua camera na mão.

INT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ — CAMARIM

Yara e as outras pessoas pessoas caminham na direção das

escadas do palco.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ — PALCO

As crianças entram no palco e se posicionam em filas por

ordem de tamanho, 3 filas no total, todos segurando um

pequeno livreto de capa verde.

Yara entra na segunda fila e se posiciona no centro dela.

YARA

(PENSAMENTO)

Eu nunca pude evitar o frio na

barriga nas apresentações. Mas

agora parece ser maior.

A senhora se posiciona na frente do coral e de costas para a

platéia.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ

Henrique se livra da multidão e olha para o palco.

HENRIQUE

(NARRAÇÃO)

Naquele momento passei a gostar da

minha câmera..

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ — PALCO

O coral começa a cantar.

Yara olha periodicamente para o pequeno livreto onde estão

as letras das músicas.

A senhos faz gestos com as mãos regendo o coral.

Yara levanta a cabeça e fita a platéia e repara Henrique se

espremendo entre as pessoas.

YARA

(PENSAMENTO)

Será que estou vendo coisas?

Yara vira o rosto para o outro lado da platéia e continua a

cantar.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ

Henrique levanta sua camêra na altura de seus olhos e

dispara algumas fotografias, então uma senhora gorda esbarra

nele e o derruba no chão.

Henrique proteje sua câmera com o corpo e sai da platéia e

vai para um espaço com menos pessoas então tira mais algumas

fotografias.

HENRIQUE

(PENSAMENTO)

Seria isso o destino? Se é que esse

tipo de coisa existe.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ — PALCO

Yara fita a platéia com os olhos em busca da figura de

Henrique mas não o encontra então olha para o livreto e

volta a cantar.

YARA

(PENSAMENTO)

Deve ter sido apenas minha

imaginação.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ

Henrique guarda sua camêra dentro da bolsa.

HENRIQUE

(PENSAMENTO)

Minha vontade era de vê-la agora.

Mas sei que outras oportunidades

virão.

Henrique caminha no sentido contrário ao do palco.

EXT. — TARDE — PARQUE DO IBIRAPUERA — PRAÇA DA PAZ — PALCO

Todos do coral descem do palco.

Yara olha para trás com os olhos lacrimejando, seca os olhos

com as mãos e continua andando.

INT. — NOITE — CASA — SALA

Os sofás estavam cheios e pessoas transitavam de um lado

para o outro.

O pai de Henrique o pega pelo braço. Seus olhos estão

levemente fechados e ele emana um sorriso largo, ao seu lado

está um homem.

ADRIANO

Esse daqui vai ser igual ao pai. Um

fotógrafo dos bons.

HENRIQUE

Pai você já tá bêbado?

ADRIANO

Que nada. Eu só tomei umas

cervejinhas.

Henrique sobe as escadas.

INT. — NOITE — CASA — QUARTO DE HENRIQUE

Henrique está deitado em sua cama com os olhos fechados. Sua

câmera está sobre o criado mudo.

Uma batida soa na porta.

HENRIQUE

Entra.

ADRIANO

Filho. A gente pode conversar um

pouco?

HENRIQUE

Você ainda tá bêbado?

ADRIANO

Não, não.

Henrique se senta e apoia as costas na cabeceira da cama,

seu pai senta ao seu lado.

HENRIQUE

O que aconteceu?

ADRIANO

Nada demais. Eu só vim te dar um

presente que eu queria te dar a

algum tempo atrás.

Adriano põe a mão em seu bolso direito e tira um pequeno

chaveiro de dentro dele com uma chave de carro e uma chave

pequena de porta.

ADRIANO

Toma. Isso é seu.

Adriano entrega as chaves para Henrique.

HENRIQUE

De onde é essa chave?

ADRIANO

As chaves de carro são da Blazer

preta que está estacionada na

frente de casa, mas o presente que

eu estava falando é a chave

pequena.

Adriano abre um sorriso tímido.

Henrique vai até a janela e olha para baixo.

HENRIQUE

E o que tem essa outra chave?

Henrique se senta na beirada da cama.

ADRIANO

Do meu antigo laboratório. Onde eu

costumava revelar minhas fotos.

HENRIQUE

(NARRAÇÃO)

Eu já nem lembrava daquele lugar,

mesmo ele ficando na minha casa.

Quando eu era pequeno meu pai nunca

me deixou entrar nela.

HENRIQUE

Nossa. Eu nem me lembrava dele.

ADRIANO

Agora que você começou a usar esta

máquina...

Adriano pega a câmera de Henrique de cima do criado mudo.

ADRIANO

... acho que vai ser bem útil pra

você revelar suas fotos.

Henrique ficou mudo, olhando fixamente para o rosto de seu

pai que sorria.

ADRIANO

Bom. Agora vou deixar você dormir.

Boa noite.

Adriano caminha na direção da porta e a abre.

HENRIQUE

Pai.

Adriano para e olha para trás.

HENRIQUE

Valeu mesmo.

Adriano sorri e então fecha a porta.

HENRIQUE

(NARRAÇÃO)

A tempos não me sentia daquele

jeito... Feliz.

Notas finais
ESPERO QUE GOSTEM!