Bionic: Uma História Eletrizante
1 Capítulo I - C:/Config/Start.bat
I
A CRIAÇÃO
“Voilá!”
Foi a primeira palavra que ouvi, abri meus olhos e me encontrei em uma espécie de mesa, com todos os tipos de geringonças apontadas para mim, umas eram pontudas, já outras redondas, olhei em volta e me deparei numa sala enorme, com peças mecânicas e robóticas jogadas por aí, até que avistei uma senhora com um jaleco encardido, ela parecia ter uns 60 anos, ela se dirigiu calmamente até mim, sorrindo de orelha á orelha e e falou, com uma voz rouca e fanha:
— Ah, vejo que tudo ocorreu bem. Levante-se, minha querida! — Disse ela, segurando minha mão.
— Levantei-me devagar, estava me sentindo um pouco zonza e minha visão estava péssima, talvez por que eu tinha acabado de acordar?
— Quem é você? — Perguntei a senhora, que deu uma pequena gargalhada, respondendo logo em seguida:
— Sou sua criadora, Sona! Você é um andróide multifuncional, seu nome é Bonnie!
— Bonnie? Não me soou legal de primeira, mas o que eu poderia fazer? Era só um nome, oras. Sona me dirigiu até outra sala, numa espécie de “tubo elevador”, a sala continha vários robôs enfileirados, a lua iluminava seus corpos de aço. No meio da sala, havia um enorme computador, ou algo parecido, pelo menos. Sona puxou o meu braço e me guiou em direção á geringonça
— Veja, está é você! — Disse Sona enquanto apontava para a grande tela que apresentava um diagrama de um andróide
— Eu sou… um robô?
— Ah, claro que não és um robô! És uma máquina sofisticada e avançada desenvolvida por mim, com todas as últimas tecnologias, chamar-se de robô chega a ser uma ofensa! Agora, vá para aquela sala em que estávamos, sim? Você ainda precisa recarregar um pouco, eu irei cuidar de algumas coisas por aqui antes de dormir!
T-Tá..
Estava meio confusa, eu sou uma máquina? Mas eu me pareço com as outras pessoas… Caminhei lentamente até a sala onde eu estava, até que ouvi algo que me fez parar
– Hehe, ótimo! Ela vai se infiltrar na sociedade mais facilmente do que eu esperava, e quando aqueles imbecis de Futura menos esperarem, ela irá atacar todos e forçará o distrito a se render!
– O quê? Eu sou uma máquina de guerra?! Mas… mas… eu sou tão comum, pareço tão frágil e… e… Oh deus, não posso ficar aqui parada, tenho que fugir dessa louca! — Pensei
Eu caminhei lentamente em direção aquela janela que estava ali, no cantinho da sala, cada passo meu parecia fazer um barulho enorme e eu temia que Sona viesse me procurar e me encontrasse fugindo, mas eu não tinha mais nada a perder e pulei da janela, fugi em direção ao infinito sem pensar duas vezes, a cada passo, a fortaleza de Sona ficava cada vez mais e mais distante, até ser engolida pela escuridão daquela noite fria e silenciosa.
II
UM NOVO COMEÇO
— Vai, abre!
— O que é, mamãe? O que é?!
— Abra e você vai descobrir! Hihi
— Uau, mamãe! É uma boneca gigante!
— Hehe, quase, filha! É uma andróide, ela anda, pensa, fala e brinca com você!
— Liga ela, vai!
Depois de tanto tempo, finalmente me ligaram... abri meus olhos lentamente e meu circuito interno ainda estava tentando inicializar-se devido ao tempo que passei em modo de descanso. Eu ouvi uma voz fininha, dando risadas adoráveis e ao mesmo tempo pequenos passos suaves que acariciavam o carpete de uma forma que fosse algo como uma melodia para meus ouvidos ultrassensíveis. A medida que meu circuito estava inicializando-se e meu circuito ótico estava sendo ligado, uma imagem borrada de uma garotinha com pequenas marias chiquinhas ia se formando, ela tinha um dente quebrado e usava um vestidinho que nem o que as pessoas usavam lá por volta dos anos 2000...
Ela acariciou meu cabelo com suas pequenas mãozinhas, enquanto agradecia a sua mãe, uma mulher bela e formosa que estava do lado dela, enquanto isso, meus circuitos já estavam prontos e meu corpo retomou os movimentos. Eu me levante e... Nossa! Que sensação estranha... parece que esqueci de como se anda, no momento em que me levantei, a garotinha deu um pequeno gritinho, seguido por pequenos pulos e falou:
— Mamãe! Essa boneca é mesmo gigante!! Minhas amiguinhas vão morrer de inveja
Eu estava meio confusa... boneca? Mas, eu sou uma máquina ultra sofisticada, quer dizer, uma máquina de guerra ultra sofisticada, espero que não ativem meu circuito de batalha por acidente, parecem realmente uma família feliz. A menininha correu para os braços de sua mãe, que a levantou no ar e deu um beijo carinhoso em sua bochecha, a menina sorria com sua voz aguda e meio rouca, e nesse momento eu "senti" algo dentro de mim.
— Senti? Mas eu sou apenas uma máquina, não tenho como sentir algo!!! — Pensei para mim mesma
Ainda assim, eu vi o quão lindo era aquilo, uma mãe que estava mais feliz que tudo ao ver a felicidade de sua amada filha, uma sensação a qual nunca poderei sentir, pois sou apenas um monte de metal... A mãe me puxou pelo braço e levou-me para a cozinha com sua filha, que fez questão de me fazer sentar na mesa e tentou até me alimentar com uma substância orgânica esquisita, melei meu traje, mas ver a risadinha da garota quando viu aquela substância escorrendo pela minha roupa fez isso valer á pena. Será que, um dia, poderei reproduzir? Poderei sentir amor? Felicidade, e até mesmo a tristeza? Como uma máquina de guerra como eu poderá pelo menos sentir algo, poder sorrir sem ser para as vitrines das lojas de mecânica? Tolice minha.
Danna, a meninha, cuja agora sei o nome. Bocejou e sua mãe logo a levou nos braços, correndo como se fosse uma espécie de aviãozinho. Pus-me a dormir, ignorando qualquer possibilidade que eu teria de ser algo normal...
Fale com o autor