Bionic Eye
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O vento assobia contra meus ouvidos, e bagunça meus cabelos pretos, enquanto Dominique me beija. Suave e calmo, sem pressa, como se o tempo, não fosse problema no novo mundo. Quando se afasta, meus lábios pedem que ele volte mas ele apenas me olha e sua boca se comprime em um sorriso com covinhas, o meu favorito, de vários que ele tinha. Dominique era mais alto que eu, mas sentado ao meu lado no chão concretizado, ele fica da mesma altura que eu, o suficiente para que seus braços me apertassem fortemente.
– Você é um pedaço de mim, Dominique Campbell. — disse eu, mexendo eu meus cabelos. Seus braços em volta da minha cintura agora, por alguma razão, me lembraram o que tinha prometido mais cedo ao meu pai.
–Isso ta ótimo — falo para ele, com um sorriso malicioso -mas precisamos voltar, antes que nos vejam aqui e pensem que vamos cometer suicídio.
Não era seguro ali, tão pouco. Uma onda de ar frio passa por mim e confirma o que eu já sábia, o inverno está chegando e as coisas só vão piorar. Dominique e eu estamos no terraço do prédio onde nosso grupo se estabelece há dois anos. É fim de tarde, e ele tinha me levado para ver o por do sol, coisa que, você esquece que existe quando se tem coisas mais importantes na cabeça. Ainda sim, Dominique gostava de me lembrar que poderíamos ser um casal normal de novo, mas pensar nisso, me dilacerava porque podemos ser tirados um dos outro a qualquer momento. A incerteza de uma vida sem ele me faz o beijá-lo de novo. Agora, mais rápido, como se isso pudesse acontecer nesse exato momento; uma sirene toca, e nessa hora, levanto em um pulo e puxo Dominique pela mão comigo. Seus olhos brilharam como diamante negro quando o sol se refletiu nele, sua pele bronze parecia ouro agora e camiseta mostrava os músculos bem definidos do braço, que não eram grandes, mas também não eram pequenos.
–O que foi? — pergunta ele, levantando uma das sobrancelhas.
–Nada é que... — faço uma pausa, mexendo nervosamente no cabelo por ter sido pega olhando pra ele "daquele jeito". Mais uma vez, por alguma razão, isso me lembra onde nós deveríamos estar.
–Vamos descer. A reunião já deve estar começando. Com isso, corremos até a porta do terraço, e descemos as escadas íngremes, quase tropicando um no pé do outro. Quando chegamos à ala B, ofegantes, percebemos nosso erro. Se tivéssemos ido antes à reunião, saberíamos que não seria no escritório do meu pai, e sim no arsenal de armas, onde a escada do terraço fica. Totalmente constrangida, arrasto Dominique comigo para o fundo do arsenal, sentido a maioria das pessoas no lugar, nos olhar com cara feia, inclusive meu pai, que pela expressão azeda no rosto, estava tendo um péssimo dia.
–Que bom que se juntou com a gente nesta reunião, filha. — fala meu pai olhando para mim com os olhos semi cerrados, mexendo a cabeça mostrando o desgosto de ter uma filha como eu. Eu não era ligada na parte da reunião e da montagem de estratégias, mas desde que ele vinha agindo comigo dessa forma, olhando pra mim como se eu fosse uma estranha, como se eu não fosse sua filha, eu vinha tentando o agradar. Mas é claro que não estava funcionando. E a assim reunião se seguiu. Durante algumas horas as pessoas dentro do arsenal anotaram tudo o que meu pai dizia. A estratégia era simples, porém perigosa, e eu vi Gabriella Vinn, cujos cabelos eram acinzentados, olhar preocupada para meu pai, que quando encontrou seu olhar devolveu com os olhos cheios de certeza.
Vai dar certo, seus olhos diziam.
Quando a reunião acabou, eu e Dominique saímos do arsenal e fomos para o refeitório. Já era noite quando chegamos ao local, e o cheiro de comida invadiu meu nariz. Hoje teríamos macarrão com a almôndega, a especialidade de Jeff, nosso cozinheiro. Andamos em direção aos pratos, enchemos de comida, pegamos suco e seguimos para a mesa mais perto, que esta fazia. É sempre assim. Dominique e eu somos um repelente contra o resto do grupo. As pessoas não gostam de nós dois porque acham que somos culpados pelo que aconteceu com Alice. Digo a mim mesma que não devo pensar nisso de novo, enquanto como, segurando a mão de Dominique. Mas não posso negar que, se pudesse voltar no tempo, eu mudaria tudo.
Principalmente, a morte da minha irmã.
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