Billdip - De novo, Bill.
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Notas iniciais
*joga mais angst aqui*
O tempo passou muito rápido.
Já era final de tarde quando Dipper e Bill saíram do shopping, carregando várias sacolas. Dipper tinha que admitir que gastou muito mais tempo (e dinheiro) do que esperava, mas o dia até que foi divertido.Chegaram na cabana e assim que entraram se depararam com Mabel, que olhava para o moreno de braços cruzados.— Aonde vocês estavam? Dipper, eu te liguei vinte e duas vezes!— O quê? Eu não recebi nenhuma ligação sua! — Dipper pegou o celular e lá estavam: exatamente vinte e duas chamadas perdidas — Uh, esquece. O que eu quis dizer é que eu e Bill acabamos passando tempo demais no shopping, só isso.Mabel olhou desconfiada: sempre foi uma garota ingênua, mas não o suficiente para não estranhar a situação. Dipper suspirou.— Eu tive que pagar um sorvete pra ele.— Meu Deus, Dipper. — Mabel riu, revirando os olhos — Mas não foi tão ruim vocês terem demorado, o Soos tava aqui até agora a pouco. Ah, aliás, olhem o que a Pacifica me ajudou a fazer!— Ufa, não queria ter que explicar pro Soos que— Dipper foi interrompido por Bill, que passou na frente dele e pegou o suéter que Mabel tinha feito, com um sorriso no rosto.— Isso é perfeito, Estrela Cadente! — o loiro observava o suéter amarelo, que tinha uma figura centralizada de um triângulo com um olho no meio.— Acho bom que você tenha gostado, deu trabalho pra caramba. Por que você não vai experimentar? — Bill concordou com a cabeça e foi para o quarto de Dipper se trocar. Ele se trocaria ali mesmo, mas humanos são tão frescos...— Wow, você realmente fez um suéter pra ele. — o moreno comentou assim que Bill saiu.— É. Sabe, não sei se eu deveria desconfiar do Bill ou acreditar nele. As vezes ele parece tão... humano.— Eu sei, mas, de qualquer forma, não baixa a guarda. Não esquece de quem ele realmente é. — Bill voltou para a sala assim que Dipper terminou a frase, com um sorriso.— Como ficou? — perguntou o loiro, com o suéter que era um pouco grande demais.— Aww, Dipper, admite, ele é adorável! — a garota disse para o irmão, com as mãos no rosto.— Uh.— Sério que você acha isso, Estrela Cadente..?Em vez de responder, Mabel correu para o loiro e o abraçou, murmurando coisas como "socorro" ou "você é fofo demais".— Ew, isso é aquela forma de afeção humana a qual vocês chamam de abraço? — Bill sussurrou para si mesmo, com cara de nojo, e Dipper não pode evitar o riso, o que fez o outro o encarar e revirar os olhos.— Bem, eu já to meio cansado, acho que vou pro quarto. Me avisa quando resolver largar do Bill. — disse Dipper, que saiu rindo de lá.Não muito tempo depois do adolescente ter chegado no quarto Bill entrou lá correndo, fechando a porta atrás dele.— Sua irmã tem que aprender quando parar de abraçar as pessoas. — murmurou o loiro, enquanto Dipper se jogava na cama — Ei, Pinheirinho, aonde eu vou dormir?— No chão, se quiser posso até procurar por um colchão. — respondeu em um tom monótono, e o outro o olhou com uma expressão decepcionada.— Mas eu sou o convidado, você deveria deixar eu dormir na sua cama! — resmungou Bill.— Ninguém te convidou aqui, e, aliás, eu que não vou dormir no chão.— Mas você não precisa dormir no chão. A gente pode dormir na mesma cama!Assim que o demônio disse isso, Dipper se virou pra ele, sentando-se na cama.— O quê..? Não vou dividir minha cama com um demônio, não mesmo.— Por favooor.— Não, nem vem. E, aliás, eu ainda estou esperando você me contar sobre aquilo de antes. — E com "aquilo de antes", o moreno queria dizer as marcas nas costas de Bill.— ...— Você disse que iria me contar.— ...— Sabe que a qualquer momento eu e a Mabel podemos te expulsar daqui caso você não colabore, né?— ...— Eu deixo você dormir comigo se você me contar. — E finalmente Bill olhou para ele — Mas só essa noite.— Tá... Então... — O loiro se sentou na cama, olhando para baixo — Geralmente, eu ficaria nessa forma só por um tempo até recuperar meus poderes, mas parece que eu estou ligado a esse corpo de certa forma e essa marca é a prova disso. Eu não tinha considerado essa opção antes, e agora não sei o que fazer... Que irônico. Um ser que antes sabia de tudo agora é só mais um humano fraco e desesperado.Respirou fundo antes de continuar a falar, fechando suas mãos firmemente.— Por isso que estou vulnerável a essas emoções humanas inúteis. Isso só me faz sentir mais patético ainda. É humilhante, Pinheirinho, e... eu só quero ir embora. Só quero sair dessa forma, eu nem sequer me sinto mais como eu mesmo, eu nem lembro como era ser eu! — falou, aumentando o tom de voz e seu rosto estava vermelho, lágrimas descendo pelas suas bochechas — Parabéns, Dipper Pines, se você queria se vingar de mim, conseguiu com sucesso.Dipper ficou em silêncio, observando o outro, que soluçava e não parava de chorar. Não sabia se era mais estranho o fato de Bill Cipher estar chorando ou o fato dele ter chamado-o pelo nome. De qualquer forma, o moreno se sentia muito mal. Era horrível ver alguém naquela situação, mesmo que fosse o Bill — afinal, o tal nunca havia experimentado emoções humanas, e isso tudo deve ser novo para ele.
— Desculpa. Eu não devia ter te feito falar isso. — Dipper disse, engolindo seco. Droga, pensou, não sei o que dizer.Bill ficou em silêncio por um tempo, o único som no quarto eram os soluços do mesmo e o vento frio que vinha da janela.— Você ainda vai me ajudar, né..? — Bill pergutou, em um tom baixíssimo de voz.Pensou em falar que não, que na verdade só queria se livrar dele o mais rápido possível e que só estava fingindo ajudá-lo pra ver o que estava tramando.Mas não.Dipper não tinha coragem para dizer algo assim. Pelo menos não numa situação dessas.— Claro que sim. Foi o que eu prometi, não foi? — disse suave e cuidadosamente, tentando não piorar a situação.— É... — Bill enxugou as lágrimas com a manga do suéter e se virou para o outro com um sorriso — Você é realmente adorável, Pinheirinho.— O-O quê? — ficou totalmente vermelho, encarando o outro confuso, o que só fez o loiro rir ainda mais — Eu só tava tentando te fazer se sentir melhor!— Por isso mesmo. — Bill pulou na cama e olhou para o outro, abrindo um sorriso daqueles que só aparecem quando ele quer irritar alguém — Sabe, Dipper, até que você é um humano aceitável! É uma pena que nossos primeiros encontros foram como rivais.— Desde quando você começou a me chamar de Dipper..? — perguntou, e não recebeu resposta nenhuma. Quando se virou para Bill, ele já estava dormindo, e como diabos ele dorme tão rápido?Ainda era final de tarde, mas Dipper se recusou a acordar o outro, sabendo que depois teria que lidar com as consequências caso alguém ficasse sem sono de noite.Encarava o loiro dormindo mais uma vez. Mais uma vez observando seus traços e tentando negar o fato de que no fundo não conseguia odiar o Bill, independente do que ele tenha feito no passado.Humano aceitável, huh?
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