Big Surprise
1 A big surprise awaits me
Notas iniciais
Acordei estranhamente bem no "dia seguinte". Peguei meu celular na mesinha do lado da cama e vi que eram 15:37h. Merlin, dormi demais!
Levantei e fui até o armário para trocar de roupa. Colado na porta tinha um post-it com uma mensagem de Alice.
Rose, fui jogar vôlei. Quando acordar, me encontre na quadra de areia, preciso te contar sobre a noite de ontem! Beijos, Lice
Sorri com o bilhete. Estava muito curiosa para saber o que ela tinha para me dizer, então coloquei a primeira roupa que vi na frente: um short jeans e uma regata branca. Calcei meu tão amado All-Star azul marinho e fui até o banheiro, no fim do corredor. Escovei os dentes rapidamente, penteei os cabelos e passei uma maquiagem básica só para não ficar com cara de zombie. Só não tomei banho porque já tinha tomado um ás cinco da manhã. Pronta, caminhei até a quadra de areia, que ficava do outro lado do campus. No caminho fiz um coque mal feito porque estava com calor, e ao chegar, vi Alice jogando com algumas pessoas uma partida animada de vôlei. Tinha até plateia.
Quando me viu, ela trocou de lugar com alguém e correu para me abraçar.
— Bom dia Rose!
— Você quis dizer boa tarde, né? — ri da animação dela.
— Ah, tanto faz.
— Alguém está empolgada hoje... — comentei.
— Que nada... — seu sorriso não desaparecia de jeito nenhum.
Sabia que ela estava morrendo por dentro para me contar as novidades, então disse:
— Desembucha logo!
— Se você insiste... — ela zombou.
Bati meu ombro no dela de brincadeira, e ela riu.
— Ok, vem comigo!
Ela pegou meu pulso e saiu correndo, me arrastando para um lugar mais calmo. Típico de Alice, nunca querendo chamar atenção. Ri.
Paramos embaixo de uma árvore, aproveitando sua sombra para fugir do sol forte. Assim que olhei para Alice, ela abriu a boca:
— Ah, Rose, você devia ter ido à festa ontem, foi maravilhosa!
— Certo, o que aconteceu nessa festa pra ela ser tão maravilhosa?
— Bom...
Ela olhou um pouco sonhadora para longe, e suspirou. Entendi na hora.
— Merlin, você conheceu alguém!
Ela voltou a olhar para mim e sorriu, meio tímida, meio feliz.
— Conheci. E ele é maravilhoso!
— Como ele é? Quero nome, sobrenome, histórico, RG e tipo sanguíneo!
Ela riu.
— Vamos Alice! E não deixe nada de fora.
— Bom, eu cheguei na festa umas onze horas. Como eu estava sozinha, fui tomar alguma coisa, só pra ter algo pra fazer. Quando cheguei no bar improvisado, pedi uma bebida e olhei pro lado. E lá estava ele: alto, cabelos negros, lindos olhos verdes... Eu estava quase babando quando ele olhou pra mim. Ele me analisou rapidamente e disse "Uau". Obviamente eu me derreti. Ele puxou assunto e a gente ficou conversando por umas duas horas até ele me chamar pra dançar. A gente dançou várias músicas, inclusive umas lentas. Mas foi numa música agitada, em que eu dançava animada, que ele não parou de me olhar, e quando eu perguntei "O que foi?" ele se aproximou... e me beijou.
Nunca vi Alice falar tanta coisa tão afobada do jeito que estava.
Olhei em expectativa para ela.
— E aí?!
— E aí a gente se beijou de novo... Dançamos mais um pouco... E nos beijamos mais... Infelizmente a festa acabou pouco tempo depois, mas eu peguei o número do telefone e do dormitório dele.
Sorri maliciosa e Alice corou um pouco, mas não deixou de sorrir.
— E qual o nome do maravilhoso garoto que deixou minha amiga tão feliz, posso saber? Porque preciso agradecê-lo, e mandá-lo não te magoar a não ser que queira morrer lenta e dolorosamente.
Ela riu pela terceira vez no dia.
— Idiota.
— Você sabe que eu nunca deixaria alguém te machucar e sair impune. Esse é, tipo, o primeiro item no manual das melhores amigas.
— Eu sei, e você também sabe que eu faria isso se alguém te machucasse.
— Sei. Mas então, qual o nome do indivíduo? — perguntei morta de curiosidade.
— O nome dele é Albus... Albus Potter.
Em um segundo fiquei sem expressão.
— O que?
— Rose, você tá bem? Você ficou meio branca de repente... Qual o problema?
— Albus... Potter?
— É, por que?
— EU NÃO ACREDITO! — gritei incrédula.
— Rose, o que foi?! — Alice estava começando a ficar desesperada. Coitada. Não sabia o que estava acontecendo. Para ser sincera, nem eu sabia direito; precisava tirar as coisas a limpo.
— Alice, qual o dormitório dele?
Ela me olhou confusa.
— 124, por que?
Não respondi; saí correndo em direção ao dormitório masculino.
— Rose!
Pude ouvir Alice gritar e sair correndo atrás de mim. Não me importei; deixei ela me seguir.
Chegando ao dito dormitório, esmurrei a porta mesmo antes de recuperar meu fôlego.
Alice chegou ao meu lado no instante seguinte, também sem fôlego.
— Rose... Você ficou louca?!
Mas não tive tempo de responder; a porta do dormitório se abriu, e um garoto alto, de cabelos negros e olhos verdes apareceu.
Quase caí para trás.
— Albus!
Ele pareceu surpreso em me ver.
— Rose! O que faz aqui?
— O que eu faço aqui? O que você faz aqui?!
— Eu estudo aqui — ele respondeu como se fosse óbvio.
E era óbvio; estávamos em uma faculdade, o que mais ele faria aqui? Mas não foi isso o que eu quis dizer com a minha pergunta.
— Desde quando?!
— Desde o começo da semana, ou o começo do semestre.
— Albus, você sabia que eu ia estudar aqui; por que não me disse que vinha também?
— Bem, é que a minha carta de admissão demorou tanto que eu achei que não tinha sido aceito. E quando eu fiquei sabendo que tinha, resolvi não falar nada e fazer uma surpresa.
Eu olhei pra ele sem acreditar.
— Surpresa! — ele teve a cara de pau de dizer, sorrindo e abrindo os braços para um abraço.
Ri pelo nariz e abracei-o rapidamente.
— E que surpresa: ficar sabendo que você está aqui só porque ficou com a minha amiga.
— Espera, o que está acontecendo?
Alice olhava para nós mais perdida que cego em tiroteio.
Albus olhou surpreso para ela; ao que parece, não tinha notado que ela estava aqui.
— Alice?
— Albus, essa é minha colega de quarto e melhor amiga, Alice. Alice, esse é meu primo, Albus.
Albus acenou timidamente para Alice, constrangido com a situação. Ela devolveu o aceno da mesma maneira.
— Al, onde estão os modos que tio Harry e tia Ginny te ensinaram? Não vai nos convidar para entrar?
Ele piscou atordoado.
— Claro; entrem — e nos deu passagem.
Entramos e ele nos apontou sua cama, no canto esquerdo — a cama mais organizada do quarto. Alice e eu nos sentamos na cama de Albus e ele se sentou na cama da frente. Para minha surpresa, quem quebrou o silêncio foi Alice.
— Então, Rose, por que nunca me falou do seu primo?
— Você nunca falou de mim para ela? Achei que fosse seu melhor amigo, Rose.
— Ah, eu e Hugo mudamos de escola, e nunca surgiu uma oportunidade para eu falar de você. E você continua sendo meu melhor amigo, Al.
— E eu? — Alice perguntou.
— Você é minha melhor amiga, ele é meu melhor amigo. Nada mudou.
Quando seus olhares se encontraram, acrescentei:
— Bom, tirando o fato de que minha melhor amiga e meu melhor amigo se beijaram.
— Rose! — ele disseram juntos.
Eu ri levemente e me levantei.
— Acho que vocês tem que conversar. Tô indo.
Quando abri a porta, tomei um susto: dei de cara com alguém.
Alguém loiro de olhos cinza.
Oh, não.
— Ora, quem diria: ruivinha! Já sentiu saudades?
Fechei a cara.
— Saudades de você? Acho que não.
— Espera, vocês se conhecem? — Albus perguntou confuso.
Pois é: parece que esse é um dia de grandes surpresas.
Cruzei os braços e não deixei de olhar emburrada para Scorpius Malfoy.
— Infelizmente, Albus, sim.
— Ah, qual é Rose, vai dizer que não gostou do que rolou de madrugada?
— Não, Scorpius, eu não gostei do que aconteceu de madrugada. Surpresa! Aposto que você não esperava por isso; com esse seu jeito convencido, aposto que já deu em cima e dormiu com pelo menos um quarto do dormitório feminino.
— Olha, eu não diria um quarto, já que as aulas só começaram essa semana, mas... Pretendo fazer isso até o fim do bimestre.
— Ah, por favor, quem ficaria com você? Você é convencido, e pervertido, e mentiroso.
— Opa, eu não sou mentiroso. Só estava tentando ser seu amigo mais cedo, Weasley. E saiba que muitas garotas gostam de um cara pervertido. Além do mais, e daí se eu me achar um pouco? Sou muito gostoso, ninguém pode negar.
E então ele apontou para seu peito.
Que eu devo dizer não ter percebido que estava nu.
Minha Morgana, que tanquinho é esse...
— Tudo bem, chega: o que está acontecendo aqui? — Albus disse, o que foi bom porque senão eu provavelmente teria feito alguma coisa embaraçosa, tipo babar, ou cair no chão.
— Bom, Al, acontece que eu conheci essa ruivinha aqui de madrugada, e nosso encontro foi um tanto...
— Horrível — completei o Malfoy.
— Eu o caracterizaria de um jeito diferente – Scorpius disse me lançando um sorriso malicioso. Revirei os olhos.
— Acontece, Albus, que o seu aparentemente colega de quarto invadiu o meu quarto nessa madrugada e começou a me assediar!
— Ei, eu só dei alguns beijos no seu pescoço! Você que caiu bem posicionada em cima de mim depois disso, usando aquele pijama curtinho...
O estúpido sorrisinho malicioso não deixava a face do Malfoy e eu estava prestes a tirá-lo da cara dele à força quando, antes que eu pudesse chegar no infeliz, Alice me surpreendeu de novo naquele dia: ela deu um tapa na cara dele.
— Olha como trata minha melhor amiga, seu idiota.
Eu e Scorpius ficamos petrificados no lugar, não esperando que aquilo fosse acontecer, e só saímos de nosso torpor quando Albus riu e olhou com admiração para a minha amiga.
— Você é demais, Alice.
Alice corou, suspeito que não apenas pelo comentário de Albus; ela parecia um pouco surpresa também com sua atitude, e aparentava estar envergonhada, mas não se desculpou com o Malfoy. Ainda bem, senão eu bateria nela.
Scorpius finalmente recuperou a fala.
— Quem é ela? E, cara, você não vai me defender? Achei que fossemos amigos – disse, e fez uma carinha de tristeza forçada. Uma carinha muito fofa, com um biquinho que dava vontade de beijar. Cala a boca, consciência! Era uma carinha ridícula, com um biquinho que dava vontade de bater, isso sim.
— Ela é uma garota incrível que eu conheci na festa de ontem – Albus começou olhando apaixonadamente, eu arriscaria dizer, para Alice, que corou novamente. Quando continuou, entretanto, seu rosto adquiriu um semblante sério. – E sim, você é um cara muito legal e somos amigos e tal, mas se mexer com a minha prima quem vai bater em você da próxima vez serei eu.
Com a última fala de Albus, Scorpius arregalou os olhos.
— Ela é sua prima?!
— Sim.
O Malfoy então se virou para olhar para mim.
— Acho que tenho que fazer as coisas direito, então. Te levar num encontro e tudo mais.
O filho da mãe estava sorrindo presunçosamente.
Olhei desafiadoramente para ele.
— Só nos seus sonhos, Malfoy.
Seu sorriso não vacilou.
— Pode apostar que sonharei com você nas próximas noites, Weasley. Nosso encontro está bem marcado em minha mente.
Revirei os olhos.
— Você é um idiota, Malfoy.
Comecei a andar então em direção à porta, e antes de sair despedi-me de meu primo.
— Albus, apesar do seu colega de quarto imbecil, amei te ver aqui! Vamos combinar de nos ver. Mas não no seu quarto, por favor, tenho medo da imbecilidade do Malfoy ser contagiosa. Beijo! – e saí.
Alice só apareceu quando eu já estava fora do dormitório masculino.
— Hey, Rose! – exclamou antes de me alcançar. – Apesar de querer muito falar do seu primo com você, o que exatamente aconteceu entre você e esse Scorpius? – me olhou curiosa e animada. Como eu disse, Alice adora uma fofoca.
— Uma pequena surpresa, Alice...
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