Big Lies
34 Um Amigo Inesperado
Capítulo 34
Um Amigo Inesperado
— Sério Nimbus? — eu esperneava pro meu irmão no assento ao lado
— Ai meu Deus, a gente mal decolou e eu já quero te jogar pra fora desse avião! — Nimbus estava com um tapa olhos e nem fez questão de tirá-lo para me responder
— Você merece! Eu te disse que precisava de uma viagem pra pôr a cabeça no lugar e você me leva pra Malibu! É sério isso? — resmunguei ainda mais alto
— Você tá parecendo uma criança — Nimbus continuava sem me olhar — Malibu é paradisíaco, vai te fazer bem
— Malibu é a cidade da Mônica! — a minha voz falhou ao mencionar o nome dela
— Do Contra, eu cansei! A menos que você pule pra fora desse avião é pra lá que nós vamos — ele finalmente tirou o tapa olhos e me encarou
— Eu...
— Cala a boca! — sua voz não parecia com raiva — A algumas horas atrás eu estava escutando os gemidos da Magali e agora eu tenho que escutar você resmungando e eu não tô reclamando!
— Argh! Me poupe dos detalhes da sua vida sexual — fiz uma carinha de nojo, apesar de estar feliz pelo meu irmão
— Você quem pediu — ele deu de ombros — Agora se você me der licença, eu não dormi nada essa noite, então vou tirar um cochilo. Você devia fazer o mesmo
E como dormir se daqui a poucas horas eu simplesmente vou estar na cidade onde ela cresceu? Será que eu vou conseguir imaginar uma Mônica adolescente, com cabelos longos e andando de carro conversível pelas ruas? A imagem devia me deixar perturbado, mas ao invés disso fez eu me sentir ansioso. Eu queria conhecer mais da Mônica, sempre quis e isso me fez pensar que eu deveria escutar a versão dela de tudo aquilo que eu descobri. Devia? Ou ela iria mentir de novo? Adormeci com o dilema martelando minha cabeça
xXx
— Você podia me dizer aonde estamos indo — eu estava inquieto no banco do carona
— Meu Deus, eu já disse que vamos apenas visitar um velho patrocinador
— Nimbus, eu sei quando você está mentindo! — O Nimbus sempre foi muito fácil de ler pra mim, quando ele mentia, sua face endurecia, porque ele tinha vontade de rir
— Deus! E se eu estiver? Você tem algo importante pra resolver em New Haven?
— E se tiver?
— Bom, você não tem — ele respirou fundo — Fez questão de magoar a única pessoa que podia estar te esperando lá
— Você é irmão de quem? Meu ou dela?
— No momento, preferia ser dela, mas recebi a missão divina de ser o seu
— Babaca
Naquele momento eu queria apenas sair daquele carro. De repente ficar no mesmo espaço que o Nimbus era esmagador, ele exalava uma áurea de quem me culpava. Mas me culpar pelo que? Por ter sido enganado? Por ter beijado aquela garota? Por não ter ido atrás da mulher que amo? Por ter deixado ela sair correndo? Por ter me envolvido em bebedeiras e confusões? Talvez não fosse o Nimbus que fosse difícil de conviver, talvez fosse minha própria presença que eu não conseguia aguentar.
— Você tá bem? Tá branco feito uma alma — meu irmão balançou meu braço
— A gente precisa voltar. AGORA!
— Hey, não tem como
— Nimbus, você não entende! Eu preciso voltar agora e falar com a Mônica!
— Do Contra, nós vamos ficar!
— Nimbus, se você não parar o carro eu vou pular — Ele respirou fundo pelo que pareceu a milésima vez naquele dia
— Do Contra, eu fico muito feliz que você tenha se tocado de que está passando dos limites, mas eu aguentei suas bebedeiras, vômitos e brigas. Eu fiquei do seu lado sempre e sempre vou ficar. Eu tô muito aliviado que você resolveu falar com a Mônica, porque vocês merecem se resolver. Porém, eu quero que você confie em mim, por favor. – eu suspirei no banco ao seu lado – Chegamos!
Nimbus parou em frente a uma casa simples com um jardim verde. Eu fiquei imaginando que patrocinador poderia morar em um lugar como aquele. As pessoas que apoiavam a carreira de Nimbus normalmente viviam em mansões de luxo e ofereciam jantares enormes, elas não nos chamavam pra negociar na varanda de uma casa classe média
— Quem mora aqui?
— Você vai descobrir – Nimbus deu de ombros e tocou a campainha
Meus olhos congelaram quando um garoto de cadeira de rodas e que aparentava ter a minha idade atendeu a porta. Eu reconhecia ele dos recortes de jornal do dossiê que a Denise tinha me entregado. Era ele... O garoto que a Mônica quase matou.
— Nimbus! – o garoto deu um grande sorriso
— Hey, Luca! Esse é o meu irmão – Nimbus apontou pra mim – Do Contra
— Uau! O famoso Dc – o garoto estendeu a mão pra mim, mas eu continuei imóvel até o Nimbus me dar uma leve esbarrada no ombro
— O-o-oi, você é...
— Ah sim! Eu sou amigo da Mônica
Amigo?
— Você deve estar meio confuso agora, mas se entrar eu posso te explicar tudo – o garoto afastou-se e me deu passagem, mas eu hesitei – Vamos lá, não precisa ter vergonha, vou tentar ser o mais breve possível.
— Eu não entendo... Como você pode ser amigo de uma pessoa que quase te matou? – Luca riu
— Quase me matou? Isso é um exagero... Eu diria que ela me impediu de morrer. Vai entrar?
Hesitei no primeiro momento, mas se o Nimbus já tinha estado aqui eu acho que não havia problema em entrar também.
A casa era bonita e espaçosa! Simples, porém totalmente adaptada para um cadeirante e com tecnologias que eu jamais havia visto antes. Eu me perguntei como uma pessoa simples teria dinheiro para arcar com tudo aquilo.
— Vocês querem chá ou alguma coisa do tipo? – Luca perguntou educadamente
— Olha, eu não quero parecer grosseiro nem nada, mas eu não entendo o que eu e o meu irmão viemos fazer aqui.
— Oh Deus! Você é ansioso exatamente como a Mônica contou – ele riu – Acho melhor você se sentar, a história vai ser longa e talvez um pouco chocante...
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