Big Lies
10 Kiss
Notas iniciais
Já faz semanas que venho ignorando o Dc, ou pior do que isso, tratando ele mal. Aquele dia eu perdi o controle e isso não podia acontecer de novo, eu não podia envolver ele na minha rede de mentiras, ele achava que eu era uma pessoa, mas na realidade nem sempre eu fui a Mônica de roupas surradas, que trabalhava em um pub e passava despercebida por todos. Na realidade... Eu era algo bem diferente disso, mas eu precisava e queria esquecer. A pior parte de ter que ignorá-lo era notar que cada vez mais fazer isso me doía, eu queria estar perto dele, queria admitir que ele me fazia bem, queria me mostrar de verdade, mas infelizmente isso é impossível, porque sei que se um dia ele descobrir a verdade, nós dois vamos sair machucados.
Eu tinha parado de arrumar aquele quarto depósito com ele e mesmo assim ele continuava lá praticamente o dia todo tirando caixas e entulhos. Um dia a Marina foi visitá-lo e depois disso, homens parecendo com pedreiros e pintores trabalhavam lá todos os dias, com exceção do fim de semana. Um dia eu tentei entrar, mas os homens disseram que minha presença era proibida e desde então minha curiosidade triplicara, mas eu nada podia perguntar, já que não estava falando com o Dc
Hoje, sábado, ele tinha marcado de ver algum jogo com o Nimbus e um amigo da faculdade chamado Titi. Como eu sabia disso? O Nimbus tinha me avisado e disse que eles iam fazer bastante barulho e que ele ia trazer a ex-namorada chamada Ramona e o Titi vinha com a namorada chamada Aninha. Eu queria muito perguntar ao Nimbus se o Dc também iria trazer alguma garota, mas não tive coragem. Só de imaginar isso eu sentia meu sangue ferver, então era melhor não saber mesmo. Eu até tinha marcado de sair com a Magali, mas ela ficou doente na última hora e o Cebola não poderia, porque tinha que terminar alguns trabalhos da faculdade. Com isso, minha decisão foi ficar o resto do dia no quarto escutando música, falando com minha mãe pelo skype e me segurando para não ir dar uma olhada na sala. Ou seja, era só me concentrar e tudo ficaria bem. Ouvi batidas na porta
– Já vai! – gritei de dentro do meu quarto e torci para que não fosse o Dc – Ah, oi Nimbus! O que foi? – falei assim que abri a porta
– Você não vai sair?
– Eu até chamei a Magali e o Cebola, mas ela está doente e ele ocupado.
– Magali... Como ela está? A gente não se fala desde o dia que saímos – ele nem precisava me dar uma informação, não tinha um dia em que a Magali não me dissesse que o Nimbus nunca mais tinha falado com ela e não entendia a dele
– Tirando a gripe, acho que ela está bem
– Bom... Eu já te avisei que vamos fazer bastante barulho, sabe como é né? Garotos, jogo de futebol, garotas... – “GAROTAS” ok, eu posso superar isso, o Dc nunca faz o que a maioria faz, então é bem capaz que ele nem veja o jogo.
– Não faz mal Nimbus, vocês são os donos da casa – lancei um sorriso amarelo para ele e depois disso fechei a porta sem esperar uma resposta.
Sim, para integridade física de todos nessa casa, é melhor eu permanecer o resto do dia no quarto.
***
O jogo já havia começado a uma hora e eu conseguia escutar os gritos dos meninos e alguns gritinhos estéricos de algumas meninas, mas até ai tudo bem, a coisa começou a se complicar quando eu escutei uma garota de voz estridente dizer “Uau Dc! Você está em forma”. Ok, aquilo já era demais pra mim, levantei da cama e quando estava com a mão na maçaneta, meu celular tocou, Pensei por um momento se deveria sair ou ir atender o celular e fiz o mais sensato: dei meia volta e atendi meu aparelho
– Oi Cê!
– Oi Mô... Eu queria saber se você ainda topa sair, eu to precisando mesmo falar com você
– Achei que você estivesse ocupado o fim de semana de todo
– É, mas eu dei uma boa adiantada nos trabalhos e sobrou um tempo pra sair – ele fez uma pausa – E ai? Topa?
– Agora nem vai dar Cê... É que... Eu descobri que tenho alguns trabalhos pra entregar – menti
– Tudo bem então, deixa pra próxima, mas eu preciso muito conversar com você. Segunda a gente se vê!
– Ok, beijos – desliguei o celular
Aquela ligação tinha vindo em boa hora, pelo menos eu tinha me acalmado. O que eu estava pensando? Eu ia sair lá, expulsar a garota, fazer o maior papel... E depois? Voltar a ignorar ele como se nada tivesse acontecido? Eu devia deixar ele pelo menos se divertir com outra garota, maldito ciúme! Maldito!
***
O jogo já havia acabado a quase uma hora e eu estava morta de fome, então agora que não tinha mais perigo de atacar ninguém, eu resolvi ir até a cozinha para comer. Sai do meu quarto e fui até o armário de mantimentos, pretendia fazer um sanduíche quando escutei gemidos vindos da sala. Minha primeira reação foi voltar ao meu quarto e fingir que nada tinha acontecido, mas a curiosidade bateu mais forte. Fui a passos silenciosos até a sala e quando cheguei lá fiquei paralisada. O Dc estava sentado no sofá, uma garota ruiva estava sentada no seu colo e beijava toda extensão do seu pescoço, eu não podia acreditar no que via. Meu sangue ferveu, meu corpo esquentou e eu não consegui me segurar, fui até lá e puxei a garota pelos cabelos colocando ela pra fora da MINHA casa, quer dizer, pelo menos era mais minha do que dela. O DC ficou me olhando paralisado até que finalmente falou
– QUE MERDA VOCÊ TÁ FAZENDO? FICOU LOUCA? – ele começou a gritar no meio da sala e a balançar os braços
– QUE MERDA VOCÊ ESTÁ FAZENDO? TÁ PENSANDO QUE ESSA CASA É MOTEL? EU TAMBÉM MORO AQUI!
– E dai? – ele baixou o tom de voz — Eu sou solteiro e você tava no seu quarto
– O meu problema é você se agarrando com uma biscate no meio da sala – me aproximei dele e comecei a colocar o dedo na sua cara – NO MEIO DA SALA! Você podia pelo menos ter o pudor de levar ela pra merda do seu quarto!
– Então quer dizer que se eu levasse ela pro meu quarto estaria tudo bem pra você? – ele se aproximou de mim
– E-e-e-u não disse isso!
– Disse sim!
– Não disse!
– Mônica, o do contra sou eu, não você! – ele falou se aproximando mais ainda – Espera ai...
– O QUE É? – eu falei nervosa
– Você teve uma crise de ciúmes! – ele começou a rir – Qual é o seu problema? Você me ignorou a semana inteira e não quis falar sobre o nosso pequeno acidente aqui nessa sala!
– EU NÃO TIVE UMA CRISE DE CIÚMES! E AQUILO FOI UM ERRO!
– Você me pareceu gostar bastante no dia – ele se aproximou ainda mais – Admita Mônica, você odiaria que eu fosse pro meu quarto com uma garota e começasse a fazer isso – ele começou a passar o nariz pelo meu pescoço e a depositar pequenos beijinhos – E isso – Ele pegou na minha cintura e me trouxe mais pra perto. Agora eu conseguia sentir seu hálito quente de menta e isso estava me deixando louca – Admita
– E-e-e-u... – muito bom Mônica gagueje que nem uma idiota
– Você? – ele se aproximou ainda mais e agora nossas bocas roçavam e minha respiração ficou ainda mais acelerada, eu estava prestes a ter um ataque cardíaco
– Você não vai me beijar! – foi a única coisa que eu consegui dizer
– Não mude de assunto querida... Mas sim, eu não vou te beijar – ele fez uma pequena pausa – Você vai me beijar
– Pode ficar esperando – eu sorri sarcástica e ele apertou ainda mais a pressão em minha cintura me trazendo ainda mais pra perto dele e então desceu sua boca para minha orelha
– Mônica, errado é não fazer o que você quer – ele sussurrou isso em minha orelha e deu uma leve mordida nele. Isso já era demais para qualquer garota
Pus a mãos em seus cabelos e levantei seu rosto. Dane-se o que é errado, foi meu último pensamento antes de beijá-lo. Seu hálito quente de menta se misturou com o meu, nossas bocas ficaram sincronizadas e nossas línguas dançavam juntas. Aquela era uma sensação totalmente nova, seu beijo era quente, selvagem e imediato, mas ao mesmo tempo me fazia sentir nas nuvens, como se eu beijasse um anjo. Aquele beijo era o melhor de todos, superava todo e qualquer um e sua pegada, meu deus e que pegada era maravilhosa e me passava confiança. Ele me puxava para mais perto dele e então me suspendeu fazendo com que minhas pernas ficassem ao redor de seu tronco e agora me carregava até seu quarto. O que eu estava prestes a fazer? Dormir com o meu companheiro de apartamento? Enganar ele como eu engano a maioria dos meus amigos? Eu queria tanto esquecer todas essas coisa e simplesmente me entregar, mas as coisas nunca são tão fáceis... Eu o desejava tanto, entretanto não era possível tê-lo
– Mônica? Por que você está chorando? Eu fiz alguma coisa de errado? – ele me deitou na cama e perguntou preocupado. Eu sou tão idiota que nem percebi que estava chorando
– O problema não é você, sou eu... Eu não consigo Do Contra, eu não posso – minhas lágrimas começavam a descer cada vez mais rápido pelo meu rosto
– Mônica... – foi a única coisa que ele disse antes de me puxar para um forte abraço – Você é virgem?
– VOCÊ É IDIOTA? – eu o empurrei para longe
– Você é bem forte hein? – ele falou passando a mão no peito – Mas ainda não respondeu a minha pergunta... Você é virgem?
– Mesmo eu achando que não é da sua conta... NÃO! Eu não sou virgem e você é um insensível!
– Eu não sou insensível, eu só queria que você parasse de chorar e pelo visto eu consegui – ele me lançou um sorriso bobo e na hora eu fiquei sem palavras – Eu não sou nenhum tipo de idiota, Mônica. Eu gosto de você o bastante pra não gostar de te ver chorar e muito menos ser o motivo disso
– Você não é o motivo, o motivo sou eu, eu já te falei – sorri sem graça
– É o que todo mundo diz...
– Eu vou voltar pro meu quarto Dc, é o melhor que eu faço
– Nada disso – ele segurou minha mão antes de eu me levantar – Você esqueceu que expulsou minha companhia mais cedo?
– Não acredito nisso Dc! Sério?
– Não, por isso vou buscar alguns filmes pra nós vermos
– Hã?
– Nada, só fica ai enquanto eu escolho alguma coisa pra gente assistir
O resto da noite foi tranquila, assistimos alguns filmes e o Dc sempre que podia roubava alguns beijos meus, apesar de me sentir mal eu acabava cedendo e o beijando de volta. O momento estava tão bom e tranquilo que eu acabei entrando em um sono profundo com seu toque suave de suas mãos em meus cabelos.
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