Big Bang

2 Capítulo I


Notas iniciais
Após seis horas e meia escrevendo esse capítulo, e depois de quase três meses sem atualizar, cá estou eu! Não darei desculpinhas fulas sobre a demora da atualização, falarei a verdade. Eu estava focada nas minhas outras fics, e como também era fim de ano eu precisava me esforçar na escola. Não quer ter que ficar mais um ano no terceiro do médio haha Eu posso afirmar que tenho leitores divinos, e A MrsEloi é uma rainha, admiro muito os trabalhos dela e me sinto honrada em tê-la aqui. é uma honra ter todos aqui ^^ Eu revisei, mas se houver algum errinho por favor, me alertem para que eu tenha mais cuidado no próximo capítulo! Enjoy!

Big Bang

Capítulo I

''Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo'' — Sócrates

Você já tentou contar as estrelas do céu? Já tentou entender como um peixe saudável morre dentro d'água? Na vida existem várias perguntas e a maioria delas são encaixadas dentro de um baú deturpado de mistérios que ninguém encontra nem o começo, meio ou fim. É certo que há vezes que nos perguntamos o porquê de algo estar acontecendo, e podemos culpar alguém que não tem nada a ver com o problema.

O racismo, a violência, o modo como te olham e te julgam é o suficiente para perceber que nada pode ser como você quer. E se algo acontece, certamente tem um motivo, seja ele viável ou não. Visto por seus olhos ou não.

Qual o ser humano que passa na rua e vê uma mulher com um vestido até os pés e sapatos que o tampem junto com o véu que cobre cabelo e rosto, não irá mal olha-la, mal dize-la? Não deveríamos ligar para a sociedade, principalmente quando ela é sólida e nossas mãos devem tornar-se incapazes de toca-la.

Olhando no espelho do meu quarto, posso ver minha imagem refletida e dentro dela consigo espiritualmente enxergar mais alguém. Alguém que por uma razão louca e não cultural, eu poderia morrer. Todos dizem que tudo se resume na cultura, eu discordo disso. Sendo eu judia ou não, eu teria esse pensamento. Pensamento de que eu faria as mesmas coisas que hoje faço, porém sem um véu, sem tantos dogmas que a minha família impõe para que eu assim, viva e faça resplandecer a luz do meu criador sobre mim. Me vendo no espelho eu sorrio quando penso nisto.

Como ele seria? Não tão formoso, porque a maioria dos judeus puros não tem um físico bonito, de pele um tanto bronzeada pelo sol do Oriente Médio e uma barba também média na mesma cor dos cabelos, Ruivos, pela descendência do Rei Davi. Imagino como seria sua túnica, seus pés, e às vezes chego a delirar com tais pensamentos. Mas isso não me impede de viver a minha vida. Eu tinha e tenho desde o início o direito de escolha. De rejeitar o que acredito e comprovo com minha vida, ou de continuar vivendo dessa maneira. Ninguém pode fazer nada por obrigação se há o direito de liberdade, de escolha, o famosinho livre arbítrio que sempre ouvimos falar.

— Sakura? Querida, venha comer antes de ir para a faculdade.

Ouvi minha mãe me chamar. Ela atrapalhou meu seminário mental enquanto eu me encarava no espelho. Eu estava pronta para ir à faculdade, só me faltava antes de entrar no carro cobrir o meu rosto com o véu, que já cobria o meu cabelo. Eu gostava do meu cabelo longo e meio loiro, ele era liso e macio devido aos produtos naturais que eu usava. Mesmo que me entristecesse ter de cobrir o cabelo que eu tanto gostava, eu sabia que no fim dessa montanha eu teria a minha verdadeira coroa. Tudo vale a pena quando se tem esse pensamento. Recompensa.

Ajeitei o vestido e desci com a bolsa para a sala de copa. Estava tudo bem arrumado. Meus pais em pé me esperando para que nos assentássemos juntos a mesa, sorriam um para o outro. Eles se amavam. O maior dom que o ser humano pode possuir é o amor, não somente o amor próprio, mas sim o amor para com os outros em seu redor, para com sua família, para com seu cônjuge, para com quem não se conhece.

— Shalom!

— Shalom! — Disseram meus pais em unanimidade.

Nos assentamos e demos as mãos. A mesa era redonda o que facilitava o ato. Não somente no judaísmo, mas também no catolicismo e o no Cristianismo e em mais algumas outras religiões, nós damos as mãos e fechamos os olhos, e agradecemos ao nosso senhor por não nos ter deixado faltar comida em nossa mesa. Já vi pessoas falarem que quem põe comida na mesa de todos são os trabalhadores, que colhem, que plantam as sementes, que as regam e as cuidam, que peneiram e a industrializam. Isso é verdade, mais e se os solos se tornassem incapazes de produzir? De frutificar? De fazer com que as sementes germinem e suas raízes cresçam resultando numa bela plantação? Deus o faria frutificar por seu povo, assim como tem feito durante todos esses anos. Ou talvez não. Às vezes a maneira dele de agir pode ser um tanto estranha, tão estranha que nos surpreendemos.

— Hashem¹, nosso pai, te agradecemos por não nos abandonar. Te agradecemos pelo fruto que vem da terra, porque essa vide não é estéril, e caso ela se torne, que o senhor a transforme assim como a água tornada em vinho. Pedimos novamente a sua benção pela graça. E que todos os seres viventes te louvem, amém.

— Amém — Eu e mamãe concordamos com a oração de Papai e logo nossa refeição foi degustada com calma.

Terminando a refeição nos demos licença e eu subi para escovar os dentes para ir à faculdade. Papai já estava me esperando no carro. Hoje eu veria a professora Kurenai novamente, ela daria minha nota e a de Sasuke e explicaria sobre o tema. Espero não me cansar tanto.

Antes de sair, cobri minha face com o véu lilás e peguei minha bolsa. Despedi-me da mamãe e entrei no carro. Ajustei o cinto e olhei para frente. O caminho da minha casa até Harvard foi totalmente silencioso. Típico de todas as manhãs. Meu pai estacionou o carro e olhou para a faculdade. Ela era realmente imensa e bonita.

— Sakura. — Me chamou e eu o olhei. — Que Hashem te dê forças filha. Não se aproxime tanto, sabe que...

— ... Esse mundo é sólido, mas tenho que vê-lo como intocável.

— O único tocável para nós ...

— ... Deve ser o Invisível....

— Não se entristeça por isso. Sei que é difícil.

— Não estou triste Papai.

— Hashem te abençoe.

— Amém.

Sai do carro e comecei a caminhada até ultrapassar os portões imensos de Harvard. Todos me olhavam, disfarçando ou não, eles olhavam. Logo eu andava pelo corredor extenso e subia as escadas para ir até a sala de aula. Quando a adentrei fui direto para o meu lugar e me sentei. A aula começaria em dez minutos. Ajeitei meu caderno, estojo e meus livros sobre e sob a mesa. Abri um dos livros e comecei a folheá-lo. Vi duas mãos em cima da mesa estando de frente pra mim. Subi o olhar devagar e logo vi o sorriso dele. Era realmente bonito.

— Sakura! Por que não senta com a galera ali? Nossa dupla pode ficar lá e você pode conhecê-los.

Fiquei olhando-o. Papai tinha medo que eu me contaminasse, era questão de confiança. Eu era sua única filha e eu teria que dar continuidade a linhagem judia pura. Judeus odeiam ter seu ego e orgulho feridos. Eles ficam mais nervosos do que o habitual e ainda mais competitivos do que o normal. Um povo nervoso? É o meu povo! Não são todos pacientes. Paciência é uma virtude.

— Acho melhor não Sasuke... — Respondi indiferente.

— A qual é Sakura!? Vai ser legal vem! — Insistiu no pedido.

— Prefiro ficar aqui mesmo.

— Se é assim... — Disse virando-se para o lado. Eu faria assim como meu pai me havia pedido, ou ordenado. — E aê Naruto! Neji ! Venham aqui! Vamos nos sentar aqui hoje! — Qualquer coisa que acontecesse não seria minha culpa. Eu neguei a companhia deles e parece que só negar não ajuda — Resolvi o problema. — Disse vitorioso.

— Não devia ter feito isso. — Proferi num tom baixo. Mais baixo que o normal.

— Vai ficar tudo bem, calma. — Tentou me tranquilizar.

Logo o Hyuuga e o Namikaze se sentaram nas cadeiras à minha frente. Sasuke sentou ao meu lado e a professora Kurenai entrou na sala. O silêncio do local fora fatal. Ela nos cumprimentou e ajeitou o blazer vermelho.

— Jaden! Pode entregar as redações da aula passada para os alunos para mim, por gentileza?

— Claro professora.

Jaden logo pegou a pilha pequena de folhas e começou a entregar para os alunos sentados. Enquanto ele entregava, Kurenai olhava algo em seu caderno. Sasuke estava sorrindo, não sei pra onde ou pra quem e porquê. Mas ele o fazia. Parecia um bobo alegre. Hashem gosta quando as pessoas sorriem, ele se alegra.

— Eu devo dizer. Vocês são espertos — A professora começou — As notas não passaram da média que é sete, e confesso que teve uma que me surpreendeu. Uchiha e Haruno, vocês estão de parabéns. Sasuke você é realmente inteligente, estou orgulhosa. — Seus olhos brilharam ao pronúnciar o nome do meu colega.

— É, obrigada professora, mas a maior parte disto quem escreveu foi a Sakura. Ela é o gênio. — Articulou.

Qual a dele? Sasuke faz tudo rindo e ainda fala algo assim? Não demorou muito para professora me olhar e semicerrar os olhos depois de corar levemente. Era uma grandeza a inteligência dos Uchihas, mas sem me gabar — Até porque eu odeio isso — Eu sou inteligente milímetros acima.

— Oh! Tudo bem... — Pigarreou sem graça e prosseguiu — Vamos continuar... A psicologia não se aplica somente para pessoas com algum déficit ou problema emocional. Ela pode ser usada para persuadir as pessoas, no caso de vocês, persuadir o ''Inimigo'' — Disse fazendo aspas com os dois dedos das duas mãos — Precisamos descobrir causas, coisas do profundo que usaremos a favor do nosso cliente. De todo modo devemos ser pacientes o suficiente para ouvi-los e espertos para persuadi-los e descobrirmos coisas que os farão ganhar as causas. Tanto em audiência quanto em pesquisas.

A professora fez uma explicação simples que acredito eu que todos entenderam. Tendo explicado isso e visto que podemos entendê-la, virou-se até o quadro e pegou a canetinha vermelha. Escrevendo com a letra quase perfeita a seguinte frase ''O invisível é inexistente''

— Antes que todos me perguntem eu já vou dizendo, além de psicologa eu sou professora de história também, dei aulas de histórias ano passado, e para que todas as aulas corram maravilhosamente bem vamos deixar algo claro aqui. Nada de religião nas aulas, elas contradizem totalmente a matéria, mesmo que a deixe com mais ou menos nexo. E nas causas não acreditem no invisível e sim em vocês.

Vi pessoas se entreolhando, inclusive os dois da frente. Naruto e Neji que logo viraram seus rostos e murmuram um ''Quem mistura religião com profissão?'', Tem gente capaz disso. Essa é minha resposta mental. Mesmo que a professora tivesse insinuado que Deus é invisível e sua existência é mentirosa, eu discordo totalmente dela. Tenho pontos que podem provar isso. Não irei me opor, sei quais são os limites, meus pais não se agradariam disso. Me retraí na cadeira.

— Portanto, sem frescuras — Ajeitou os cabelos negros e médios para o lado e me olhou — Senhorita Haruno, tire esta coisa da sua cabeça e de seu rosto.

— Eu não posso fazer isso, me desculpe. — Respondi imediatamente.

— Isso não é uma opção senhorita.

Eu não sabia o que dizer. Eu não podia mostrar meu cabelo nem rosto, isso ia contra as minhas leis. Nem minha mãe e meu pai viam meu rosto direito que eu não deixava, quanto mais uma sala inteira que não entende nada sobre mim, que ao menos sabe sobre minha família e meus dogmas que podem até inclusive parecer errôneos ou exagerados aos olhos de muitos, mas para mim não é bem assim. Fiquei estática, pensando numa possível reposta bem elaborada.

— Professora ela realmente não pode fazer isso. — Sasuke disse.

— Por qual motivo? Não gosta do próprio rosto ou do próprio cabelo Senhorita? — Ironizou. Girou a caneta de tubo vermelho que segurava.

— Ela é Judia professora, Ela não pode e nem vai. Pode continuar a aula por favor?

— Judia? Interessante. Vamos continuar.

Respirei aliviada e olhei pra Sasuke. Ele tocou o meu braço o alisando e sorriu. Porque ele sorri tanto? Aquela professora parecia dar muita atenção para a família de Sasuke. Era como se eles tivessem algum tipo de poder sobre ela. Poder que eu não sabia os motivos. Isso realmente não me interessa nenhum pouco.

— Fique tranquila. Ela não pode fazer nada com você.

Olhei para baixo e voltei minha atenção para a mulher de cabelos negros em cima do pódio. O restante da aula correu bem. Quase bem pra dizer a verdade. A professora continuou a falar sobre persuasão e de uma maneira estranha ela envolveu a segunda guerra mundial. Ela dizia o quão persuasivos eram os Nazistas, e que o primeiro Nazista foi tão ótimo a ponto de conseguir levar para o movimento, mais três Países.

Ela elogiava Adolf por conseguir fazer isso. Era como uma seção de tortura.

— Todos sabemos que se há algo em que os judeus são bons em fazer, é em fazer dinheiro. E além do racismo de Hitler, ele achava que os judeus roubavam. Os com ou sem identificação é claro.- Concluiu andando sobre o espaço no pódio. — Eu acredito que quando a pessoa tem dinheiro demais ela realmente rouba, e pode ser que você encontrem casos que falem sobre roubos. — Fez um bico ao insinuar tal coisa.

— Os japoneses e os Chineses tem uma das maiores economias do mundo. Eles roubam todos então? — Neji disse. E num é que ele está certo? Queria ter essa coragem que ele teve para dizer algo.

— Isso não muda o fato de que os judeus tinha sim a suspeita de roubo e é bem provável que sim. Eu não tenho dúvidas.

— Minha família é rica professora, a família de Sasuke é a mais rica daqui. Então quer dizer que nós roubamos também? — Neji articulou indignado.

— Neji, você está sendo leviano. — Concluiu encarando o aluno.

— O que você acabou de dizer foi sem coerência. Não pode acreditar em algo que sequer tenha provas. — Levantou as mãos mostrando redenção peranta as próprias palavras. — É certo que a maioria das famílias ricas tem seu lucro vindo da sujeira e corrupção, porém não pode generalizar. — Finalizou mexendo no longo cabelo liso.

— Eu não generalizei. — Afirmou. — Pode ser que a maioria dos judeus roubaram na época e pode ser que não. É nisso que eu acredito. E se Hitler afirmava isso com tanta certeza e fora uma das causas para a guerra mundial de número dois, por que não acreditar? — Girou os pés indo em direção ao lado esquerdo do pódio. — Não me interrompa outra vez. Voltando...

Ela mencionava os judeus como se eles fossem da pior espécie, como se meu povo ser jogado numa câmara de gás , serem torturados por diversas formas e uma delas é ser queimado vivo, como se isso fosse necessário e bom. Como se meu povo merecesse isso. Eu não posso misturar isso com religião, mas com humanidade. A história da segunda guerra mundial é uma tortura para qualquer judeu, para qualquer um que seja. Impossível ouvir e não se entristecer.

— Está tudo bem? Sakura...? — Sasuke perguntou.

Desnorteada.


Há um capítulo atrás eu estava bem, firme, mas é só chegar num mundo onde não é meu, um mundo onde eu não posso tocar e só conheço por ver e ouvir falar, eu fico perdida. Não sei onde estão os pingos dos 'I's. Olhei para quem me chamava. Olhei para Sasuke.

— Você está bem? — Perguntou novamente.

Mal consegui responder. Meu desespero podia ser notado á quilômetros, milhas. A minha dor. "Qual era a daquela mulher?". O sinal tocou e ela dispensou todo mundo. Neji e Naruto me ajudaram a guardar minhas coisas enquanto Sasuke falava com a professora na mesa. Minhas mãos tremiam somente pelo fato de me recordar do massacre. Judeus não se abatem facilmente, mas isso, isso é demais para qualquer um da linhagem judia. Ou para qualquer um que realmente seja um humano consciente.

Peguei a bolsa e sai de lá. Agradeci aos meninos antes é claro, mas o que eu menos queria era ficar lá. E só de cogitar a possibilidade de que a professora poderia tocar no assunto da guerra sempre, já me doía. Sentei num dos bancos do pátio e tomei um pouco de água da minha garrafa cor-de-rosa. Meu pai ainda não tinha chegado para me buscar e tudo o que me restava a fazer era esperar sentada pela sua chegada. Eu estudaria cinco anos e veria essa mulher todos os dias. Os meninos chegaram com mais duas meninas, uma totalmente galega e a outra morena dos olhos claros. Yamanaka e Hyuuga esses eram seus sobrenomes. A Yamanaka era toda felizinha, boba alegre e Alemã. Quando ela me contou sobre sua descendência eu não a olhei com desdém ou medo, se é o que estão pensando. Pelo contrário eu a olhei normalmente. Me entristeci sim, mas isso não era nada. Eu me despedi sem muita delonga da conversa que nem assunto direito tinha. Estava andando para perto dos portões e procurei meu pai com o carro e não o avistei. Andei ajeitando a alça da bolsa de lado e logo alguém apareceu à minha direita. Nada contra tais companhias, mass eu sou compromissada e não posso me dar o luxo de sair por aí falando com todo mundo, ainda mais no portão da faculdade onde meu pai poderia me ver.

— Olha, sobre a aula de hoje, eu conversei com a professora e ela disse que aquele assunto todo da guerra, foi pra matéria então, tente não se chatear. E sobre o véu, não ligue. — Proferiu passivamente.

— Isso foi um tipo de implicância. — Afirmei com voracidade. — Eu não sou nenhuma boba pra não ter percebido isso. Se ela começar a falar sobre o massacre, mesmo que doa eu vou aguentar, e se caso ela tente tirar o meu véu, ela vai tirar e não acabar com a minha linhagem ou com quem eu sou. Eu me conheço e muito bem para ter certeza de que eu vou passar por isso e sair bem. — Conclui segura.

— Me admira muito Sakura. É de dar orgulho — Riu — Se quiser, amanhã à noite, eu e os meninos vamos sair. Quer dizer, uma festa na casa da Ino. Queria que você fosse. Bom, se ficar bem é claro. — Pediu sem jeito.

— Por que tenta cuidar tanto de mim? O tempo todo? — Indaguei curiosa.

A minha pergunta ousada ficou sem resposta. Meu pai me puxou pelo braço e me levou até o carro. Vi um homem corado e confuso com a pergunta e com o meu pai. Eu certamente levaria uma repreensão por isto.

— Papai eu...

— Não fale. — Me interrompeu sem tirar os olhos da pista. — Em casa conversaremos.

Conversar em casa para meu pai significa que ele irá bolar perguntas com respostas, criar repreensões e pensar nas bases para fazê-lo. Isso quase nunca acontecia comigo e quando acontecia era quando o meu pai estava realmente nervoso. Chegamos em casa e ele já chamou a minha mãe e contou à ela que eu estava falando com um garoto que não era Gaara. Minha mãe ainda mencionou que essa semana eu não falei nenhuma vez com Gaara. Que desliguei o telefone e me tranquei no quarto para me enfiar nos livros e pergaminhos.

— O quê é isso Sakura? Filha você não pode ficar perto de homens dessa maneira! — Cruzou os braços. — Sabe que está compromissada com Gaara.

— Mamãe eu quase nem conheço Gaara.

— Isso quer dizer que quer conhecer esse outro? Se casar com ele e acabar de vez com a sua linhagem e os planos de Hashem para você?

— Nós não estávamos fazendo nada demais! Estávamos falando sobre a aula que...

—... Não importa! — Cortou-me a fala. — Seu pai está chateado. Eu estou chateada... Suba e ligue pro Gaara e conte tudo a ele. — Ergueu o braço, mostrando-me as escadas com o dedo indicador esquerdo. — Devemos ser submissas a nossos homens assim como se diz a nossa lei.

Subi para o quarto e nem pensei em fechar a porta atrás de mim. Caso o fizesse, papai ficaria ainda mais nervoso. Quando eu disse sobre a impaciência e nervosismo dos judeus eu não brinquei. Ia tirando aquele véu de meu rosto e cabelo, mas papai entrou para conversarmos.

— Sakura sente-se. — Sentei-me ao seu lado na cama e o olhei. — Sabe que está compromissada com Gaara, você realmente... — Fechou os olhos por instantes e deu um leve tapa na própria coxa. — Eu vi como ele te olhou. Isso pode quebrar o seu dogma filha, e te fazer sair do caminho, e atrapalhar os planos de Hashem. — Ameacei respondê-lo.— Não diga nada! Apenas ore e fale com Gaara. Já sabe que deve tentar o máximo de distância possível desse mundo que não podemos tocar, pois não faz jus à nossas leis. Não faça com que os planos dêem errado ou abandone quem sempre esteve com você.

Papai deixou o quarto.

Eu conheço bem as leis, e como elas são bem claras. Decorei a torá com quatro anos de idade, com cinco eu aprendi a tocar harpa. De acordo com a lei, todo judeu deve até os cinco anos ler a torá e decorá-la. Os cinco primeiros livros da bíblia deixados em pergaminhos em israel foram escritos por Moisés. Tirei aquele véu e me voltei para o espelho. Para nós e na realidade, através do espelho você pode ver a imagem do que tem dentro de você, eu sempre sorrio quando olho o espelho, mas desta vez eu apenas olhei e chorei, não para mim, mas para quem eu via refletido nele. Quando Jesus fala que a cruz seria pesada eu sabia que seria. Sabia que seria difícil. O caso mais difícil é estar nesse lugar onde eu não posso tocar e que ninguém quer me ouvir. As guerras que ainda existiam entre Israel e Palestina, mesmo que cessadas por um tratado, ainda existiam. Eu sempre vi e ouvi coisas parecidas.


Sempre soube de como os planos de Deus não eram tão esperados aos nossos olhos. Entretanto, posso me orgulhar de ser filha dele. Eu não tenho racismo ou preconceito com qualquer outra religião. Pode ser que outros tenham, mas nunca é bom generalizar. Ser uma filha assumida ás vezes pode doer, principalmente quando você sabe que a sua vida tem um único propósito.

Qual o propósito da sua vida? O da minha era ser advogada e dar sucessão á minha linhagem me casando com Gaara, sendo um exemplo para outros judeus e ter um destaque entre eles. A competitividade existe, inclusive na minha família, mas não em mim. Não havia maneiras de negar, se era assim que tinha que ser, assim seria. Eu não sou fraca o bastante para atrapalhar os planos. Não sou uma má filha que desobedece e foge dos padrões e das leis.


Suspirei e troquei minha roupa para dormir. Antes é claro, eu orei, ainda era de tarde, mas isso não me impedia. Após uma longa conversa chorosa com Hashem eu saberia o que deveria fazer. Na verdade, na verdade, eu sempre soube.

Notas finais
Hashem- Deus em hebraico. Esse capítulo saiu com mais sentimentos não? Pois é, a vida de um judeu parece ser fácil, mais assim como a de todos ela não é. Inclusive quando eles eram o alvo do movimento nazista na segunda guerra mundial. Mostrei algo que realmente aflige os judeus, os atormenta. Essa história da guerra os deixam um tanto tristes, temerosos, é bem tenso. Os dogmas são de longe mais rígidos do que eu escrevo aqui. isso é só uma pitadinha da realidade. Não vou dizer que vou postar logo o próximo, porque pra isso eu preciso ler, e ler novamente os caps da fic e ler pesquisas, textos referentes para que eu não erre e passe vergonha. Vou adiantar algo aqui, Sasuke não é tão ligado com a sua religião, o Catolicismo, mais entenderão o porquê mais tarde. Essa fic também não será assim tão longa, mais os caps podem ser um tantinho. As notas também serão importantes, eu prometo que não encherei linguiça pra vos cansar he' A parte do espelho no cristianismo e no judaísmo é verdade, nós vemos a imagem que resplandece dentro de nós.Tudo o que for escrito aqui será baseado nas leis judias e em seus dogmas, que são meio parecidos com os do cristianismo. E nas histórias e teorias também. Bom, eu espero que eu consiga estar passando algo para vocês, e que vocês estejam entendendo o que escrevo. Esta sendo ótimo escrever Big Bang e já tenho o conteúdo para o próximo capítulo. Agora eu vou deixar que descansem haha Comentem preciosas ^^ YulYulk ama vocês. Beijos e até os reviews ^^