Bianca
1 Coragem
Notas iniciais
Esta é uma história baseada em uma experiência real minha, e não pude deixar de escrever sobre.
Espero que gostem! ❤
Espero que gostem! ❤
Os cabelos negros caiam sobre o seu rosto, atrapalhando sua leitura. Ela sentava sempre no mesmo lugar com seu livro e a paisagem urbana da janela. Todo o dia, um livro diferente. Seria os 20 minutos que sempre passara lá o suficiente para ler tudo? Eu não tinha a coragem de descobrir. Mas, assim como ela, eu estava ali, todos os dias, com uma xícara de café e os olhos vidrados em uma formosa leitora.
Certa vez, o estabelecimento estava cheio, e não havia mesas disponíveis. Ela estava sozinha em sua mesa lendo um livro daquela seu jeito sereno de sempre. Me senti mais do que sortudo e agradeci a todas as divindades que vieram a cabeça enquanto caminhava até a mesa. O trajeto parecia longo demais e quase pisei no meu pé algumas vezes, estava nervoso.— Posso me sentar aqui?- metade da frase não havia saído pela minha rouquidão. Bom, pelo menos isso chamou a sua atenção. Tirou os olhos do livro e fitou os meus. A distância entre nós não me permitira ver seus olhos, então o seu olhar fora completamente impactante. Levou-me segundos para recuperar o fôlego e disse a mesma pergunta de novo. Ela assentiu com um sorriso e voltou a ler. Dessa vez, eu estava prepardo para a ausência de contato social- trouxera um livro e comecei a lê-lo, sabia que não conseguiria falar com ela. Os primeiros parágrafos foram lidos em pouco tempo, mas depois percebi que seu olhar não estava mais em seu livro e sim em mim. Eu cheguei a apenas olhar para as várias letras das páginas, não conseguia ler, era desconfortável. Não aguentando mais o peso de seus olhos em mim, decidi também olhá-la. A troca de olhares causou um choque em ambos, e ela se consertou.—Desculpe-me por atrapalhar sua leitura.- Já lera tantos livros que seu vocabulário era superior ao meu. Fiquei com medo de soltar um "a gente vamos" pelo nervosismo de uma conversa com ela e estragar tudo. -Eu simplesmente amo o Caçador De Pipas- dizia mais animada do que as palavras poderiam demonstrar. -Em que parte está? Demorei para responder. Estava perplexo. Estava conversando com ela. Ela estava falando comigo. Ela queria falar comigo. E é claro que eu fiz de propósito. A observei mais do que poderia imginar e sabia que o Caçador de Pipas era o único livro que já lera mais de uma vez. Tentei vomitar as palavras corretas e balbuciar algo para não a deixar esperando.—Estou na parte em que Amir e Hassan se inscrevem no campeonato de pipas. Comecei a ler a pouco tempo- dizia contraindo os ombros. Não conseguia relaxar. Queria mostrar ser mais do que poderia.—Não pare de ler. É uma história emocionante. — Ela deu um sorriso caloroso que me fez fitá-la. Eu nem poderia imaginar a cara de bobo que estaria fazendo. Por incrível que pareça, apenas os poucos capítulos lidos do livro me proporcionaram uma boa conversa com ela. Ela me recomendou livros e o novo frappé que estrearam no café essa semana. Consegui arrancar dela risadas e bons olhares, não queria que o tempo avançasse. Mas como ele é uma grandeza unipotente, o relógio dela apitou e ela disse que devia ir ao trabalho. Ela agradeceu pela conversa e apertou minha mão para finalmente ir embora e se misturar aos tons de cinza da cidade. Quando a garçonete levou nossas xícaras, percebi que havia um papel debaixo do píris. E estava escrito:Bianca XXX-XXXX Senti meu coração comemorar o 4 de Julho adiantado. Estava vibrando como fogos de artifício por dentro. Ah, um nome tão belo quanto a dona. Me deixei levar por pensamentos sentimentais e banais e segui meu rumo até a estação de metrô com um sorriso estúpido no rosto. Todo o dia, éramos eu, minha xícara de café e meus olhos vidrados em uma formosa leitora. A jovem de cabelos negros curtos que sempre trazia consigo um livro para ler enquanto apreciava a vista da janela. Parece que veio de um século diferente, falando de maneira tão formal que chega a confundir os ouvidos. Bianca. Do italiano branca, alva, assim como sua pele. Não ousaria chamá-la de Branca de Neve italiana pois não suportaria dividí-la com mais seis pessoas, mas ousaria chamá-la de minha princesa.
Notas finais
A vida não é um mar de rosas, mas pelo menos ela me dá inspiração, no caso, Bianca.
Obrigado por ler! ❤
Obrigado por ler! ❤
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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