Está tudo tão calmo, mas na minha mente está tudo escuro, sinto que eu não deveria sair daqui, me sinto tão bem aqui, sinto falta de estar segura, de sentir segurança, não sei por que, pois não acho motivos para tal, pingos d’água caem no meu rosto, mas ainda continuo de olhos fechados, deitada no chão sentindo a chuva cair, não há lembranças em minha mente, isso me assusta, não consigo pensar em nada além de sentir dor e ao mesmo tempo sentir falta. A chuva forte me deixa tranquila nesses segundos, até ouvir um barulho. Levanto devagar meu corpo dói, minha cabeça dói, algo aconteceu para eu vir parar aqui, mas não me lembro nem do meu nome. Vejo minhas botas, calça jeans molhada, estava com uma blusa de mangas longas, o frio era forte, eu apenas me via naquela situação, tento andar para os lados, estou tonta, confusa, olho para os lados tentando procurar esse barulho que vem de longe, vou até a lateral do lugar, aqui de cima dava para ver carros, é exatamente daqui o barulho distante, eu estava em um teto de algum lugar.


Preciso sair daqui procurar alguém, mas quem, se não lembro nada, vejo uma porta próxima e entro, escadas longas que parecem não ter fim, mas desço o mais rápido possível, assustada, o que estava fazendo ali, parecia um sonho, ou pesadelo, não sei, finalmente uma porta que leva a um corredor, com várias portas, um carrinho de empregada, percebo que estou em um hotel ou pensão sei lá. De repente percebo pessoas chegando, saindo de um elevador, duas senhoras e um senhor aparentemente de idade entre 50 á 70 anos, eles me olham assustados, não senti necessidade de para-los e pedir ajuda, então passo por eles e pego o elevador, aperto o botão para ir ao térreo.


Respiro rápido, está tudo tão estranho, parece que meu modo de sobrevivência estava falhando, pois eu queria e ao mesmo tempo não queria pedir ajuda, sei preciso de respostas, tento sair disfarçadamente pela porta de entrada, mas algumas pessoas notaram meu estado.

E agora pra onde vou? A chuva ainda está forte, Olho para os lados, tenho vontade de gritar por socorro, mas alguma coisa me dizia pra não procurar as autoridades. Vou andando na chuva até me decidir, deve haver algo, não me lembro de nada, nem do meu nome, dou uma olhada em meus bolsos na esperança de haver algo, retiro um papel, um convite pra uma festa de gala, chamada “Noite de Ouro” datada com quatro dias atrás. Olho assustada, porque isso estaria em meu bolso? Provavelmente eu fui para tal lugar. Perguntas tomam conta da minha mente, mas respostas não aparecem, vou seguir meus instintos, de algum modo estranho isso me da segurança.

Paro na calçada e de repente é como se eu conseguisse ver tudo, pessoas correndo, chuva caindo, como se eu soubesse cada gota que caísse no chão e pudesse conta-las, tudo simplesmente em câmera lenta na minha mente, sinto que foi um lapso, apenas isso, mas nada de lembranças.

Um Homem, se aproxima, olha tentando me reconhecer e diz:

– É ela.

– Pera como assim? Você me conhece? – digo

Ele corre gritando, é ela, como se avisasse alguém. Eu tento entender a situação, mas aparecem vários homens correndo em minha direção, percebi que estavam fardados, como policiais. Eles ficaram um pouco longe de mim, apontaram a arma pra mim e um deles disse:

– Identifique-se.

Eu não pude dizer nada, eu não lembro do meu nome, nem de nada do meu passado.

Ele repete:

– Identifique-se garota

– Eu não sei, eu não sei o meu nome – digo assustada.

– Mostre as mãos, levante as mãos AGORA! – ele grita

Faço o que ele pede.

– Deite-se no chão garota, cabeça para baixo, Com as mãos a mostra.

Eu balanço a cabeça e deito, após isso digo:

– Sr. policial, por favor, eu não me lembro do meu nome, eu não sei o que estou fazendo aqui, por favor, ajude-me.

– Cala a boca.

– Por favor, eu não sei quem eu sou, não estou lembrada – digo

–Está brincando comigo? – diz ele

– Não...

– Cala a boca. – ele me impede de falar — Pelo visto realmente você perdeu a memoria. – ele diz

Ele chega mais perto e continua:

– Eu sei muito bem quem você é.

Ele fala para os outros policiais:

– Peguem o paralisante, achamos a garota.

Tento entender olhando para ele, mas a chuva ainda atrapalhava minha visão, mas percebi quando um veio com uma coisa na mão, algo branco, até chegar perto e encostar em mim, recebi alta descarga de eletricidade senti dor e minhas mãos fechando e depois apaguei.