Notas iniciais
Agradeço a todos os que leem e comentam. :)

Certo, eu estava claramente fora de mim. Porque já era noite e eu não esqueci o jeito que Adriano me olhou. Depois de me pedir para falar sobre a Bíblia, explorando claramente meu assunto favorito, ele ouviu atentamente cada palavra e parecia refletir sobre. Eu chorei um pouco, e não me orgulho de ter feito isso na frente dele. Mas o amor de Deus me constrange, eu não mereço tanto, mas fui aceita e o aceitei também.

Mas quando me pegou no choro ele segurou delicadamente no meu rosto, o que é uma coisa quase impossível para um ser humano igual a ele, e me disse que tinha compreendido a minha explicação. Mas seus olhos o traíram e me disseram outra coisa. Eles falaram que aquele garoto insuportável, metido a filho pródigo que ainda não retornou estava apaixonado por mim.

Como eu fui me meter numa furada dessas?, questionei a mim mesma.

Meu celular vibrou embaixo do travesseiro onde eu estava deitada. O visor iluminou-se com seu nome. Relutante, atendi.

— O que é? — Falei gentilmente.

— Boa noite, minha querida Brisa! — Como aquele garoto era fingido. — Liguei para saber com a senhorita de encontra após aquele longo período choroso da tarde. Imaginei que você deve ter se apaixonado por alguém e sido rejeitada para romper em tantas lágrimas...

Foi impossível não rir com tamanha atuação.

— Eu sinceramente não entendo como você ainda pode ficar em recuperação em português todos os anos falando desse jeito.

— Eu já te expliquei, Tempestade – a nova mania era arranjar um nome que me fizesse parecer um X-Men. — Algumas vezes, quando meu pai me expulsava de casa, eu fazia companhia...

— Diga-se, infiltrar-se.

— Não me interrompa, Vento-sem-destino. Eu fazia companhia ao meu velho e culto avô. Ele ficou muito sozinho depois que a adorável senhora com quem era casado se foi, então, ele adorava conversar comigo. E eu adorava dormir enquanto isso. Daí, um dia ele me pegou dormindo no meio de uma conversa “importante” e ele me chutou de lá também.

— Isso é uma regra quando se trata de você.

— Seu pai parece ser imune a essa regra. Ele parece contentar-se com a minha presença. Inclusive a sua filha...

Por mais que eu negasse e tentasse esconder, era verdade. Ele era o único amigo que eu tinha. Eu tinha ficado muito sozinha depois que tudo aconteceu, e aquilo não estava me fazendo muito bem. Eu precisava de alguém para conversar, mesmo que esse alguém fosse o mané com quem eu estava falando.

— Alô? — ele retomou o contato após um tempo.

— Onde você está? – não que eu estivesse interessada naquilo.

— Nos meus aposentos reais.

— Está se sentindo sozinho, por isso me ligou...

— Eu não estou sozinho. Eu tenho aqui meu toco de vela, o meu colchão, meus criados e um ceia preparada para mim.

— A última parte foi totalmente verdade.

— Certamente. Mas eu liguei para saber se minha princesa está bem. E se o dragão está mal-humorado hoje. Amanhã, se eu não tiver nada interessante para fazer eu vou aí te salvar.

— Se por dragão você quer dizer o meu pai eu vou ter uma conversinha com ele sobre o tipo de pessoa que você é.

— Admita que você estava pensando em mim antes de eu ligar – senti minhas mãos suarem.

— Está tarde, eu preciso desligar – me apressei em dizer.

— Você não consegue nem disfarçar – ele gargalhou do outro lado da linha. — Não tem problema nenhum, menina Brisa. Eu também estava pensando em você.

Mantive o silêncio. Meu coração estava aos pulos. Qual é o meu problema? Por que ele provocava isso em mim?

— Não precisa dizer nada. Boa noite. E sonhe comigo. Assim como você faz todas as noites.

Ele desligou antes que eu pudesse gritar.

Notas finais
Comenta? Faz eu postar mais rápido...