Beyond
11 Brisa
Notas iniciais
Certo, eu estava claramente fora de mim. Porque já era noite e eu não esqueci o jeito que Adriano me olhou. Depois de me pedir para falar sobre a Bíblia, explorando claramente meu assunto favorito, ele ouviu atentamente cada palavra e parecia refletir sobre. Eu chorei um pouco, e não me orgulho de ter feito isso na frente dele. Mas o amor de Deus me constrange, eu não mereço tanto, mas fui aceita e o aceitei também.
Mas quando me pegou no choro ele segurou delicadamente no meu rosto, o que é uma coisa quase impossível para um ser humano igual a ele, e me disse que tinha compreendido a minha explicação. Mas seus olhos o traíram e me disseram outra coisa. Eles falaram que aquele garoto insuportável, metido a filho pródigo que ainda não retornou estava apaixonado por mim.
Como eu fui me meter numa furada dessas?, questionei a mim mesma.
Meu celular vibrou embaixo do travesseiro onde eu estava deitada. O visor iluminou-se com seu nome. Relutante, atendi.
– O que é? — Falei gentilmente.
– Boa noite, minha querida Brisa! — Como aquele garoto era fingido. — Liguei para saber com a senhorita de encontra após aquele longo período choroso da tarde. Imaginei que você deve ter se apaixonado por alguém e sido rejeitada para romper em tantas lágrimas...
Foi impossível não rir com tamanha atuação.
– Eu sinceramente não entendo como você ainda pode ficar em recuperação em português todos os anos falando desse jeito.
– Eu já te expliquei, Tempestade – a nova mania era arranjar um nome que me fizesse parecer um X-Men. — Algumas vezes, quando meu pai me expulsava de casa, eu fazia companhia...
– Diga-se, infiltrar-se.
– Não me interrompa, Vento-sem-destino. Eu fazia companhia ao meu velho e culto avô. Ele ficou muito sozinho depois que a adorável senhora com quem era casado se foi, então, ele adorava conversar comigo. E eu adorava dormir enquanto isso. Daí, um dia ele me pegou dormindo no meio de uma conversa “importante” e ele me chutou de lá também.
– Isso é uma regra quando se trata de você.
– Seu pai parece ser imune a essa regra. Ele parece contentar-se com a minha presença. Inclusive a sua filha...
Por mais que eu negasse e tentasse esconder, era verdade. Ele era o único amigo que eu tinha. Eu tinha ficado muito sozinha depois que tudo aconteceu, e aquilo não estava me fazendo muito bem. Eu precisava de alguém para conversar, mesmo que esse alguém fosse o mané com quem eu estava falando.
– Alô? — ele retomou o contato após um tempo.
– Onde você está? – não que eu estivesse interessada naquilo.
– Nos meus aposentos reais.
– Está se sentindo sozinho, por isso me ligou...
– Eu não estou sozinho. Eu tenho aqui meu toco de vela, o meu colchão, meus criados e um ceia preparada para mim.
– A última parte foi totalmente verdade.
– Certamente. Mas eu liguei para saber se minha princesa está bem. E se o dragão está mal-humorado hoje. Amanhã, se eu não tiver nada interessante para fazer eu vou aí te salvar.
– Se por dragão você quer dizer o meu pai eu vou ter uma conversinha com ele sobre o tipo de pessoa que você é.
– Admita que você estava pensando em mim antes de eu ligar – senti minhas mãos suarem.
– Está tarde, eu preciso desligar – me apressei em dizer.
– Você não consegue nem disfarçar – ele gargalhou do outro lado da linha. — Não tem problema nenhum, menina Brisa. Eu também estava pensando em você.
Mantive o silêncio. Meu coração estava aos pulos. Qual é o meu problema? Por que ele provocava isso em mim?
– Não precisa dizer nada. Boa noite. E sonhe comigo. Assim como você faz todas as noites.
Ele desligou antes que eu pudesse gritar.
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