Between truth and lies
7 Não se esqueça
Lily não tinha contado a suas amigas sobre seu rolo com James, muito menos assumido que estavam tendo algo. Ela tinha medo, mas quando estava com ele era como se nada de ruim pudesse acontecer. Naquela noite entretanto, havia tido um pesadelo, era o segundo aquela semana. O mesmo.
"Ela ouvia um barulho e abria os olhos, não reconhecendo onde estava. Uma brisa forte passava a deixando com frio,o céu estava nublado, e tudo parecia triste. Não era mais Hogwarts, não era lugar algum. Estava em um campo aberto com uma única árvore bem no meio, a alguns metros. Foi andando até lá. No tronco da árvore havia uma coração desenhado com as inicias E + P . Não se lembrando porque. Olhava ao redor a procura de James. Ela dava a volta na árvore, uma, duas, três vezes. Tinha alguém com ela, mas a mesma não conseguia ver, até que parava, e quando olhava para trás ele estava lá. O cara que se dizia seu pai. O "vilão" da sua história. Voldemort, com a varinha apontada para James, a sua frente, enquanto segurava seu cabelo e o fazia ficar meio curvado para trás.
–Olá Lilian. -ele dizia
–Solte-o.
–Soltá-lo? Está perdendo a razão? Ele é meu brinde por ter você. Sinceramente, se não fosse por ele você já estaria morta.
–Você não vai conseguir levá-lo.
–Claro que não. -ele lhe sorriu diabolicamente- Ele vira até nós. Bom, até você. O pobre garotinho Potter, desolado, magoado, se sentindo traído por sua amada não lhe contar que ela era filha do Lorde das Trevas–ele frisou seu nome- Mas, ao mesmo tempo esta triste, se sentindo sozinho, e ele vai chorar. Ah vai sim. Vai sonhar com você, farei questão de cuidar disso pessoalmente. Então ele finalmente vai botar na cabeça que precisa te achar, que ele pode te salvar. E eu vou mandar pistas de onde você estará, sem que ele saiba que sou eu. E como num passe de mágica, sem que perceba, ele estará caindo em uma armadilha, será nosso.
–Não vai funcionar. James é inteligente. -ele, no entanto, a ignorou
–Deve estar perguntando :"Poque ele está me contando tudo isso se assim ficará mais fácil de eu protegê-lo?" Simples. Não importa, não conseguirá me deter.
–Você é doente.
–Passar bem minha filha, ou pelo menos, o tempo que lhe resta. — e sumiu, levando James consigo"
Começava sempre como um sonho, mas logo piorava. Ela acordava sobre saltada, suando e com o coração acelerado. Dessa vez tinha sido tão real que ela decidiu contar a James. No jantar, pediu, com um bilhete, que ele a encontrasse na Torre de Astronomia, a meia noite.
Ela estava nervosa, suas mãos soavam. Tudo que tinha pensado em dizer, todos os pedidos de desculpa, tinham se esvaído da mente. Não sabia mais como começar, e o medo passou a sucumbi-la. Estava agitada e cogitando a ideia de desistir quando ele chegou, com aquele sorriso sacana que a tirava o fôlego e aquelas íris magníficas que a faziam se sentir exposta. E ela sentiu, naquele momento, que podia contar qualquer coisa a ele.
–Oi. -disse enquanto ele a abraçava pela cintura e beijava o topo de sua cabeça
–Oi.- seu sorriso logo sumiu ao perceber que não era correspondido — Você me chamou aqui porque estava com saudade de seu lindo namorado ou aconteceu alguma coisa? -não eram necessariamente namorados, mas ela achou que talvez fosse mais fácil se ele pensasse assim.
–Preciso te contar uma coisa.
–Tudo bem. -ele disse calmamente
–Lembra que eu te disse uma vez que eu era adotada? -ele assentiu -Bom, eu não sei quem é minha mãe biológica, mas sei que é meu pai.
–Sério? E isso é bom... não é?
–Na verdade não.
–Mas, por que?
Ela olhou no fundo de seus olhos e sentiu a coragem se esvaindo. Será que ela conseguiria? Ele iria sentir raiva dela, pediria um tempo pra pensar. E ela, claro, não poderia fazer nada, afinal, ela quem mentiu. Logo agora, no momento mais precioso de seu relacionamento, mesmo que não fosse exatamente um. Ela descobrira que o amava, e queria dizer isso a ele, mas não antes de lhe contar a verdade. E se ele terminasse tudo de vez? Ela não suportaria perdê-lo. Era cômico, se sentia totalmente dependente de alguém pelo qual já quis distancia. — O tempo muda tudo -ela dizia a sua mãe que lhe respondia — É o que as pessoas dizem. Mas não é verdade. Fazer coisas é o que muda algo. Não fazer nada, deixa as coisas do jeito que eram. Sua mãe era uma mulher muito sábia, e quase sempre tinha razão. Dessa vez ela estava absolutamente certa. De um jeito ou de outro Lily perderia James, mas era sua escolha se ele continuaria vivo. Esse pensamento a deixava enjoada, e ela sentia uma súbita vontade de chorar. Mas não faria, não naquele momento pelo menos. Se tinha que fazer, faria direito.
Lily se desvencilhou de James e foi para a sacada da Torre, olhou o céu escuro cheio de estrelas, respirou fundo e conseguiu reunir o resto de coragem que havia dentro de si.
–Meu pai de verdade não é um homem bom. Ele é um homem horrível. E eu desejo com todas as minhas forças não tê-lo conhecido. Mas isso não é o suficiente. -ela se virou pra ele olhando em seus olhos com uma determinação absurda — Nas férias de natal do 5º ano...
E ela lhe contou toda a história. Cada detalhe. E James não esboçou nem um tipo de emoção. Seu rosto era inexpressivo no momento, e ela não conseguiu não ficar mais nervosa. Ele parecia tão calmo, e aquilo a deixava ainda mais perturbada. Quando terminou, demorou um tempo para que ele se pronunciasse.
–Sabe, eu ia dizer que se você queria terminar comigo não precisava inventar uma história dessas, mas.. Não vejo como você pode ter inventado isso. -ele passou a mão nos cabelos visivelmente nervoso. Ele inspirava profundamente e olhava diretamente no olhos dela. -Eu... sinceramente, não sei o que dizer... Mas, Lily. -ele chegou perto dela colocando suas duas mãos em seu rosto — Eu nunca vou deixar ele te levar. Ta me entendendo? Nunca.
–James.. Não é assim que as coisas funcionam. Ele virá. E você não vai conseguir impedi-lo, sabe disso.
–Mas é claro que eu vou. Sirius pode nos ajudar. Todos os marotos podem. Dumbledore, Minerva. Chamo até Merlin, se precisar. Não posso perder você Lírio. -ele disse enquanto a abraçava pela cintura e encostava sua testa na dela
–James. Eu amo você. -ele abriu um sorriso, mas seus olhos lhe entregavam. Por mais que estivesse feliz por ouvir aquelas palavras, pela primeira vez, saindo da boca de sua amada, ele não conseguia deixar a tristeza de lado. Afinal, ela poderia ser tirada dele a qualquer momento. -Mas,vamos ter que terminar. -ela disse, com a voz embargada.
Assim que o garoto abriu os olhos Lily não aguentou segurar as lágrimas.Ele estava arrasado, desesperado. E ela também não estava melhor,e, por mais que tenha tentado se manter firme por ele, não aguentou.
–Não. Não Lírio. Não pode fazer isso. Só vai piorar as coisas. Temos que ficar juntos. Eu vou te proteger.
–Tenho que fazer.
–Por favor, não faz isso. -ele suplicou, com a voz chorosa.
–Ele te quer, James. Eu sou só uma isca. Precisa ficar longe de mim, estará mais protegido assim. Talvez não fiquemos muito tempo separados. Quando tudo isso acabar vamos nos encontrar de novo. Você estará casado certamente, com uma mulher linda, e terá uma bela família. É o melhor... — entretanto ela não pode ter minar seu raciocínio, já que sua boca foi totalmente preenchida pela dele.
Era um beijo devastador, cheio de sentimentos. Chegava a ser desesperado de tão sensual. Era como se estivessem matando a saudade, transmitiam paixão. Depois de um tempo se separaram, mas ainda tinha um roçar de lábios.
–Lily... Eu não quero me casar com outra pessoa, não quero ter filhos com ela e nem uma vida feliz, porque se não for com você, eu não estarei feliz. Preciso de você. Eu te amo tanto... Não faz isso comigo, não faz isso com a gente. Por favor.
Ela lhe deu um selinho demorado e o abraçou, inalando seu delicioso perfume. Lily pegou o cachecou do garoto e colocou em si. Colocou as mãos no rosto do mesmo, enquanto ele fechava os olhos e sentia o toque.
–Eu amo você. Não se esqueça disso.
James sentiu as mãos da garota saindo de seu rosto, mas não se atreveu a abrir os olhos. Sabia que ela estava indo embora, e sabia que ver com seus próprios olhos doeria bem mais.
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