Between earth and heaven
8 E a viagem continua
No dia seguinte partimos pela manhã, eu ainda estava perturbada pelas revelações da noite anterior, saber que a minha filha era algum tipo de salvadora foi um grande choque, e eu ainda estaria duvidando se não tivesse viajado pelo passado de Patch e visto Jin, não pude falar com ela, mas aqui já foi o suficiente para acalmar um pouco da saudade da minha melhor amiga.
– Mamãe, quando voltaremos para casa? Sinto falta das aulas de Ballet – Hany questionou manhosa.
– Bem querida, ainda não temos uma previsão ... – Falei calmamente tentando esconder minha ansiedade.
– Onde estamos indo? – Por algum motivo Hany estava inquieta naquela manhã.
– Para uma aventura, Pimentinha! – Falou Patch com uma animação exagerada. – Quero que vocês conheçam uma velha amiga minha...- Ele disse com certo mistério, percebi que deveria tomar cuidado com aquelas palavras.
– Amiga ...? – Olhei para ele questionando a situação, mas tudo que ganhei foi um olhar perverso. Apenas suspirei esperando pela encrenca que viria a seguir.
Algumas horas mais tarde chegamos a uma cidadezinha, era deserta, ninguém estava pelas ruas. Nós dobramos algumas esquinas e chegamos a frente de uma pequena casa, havia uma moça nos esperando, tinha cabelos escuros com cachos bem moldados e olhos azuis como o céu, era extremamente branca e de beleza invejável. Patch parou o Jeep e saiu para encontra-la em um abraço apertado que demonstrava o quanto eram íntimos, não sei bem o porque mas me senti desconfortável.
– Quem é ela mamãe? Parece uma princesa! – Hany disse aumentando meu desconforto.
– Deve ser outra pobre garota com quem seu pai brincou! – Falei sem me dar conta da tom irônico que minha voz entonava.
– O papai ainda gosta de brincar? – Hany parecia confusa, e eu agora estava desconcertada por ter falado tal besteira.
– Não é isso querida, apenas esqueça o que a mamãe disse – Falei rindo totalmente sem graça.
Então Patch interrompeu nossa conversa constrangedora nos chamando para apresentar a sua “Velha amiga”, Hany e eu saímos do carro para encontrar com a moça, ela era ainda mais bonita de perto, não pude deixar de ficar admirada com tal beleza.
– Honnie, Hany, esta é Muriel, uma grande amiga minha! – Patch falou com um largo sorriso, um sorriso que eu não conhecia.
– Olá, Muriel... É um prazer. – Tentei falar de forma amigável, espero não ter parecido forçada.
– Que nome bonito moça! – Hany parecia cada vez mais encantada.
– Olá Honnie! – Ela falou com um enorme sorriso, os olhos de um azul calmo esbanjavam delicadeza. Ela então dirigiu a atenção para Hany, abaixou-se até ficar na altura dela – Pequena Hany, estive ansiosa por te conhecer! Pode me chamar de tia Muriel, hm?
– Tudo bem, Tia Muriel! – Não pude deixar de me sentir ainda mais desconfortável ao ver Hany chama-la assim.
– Então, será que você pode tomar de conta da minha pimentinha por hoje, Muri? – Patch perguntou sem ao menos me questionar.
– Patch, acho que Hany tem que ficar conosco... – Eu tentei fazê-lo mudar de ideia.
– Não, Hon, eu sei o que estou fazendo – Ele disse voltando o olhar para Muriel esperando pela resposta da garota.
– Claro, vai ser ótimo passar o dia com a pequena Hany! – Ela disse daquela forma doce.
– Obaaa, vamos nos divertir, Tia Muriel! – Observando a animação de Hany apenas dei de ombros me dando por vencida, afinal Patch não a colocaria em risco.
– Então, se divirta, pequena! – Sorri ainda sem graça e beijei-lhe a testa.
Assim Patch também se despediu de Hany e fomos ao carro, eu ainda me sentia indiferente a Muriel, não gostava do jeito que ela se aproximou de Hany ou do jeito que Patch a tratava.
– Muri é de confiança, ela é uma pessoa muito pura! – Disse Patch tentando me acalmar, mas não era isso que me incomodava, eu sabia que ela não faria mal a Hany.
– Eu sei que ela não fará nada para Hany – Eu disse secamente.
– Então porque está agindo assim? – Ele me questionou em seu tom irritante de sempre.
– Não é nada – Dei de ombros olhando por fora da janela.
– Então o que é? Ciumes? – Ele perguntou entre risadinhas idiotas, bufei irritada.
– Não seja idiota! – Neguei com a cabeça – O que ela é? Outro anjo?
– Sim, ela caiu um pouco depois de mim, passou por momentos difíceis mas nunca deixou as trevas dominá-la, Muri é incrível! – Ele disse admirado, aquele desconforto aumentou.
– Falando assim... Parece apaixonado – Eu disse sarcástica, ele gargalhou como se tivesse ouvido uma piada.
– Claro que não, Muri é quase uma irmã, não consigo vê-la como mulher – Ele falou calmamente.
– Afinal, onde vamos? – Já estava incomodada com aquilo.
– Vamos ver uma outra velha conhecida. – Agora ele parecia um tanto obscuro.
– Pelo jeito que fala... Essa não parece ser tão amigável – Falei incomodada.
– Digamos que tive minhas diferenças com Cora – Ele deu um sorriso amarelo.
– Cora ... Passou pela vida de muitas mulheres, afinal. – Disse mais uma vez sarcástica.
– Se eu não te conhecesse, diria que está mesmo com ciúmes –
– Não seja convencido – Fomos de carro por mais alguns minutos até uma casa pequena e simples, estava fechada, a tal Cora não parecia estar esperando por visitantes. Patch desceu do carro primeiro e pediu para que eu esperasse, ele deu algumas batidas na porta e antes que alguém pudesse abrir eu saí do carro desobedecendo ele. Quando cheguei ao lado de Patch uma mulher abriu a porta, fiquei surpresa. Ela tinha cabelos cor de ferrugem e olhos tão claros que eram quase brancos.
– Patch? – Ela parecia não acreditar no que via, se é que via algo com aqueles olhos quase brancos que me davam arrepios. – Não pensei que o veria outra vez – A mulher estava indiferente.
– Cora... Preciso de ajuda! – Ele disse ignorando a hostilidade de Cora.
– Ajuda, ajuda ... É só isso que você fala – Ela deu de ombros
– Vamos, Cora, eu posso pagar... É importante – E lá estava o Patch idiota de sempre jogando seu “Charme” para cima da pobre moça.
– Tenho preços bastante altos.
– Estou disposto a pagar!
– Então, se é assim ... – Ela fez um sinal para que entrássemos em sua pequena casa, assim nos sentamos no que parecia ser uma sala de jantar – Honnie... Não é mesmo? – Eu estava surpresa por ela saber meu nome.
– Como você sabe? – Meu olhos puxados de arregalaram e ela sorriu sombria.
– Eu sei muita coisa, Honnie. –
– Então, vamos ao que interessa. Cora, quero que veja o futuro... Sobre a grande guerra! – Patch parecia ansioso.
– Oh, eu sei bem o que quer saber, Patch, é sobre a pequena salvadora, não é? – Ela sorriu largamente, mas aquele sorriso fez com que eu sentisse calafrios. – Patch, você sabe que o futuro é incerto... Mas tudo pode ocorrer de acordo com a profecia.
– Cora, algo mais concreto!
– Lamento, isso é tudo que posso dizer.
Patch insistiu mais um pouco, mas Cora se recusava a falar mais, ele me explicou que ela era um anjo da morte que fora banida depois de quebrar regras, mas que havia preservado o dom da clarividência. Assim apenas decidimos ir, deveríamos passar a noite naquela cidade, já era um tanto tarde, então ficamos na casa de Muriel.
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