Between coffee and love
2 Capítulo 2
Notas iniciais
-Ás oito, Emma. – Ela sorriu ao ver que a loira havia saído de algum tipo de transe. –Não se esqueça.
—Não vou esquecer. –Ela pegou a caneta que estava próxima ao caixa e então anotou no pulso, e logo depois mostrou a Regina. –Viu? Não vou esquecer!
Regina fazia tanta questão de lembra-la, pois sabia o quão cabeça de vento Emma poderia ser em alguns momentos. Fato era que a loira era brilhante, poucas eram as pessoas que Regina Mills conhecia, até mesmo no meio aonde trabalhava, que tinham metade da capacidade criativa que Emma possuía.
—Ah... –Regina estava de costas, e então se virou, encontrando Emma lhe encarando sem cerimonia alguma. –Passo aqui ou na sua casa?
—Faz muita diferença? –Emma sorriu, sua casa ficava duas ruas acima da cafeteria.
—Olha, faz. –Ela deu um meio sorriso.
—Pode ser na minha casa, acho que não posso ir jantar de uniforme, embora eu fique um mulherão dentro dele. –Ambas sorriram.
—Tudo bem, Emma. –Regina a olhou e por um momento o sorriso se desfez. –Tenha um bom dia.
Zelena preparava um expresso enquanto assistia a toda aquela cena, que por mais inocente que fosse, estava regada de um tensão desconhecida. A ruiva tinha uma visão privilegiada do que acontecia, ela conseguia ver Emma estralando os dedos compulsivamente por de baixo do caixa, e conseguia ver Regina com os pulsos cerrados, tentando controlar alguma coisa dentro de si. Os olhares, sorrisos e toda aquela tensão em si eram muito perceptíveis para qualquer um que prestasse o mínimo de atenção nas duas mulheres. A música continuava a tocar no momento em que Regina Mills colocou os dois pés para fora daquele estabelecimento. Emma a olhou um ultima vez e então abaixou sua guarda de vez, encostando-se à bancada próxima a si.
A batida da música ia de encontro com a alma de Emma, e com certeza aquela música era a sua preferida do momento, pois lhe descrevia muito bem. Veja, Emma Swan era à frente de seu tempo, talvez fossem as bandas antigas, ou talvez a influência dos anos oitenta fosse patente demais para ela, mas definitivamente ela parecia um ser de outra era. A loira suspirou e sua cabeça pendeu, seus olhos se encontraram com o chão e ela então deu inicio a suposições mil, como sempre fazia todas as manhãs depois que a senhorita Mills saia.
Emma com toda certeza poderia admirar Regina por seus atrativos físicos, seria completamente compreensível, a morena possuía um corpo que poderia arrancar suspiros até do homem/mulher mais distraído, o cabelo se fazia uma moldura perfeita para o rosto bem esculpido, os lábios bem delineados e os olhos expressivos que só ela sabia ter, e usar quando lhe fosse conveniente. A morena não precisava cativa-la com esses atributos, não, Emma apreciava outras tantas outras coisas, que para ela, eram muito mais valiosas. A loira se apaixonou pela inteligência de Regina Mills, seu senso critico único, o modo como ela argumentava e expunha seu ponto de vista de forma respeitosa mas, sem deixar de ser imponente como sempre. Era provavelmente a mulher mais cheia de atributos não físicos que Emma já conhecera em toda a sua vida, e ela estava completamente de quatro por ela.
A loira não era convencional em muitos pontos, e quando se tratava de amar ela não poderia ser nem um pouco diferente. Tudo começou em uma manhã, de um dia que Emma não se recordava bem a data, só se lembrava que era outono, pois as folhas brincavam no chão o tempo todo. Ela estava parada, próxima a uma janela grande do outro lado da cafeteria, quando Regina Mills, em seus perfeitos saltos 15, adentrou o lugar. Fora mágico, os olhos se encontraram por uma fração de segundo, ela desviou o olhar e Emma continuou olhando. A memória era tão nítida que Emma conseguia se lembrar da música que tocava ao fundo, e se lembrava disso, pois quando foi atender a mulher misteriosa, ela dançava de forma contida.
Swan se lembrava com perfeição de como seu coração acelerou de uma vez quando Regina perguntou o nome daquela música. A voz tremula, a hesitação, e um sorriso contido, a resposta saiu rápida. Sentiu-se idiota, como sempre quando se tratava de alguém cujo ela poderia desenvolver qualquer tipo de sentimento, mesmo que fosse completa admiração. Naquele dia, a senhorita Mills estava atarefada, digitava sem parar em seu notebook, o óculos, vez ou outra, ia parar na ponta de seu nariz, porém ela o voltava para o lugar alguns minutos depois. Simplesmente adorável, aos olhos verdes de Emma Swan.
Ela piscou os olhos algumas vezes e então encarou a pequena caderneta, que ainda estava na página que continha os rabisco de quando ela havia falado com Regina naquele dia mais cedo.
—Mary, me desculpe. –Ela sorriu sem jeito. –Pode repetir?
—Estava flutuando em pensamentos de novo, não é mesmo, menina? –Mary sorriu e tocou a mão da garçonete.
—Estava sim, tenho que parar com isso, não é todo mundo que aceita essas viagens que eu faço no meio do meu expediente. –Ambas sorriram.
—Quero um expresso, e panquecas. –Antes de Emma sair, Mary segurou sua mão, fazendo com que a mesma parasse. –Viver no seu mundo é melhor do que viver aqui, por isso escuto suas músicas.
—Isso foi muito bom de se ouvir, Mary, muito obrigada. –Emma deu um largo sorriso e então saiu.
O tempo havia passado de forma relativamente rápida. A loira se desdobrava entre anotar pedidos, anota-los, estudar no tempo vago e escrever alguma parte de alguma música quando uma ideia surgia. Ao olhar no relógio que ficava no centro da parede, acima das maquinas de café vintage que Zelena havia comprado, o coração de Emma bateu mais rápido e mais forte. Ela precisava ir para casa se arrumar, já eram sete horas. Zelena viu o momento em que os olhos de Emma pousaram sobre o relógio, sorriu e então a olhou.
—Vá logo para casa, o que está esperando? –Ela terminava de enxugar um copo quando Emma pegou sua mochila e saiu correndo.
Subiu os quatro lances de escadas de seu prédio e chegou ao ultimo apartamento do corredor. A porta mal havia se fechado e ela jogou a mochila no chão. Um caminho de roupas fora deixado da porta até o banheiro, ao qual ela entrou com bastante pressa e tomou um digno banho de vinte e cinco minutos cronometrados. Saiu enrolada em sua toalha vermelha felpuda e então prendeu o cabelo molhado em um coque. Emma andou a passos largos até seu quarto e então parou em frente a seu guarda-roupa que estava com as duas portas abertas. Seus olhos correram por todas as roupas e de novo aquela velha indecisão. “Isso não deve acontecer só comigo, não é possível!”. O pensamento de certa forma lhe confortava.
Por fim, após muito tempo procurando algo que fosse bom o suficiente, mas não chamativo demais, ela vestiu suas roupas intimas, uma calça jeans preta, um tênis preto com brancos, uma blusa também preta com algumas frases de uma música escrita e uma jaqueta jeans. Voltou-se para o espelho e penteou o cabelo, ajeitando-o logo em seguida para que seus cachos se abrissem quando secos. Passou bastante rímel como de costume e borrifou um perfume leve. Estava pronta, e mal saiu do quarto, a campainha tocou.
Ela respirou fundo e andou calmamente até a porta, nem ao menos viu a trilha de roupas que havia pelo chão. Abriu a porta e encontrou Regina com um meio sorriso nos lábios. Ela usa uma blusa de manga curta listrada, que possuía um pequeno bolso na altura do seio direito, uma calça de cós alto azul clara e nos pés, um all star, para a surpresa de Emma que nunca havia visto a morena naqueles trajes.
—Eu fiquei com medo de você se vestir de uma forma formal demais, as pessoas sempre cometem esses erros quando as chamo para sair, não que eu chame muitas pessoas para sair, sou meio antissocial demais para uma escritora. –Ela sorriu e então olhou para o chão, viu o sutiã vermelho de Emma jogado no chão.
A loira seguiu seu olhar e então riu, com a ponta do pé ela colocou a peça atrás da porta e então saiu, fechando a mesma logo em seguida.
—Eu não deveria fazer as coisas correndo, sempre estrago as coisas, agora você deve achar que eu deixo tudo jogado, o que não é bem uma mentira.
—Se eu te julgasse por isso eu estaria sendo hipócrita ao extremo. –Ambas sorriram. –Vou te levar para jantar em um lugar que eu particularmente amo, e eu espero que você goste, lá tem bastante livros, música boa, café e comida, como isso poderia dar errado? –Ela ajeitou o óculos e Emma sorriu.
—Eu confio em você, meu pai disse que a senhorita deve me deixar em casa as dez, mas sei que vamos chegar mais tarde então eu pulo a janela. –Regina e segurou à mão de Emma, a loira sentiu os pelos de seus braços se eriçarem.
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