Between a Destiny.

11 O fim em um começo. - Parte II


Notas iniciais
Música pra inspiração: Drop in the ocean - Ron Pope.

PDV Meredith.:

Não havia muito o que fazer. A não ser sentar, esperar Emily voltar com alguma informação, e sermos torturados pela ansiedade, insegurança e o medo.

Todas as possibilidades de um plano descente já tinham sido feitas.

Dean tentava me confortar inutilmente. Ele sabia que um abraço não seria o suficiente pra acabar com tudo aquilo.

Era triste pensar que, enquanto estávamos alí, bilhões de pessoas estavam continuando suas vidas sem ao menos fazer ideia do que as esperam, sem ao menos, terem a chance de se despedirem de suas famílilas e amigos. Mas o que deveríamos fazer? Tentar invadir o cativeiro numa tentativa suicida? Chorar e nos desesperar por tudo? Não, sei que não podemos. Como Dean disse mais cedo: "Não devemos nos entregar aos impulsos. Se for para morrermos, morreremos lutando."

PDV Emily.:

Voltei à casa, e chegando lá, vi que Mark estava saindo pelos fundos com a mochila de caça.

- O que você pensa que está fazendo, Mark?!

- Sei que não vou deixar Anna na mão daqueles desgraçados sem tentar mover um músculo pra tirá-la de lá.

- Você tá louco?! Não! Nós vamos tirá-la de lá, Mark. NÓS. Você não vai fazer nada agora. Só entre e ouça o que eu vou contar.

- Você não entende...

- Ah, eu entendo sim. Claro que entendo. Eu vou te falar uma coisa, eu já tive a pessoa mais importante da minha vida em um momento, e no outro, ela estava possuída por um demônio, e eu tive que matá-lo. Descobri que aquele tempo todo, não era quem eu pensei que era. Então você vai parar com essa palhaçada, e vai ter um pouco mais de amor pela vida e vai entrar nessa casa agora. — Falei firme, e ele obedeceu.

Senti pena dele. Eu entendia mais do que ninguém o que ele estava passando, mas no momento, era a única coisa que eu poderia fazer.

- Onde você esteve, Mark?! — Ben perguntou levantando-se do sofá.

- Eu, er...

- Ele estava me esperando na frente da casa. Só isso. — Interrompi e Mark me olhou aliviado.

- Então...? — Dean olhou com a pouca esperança que restava.

- Há muitos guardando todas as entradas, mas ela tá bem... Na medida do possível.

- Ótimo. Invadimos ao amanhecer. — Sam disse e foi até onde estavam os preparativos.

Podíamos perceber como ele estava arrasado. Às vezes ele murmurava algo como "mais uma que tiram de mim." ou "mal a encontro e já a perco de novo."

Era realmente de se arrasar.

PDV Anna.:

- Depois de horas sentada naquela cadeira de ferro com demônios me encarando o tempo todo, ameaçando a cada mínimo movimento que eu fizesse, o que tinha tirado minha faca entrou na sala.

- Ordens de Rick: Levem-na até o local do sacrifício.

- Ah, que lindo. Mais tortura chegando. — Falei irônica, mas temendo por dentro.

Eles me soltaram mas me arrastaram até uma camionete antiga, e viajamos até um outro terreno abandonado.

Lá, me colocaram em um círculo, de sal, e ao redor dele acenderam um círculo de fogo.

Talvez para impedir que tanto anjos quanto demônios penetrassem.

Eu me sentia fraca, sem capacidade de ao menos me levantar e tentar me libertar.

Minutos depois os anjos apareceram.

- Rick, não devíamos, mas conhecemos sua história, e essa aliança irá durar só até o final do sacrifício, para impedir que mais pessoas acabem morrendo. Que isso fique bem claro. — Um dos anjos falou, sombrio.

PDV Meredith.:

O sol dissipou parte da escuridão, e então partimos.

***

Andamos silenciosamente até a entrada, onde de um jeito estranho, não havia ninguém guardando. Emily nos dava os sinais para avançarmos ou esperarmos.

- Mas o que... Está tudo vazio! — Ela gritou quando Sam arrombou a porta.

- Eles já devem ter partido... — Dean disse. — Você tem certeza de que foi aqui que veio mais cedo, Emy?

- Absoluta.

- Ok, vamos, todos de volta ao carro, vamos ao próximo terreno.

PDV Anna.:

Tudo de repente ficou silencioso e calmo. Mau sinal.

Então milhões de sombras escuras fecharam o céu de uma manhã que seria ensolarada. Demônios contra os anjos que defendiam o local onde eu estava no círculo. Segundos e barulhos, sangue e corpos usados se espalharam pelo campo.

Isso vai parecer masoquista, mas eu queria que me matassem, que os anjos pudessem vencer aquilo e no fim, pudessem enfim, me matar. Sei que iria para o inferno, mas o fato de levar parte da alma de Lúcifer junto, pro cativeiro, onde ele nunca mais sairia nem tentaria contra ninguém, já era o suficiente contra qualquer instinto de auto-proteção. Eu estava grata pela minha mãe ter feito tudo isso comigo. Era essa a razão de tudo. Eu seria a chave pro fim de todas as guerras. E eu podia dizer que, de um jeito, estava orgulhosa dela por isso.

***

Aconteceu o que era a última coisa que eu poderia desejar naquele momento: Meu pai, tio, Emily, Meredith, Ben e Mark, surgiram em meio ao caos. Era tudo do que eu não precisava.

Eles se juntaram atacando os anjos, sabiam que eles iriam me matar.

Mark veio até mim, enquanto Ben e Emily distraiam juntos os anjos que guardavam o círculo.

- Anna, eu vou tirar você daí.

- Não, eu não posso, por favor, vai embora, e leve eles. Por favor.

- Você tá louca?! Nunca. Nós vamos achar um jeito depois, mas você não vai morrer.

- Eu preciso, Mark. Não vou viver sabendo que sou a razão de outras pessoas estarem sofrendo. Faça isso por mim. Um último desejo.

- Você sabe que eu não conseguiria.

- Mark. Por favor. Olha, a faca está com aquele anjo, atrás de Rick. Eu vou tentar distrair o Rick, e você pega. Sei que pode.

Ele beijou meu rosto e com os olhos cheios de lágrimas, mas sem derramar nenhuma, respirou e virou-se indo até lá.

PDV Mark.:

Mais algumas poucas horas

Então vai ser hora de ir

Enquanto meu trem desce

A costa leste

Eu me pergunto como

Você vai se manter quente

É tarde demais para chorar.

Doía sim ter que fazer isso, eu desejava com todas as minhas forças que algo acontecesse e eu não precisasse fazer isso, eu sabia que eu não viveria em um mundo em que ela não existisse, mas eu precisava, eu iria querer o mesmo. Eu faria um pacto depois disso, qualquer coisa, mas ela voltaria, sim. Ela voltaria.

Olhei para Anna, e quando me virei, Rick não estava mais lá.

- Procurando por isso? Ah, desculpe, não fomos apresentados: Sou Rick. O antigo namorado da sua amada alí. — Ele me disse num tom provocador com a faca na mão.

- O que você quer?

- Tome, mate-a. É isso disso que precisamos.

Desconfiei, mas peguei e fui até Anna.

Uma gota no oceano

Uma mudança no tempo

Eu estava rezando

Para que você e eu

Pudéssemos ficar juntos

É como desejar a chuva

Enquanto eu estou no meio do deserto

Mas estou te segurando

Mais perto do que nunca

Porque você é meu paraíso

PDV Anna.:

Rick havia saído de onde estava, e surpreendentemente, entregou a faca para Mark.

- Mark... Só peço que faça rápido, tudo bem?

Ele levantou a faca, eu fechei meus olhos...

Mas nada aconteceu.

Olhei confusa.

- Não posso, Anna. Não consigo, me desculpe, mas eu não...

- Eu posso. — Rick o interrompeu, pegou a faca e em um segundo, tudo se escureceu.

Pude ouvir de longe o grito de meu pai no momento em que a faca penetrou meu coração.

Continua daqui 2 dias.

Notas finais
Espero que tenham gostado e que tenha valido a pena ler tudo isso. Amanhã é o último capítulo dessa história.
Obrigada! ♥