Nove semanas se passaram.

Nenhum sinal de Rick, nenhum sinal de Lúcifer.

Desde que Meredith e eu fomos “seqüestradas”, Dean havia convencido meu pai de que o ideal a fazer seria me treinar.

Eu já estava conseguindo quase todas as coisas que eles me diziam, só faltava uma coisa: Aquele exercício em que eu deveria mover algo, telesinesicamente, mas com a força do meu pensamento. No caso, tirar uma caneta da mão de Dean.

- Todas as outras coisas pareciam simples. Mas essa, não é meio impossível?

- Você exorcizou um demônio com a mente, e não consegue simplesmente tirar essa caneta da minha mão? Isso não está funcionando, Sam. Ela precisa de um incentivo. – Dean disse.

- Nada é impossível, Anna. Eu já fiz isso algumas vezes. Se concentre. – Era tudo o que meu pai dizia.

Mas não adiantava.

Ficamos mais duas horas tentando, e era estranho como isso me deixava realmente cansada.

- Tudo bem, vamos dar um tempo aqui, e terminamos amanhã. – Meu pai falou finalmente e saiu.

Eu fui até a cozinha e peguei um suco.

- Anna, posso falar com você?

- Claro, tio. O que?

- Em particular.

Fomos até o “quarto de treinamento”.

- Então...?

- Anna, olha, eu sei que tem sido difícil conseguir usar suas habilidades, e sei também que até você conseguir ter maior controle delas, vai demorar tempo, e nós não temos esse tempo. Não sabemos exatamente quando algo possa acontecer, então, eu tenho uma proposta pra você. Mas não conte ao seu pai.

- Sobre o que, exatamente?

- Lembra-se daquele demônio que você exorcizou?

- Qual deles?

- A moça. Então, eu colhi algum sangue dela antes, e eu queria testar algo que faça com que você fique mais forte, possa se controlar melhor, mas que também não se vicie, nem perca toda sua humanidade.

- Eu aceito.

- Calma, você nem sabe o resto do plano. – Ele riu. – Eu vou te dar pequenas doses. Um pouco por dia. Depois das 22h, venha até esse quarto, e vá até aquele armário. – Ele apontou até o lugar onde eles guardavam os vinhos. – E procure por esse frasco. Eu vou deixar ali. Não se esqueça. Todos os dias.

***

Almoçamos, e eu fui tentar mover algo de novo.

Meredith havia saído com Dean, Emily com Ben, meu pai havia encontrado um antigo amigo. Fora meu pai, parece que o cupido se empolgou nesses dias.

Tentei me concentrar o máximo possível.

Forcei minha mente, e imaginei a caneta se levantando da mesa.

Senti algo em minha mente. Algo que puxasse a caneta, como se fosse um elástico. Eu podia ver quando imaginava ela se mexendo.

Fui tentando puxar lentamente. Estava quase se movimentando quando...

- Anna? – Mark entrou e fechou a porta.

- Oi!

- Desculpa, te atrapalhei né?

- Não, não. Então, queria me dizer algo?

- Só queria ver como você estava indo...

- Aahn, ainda tá difícil. Mas acho que achei uma forma de conseguir.

- Eu posso tentar ajudar.

- Obrigada! Segure essa caneta assim pra mim.

Ele obedeceu.

Tentei de novo envolver a caneta com esse “elástico imaginário”. Pelo que meu pai contou, com ele foi só um impulso e simplesmente ele empurrou o armário. Então isso deveria ter acontecido comigo não é?

Não estava mais dando certo. Tentei imaginar de várias formas, mas simplesmente não ia.

Forcei mais uma vez.

- Anna! – Emily entrou animada gritando pela porta.

Não sei de que forma, mas esse susto, fez com que a caneta que estava com Mark, tenha voado para o outro lado do quarto, na direção de Emily.

- Meu Deus, que amor você. – Ela disse sarcástica depois de rapidamente parar a caneta e derrubá-la no chão.

- Ai, me desculpe Emy. Eu não queria. Eu não sei ainda como controlar essas coisas. Me desculpa.

- Tudo bem, eu entendo. Então, depois te conto sobre meu dia ok? Não sabia que Mark estava aí. Hã... A Meere tá me chamando. Já volto. – Ela saiu.

— Ah, que ótimo. Ela acha que tá acontecendo alguma coisa. – Falei.

- E tá?

Boa pergunta essa. E não sabia como responder.

Ah, como não sabia como responder? Mark é só um cara legal, que Dean meio que adotou, e me trata bem. Não tenho que confundir absolutamente nada.

Ou será?

- Acho que... Não, não sei.

- Hum... Então... Quer tentar de novo? – Ele disse pegando a caneta.

- Tudo bem.

***

Treinamos mais um tempo.

Não tinha conseguido nada extraordinário, nem jogar a caneta em algum lugar. Somente levantei por uns segundos. Ainda parecia pesada. Mark disse que talvez porque eu estava calma e cansada.

O dia estava passando rápido.

- Obrigada pela ajuda, Mark. Mesmo. – Falei quando estava saindo.

- Quando precisar me avise.

Sorri.

Ele puxou minha mão quando eu ia abrir a porta.

- Sabe sobre o que eu te perguntei mais cedo?

- Depende... – Desviei o olhar.

- Você sabe, Anna. Sobre estar acontecendo algo aqui. Entre nós.

Concordei.

- Então, eu... Hã...

Dei uma risada discreta.

- Me beije de uma vez, Mark.

***

Fomos até a sala e encontramos Meere e Dean assistindo a um filme.

- Lobisomens, Dean? Sério? – Mark disse.

- Eles são muito melhores nesses filmes. – Ele riu.

Acabamos assistindo com eles, depois pedimos pizza, e ficamos até 21h30 conversando.

- Bom, eu e Meere vamos sair agora. Não vá dormir muito tarde ok, Anna? Não durma depois das 22h. Precisa estar descansada amanhã.

Percebi o que ele quis dizer.

Fingi que tinha ido dormir, esperei Mark ir ao seu quarto, e fui até o armário que Dean tinha dito.

Abri o frasco e argh, aquele gosto era horrível.

Ouvi a porta da frente se abrir.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
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