Between Us
6 Capítulo 5 - Caring
Notas iniciais
“Sometimes it seems
That the going is just too rough (...)
You've got the love I need to see me through”
You’ve Got the Love – Florence + The Machine
Quando acordo do cochilo, Luke ainda está lá dormindo e me abraçando. Ronca de leve e rio disso. Não tão baixo quanto eu gostaria porque logo depois o sinto se mexendo um pouco, mas não acorda. Aproveito que ele ainda está dormindo e levanto a cabeça alcançando seu maxilar, distribuindo beijos lá e depois em seu queixo. Quando chego perto de seu ouvido dou uma leve mordida e percebo que ele acordou quando ele aperta sua mão na minha cintura.
–Zoe. – seu tom demonstra ao mesmo tempo aprovação e repreensão.
–Hm?... – digo, passando a ponta do nariz em seu pescoço. – Algum problema?
–Não. É bom acordar assim... – ele responde, e quando levanto o rosto para olhá-lo, ele me puxa para um beijo. Quando vamos nos separar minha corrente fica enroscada no botão da camisa xadrez que Luke está usando. Tento desenroscar, mas acaba puxando ele.
–Ouch.
–Desculpa... – rio um pouco. Estou sentada na barriga dele, inclinada tentando desfazer o nó. Luke está tentando também, mas suas mãos grandes não ajudam. – Não tá dando certo. – Olho para ele que continua tentando. Ele me olha quando percebe que parei de tentar e estou o encarando.
–Que foi? – pergunta, franzindo as sobrancelhas.
–Nada. – respondo rápido, mordendo o lábio. Sinto a respiração do Luke acelerar, batendo no meu rosto. Seus lindos olhos azuis não se desviam dos meus e lembro daquele dia no hotel em que ele estava me olhando assim. Dessa vez ao invés de afastá-lo, sinto o impulso de trazê-lo para mais perto. Me inclino o beijando enquanto coloco uma mão em seu pescoço e a outra no seu cabelo, puxando uma mecha quando aprofundamos o beijo.
Luke beija tão bem e tudo que eu quero é me perder em seus lábios. Ele passa delicadamente seus dedos pelos meus fios de cabelo e a outra mão aperta minha cintura. Ele se afasta e começa a atacar minhas bochechas com pequenos beijos. Fecho o olhos, sorrindo.
Bem nesse momento, Michael entra na sala batendo um garfo na panela e gritando:
–VAMOS ACORDAAAR! – quando vê a posição que estamos adiciona: -Ah cara, arrumem um quarto!
–AEEEE! Até que enfim o casal acordou! Achamos que vocês iam ficar aí o resto do dia. – Calum emenda, entrando logo atrás. E para completar o time da agitação, Becca também aparece e pula nas costas do Mike.
–Que a Zoe é uma dorminhoca a gente já sabia... Mas você também Luke? Assim não dá né! Olha o sol lá fora, não se pode desperdiçar dormindo! – ela diz.
–É isso aí! Bora levantar esses traseiros preguiçosos e vir pra fora! – A esse ponto já era o nosso momento a sós e vejo que não adianta, vamos ter que levantar.
Luke revira os olhos. -Calem a boca seus idiotas! – dá um beijo no meu nariz antes de sentar e passar as mãos por trás do meu pescoço, alcançando o fecho da correntinha e a tirando. Rimos com o tão simples era de se resolver a situação. Ele fica de pé, me trazendo junto o que faz com que eu fique em seu colo. Encosto a cabeça em seu peito, sorrindo com seu gesto.
–Ah meu Deus! Agora aguenta esses dois pombinhos... – Calum diz revirando os olhos, mas seu tom é de brincadeira.
–Pensa pelo lado bom Cal: vamos ter mais motivos para zoar o Luke porque agora ele é o único que namora. – Ash diz entrando na sala também. Ele vê Becca de cavalinho nas costas do Mike e faz uma cara estranha, mas desvia rápido então não tenho tempo de decifrar suas feições – Ei galera tem mais hambúrguer pronto, vamos lá pra fora comer!
~
Umas duas horas depois Caleb e Julie chegam, separados e com exatos (e suspeitos) 15 minutos de diferença entre suas chegadas. Não deu nem tempo de Julie terminar de contar o motivo de seu atraso e se sentar que meu irmão estava me ligando pra avisar que tinha chego. Vou abrir a porta para ele, ainda não desconfiando de nada e disposta a chamá-lo para conversar sobre mim e Luke, quando o encontro sorridente encostado numa moto. Sorridente demais.
–Onde você estava? – pergunto.
–Eu? Alugando uma moto! – ele aponta com o dedão para o veículo atrás dele. – Linda né? Podemos dar uma volta agora se quiser. – ele diz me puxando, parecendo uma criança.
–Caleb espera! – ele continua me puxando – Eu não vou dar uma volta agora.
Ele para e me olha com uma cara triste. – Por quê?
–Bem, porque todo mundo tá lá dentro, na piscina... – faço uma pausa não sabendo se devo tocar no assunto Luke e eu agora.
–Ok, mas eles podem esperar não? Eu queria ter um momento só com a minha irmã poxa. – Caleb diz, ainda tentando me convencer.
–Hm, sim tudo bem. A gente pode fazer isso depois, mas agora eu meio que tinha que te falar algo...
–O quê? Aconteceu alguma coisa? – ele se aproxima, me olhando sério e já sei que ele está pensando nas piores coisas possíveis.
–Não Leb, não aconteceu nada... de grave. – ele me olha curioso agora. Bem na hora que eu ia abria a boca, Luke sai pela porta, vindo na nossa direção.
–Vocês não entravam daí eu vim ver se estava tudo bem. – ele vai até meu irmão o cumprimentando com um abraço rápido. Dá pra perceber que está nervoso – E aí cara? Como vai?
–E aí Luke! — Caleb responde, tranquilo – Tentando levar minha irmã pra dar um volta, mas ela disse que tem algo para me contar.
–Na verdade, eu é que tenho. – o garoto loiro ao meu lado responde. Meu irmão franze ainda mais as sobrancelhas. Eu faço o mesmo, olhando para Luke com um olhar interrogador. Não era assim que eu planejava contar. Ele não precisa fazer isso, seria melhor se eu falasse com Caleb sozinha.
–Você tem? – eu pergunto, tentando demonstrar com meu tom de voz que não é pra ele fazer isso. E, felizmente, antes que qualquer um pudesse falar algo, o celular do meu irmão toca. Ele ainda tem uma cara desconfiada quando alcança o aparelho e olha a tela.
–É do trabalho, preciso atender. – diz, se afastando um pouco.
–Ok, a gente vai te esperar lá dentro. – respondo e puxo Luke pelo braço. Quando entramos na sala o puxo para um canto. Ele levanta uma sobrancelha.
–O que foi? – pergunta.
–Como assim o que foi? Você ia mesmo contar pro Caleb naquele momento?
–Bem... sim. Qual o problema?
–Luke! Tá querendo morrer cedo? – falo em um sussurro alto, o olhando incrédula – Se você fala pra ele lá fora não ia prestar nem um pouco!
–Mas a gente precisa falar Zoe! Ou você vai querer ficar escondendo isso dele? – ele me encara, levantando uma sobrancelha.
–Não! Eu só não acho mais que agora seja um bom momento... E que é melhor que eu conte.
–Mas...
–Luke, — o corto – é melhor, vai por mim. Você sabe como ele é, isso quando éramos só amigos. Imagina agora... E o que estou pedindo é só mais um tempinho. – lanço um olhar pedinte pra ele.
–Ok! Com você olhando assim, não dá pra dizer não... – ele diz abaixando a cabeça um pouco, com suas mãos já no meu quadril. Um pouco depois seus lábios encontram os meus. Correspondo logo, sorrindo em meio ao beijo. Nosso beijo é lento, Luke me mantém bem próxima a seu corpo e por alguns segundos ficamos ali, apenas sentindo os lábios um do outro. Me afasto quando o ar se faz preciso, mordendo o piercing dele no processo e recebendo um grunhido de resposta.
–Heeey e aí pessoal? – escuto a voz de Caleb na sala ao lado. Eu e Luke nos olhamos como se tivéssemos sido pegos no flagra. Enquanto escutamos eles se cumprimentarem, ele me rouba mais alguns beijos.
–Luke, a gente precisa ir... – digo, preocupada que meu irmão apareça e realmente nos pegue juntos.
–Só mais um... – ele diz, me dando um selinho rápido e me fazendo cócegas quando me afasto dele. Rio alto, tapando a boca logo depois.
–Cadê a Zoe? – ouço Caleb perguntar, passos vindo na nossa direção. Dou uma rápida olhada para Luke querendo saber se está tudo bem assim e ele pisca de volta. Então saio da sala dando quase de cara com meu irmão.
–Estoy aqui mi hermano! – passo o braço em seu pescoço, o puxando comigo lá para fora, onde encontramos Calum e Becca de roupa na piscina tentando convencer Mike a pular também.
–Eu não vou fazer isso! Odeio o sol! – Michael está gritando.
Então quando eles me avistam, mudam de vítima. Antes mesmo que eu consiga perceber o que ia acontecer e fugir, Calum sai da piscina e vem na minha direção me dando tempo apenas de dar um grito antes de meu corpo atingir a água. Vou até o fundo, voltando logo em seguida com cara mais brava que eu consigo fazer, no fundo não estando tão brava assim.
–Calum! – jogo água na sua direção.
–Ah relaxa Zoe! Assim você esfria um pouco esse calor todo. – ele pisca, e eu entendo muito bem o que ele quis dizer. Lanço um olhar repreensivo pra ele que não entende, então aponto discretamente para Caleb. “Ahh”, ele diz sem sair som, concordando com a cabeça.
Olho para os que estão fora da piscina: — E aí, não vão entrar covardes?
Como sei que meu irmão não recusa um desafio, logo ele está na piscina também. Julie e Ash entram um pouco depois, após alguns pedidos. Resolvemos brincar de derrubar, Becca logo subindo nos ombros de Calum, Ju vai com o Ashton e eu com Caleb. Sendo eu o menor alvo, sou a primeira a ser derrubada para desgosto do sr. “Não Suporto Perder”, também conhecido como meu irmão gêmeo. Quando Becca e Calum vencem, ambos gritam e cantam, fazendo uma dança da vitória esquisita.
Resolvo que não vou participar da segunda rodada, já sabendo que vou ser a primeira a ser atacada. Saio da piscina junto com Ash, que vai falar com Mike enquanto eu me dirijo para Luke que está cuidando da churrasqueira.
–Parece que hoje foi o dia “Faça a Zoe se molhar”. – falo rindo.
–Para o meu desespero... – ele comenta, me puxando pela cintura.
–Ei! Meu irmão está logo ali... –protesto, enquanto ele me abraça, colocando a cabeça no meu ombro.
–Acho que Caleb está bem distraído com a Ju no momento... – Luke sussurra no meu ouvido, causando um arrepio bom na minha espinha. Ele percebe que tremo e ri baixo. – Tá com frio? – fala, claramente me provocando. Mas não vou deixar barato.
–Na verdade não... Tá bem quente aqui. – fico na ponta dos pés e dou uma mordidinha rápida em seu pescoço antes de me afastar. –E aí? Esse hambúrguer sai ou não sai?! Garota americana com fome aqui!
Ele me olha indignado antes de abrir um sorriso de lado, e pegar o prato para colocar os hambúrgueres que por pouco não queimam.
–Acho melhor eu alimentar essa garota americana então. Ouvi dizer que ela vira uma fera quando tá com fome. – ele me entrega um lanche pronto. Sorrio.
–Informação correta sr. Hemmings. Mas se não quiser correr o risco de ver esse meu lado é só me alimentar corretamente. –dou uma mordida no lanche – Hmmm começou muito bem, devo dizer.
Ele sorri, mordendo o seu próprio lanche, sujando seus lábios de maionese. Dou risada da cena. Ele parece uma criança grande assim.
–O que foi? – pergunta levantando uma sobrancelha.
–Nada, é que você tem maionese no canto da boca. – continuo rindo quando ele não acerta o lugar que está sujo. Por fim dá de ombros, me olhando risonho.
–Você também está com a boca suja, então pode parar de rir, ok? –ele fala. Olho sapeca pra ele.
–Ah é? O que acha de uns beijinhos agora então garoto australiano? – digo levantando da minha cadeira e me aproximando dele, enquanto ele se afasta o quanto pode.
–Acho que eu dispenso isso agora... –Luke diz, rindo e cobrindo a boca com as mãos. Coloco um joelho no assento de sua cadeira, me inclinando pra ele, rindo também, tentando retirar suas mãos.
Estamos os dois rindo, eu perguntando “Não quer não?” e Luke desviando o quanto pode de mim, quando ouvimos alguém dizer:
–O que está acontecendo aqui? – não preciso nem olhar pra saber que é Caleb quem perguntou. Gelo, saindo devagar da posição em que estava. Luke se endireita também. Me viro na direção do meu irmão gêmeo, já com um discurso de “Você tem que parar de ser tão ciumento” pronto para entrar em ação, mesmo sabendo que essa situação é um tanto diferente das outras nas quais Caleb deu crise de irmão protetor.
–Nada. – eu falo, voltando minha atenção para o lanche – Qual é Leb? Não posso mais brincar com o Luke? – continuo, na defensiva quando levanto o olhar encontrando o dele desconfiado.
–Brincadeira estranha essa não? Precisa ficar em cima dele pra isso Zoe? – ele cruza os braços.
–Caramba Caleb! Você está sendo ridículo! Eu só estava fazendo cócegas nele, relaxe ok? – digo a última parte revirando os olhos.
–É cara, a gente tava só brincand-
–Na boa, melhor ficar na sua Hemmings. – Caleb interrompe Luke. Olho feio pro meu irmão, me levantando.
–Tá, agora você está passando dos limites! – falo brava, encarando ele. A essa hora, todo mundo já se aproximou e saiu da piscina. – Você tem que parar com esse comportamento infantil e sem motivos!
–Sem motivos? Será que querer cuidar e proteger a irmã é tão ridículo assim?! – Caleb pergunta, levantando seu tom de voz também.
–Quando você exagera nessa proteção sim! – jogo as mãos pro ar, soltando um suspiro depois – Vem Luke, não adianta conversar quando ele está assim. – estendo a mão para o loiro que pega relutante. Percebo que ele não tem certeza se sair é a melhor opção, provavelmente não querendo ficar “de mal” com meu irmão.
Acontece que eu conheço Caleb e sei que quando ele quer ter razão e implicar por causa de algo ele vai fazer isso até que você desista por cansaço. E esse é um assunto que não estou disposta a perder tempo e energia discutindo no momento.
–Onde você pensa que está indo Zoe? – meu irmão ciumento grita. Olho para trás quando estou passando pela porta de vidro, apenas dando de ombros, o que o irrita mais. – Zoe Melacci! – ele faz menção de ir atrás de mim, mas Julie o impede, colocando uma mão em seu braço. Ele para instantaneamente, olhando pra ela.
Antes de sair, escuto os meninos e Becca falando pra ele relaxar e me dar um pouco de espaço.
~
*POV Caleb*
Logo que Zoe sai, me arrependo de como agi. Não o suficiente para admitir isso claro. Mas sei que exagerei. Mesmo assim, ainda estou nervoso e preciso esfriar a cabeça. O toque de Julie ainda no meu braço chama a minha atenção, e eu percebo o quanto isso me acalma.
–O que acha de darmos uma caminhada?- ela pergunta quando levanto o olhar de sua mão para seus olhos castanhos.
Aceno com a cabeça, concordando com sua proposta. Então ela sorri e vamos em direção a porta. Uma vez na rua, vou em direção a moto, mas ela me puxa.
–Eu falei "caminhada". — ela ri quando faço uma careta — Ah qual é! É bom caminhar sabia? E assim nossas roupas provavelmente vão secar mais rápido.
–Eu ainda prefiro a moto. Mas tudo bem, vamos caminhar...
Ela sorri, contente por ter me convencido. Andamos em silêncio por alguns minutos. Eu ainda tenho a discussão com minha irmã na cabeça, mas já estou bem mais calmo. Acho que Julie percebe isso, porque pergunta:
–Então... Quer conversar? — há cautela em sua voz, e ela continua olhando para frente.
–Não sei. — respondo.
–Tudo bem. — ela diz. Gosto disso, o jeito como ela não está me forçando a falar. Tenho certeza que se fosse qualquer uma das garotas com quem já fiquei, estariam fazendo milhares de perguntas e reclamando de como sou fechado, não compreendendo que esse é o meu jeito.
–Olha eu sei que exagerei. — digo depois de mais uns minutos de caminhada. — Mas eu sou assim, meio impulsivo.
–Eu não disse nada. — ela responde ao meu comentário.
Dou risada. -Mas pensou, com certeza.
–Culpada! — ri também. — Confesso que quando Zoe falava sobre você ser muito protetor eu não imaginava que tanto assim. Quer dizer, era só o Luke.
–Eu sei, eu sei. Mas é que só de pensar na possibilidade de alguém machucar a Zoe de novo eu já fico nervoso. Pode parecer uma coisa de irmão ciumento idiota, que não quer deixar a irmã namorar, mas não é só isso.
–Você está falando sobre o que aconteceu com o James, não é?
–Sim. — suspiro, me lembrando de como minha irmã ficou quando ele cortou contato. Ela tentava disfarçar, mas eu sabia que ela não tava nada bem.
~===~
–Hey Zoey! O jantar tá pronto! — falo batendo na porta do seu quarto. Quando ela não responde, resolvo entrar, já desconfiado que ela tenha cochilado.
Ao abrir a porta, vejo que estou certo. Está sentada na escrivaninha, a cabeça sobre a mesa e várias apostilas e cadernos da escola abertos. Ela tem corrido contra o tempo pra recuperar o que perdeu de matéria enquanto estava no hospital e conseguir se formar conosco ainda esse ano.
Estou prestes a chamá-la novamente, porque sei o quanto ela odeia perder o jantar, quando seu celular apita uma mensagem nova. Sei que não deveria ler, mas devido a situação emocional que minha irmã se encontra nesses últimos dias, não resisto dar uma olhada. Estou eu mesmo torcendo para que seja ele, mesmo sabendo muito bem que não há chance nenhuma de ser.
Ao deslizar o dedo para desbloquear a tela, sou surpreendido com a foto que está aberta. É uma foto dela com James, tirada há uns três anos, na frente da sorveteria que sempre íamos. Os dois estão abraçados de lado, sorrindo. Passando para a próxima foto, vejo outra deles na mesma posição, dessa vez fazendo caretas.
Conferindo que Zoe ainda está dormindo, abro sua caixa de mensagens, logo achando o que eu queria. Na janela de James, percorro as inúmeras mensagens que ela tem mandado para ele, que vão de bom dias, perguntas de porque ele não responde até longos textos contando sobre o dia dela. Sempre sem resposta. Meu coração de irmão se aperta ao ver isso. É injusto demais.
Ela está sofrendo mais do que eu imaginava com esse distanciamento abrupto de James. E me sinto um completo inútil sem poder fazer nada para ajudar a pessoa que eu jurei proteger desde pequeno. Saber que ele provavelmente nem está recebendo essas mensagens não ajuda nem um pouco.
Coloco o celular no lugar de volta, antes de chamar Zoe. Ela abre os olhos devagar e levanta a cabeça, olhando um pouco confusa pra mim.
–Leb?
–O jantar tá pronto baixinha.
Ela acena com a cabeça, se esticando. Observo o quão exausta minha irmã está, e sei que não é apenas porque ainda está se recuperando ou por causa de todo o dever de casa. Ela está emocionalmente cansada também.
Enquanto comemos, percebo que ela sorri e até dá risada das piadas sem graça de papai durante a janta. Vendo isso não posso deixar de desejar que ela esqueça o quanto antes de James e siga em frente.
~===~
–Eu sinto como se fosse meu dever agora proteger ela de qualquer coisa que possa magoá-la outra vez. É por isso que sou assim. -continuo, com lembranças daquela época na cabeça.
–Mas você sabe que isso não adianta nada né? Que não tem como impedir as decepções, faz parte da vida. A Zoe é independente agora e você não pode mais ficar a controlando, até porque ela não deixaria mesmo. — Julie comenta, me olhando agora.
–Sim, eu estou ciente disso. Mas isso não me impede de pelo menos tentar. Eu só quero o melhor pra ela, porque é tão difícil da Zoe entender?
–Ela sabe disso Caleb. Mas ela também quer que você confie nela. E eu tenho certeza que ela não gosta de brigar.
–Eu também não gosto! Mas quando eu vejo já fiz. -bufo, frustrado comigo mesmo — Eu quero que minha irmã seja feliz, de verdade.
–Já pensou que isso pode estar sufocando ela?
–Sim...No período pós-acidente e afastamento do James, todos lá em casa estávamos constantemente de olho nela. Então quando, algumas semanas depois de nos formarmos, ela disse que iria pra Nova York comigo e Becca, segurando uma carta da universidade dizendo que tinha sido aprovada, foi uma grande supresa, porque a gente nem sabia que ela tinha se inscrito.
–Viu só? Isso prova que a Zoe sabe se cuidar e tomar ótimas decisões. Você não precisa se preocupar tanto Caleb.
Nossas mãos relam de leve enquanto andamos. Julie rapidamente a afasta, mas sou mais rápido e entrelaço nossos dedos. Observo ela corar enquanto olha nossas mãos. Sorri por fim.
–Por que está fazendo isso? — pergunto depois de andarmos mais um pouco.
–Isso o que?
–Me trazer aqui, conversar comigo, me acalmar...
–Ah. Hm...porque acho que somos amigos agora. — ela responde, dando de ombros.
–Amigos é? E amigos se beijam na cozinha de madrugada? Ou depois de uma volta incrível de moto? — pergunto, sorrindo de lado ao lembrar dos nossos beijos.
–Acho que no nosso caso sim. — ela diz me olhando, seu olhar denunciando que ela está pensando na mesma coisa que eu quando se desvia para minha boca. Quero beijá-la de novo.
–Então não seria um problema se eu te beijasse agora né? — me aproximo, colocando minha mão livre em sua cintura, a puxando mais perto.
–Não...- diz, já com a respiração falha, mordendo o lábio inferior.
–Não faça isso. -a repreendo, retirando o lábio preso com meu polegar.
Julie fecha os olhos, e aproveito esse momento para fechar o espaço entre nós e juntar nossos lábios. Logo suas mãos vão para o meu cabelo, puxando de leve quando passo a língua por seu lábio, pedindo espaço.
Quando nos separamos para buscar o ar, Julie suspira.
–Cacete, o que você faz comigo? — pergunto, ainda recuperando o fôlego.
–Eu te pergunto o mesmo Melacci. — ela diz, respirando fundo antes de encostar sua boca na minha de novo.
~
*POV Zoe*
Puxo Luke até seu quarto, bufando assim que ele fecha a porta. Ele vai até a cama e me puxa pro seu colo. Encosto a cabeça em seu ombro enquanto ele desce e sobe a ponta de seus dedos levemente pelo meu braço, uma coisa que ele sabe que me acalma.
–É por isso que eu não quis contar nada... Você viu como ele agiu por algo tão bobo? – falo, um tanto irritada e frustrada também. – Eu não queria brigar poxa! Faz tempo que a gente não se via pessoalmente e depois dessa semana sabe lá Deus quando vou ver ele de novo, mas não tem como...
Luke continua com seu movimento, me ouvindo.
–Mas Caleb é tão difícil de lidar! Sério, tinha momentos quando a gente era criança que ele me irritava tanto que eu tinha vontade de fazê-lo calar a boca, tipo pra sempre! – Luke dá uma risadinha – Você ri porque não é com você!
–Vai por mim eu sei como é isso. Ben e Jack sabiam me irritar também. Mas eles dizem que eu também os tirava do sério. É uma coisa de irmãos, Z.
–É, eu sei. Só gostaria que o meu fosse um pouco menos exagerado em algumas questões...
–Ei, olha aqui. – ele pega meu rosto o levantando – Vai dar tudo certo. – sorri.
Sorrio também e ele me dá um beijo na ponta do nariz antes de beijar meus lábios. Depois ele liga a TV e ficamos assistindo um filme aleatório que está passando até que alguém bate na porta.
–Pode entrar. – Luke diz.
Becca aparece pela fresta, sorrindo quando nos vê.
–Hey! Será que posso roubar minha melhor amiga um pouco? – ela pergunta.
Eu e Luke rimos do pedido. – Claro. – ele diz – Mas só um pouco.
–Credo! Eu bem que imaginei que vocês seriam o tipo de casal grudento... – ela brinca. Me levanto, dando um beijo na bochecha do loiro.
–Vai ficar aí? – pergunto.
–Não sei. Eu bem que queria jogar FIFA com os garotos, mas estou com medo do seu irmão.
–Não se preocupe. – Becca fala – Caleb saiu.
–Saiu? – indago, um pouco surpresa, não gostando muito do pensamento de um Caleb bravo andando de moto.
–Sim, com a Ju. E fica tranquila que eles foram a pé.
–Oh, okay. – dou de ombros. – Vamos então. Você vem? – me dirijo para Luke.
–Acho que não, vou tirar um cochilo, depois vou pra sala.
–Depois eu que sou a dorminhoca né? – comento. Ele ri.
Saímos de quarto, indo até a cozinha, que milagrosamente está vazia. Mas posso ouvir as risadas dos garotos vindas da sala de TV. Abro a geladeira e pego dois copos de iogurte, oferecendo um para Becca.
–E aí? Sobre o que queria falar?
–Como assim sobre o que? Você e Luke obviamente!
Dou risada com seu jeito. –Ué, você já sabe. Não tem o que falar então... – falo, me fazendo de desentendida, conhecendo Becca como conheço ela quer todos os detalhes possíveis.
–Zoe! – ela reclama – Me conta como foi! Ele te beijou?
–Não...
–Não? – ela estranha.
–Não. Fui eu... – respondo, sentido minhas bochechas ficarem vermelhas ao lembrar do que fiz. – Eu segui seu conselho. Acho que é uma das primeiras vezes que não pensei, só agi. E devo dizer que gostei bastante disso.
–Viu só? Eu te disse! Mas então quer dizer que foi a senhorita que atacou o Hemmings? Uau, por essa eu não esperava...
–Becca! – reclamo. — É só que ele começou a falar sobre sermos só amigos, e eu me lembrei do que você disse sobre eu perder a minha chance, e naquele momento eu me dei conta que sim, eu queria o Luke. Então agi no impulso.
–Fez muito bem. – ela diz, como que satisfeita que eu tenha seguido seu conselho. – Quero ver minha amiga linda feliz, muito feliz. E quanto a seu irmão, não se preocupe. Ele vai acabar aceitando eventualmente.
Bem nessa hora, escutamos a porta da frente abrir. Um pouco depois Caleb aparece na cozinha. Ele me olha com cara de cachorro que caiu da mudança.
–Será que podemos conversar? – ele pergunta. Concordo.
Uma vez lá fora, ele fica quieto por um tempo, igual ele fica quando sabe que está errado, mas não quer admitir.
–Então... – falo, o incentivando.
–Desculpa. – ele solta.
–Tudo bem.
–Eu sei que exagerei e que a vida é sua e- Espera, você disse tudo bem? – pergunta.
–Sim. Tudo bem Leb. – sorrio – Você exagerou, mas é o seu jeito e já estou acostumada. Você é meu irmão e não quero ficar brava com você quando vai ficar por perto tão pouco tempo.
–Eu também não. – ele sorri e me abraça. – Mas tinha que ficar em cima dele?
Me afasto, lhe dando um soco de brincadeira.
–Caleb! – advirto. –Eu não estava em cima dele. E de qualquer forma, é minha vi-
–Sua vida, suas decisões. – ele me corta. –Ok ok!
–Isso. –concordo, e dou um sorriso. –Agora vamos! Fiquei sabendo que os meninos estão jogando na sala, e preciso mostrar pra eles como se joga.
Ele ri, coloca seu braço nos meus ombros e seguimos para dentro da casa de novo.
~
–Caramba como está quente hoje! – reclamo, enquanto andamos pela calçada em direção a casa onde Luke cresceu.
Ontem depois de jantarmos, enquanto Caleb jogava ping pong com os outros, perguntei se podíamos visitar Liz hoje, já que eu ainda não tinha ido vê-la. Luke concordou prontamente, dizendo que sua mãe estava cobrando outra visita dele, porque ele só tinha ficado um dia lá. Então ficou decidido de irmos almoçar e passar a tarde com ela.
–Sim, quase esqueci como faz calor essa época aqui. – Luke diz.
Alcançamos a porta, e quando Liz abre toda sorridente, fico feliz por ter trazido uma sobremesa, que Julie me ajudou a fazer mais cedo, já que não sou muito experiente nesse departamento.
–Zoe! Até que enfim apareceu mocinha! – ela diz, me puxando para um abraço.
Sorrio, a abraçando de volta. –Desculpe Liz. Demorei um pouco mais pra me organizar dessa vez.
–Nem precisa se explicar. Estou sabendo que vocês dois se desentenderam.
–Mãe... –Luke diz.
–Ah Luke, você estava todo mal-humorado e manhoso quando veio aqui na terça. Não precisou muito pra eu entender o que tinha acontecido. Bastou uma mensagem para o Ash para confirmar. –ela diz a última parte para mim. – Mas estou feliz que estão bem de novo.
Eu e Luke coramos. Ficamos acertados sobre esperar mais um pouco para contar pro meu irmão e para anunciar oficialmente. Mas não falamos sobre como seria com Liz. Depois de almoçarmos e comermos a torta de morango, e eu Luke nos oferecemos para cuidar da louça.
–Eu lavo, você seca. – digo para o loiro.
–Ok senhorita. – ele faz continência.
Dez minutos depois estamos rindo e jogando espuma um no outro. Luke pega um pouco e coloca no queixo tentando fazer uma barba.
–Bobo – dou risada – Vem aqui, deixa que eu te ajudo. – pego mais espuma, ajeitando em seu rosto. –Pronto!
Ele faz pose, colocando as mãos no quadril e mexendo as sobrancelhas na minha direção, me fazendo rir ainda mais.
–O que seria de você sem mim hein? – falo, brincando.
–Ia ter um pouco mais de trabalho na hora de arrumar meu cabelo pros shows mas eu iria me virar. – ele responde. Abro a boca, indignada. –Brincadeira pequena. Vem cá.
Me puxando pela cintura, Luke se inclina e encosta seus lábios nos meus.
–Eu sabia! – Liz exclama na porta da cozinha, nos pegando no flagra.
–Oh... é m-mãe...então... – Luke começa, corando. Sinto minhas bochechas ficando vermelhas também.
–Oh meu Deus, que fofos vocês! Eu imaginei que tinha alguma coisa acontecendo pela forma que se olharam durante o almoço, mas estava esperando que fossem me contar. Pelo visto se não tivesse pego vocês, ninguém ia me falar nada né? – ela nos olha fingindo estar brava, mas seu sorriso a entrega.
–A gente ia contar sim, mãe. Só estávamos decidindo a melhor hora pra isso. – Luke tenta se explicar.
–Ok ok. O que importa é que agora eu sei. Trate de cuidar muito bem dela ouviu mocinho? – ela aponta para o filho – E por favor cuide bem do meu caçula Zoe. Quem sabe com sorte, você coloque mais juízo nele – ela sorri pra mim.
–Pode deixar. – falamos juntos, sorrindo e ainda corados.
–Ah estou tão feliz que esse aqui finalmente resolveu se aquietar e que estão juntos! – ela nos dá um abraço — Andy! Venha cá, ver esses dois! – ela grita para o marido.
~
*POV Desconhecido*
Dentro de um carro preto uma pessoa disfarçada com óculos escuro e um boné, dá um bocejo. Já faz quase duas horas que está ali. Porém não pode reclamar já que teve muita sorte que o casal resolveu sair. Tem ficado de olho neles desde que chegou em Sydney, buscando uma oportunidade de flagrar os dois em algum momento de demonstração de afeto.
Para de olhar para a tela do celular quando percebe um movimento por perto. É o garoto moreno e igualmente alto da banda. Se esforçando acaba lembrando que o nome dele é Calum. Não que faça alguma diferença. Volta a mexer no celular, até que uma meia hora depois a porta da casa volta a abrir. Dela saem Calum e o mais novo casal, seu interesse principal, sendo seguidos pela mãe do loiro. Luke Hemmings.
Não poderia pedir algo melhor. Alcança o porta luvas e pega o celular que comprou especialmente para essa ocasião. Chegou a hora de entrar em ação. Sai do carro e cuidadosamente se dirige até onde estão duas árvores, logo atrás do carro que alugou. Se inclinando, prepara o celular para capturar uma foto dos pombinhos.
Ajusta o zoom e espera o momento certo. Assim que Luke passa o braço pela cintura dela, começa a dar cliques. Quanto mais fotos melhor, porque assim poderá escolher a melhor para o seu propósito. Eles ficam mais um tempo conversando com a mãe do garoto e já achando que não pegaria mais nada, começa a voltar para o carro.
É nessa hora que Luke se inclina e rapidamente dá um beijo na bochecha e então um selinho nos lábios da garota baixinha. Agradecendo por ainda estar com o celular na mão, tira poucas fotos do beijo, contente por ter conseguido o que queria. Entra no carro e achando o contato desejado, manda a primeira foto em anexo. Quer esperar para mandar a foto do beijo pra ver se a pessoa demonstrará alguma reação. Provavelmente não dirá nada, mas só de imaginar sente uma grande satisfação. Assim que vê que a mensagem foi visualizada, conta até dez e envia a próxima imagem, sabendo o estrago que essa vai causar.
Sorrindo para si, coloca o celular de lado e se prepara para ir embora, agora que cumpriu sua missão. Mas antes foca o olhar na garota que sorri enquanto conversa com os outros. Zoe Melacci. Uma raiva enorme surgindo apenas por vê-la. Se força a se acalmar e respira fundo, sorrindo triunfante por fim.
Perdeu a noção de quantos segundos ficou a encarando, seus sentimentos revoltos em ódio. Arrancou com o carro dali logo que Zoe virou o rosto para trás.
“Não foi como havia planejado, mas cumpri meu objetivo por fim”, pensou.
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