Between Us

10 Capítulo 9 - What Do You Get When You Fall in Love


Notas iniciais
Oii pessoas o/ Estou viva e trouxe mais um capítulo, um pouco mais curtinho, mas enfim E é isso, desculpa pela demora mais uma vez... Espero que gostem ♥ boa leitura

What do you get when you fall in love?

You only get a life of pain and sorrow

So for at least until tomorrow

I'll never fall in love again

No, no, I'll never fall in love again

I’ll Never Fall in Love Again – Iba feat. Martin Gallop

*Dylan POV*

Duas semanas. Fazia exatas duas semanas que eu não falava com minha melhor amiga. Tudo porque ela decidiu ficar com aquele idiota do Bryan. E eu ainda tinha que aguentar ver os dois dando selinhos pelos corredores da escola. Será que Zoe não via que ele era um tremendo babaca e não servia pra ela?

Sexta eu até a vi indo embora a pé sozinha na chuva. Mas estava bravo demais para ir falar com ela e decidi fazer outro caminho, já que morávamos perto e eu não queria que parecesse que eu a estava seguindo, como um cachorro perdido. Em vez disso fui para a casa do meu amigo Ethan. Tenho certeza que eu não estava sendo uma boa companhia, porque ele ficava me perguntando se eu estava bem a cada cinco minutos, além de me cobrar mais atenção no jogo.

Eu estava irritado. Com Bryan, por deixar Zoe ir embora sozinha num dia como esse. Com Zoe por namorar um sem noção como ele. E comigo. Por não ter ido falar com ela.

O problema é que eu sou orgulhoso demais.

E também tinha algo a mais. Um sentimento no fundo do estômago que estava me incomodando há um tempo já. Ele surgia toda vez que eu via Zoe com Bryan. Ou com qualquer outro garoto, para falar a verdade. Me causava um comichão ruim, e uma vontade de ir até lá e afastá-la de quem quer que fosse o garoto. Ou de sumir, pra ver se essa sensação estranha sumia também.

Eu não sabia o que isso era... Possessividade? Acho que não. Medo de perdê-la? Talvez. Ou ainda...

-Ciúmes. –Ethan diz, sentado ao meu lado com o controle na mão e ainda concentrado no jogo.

-O que?

-Ciúmes. – ele repete – É o que está te deixando assim.

-Nada a ver... – começo, mas ele me corta.

-Cara, você está desse jeito desde que a Zoe começou a sair com aquele tal de Bryan. Nem tem falado com ela, que eu sei.

-Por que eu falaria se ela já tem aquele idiota pra conversar? – respondo automaticamente, bufando.

-Viu só? Tá na cara que é ciúmes. É por isso que está de mau humor e com essa cara fechada esses últimos dias. – ele diz, fazendo um gesto na minha direção, ainda sem tirar os olhos da TV e soltando um palavrão quando seu personagem é quase morto.

Fico alguns segundos pensando no que ele disse. Tá certo que eu não tenho gostado nem um pouco de ver minha melhor amiga com outro, mas... Não pode ser. Isso significaria que eu...

-Não pode ser. – digo firme, balançando a cabeça e até rindo. – Zoe é minha amiga. E só isso. Eu devo apenas estar achando estranho ela namorando... Ou algo assim.

-Pense o que quiser, meu amigo. Afinal, os sentimentos são seus. – e então ele solta um grito, comemorando que passou de fase finalmente. – Vou mijar.

E sai da sala, me deixando sozinho com meus pensamentos.

~

Na manhã de sábado, acordo com meu telefone tocando. Meu primeiro instinto é desligá-lo, mas então penso que pode ser a Zoe. Tarde demais, lembro que tenho um toque diferente para as chamadas dela, e que com certeza não é esse.

-Alô. – resmungo, para quem quer esteja do outro lado da linha.

-Boa tarde dorminhoco – a voz de Ethan ecoa, debochante – Até que enfim atendeu.

-Fala logo o que você quer. – respondo.

-Ihh já vi que está de mau humor ainda. Bom, mas eu tenho uma noticia que provavelmente vai melhorar isso.

Fico mais desperto. O que ele quer dizer? – Fala. – digo rápido.

Ele ri com minha reação. – Zoe terminou com Bryan.

E é isso. Sem nem perceber estou sorrindo. Ainda está chovendo lá fora, mas pra mim é como se fosse um dia ensolarado. Meia hora depois estou batendo em sua porta, os DVDs de Star Wars numa mão, enquanto a outra nervosamente toca a campainha.

Enquanto espero, tento ajeitar meu cabelo que está colado a minha testa por conta da chuva. Estou tentando fazer um topete, mas quando a porta se abre, deixo isso de lado.

E lá está ela.

Minha melhor amiga.

Seu cabelo está preso em um coque frouxo, o que faz com que algumas mechas caiam sobre seu rosto. Ela está de moletom e shorts e nos pés suas meias preferidas de bolinhas. Esperava que talvez fosse encontrá-la com cara de choro (por conta do término), mas nunca a achei tão linda quanto agora.

Me dou conta do quanto estava com saudades de seus olhos verdes.

Ela está me encarando, e quando vê que eu percebi isso suas bochechas ganham um tom rosado, o que faz com que o meu coração dê um salto. O que está acontecendo comigo?

Zoe dá uma tossida. Penso ser pra chamar minha atenção, já que eu ainda estava olhando para seu rosto, tentando fazer meu coração desacelerar o suficiente para falar algo, mas mais tarde descubro que ela está resfriada. Lembro da chuva que ela deve ter pego ontem e me culpo. Eu não tinha guarda chuva comigo, mas se tivesse ido até ela, podíamos ter voltado de bicicleta e teria sido mais rápido o trajeto.

Quando ela vê os DVDs em minha mão dá um pequeno sorriso e abre mais a porta, me dando espaço para entrar. Tiro meu casaco e penduro enquanto a vejo se dirigindo para a cozinha.

-Vou fazer pipoca. – diz simplesmente, sua voz me trazendo uma sensação boa. Como pude ficar duas semanas sem ouvi-la? Então me lembro do motivo e fico num debate sobre perguntar ou não sobre isso, até perceber Zoe sentar ao meu lado, o pote de pipoca entre nós. Decido que não. Não estou com a mínima vontade de trazer o assunto Bryan à tona.

Quando o segundo filme começa, coloco o pote no meu colo e me aproximo dela, que para minha felicidade não hesita em encostar a cabeça em meu ombro. Sorrio, passando um braço por seus ombros, a puxando para mais perto. Ao fim do filme, percebo Zoe tremendo um pouco.

-Está como frio?

-Um pouco. Acho que resfriei... – responde, com um leve dar de ombros.

Levanta e vai até seu quarto voltando com uma coberta, a qual ela envolve em torno de nós dois. Pergunto se ela quer assistir mais um, e ela assente. Com isso dou play, e deito no sofá, trazendo Zoe comigo. Ela pousa sua cabeça no meu peito e coloco meu braço ao redor de sua cintura. Já fizemos isso antes, mas parece que nunca foi tão bom quanto agora. Puxo a coberta, para cobri-la mais.

-Obrigada. – ela diz.

-Eu só puxei a coberta. – respondo, rindo leve.

-Não por isso... Por estar aqui.

Sorrio.

-Senti sua falta, Zee. – digo após alguns segundos.

-Eu também senti, Dyl. – Zoe sussurra. Dou um beijo no alto de sua cabeça, recebendo um fraco suspiro de resposta.

Mais ou menos na metade do filme, percebo sua respiração estabilizar e ao olhar, vejo que ela está dormindo. Fico a observando durante um tempo: o cabelo agora já solto do coque cai em ondas por seus ombros e costas. Os cílios, espessos e escuros, destacando as quase imperceptíveis sardas. A ponta de seu nariz, que nessa época do ano está quase sempre vermelha, algo que Zoe odeia, mas que acho adorável. E por fim, seus lábios rosados, que estão levemente entreabertos, o que de alguma forma, só me dá ainda mais vontade de beijá-los.

O que estou pensando?!

Tento voltar minha atenção para o filme, sem êxito. Meus pensamentos estão preenchidos pela garota que dorme encostada em mim e não consigo coordená-los. O que é esse sentimento? Diferente do que eu venho sentindo nos últimos dias, é uma sensação boa, me aquece. É envolvido por esses pensamentos que adormeço também.

Horas depois, quando o sr. e a sra.Melacci já chegaram junto a Caleb e que todos nós já jantamos, convite que não pude deixar de aceitar já que queria passar mais tempo com Zoe, estamos os dois jogando vídeo game em seu quarto. Nem parece mais que ficamos duas semanas sem nos falar e isso é ótimo. Reconfortante. Aquecedor. Como tudo que envolve Zoe.

É então que a ficha cai. Igual a um sino tocando, tudo passa a fazer sentido.

Olho para ela.

Está concentrada no jogo e (droga!) tem o lábio inferior preso entre seus dentes. Não consigo conter o grunhido que escapa de mim.

-O que foi? – ela pergunta, ainda olhando para o jogo.

-Nada. – respondo rapidamente.

-Então que tal me ajudar aqui? – Zoe pede, ao mesmo tempo que um zumbi aparece por trás e ataca o personagem dela, as palavras GAME OVER aparecendo segundos depois. – Ah maravilha! Viu só? Se você tivesse prestando atenção e me ajudando teríamos ganho Dylan! – reclama.

Zoe continua reclamando. Porém, tudo em que consigo prestar atenção no momento é nesse enorme e caloroso sentimento que tomou conta de mim. Faz meu estomago revirar de uma maneira boa, ainda mais quando, na hora de se despedir Zoe me abraçou e me lançou uma daqueles seus sorrisos, aquele que parece que ela está rindo e escondendo um segredo muito interessante ao mesmo tempo. É um sinal de que estou perdoado. Sorrio de volta para ela.

E no caminho de volta para casa, as palavras formam a frase que define tudo.

Estou apaixonado.

Pela garota de olhos verdes que esteve ao meu lado há tanto tempo já que parece ser minha vida toda.

Eu estou apaixonado pela minha melhor amiga.

E isso é a coisa mais assustadora e empolgante que já me aconteceu.

~==~

-Dylan você sequer ouviu algo do que eu disse?

Desperto de meu devaneio com a voz de Láia me chamando.

-Você nunca presta atenção ao que eu falo! – ela reclama.

-Não começa com isso de novo Láia... – peço.

-Começar com isso? Bom, eu não começaria se você prestasse ao menos um pouco de atenção em mim, que sou sua namorada por um acaso! – ela diz, a voz saindo uns oitavos mais alta, o que a deixa mais estridente.

-Tá ok Láia. Eu vou prestar atenção em você agora... Sobre o que quer falar? – pergunto, mantendo a minha paciência. Na verdade, acho que estou num estado “entorpecido no momento.

Tenho estado assim há um bom tempo já.

“Desde que ela disse que me odeia”, penso. “Ou melhor, desde que ela saiu da minha vida...ou que eu sai da dela.” Enfim, o resultado é o mesmo.

-...viu só?! Você fez de novo Dylan!

-Fiz o que? – pergunto na defensiva.

-Não ouviu nada do que eu disse!

-Ouvi sim.

-Ah é? Pois então repita. – ela cruza os braços e me encara. Está realmente brava.

Faço um breve esforço mental, tentando ver se lembro de algo, porém não é bem sucedido.

-Sobre a sessão de fotos pra IT Girl? – arrisco, minha memória me dizendo que já ouvi isso alguma vez.

-Ugh! A sessão foi para a Youth, você sabe que eu nunca participaria de um editorial para a IT Girl, Dylan. Pensei que já tivesse dito isso!

-Como se fizesse alguma diferença... – murmuro, mas ela acaba ouvindo.

Percebo pela forma como ela bate com força seu copo de suco verde vitaminado ou seja lá o que isso for. Ao levantar meu olhar, encontro Láia bufando. Raramente a vi assim. Fazendo birra, várias vezes. Mas bufando desse jeito, não. Então, me ajeito na cadeira esperando o que vem a seguir.

-Quer saber Dylan? Eu estou cansada disso! Você realmente não se importa comigo, não é.

Por alguns segundos não digo nada. Então me dou conta que na verdade se trata de uma pergunta e me apresso em dizer:

-Claro que me importo. – minto.

-Então demonstre isso. Afinal, você é meu namorado!

Láia aproxima sua cadeira da minha e puxa meu rosto de encontro ao seu, me beijando. A beijo de volta, mesmo sem vontade. Ao fim do beijo, ela me olha esperando algo.

Uma confirmação.

-Sim, eu sou. –digo, forçando um sorriso quando ela sorri e me beija de novo.

~

-Cara, não entendo porque continua com isso. – Tyler diz para mim. – Se está te incomodando tanto, termina com ela.

-Não é tão simples assim... – começo, mas antes mesmo das palavras saírem, sei que isso é mentira.

-É sim e você sabe disso. Só fica arrumando desculpas para não ter que lidar com isso, como tem feito com varias coisas na sua vida desde aquele acidente. – ele me interrompe, e mesmo que seja chato de ouvir, sei que ele está certo.

Dou mais um trago no cigarro e abaixo a cabeça, soltando a fumaça lentamente, tentando buscar conforto na ação.

-Olha, eu sei que isso é chato de se ouvir, mas sou seu amigo e estive do seu lado durante todas essas coisas, vendo você fazer muitas cagadas no decorrer desses anos sem a Zo-

Solto um resmungo quando ele começa a dizer o nome dela.

-Sem ela. – Tyler continua, mudando a palavra. – E você precisa entender que está mais do que na hora de você dar um jeito na sua vida, cara. A maioria das merdas que tem acontecido são por sua culpa e sabe disso.

-É...eu sei. – suspiro, dando mais uma tragada.

-Então está na hora disso mudar. Pode não ter ela mais de volta, mas isso não significa que tenha que continuar vivendo desse jeito. Nunca se esqueça: a decisão é sua cara. Está nas suas mãos.

Penso nas palavras de Tyler, sobre estar nas minhas mãos. Engraçado, por mais que eu saiba que isso é verdade, é exatamente o contrário disso que sinto.

Como se tudo estivesse fugindo de minhas mãos, na verdade.

~

*Zoe POV*

Eu não sei exatamente como isso aconteceu. Em um momento minha melhor amiga estava gritando comigo, me afastando do que quer que esteja acontecendo para deixá-la assim e no outro ela estava de malas feitas, pronta para voltar à Nova York. Com Ashton a acompanhando.

É claro que no meio de tudo isso teve uma baita confusão, com Becca nem me olhando quando apareceu na sala, Luke me consolando, Caleb e Julie aparecendo juntos bem nessa hora (coisa que não passou despercebida por mim). Acabou que depois de Leb, nada discretamente, me puxar para perguntar o que tinha acontecido e se eu estava bem, o que eu sei que ele fez para me afastar de Luke, vi Becca indo em direção ao quarto de Ash e decidi que essa era uma boa hora para tentar conversar com ela a sós e ver se ela me contava algo.

Ela até falou comigo. Me pediu desculpas por ter gritado e me contou de forma breve e sem vida que estava passando por uns problemas com a família, mas que não era nada demais e que logo as coisas se resolveriam. Não acreditei, não 100% pelo menos. Não é de hoje que sei que Becca tem uma família difícil de conviver, digamos assim, e que seu relacionamento com o pai não é dos melhores, mas há anos que não vejo ela se deixar abalar por isso tanto assim.

Pergunto o que houve e se posso ajudá-la, mas ela nega e percebo que é melhor não insistir. Seja lá o que for a deixa bastante desconfortável. Então por mais que não fosse totalmente da minha vontade, decido esperar que ela se sinta pronta para me falar e aceito seu abraço e sua promessa de que me ligaria toda semana.

Fomos para meu apê e ela reuniu suas coisas esparramadas pelo meu quarto. Nem parecia a Becca animada e agitada que tinha chego uma semana atrás. Senti um aperto quando chegamos ao aeroporto. No caminho até lá a tensão tinha aliviado um pouco e todos conversavam sobre diversos assuntos, fazendo piadas de vez em quando que arrancavam risadas tantos minhas quanto da minha amiga loira.

Becca se despediu de cada um presente com um abraço e um até logo, antes de parar na minha frente e me lançar um sorriso aberto, mas que não continha a dose de entusiasmo que era de costume. Não era assim que tinha imaginado essa despedida.

-Eu estou bem, ok? – ela diz baixinho. Arqueio uma sobrancelha demonstrando minha dúvida quanto a isso. –Tá, talvez não totalmente, mas vou ficar. E daí vou te contar tudo. –ela continua.

Eu sabia! Sabia que tinha mais coisa, a julgar pela forma como ela estava agindo. Sem contar o fato de Ash estar indo junto, o que realmente me pegou de surpresa. Quando o vi com sua mala, ele apenas disse que seria por alguns dias e estaria de volta a tempo das últimas atividades promocionais do álbum e para o início da turnê.

Decidi não questionar mais também, estava cansada demais pelos acontecimentos do dia.

-Ok. – concordo e então ela me puxa para um abraço apertado, seu primeiro gesto totalmente verdadeiro do dia. – Se cuida tá? – peço.

Ela assente, os olhos lacrimejados. Minutos depois estou abraçada a Caleb, algumas lágrimas teimosas insistindo em cair, enquanto observo o avião com dois dos meus melhores amigos decolar, adentrando o céu noturno de Sydney.

Horas depois, estou em casa com Leb. Ele decidiu ficar por mais uma semana, “para cuidar de mim”. Desconfio não ser apenas por isso, mas fico feliz. Não sei como teria reagido se ele também estivesse indo embora já.

Meu irmão me preparou uma sopa, o que realmente agradeci já que não estava com a mínima vontade de cozinhar e muito menos de pedir algo fora. Após comermos, vamos pro sofá assistir algo. Discutimos sobre o que ver, coisa que já se tornou um hábito entre nós dois e que costumava deixar mamãe de cabelo em pé quando éramos crianças. “Vocês são gêmeos meu Deus! Deviam concordar mais!” dizia ela.

-O Luke estava muito próximo de você hoje... Não pense que não reparei. – Leb comenta, enquanto faz um cafuné na minha cabeça.

Solto um suspiro. Apesar de tudo, ele ainda arranja tempo para ser o irmão protetor.

-E você, não pense que não reparei que você e a Julie chegaram juntos. – respondo, ignorando sua implicação.

-Isso não vem ao caso. – responde. – Não gosto da forma como ele te olha. Você sabe que os garotos sempre só querem uma coisa né?

Dessa vez solto um engasgo seco. – Ah não Leb! Nem vem com esse papo, não sou mais uma adolescente! – reclamo, fazendo uma careta. – E isso vem ao caso sim. – me levanto, sentando de frente para ele com as pernas cruzadas em posição de índio em cima do sofá. – Desde quando? – pergunto.

-Desde quando o que? – se faz de desentendido.

-Ok, não quer contar, tudo bem. Respeito sua privacidade... E a da minha amiga. – acrescento. – Mas aqui vai um aviso. – digo séria, o que o faz olhar para mim, mas suas feições demonstram que ele não está de fato me levando a sério. Continuo mesmo assim:

-Julie é minha amiga. Umas das poucas que tenho aqui. Depois do que aconteceu hoje, não estou a fim de perder mais nenhuma porque o senhor não conseguiu se controlar e depois acabar ferindo os sentimentos dela, ok? – meu tom ainda é sério. Amo meu irmão, mas sei muito bem como ele é e não seria a primeira vez que isso aconteceria.

-Somos adultos. Sabemos controlar e separar nossos sentimentos, Zoe. Não se preocupe maninha, tenho certeza que Julie tem consciência disso também. – ele me dá uma piscada, típica de quando quer mostrar que tem tudo sob controle.

Não acredito muito, mas deixo passar.

-Eu realmente espero isso. Porque se não...- lhe lanço um olhar ameaçador.

-Ei! Por que sempre tem que sobrar pra mim? – ele se faz de vítima, sendo que de inocente não tem nada.

-Porque você Caleb Melacci, é um galanteador de alto nível e eu te conheço muito bem.

Ele apenas ri com meu comentário, fazendo cara fingida de ofendido depois.

Alguns minutos se passam, e eu voltei a deitar minha cabeça na almofada em seu colo, até que ele diz:

-Você não perdeu a Becca.

Olho pra cima, observando seu rosto sério e preocupado.

-Ela ainda vai te contar tudo e as coisas vão voltar a ser como antes. – ele afirma.

Por algum motivo penso haver mais implícito no que Caleb disse do que só o que aconteceu hoje. Devo estar imaginando coisas, provavelmente devido ao cansaço.

-Eu sei. – concordo, meus olhos se fechando e seu carinho no meu cabelo embalando meu sono.

-E só pra deixar registrado, – sua voz me desperta um pouco, mas não abro os olhos – Você ainda é a minha irmãzinha pra mim. Pequena e indefesa. – lhe dou um cutucão com o cotovelo ao ouvir os adjetivos e solto um riso baixo, o qual ele acompanha.

– E eu vou sempre cuidar de você. – termina por fim, me arrancando um sorriso.

Notas finais
E aí?! O que acharam? Gostaram do momento gêmeos no final? hahah Vou aguardar ansiosamente por comentários :3 (pfvr não seja um leitor fantasma. A autora aqui adora ler a opinião de vocês) Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.