Between Two Worlds
1 Capítulo 1
Notas iniciais
I hope this goes over well, on the toxic radio
(Taken For A Fool - The Strokes )
Finalmente depois de vários anos sofridos, estava completamente livre do colégio. Sou uma pessoa formada, livre, posso fazer tudo, acordar tarde, não sou mais obrigada a ficar aturando professor chato, muito menos as patricinhas do colégio, finalmente consegui tudo o que eu sempre quis. LIBERDADE!
É, só que isso não durou muito, todo mundo tem essa mesma ilusão não é mesmo? Só que esquecem que o fim do colégio é começo de uma vida cheia de preocupações, responsabilidades, tudo aquilo sempre ouvimos na adolescência e sempre achamos que era exagero dos nossos pais, sinto lhes informar, mas é tudo verdade.
Eu particularmente não sofri muito a respeito disso porque eu sempre quis ser bailarina, desde pequena tenho uma paixão por balé. Então era aquilo que eu queria para o meu futuro. Ser bailarina. Mas minhas amigas sempre me ligavam reclamando, dizendo que queriam voltar para o colégio, porque a vida de "adultas" já estava ficando cansativa.
Bom, esqueci de me apresentar, meu nome é null, tenho 17 anos e infelizmente moro no Brasil. É isso mesmo, infelizmente, porque a academia de dança que eu sempre quis entrar fica em Londres, a Royal Academy of Dance, e são poucas as brasileiras que tem o potencial de conseguir uma vaga lá, já que ela é altamente conceituada, e todas as vagas são muito disputadas.
Como eu tinha uma tia que morava na Rússia, meus pais acharam uma boa ideia eu tentar entrar em alguma academia de dança por lá. Por isso resolvi participar de um concurso para entrar no Bolshoi, uma das melhores academias de dança, ela não poderia ser a que eu mais desejava, mas seria uma ótima academia para minha futura carreira de bailarina. Fiz tudo o que deveria ser feito para participar do concurso. A espera do resultado chegava a doer de tanta ansiedade, e com certeza meus pais estavam sentindo a mesma coisa que eu. Mas quando finalmente saiu, eu não fui classificada. É claro que eu fiquei muito triste, eu estava numa expectativa imensa de ir morar por algum tempo na Rússia, estabilizar uma carreira por lá, já estava quase tudo planejado. Acho que esse foi o meu pior erro, criar muitas expectativas.
Como eu tinha uma tia que morava na Rússia, meus pais acharam uma boa ideia eu tentar entrar em alguma academia de dança por lá. Por isso resolvi participar de um concurso para entrar no Bolshoi, uma das melhores academias de dança, ela não poderia ser a que eu mais desejava, mas seria uma ótima academia para minha futura carreira de bailarina. Fiz tudo o que deveria ser feito para participar do concurso. A espera do resultado chegava a doer de tanta ansiedade, e com certeza meus pais estavam sentindo a mesma coisa que eu. Mas quando finalmente saiu, eu não fui classificada. É claro que eu fiquei muito triste, eu estava numa expectativa imensa de ir morar por algum tempo na Rússia, estabilizar uma carreira por lá, já estava quase tudo planejado. Acho que esse foi o meu pior erro, criar muitas expectativas.
Já havia se passado uma semana, depois do envio do vídeo. E eu e minha mãe teríamos que ir ao colégio resolver algumas pendências que tinhamos adiado, por bastante tempo até que o próprio colégio nos ligou cobrando. Bom, como eu não havia participado da formatura, obviamente não peguei meu certificado de que havia completado o colegial. Essa era uma das coisas que eu teria que fazer no colégio.
- Acorda null, você vai perder a hora menina – minha mãe gritava batendo na porta.
- Tá mãe, tô indo – eu falei gritando mais ainda e colocando o travesseiro na minha cabeça.
Depois de me recuperar, eu me levantei. Fiz minha higiêne, e coloquei a roupa que eu havia separado na noite anterior porque eu já estava premeditando esse meu atraso. A roupa era simples, um vestido floral com um cinto na cintura, uma sapatilha beje e uma trança no cabelo. Fiz uma maquiagem bem básica, só para esconder a quantidade de olheiras que eu estava ultimamente. Depois do concurso eu não estava conseguindo dormir direito, é.. ansiedade fode com a pessoa. Não demorei muito para me arrumar e fui para a cozinha.
- Querida, tome esse suquinho antes de ir — minha mãe falou me entregando o copo.
- Ah obrigada — falei pegando o copo da mão da minha mãe e bebendo ele todo quase que com um gole só
- Pronto? — Minha mãe já estava na porta da cozinha me esperando para irmos logo, sempre muito apressada. Respondi sua pergunta revirando os olhos, como eu sempre fazia quando ela ficava querendo apressar tudo o que eu fazia, ela deveria ser um pouco mais paciente, o colégio não ia correr.
O colégio sempre acabava inventando coisas para resolver, parecia que o diretor tinha o prazer de infernizar a vida das pessoas. Mas como minha mãe sempre gostava de resolver as coisas o mais rápido possível, eu já estava livre desse estresse na minha vida, minha mão já estava ficando dolorida de tanto papel que eu tinha que assinar. Pra que tanta burocracia? Minha revolta toda com o colégio por me fazer perder quase uma semana inteira só para ter que ficar resolvendo as porcarias que ele inventava, foi interrompida pelo meu celular tocando.
- null? — reconheci logo de quem era a voz, eu não costumava ficar olhando para ver quem era, isso era um defeito.. É eu tenho que começar a olhar.. Enfim, era a Amanda, ela sempre foi a minha melhor amiga no colégio, já que eu nunca gostei muitos das meninas que estudavam lá, eu tinha umas colegas, mas só para não parecer tão anti-social.
- Oi Amanda. Quanto tempo..
- É verdade, você nunca mais me ligou, e nem te vejo mais online no facebook. Aconteceu alguma coisa? — ela disse num tom meio preocupado.
- Ah desculpa — eu disse com um pouco de culpa por lembrando de realmente ter "sumido" das redes sociais e nao ter mais ligado para ela, já nos falavámos todos os dias tanto no colégio, tanto pelo celular — Eu andei ocupada essa semana, e minha cabeça anda meio pertubada..
- Já que foi por uma boa causa, eu vou perdoar — ela disse dando uma risadinha para quebrar a conversa que estava meio chata — Mas então null... Combinei com o pessoal do colégio de irmos numa festa hoje à noite, não está afim de ir? — ela falou e eu já imagina que ela estava mordendo o lábio inferior esperando uma resposta, como sempre fazia.
- Ai Amanda, é que to cansadona e prefiro ficar em casa hoje, para ver se recarrego minhas energias. Mas obrigada pelo convite. — eu disse torcendo para que ela acreditasse na desculpa que eu acabara de dar.
- Ta certo então, Srta. Cansada — Como eu imaginava, Amanda não acreditou que eu estava cansada, até porque eu sempre fui muito elétrica, mas ela entendeu que eu não estava mesmo afim de ir, porque sabia que eu nao gostava muito do pessoal do colégio, por isso não insistiu muito no assunto — Bom tenho que desligar agora, beijos.
Ok, eu poderia não tá tão casanda assim, ao ponto de querer ficar em casa, eu nao estava tão velha assim. Eu só estava sem ânimo algum de sair naquele dia, a preguiça estava mais forte que eu, e além do mais acho que as pessoas do meu colégio não vão muito com a minha cara. Mas enfim, fiquei o dia todo em casa vendo filme e comendo brigadeiro. Vi uns três filmes, até que acabei pegando no sono. Eu só acordei a noite com meu irmão e meus pais me acordando e gritando que nem loucos pelo meu nome.
- null ? null , acorda. — Luka dizia me balançando. Acho que eu esqueci de mencionar, Luka era o meu irmão mais velho que conseguia ser absurdamente chato quando queria.
- Oi, o que foi? O que aconteceu? — disse levantando assustada
- Minha filha, chegou uma carta para você daquela academia de dança... — minha mãe disse com cara de curiosa para saber o que tinha na carta
- Ai meu Deus, eu tinha esquecido que hoje iria sair o resultado — puxei a carta da mão do meu irmão, sentei na beira da cama e comecei a ler. Quando eu abri a carta, a única coisa que eu prestei
atenção foi no nome gigante em negrito escrito "APROVADA" nem li o que tinha o resto. Apenas olhei para meus pais e para o Luke e os abracei chorando. — EU NÃO ACREDITO MÃE, EU PASSEI — eu disse tentando conter as lágrimas de felicidade.
- Parabéns filha, você merece, é uma ótima bailarina — disse meu pai dando um beijo na minha testa.
- Parabéns minha bebezinha linda da mamãe, sabia que você iria conseguir — ela disse chorando junto comigo e me abraçando.
- Mãe, sem esses apelidinhos — falei rindo
- Parabéns pirralha — Luka disse bagunçando o meu cabelo
Ficamos curtindo aquele momento família e meus pais tinham que arrumar alguma coisa, como sempre faziam. E decidiram que iriamos jantar em restaurante para comemorar a minha aprovação na Royal. Eu peguei a carta, deixei em cima da mesinha de cabiceira e fui tomar um banho. Coloquei uma roupa simples, o lugar não era muito chique, mas não iria desarrumada. Fui com o cabelo solto, só passei um deliniador, uma máscara de cílios e desci. Meu pai e meu irmão já estavam esperando eu e minha mãe que estavamos terminando de nos arrumar dentro do carro, então já fomos entrando no carro e indo ao restaurante. Chegando no restaurante, pedimos uma mesa que demorou um pouco, pois o restaurante tava cheio. Depois de uns minutos veio um garçom e nos levou até a mesa. Sentamos, e fizemos nosso pedido. Ficamos conversando, rindo, foi um jantar em família divertido, coisa que fazia tempo que a gente não fazia. Eu tava com saudades daquela sensação, de ter a nossa família unida. Meus pais sempre trabalhavam bastante, Luka vivia saindo com os amigos, e eu quando não estava na casa da Amanda, estava trancada no quarto ouvindo música, ou na internet.
Passaram-se algumas horas e decidimos que era melhor irmos para casa já que meus pais trabalhariam no dia seguinte. Chegando lá, Luka tirou uma foto minha com ele, e postou no facebook com a legenda "Minha pequena bailarina, parabéns por mais uma conquista de muitas pela frente. Te amo pirralha".
Haviam vários comentários curiosos para saber o motivo da foto e da descrição, porque Luka raramente postava uma foto nossa, e quando eu digo raramente é nunca. Assim que eu entrei no facebook compartilhei a foto e falei o motivo dela, depois disso surgiram mais comentários, todos me elogiando e me dando parabéns, fiquei que nem uma boba. Como já estava ficando tarde, desliguei o computador e decidi ler o que tinha escrito na carta.
Lá havia dizendo "Daremos um prazo de uma semana para nos enviar seus documentos". Mas só uma semana? Fiquei assustada com esse prazo, uma semana pode parecer muito tempo para muitas coisas, mas não para resolver vários documentos, e o mais importante era o passaporte, que eu ainda não tinha porque nunca tive a oportunidade de viajar para fora do país. Como vocês sabem, no Brasil tudo é muito lento, tudo tem fila, mas ok.. Vamos pensar positivo, não é mesmo? Eu posso resolver isso tudo antes. "Sem paranóia, Nathália. Sem Paranóia." Eu repetia isso pra mim mesma. Só que foi mais forte que eu, quando dei por mim já estava correndo para o quarto da minha mãe.
- Mãeeeee? Mãe, abre a porta. — batia na porta do quarto e gritava
- O que foi minha filha? — ela abriu a porta com a cara assustada
- Eu tenho uma semana só para arrumar as coisas para viajar — falei rápido e sem fôlego
- Calma querida, amanhã a gente sai para resolver isso, agora vá dormir que já está muito tarde para falarmos sobre isso. — ela fechou a porta do quarto e eu fui para o meu quarto. Realmente ela tinha razão, já estava tarde demais para falar sobre isso. Mas se eu não falar na hora, eu acabando esquecendo. Demorei um pouco para dormir, fiquei assimilando as todas informações do dia de hoje.
Acordei no outro dia com um sms no meu celular "Querida, se arrume que dentro de 30 minutos vou passar aí para resolvermos sua viagem." Eu me levantei, fiz minha higiene, coloquei uma calça jeans, uma blusinha simples e uma sapatilha, nada exagerado. Coloquei um brinquinho e minha correntinha da sorte e estava pronta. Enquanto minha mãe não chegava, fui tomar um café. Foi o tempo até ela buzinar e me ligar, eu peguei minha bolsa e sai correndo.
- Ta mãe, já to descendo. To sim com a identidade. Mãe, to no elevador, tchau! — desliguei o celular e coloquei na bolsa. Entrei tão alvoroçada no elevador que nem percebi que tinha gente — Desculpa, eu tava tão apressada. Boa tarde. — um cara alto, que eu não pude deixar de notar que tinha um ótimo físico, olhos claros, e que olhos. Ele era lindo.
- Magina. Mães, sempre apressadas. — o homem além de lindo, tinha uma linda voz e para completar tinha um sorriso cativante
- É, sempre. Prazer, null. Você mora aqui? — eu estendi a mão e ele me cumprimentou pegando na minha mão e beijando-a.
- Ricardo. Moro sim, cheguei essa semana, por isso você não me conhece.
- Ah, entendi. Bem vindo então — falei sorrindo. O elevador tinha parado, ele segurou o elevador para eu sair, eu agradeci e nos despedimos.
- Até mais! — ele disse sorrindo e deu uma piscadinha.
- Até — eu sorri e confesso que fiquei envergonhada.
Minha mãe já tava irritada porque haviam carros atrás dela buzinando, e claro ela deu aquela bronquinha de sempre "Porque demorou tanto?" "Da próxima vez eu vou embora e deixo você ai"... Enfim.
Fomos no escritório que ia ficar responsável pela viagem e tudo mais, era uma representante da academia. Ela nos deu uma autorização, que como eu ainda era de menor, eu teria que ter autorização dos pais e teria que tirar meu passaporte o mais rápido possível.
Quando saímos fomos ao aeroporto tirar o passaporte. Enquanto a gente esperava a hora de ser chamada fomos fazer um lache, pois já tinha passado a hora do almoço, e eu tava morta de fome, assim como minha mãe. Depois do lanche voltamos ao escritório, ainda não haviam chamado a gente. Só depois de 10 minutos é que fomos chamadas. Tirei meu passaporte e tudo, como é de se imaginar, sai horrivel na foto. O passaporte ficava pronto na terça, a viagem era na sexta.
Fomos para casa, fui para o meu quarto e dormi.
A tão esperada sexta-feira chegou, eu estava ansiosa, nervosa, mas mesmo assim feliz. Como nessa época Londres deveria tá nevando, e está muito frio por lá, levei todas as minhas roupas de frio e se caso precisasse, e com certeza iria precisar, eu compraria mais lá.
Então eu tomei banho e fui me arrumar. Já havia separado minha roupa, uma calça jeans, com uma blusinha de manga por dentro do casaquinho e só base e máscara de cílios.
Fomos todos para o aeroporto, minha mãe já tava chorando ates de sair de casa.
Quando chegamos no aeroporto, fizemos o check-in e fui esperar ser chamada. Ficamos conversando na lanchonete, conversando, nos abraçamos, e minha mãe chorava me abraçando lembrando de quando eu era bebê.
- Mãe, não vou ficar lá pra sempre. Eu volto. — falei olhando nos olhos dela e abraçando-a.
- Eu sei meu bebê, vou sentir sua falta. — ela disse me apertando
- Mãe, eu não sou mais bebê — eu disse sorrindo quase ficando sem ar.
- Eu sei, mas pra mim sempre vai ser meu bebê. — O momento melancolia foi interrompido, graças a Deus, acho que se eu ficasse mais alguns segundo naquele abraço eu teria morrido. Mas confesso que irei sentir saudades dele e dos ataques de histeria da minha mãe. Mas é sempre assim, não é mesmo? Quando estamos perto reclamamos, mas quando estamos longe sentimos falta.
Fomos até o portão de embarque e nos despedimos. Meu pai controlava não chorar, não queria tirar a pose de macho. Ele me abraçou e apenas disse que sentiria falta. Eu não conseguia controlar as lágrimas que saiam do meu rosto, eu estava quase soluçando de tanto chorar. Meu irmão ficou me pentelhando, mas acabou chorando. Minha mãe nem se diz. Nosso abraço foi o mais demorado, aquele abraço já me confortou tanto nos meus momentos de tristeza, ele sempre foi o meu porto seguro. Mas logo mais eu estaria nele novamente. Quando finalmente minha mãe me largou, eu pude ver que tinha uma mulher na frente do portão com um papel escrito "Royal Academy of Dance" e me diriji até ela.
- Oi, Kate não é? — falei, perguntando em dúvida.
- Oi, sim. E você é anull, certo? — afirmei com a cabeça sorrindo de leve — Então, entre e fique me esperando com aquelas outras meninas — disse apontando para umas meninas que estavam em pé na porta. — Estou esperando só mais uma.
- Certo
Voltei correndo até os meus pais e meu irmão e dei outro abraço, o mais forte que eu pude, porém rápido.
- São só dois anos, dois anos. Amo vocês. — falei largando eles e enxugando as lágrimas. Fui até o portão novamente, e entreguei meu passaporte a moça e ela autorizou minha entrada.
Quando entrei, fiquei encostada na parede por 2 minutos, até que Kate apareceu e mandando a gente passar que se não perderiamos o vôo. Dei mais um tchau de longe e passamos pela máquina de detector de metal. Enfim, foi todo aquele procedimento até entrar no avião.
Eu fiquei na janela, e a menina que tinha se atrasado sentou do meu lado, ela me cumprimentou com um 'Olá' bastante animado e somente.
O vôo não era direto, então teriamos que parar em São Paulo pra poder ir para Londres. Coloquei meu fone de ouvido e comecei a ouvir taken for a fool de Strokes, enquanto o avião decolava, quando eu estava vendo a minha cidade, junto com os meus pais, desaparecendo, sussurrei um trecho da música que eu estava ouvindo "Mama, don't you forget my number, I don't want to be the one to let go" (Mamãe, não se esqueça do meu número, eu não quero ser a que abandona). Porque apesar da minha mãe estar feliz por eu ter conseguido realizar o meu sonho, eu sabia que ela tava mal por eu ter que ir morar tão longe dela. Eu sempre tive esse sonho de morar fora do país, e ela sempre discordou, dizendo que não era para deixar ela, mesmo tendo meu irmão, eu sempre fui muito apegada a minha mãe, e mesmo tendo um sonho, eu achava que não consegueria viver longe dela. E lá estava eu, num avião indo para Londres, distante da minha mãe. E eu sabia que ela ia sentir isso, assim como eu. Mas resolvi parar de pensar sobre isso, eu passei anos sonhando com essa viagem, eu vou conseguir superar a saudade. Chegando em São Paulo, o nosso vôo iria atrasar, e eu estava já morta de cansada, não aguentava mais ficar sentada naquelas cadeiras duras e desconfortáveis. Até que eu fui comprar alguma coisa numa loja que estava me chamando a atenção há algum tempo.
- Ei, ei. — me virei para ver se era comigo. Era a menina que sentou do meu lado.
- Oi, estava me chamando? — perguntei
- Sim. Vi que você ia vir na lojinha, e aproveitei pra não vir sozinha. — a garota disse sorrindo — Não nos apresentamos. Prazer, null — ela disse estendendo a mão.
- null — disse apertando a mão dela e dando um leve sorriso. — Então, o que vai comprar? Acho que vou comprar mashmellows, deu uma vontade de comer agora — ela falou rindo e pegando um pacote de mashmellow na frente dela.
- Eu acho que vou comprar só um chocolate mesmo pra minha barriga parar de roncar — sorri
- Você tem quantos anos? — ela disse depois que compramos as coisas que escolhemos, e já estavamos saindo da loja.
- 17 e você? — dei um meio sorriso
- 18.. Que bom que não é uma diferença enorme de idade, assim vamos poder conversar sobre várias coisas.. — ela disse num tom meio malicioso, eu soltei uma risada.
Compramos e fomos sentar em umas cadeiras próximas da loja, ficamos esperando até chamarem nosso vôo e dizer qual o portal que deveriamos ir. Por nossa sorte, não demorou muito e já fui anunciado o embarque. Fiquei a viagem toda conversando com null, era bom já chegar tendo uma amiga, uma amiga que não fosse fresca, nem patricinha, coisa que eu odiava. null me contou tudo o que já havia passado para conseguir uma vaga na academia, disse que morava no interior de Pernambuco, ela definitivamente contou a história dela pra mim, já deu pra perceber que ela gostava de conversar, eu teria que me acostumar com isso. Quando eu olhei o painel de vôo, faltava pouco tempo pra chegar. Aleluia, já não aguentava mais ficar sentada ali, minha bunda tava quadrada, minhas pernas estavam dormentes.
Quando desembarcamos, Kate nos conduziu até uma van que já estava nos esperando ao lado de fora do aeroporto, eu acabei cochilando no percurso de ida ao nosso apartamento. Fui acordada por null me sacudindo avisando que já haviamos chegado, olhei pela janela para ver o prédio, onde eu moraria por um périodo. Não era uma prédio muito grande, tinha a cor meio puxada para o samão e ficava em frente a academia de dança. Eu estava muito cansada, então não fiquei reparando muito no bairro, nem em como era a academia sem seu exterior. Antes de sairmos da van, Kate pediu um minuto de silêncio e para a gente prestar atenção no que ela falaria. — Queridas, vou da a cada uma de vocês uma chave do quarto. São duas em cada quarto. — Ela disse pegando as chaves na bolsa e foi falando o nome das duplas e entregando as chaves para as respectivas — null enull — ela nos entregou a chave. Eu e null nos olhamos e sorrimos. Eu estava realmente com sorte, ficaria no mesmo quarto que.. posso começar a chamá-la de amiga? — Vocês terão 3 dias para ajeitarem as coisas, conhecerem a cidade e tudo mais. — Obrigada — falamos quase em coro
Descemos da van, o motorista nos ajudou a pegar nossas malas e fomos direto para o nosso quarto. O apartamento era pequeno, mas dava perfeitamente para que eu e null morássemos, nele havia dois quartos pequenos, um banheiro, e a cozinha e a sala eram divididas por um balcão, bem cozinha americana. Ali era bem aconchegante, as paredes eram pintadas de um beje puxando para um marfim, o chão era de madeira, e estava bem cheiroso, acredito que mandaram uma faxineira limpar os apartamentos antes que as meninas chegassem de viagem.
Depois de escolher o meu quarto, e largar a mala em qualquer parte do quarto, me joguei na cama, eu não estava nem um pouco preocupada em tomar banho ou em comer alguma coisa, o cansaço já era mais forte que tudo. Não demorou muito e eu peguei no sono.
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